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Sagatrissuinorana/Fábula Infantil, J. L. Guimarães
Sagatrissuinorana/Fábula Infantil, J. L. Guimarães

CONHEÇA O ESCRITOR QUE GANHOU O JABUTI TORNANDO TRAGÉDIA EM FÁBULA INFANTIL

João Luiz Guimarães venceu prêmio recontando história do acidente em Brumadinho

Autor de 'Sagatrissuinorana' fala sobre imaginação e o poder das histórias para crianças

 

 

O que vem à sua cabeça quando lê a palavra jabuti? Talvez o bicho de casco duro e passos lentos, primo da tartaruga. Mas sabia que existe também um grande prêmio com esse nome?

 

prêmio Jabuti é o principal da literatura brasileira. Ele existe desde 1959 e todos os anos celebra os melhores livros e seus criadores. Os vencedores da 67ª edição serão anunciados nesta segunda (27), em cerimônia no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

 

O escritor carioca João Luiz Guimarães sabe como é a sensação de ganhar esse prêmio. Em 2021, ele levou duas categorias —livro do ano e literatura infantil—, com "Sagatrissuinorana", da Ôzé Editora, parceria com o ilustrador mineiro Nelson Cruz.

 

A obra reconta a fábula dos Três Porquinhos em um cenário real: o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, ocorrido em 2019.

 

Em entrevista à Folhinha, João Luiz conta como inventa histórias e personagens e por que escreve para crianças. Ele ainda dá dicas para você criar suas próprias aventuras.

 

Como descobriu que ia ser escritor?

Desde criança, eu ficava intrigado com as coisas impressas no papel, que chamavam tanto a atenção do meu avô. Perguntava a ele se não seria melhor ler livros com figuras, do que com letras. Mas ele dizia que, com as letras, podíamos imaginar muito mais. Fiquei tão interessado que quis aprender logo a escrever, para também ser lido por ele.

 

Por que decidiu escrever livros para crianças?

Passei os meus primeiros cinco anos de vida no Canadá. E, daqui do Brasil, meu avô me escrevia cartas com personagens recortados de revistas e tirinhas de jornal coladas no papel. Ele dizia que o Pato Donald, o Cebolinha, o Homem-Aranha e muitos outros queriam saber notícias minhas e contar o que andavam fazendo.

Quando cresci, descobri que era só uma brincadeira amorosa dele. Mas gostei tanto da experiência que quis fazer o mesmo: estimular a imaginação das crianças com histórias e personagens divertidos.

 

Quando começa uma história, já sabe para onde ela vai?

Isso varia. Às vezes, acordo com uma história pronta na cabeça. Mas, geralmente, as ideias vão surgindo aos poucos. O importante é não desistir: guardo o texto e volto a ele noutro dia. De repente, surge uma nova ideia, e fico animado de novo.

 

Qual é o seu personagem preferido?

Personagens são como filhos, então é difícil escolher só um. Mas eu diria o Oalab, um balão de pensamento. Sabe aqueles balõezinhos parecidos com nuvens que mostram o que as figuras das histórias em quadrinhos estão pensando? Pois é. Criei um desses —vazio, sem o desenhista ter preenchido. Aí ele percebeu que podia ter suas próprias ideias sem ninguém dizer a ele como deve pensar.

Ele é o protagonista de "O Vento de Oalab", em que uma rajada de vento o leva a sair voando da página onde morava e a conhecer lugares e personagens bem interessantes. Ao pousar sobre eles, podia ver no que estavam refletindo! Passeou por várias coisas diferentes, como uma goiaba, uma sombra, um ovo.

 

O que quer que as crianças aprendam com esse trecho de "Sagatrissuinorana": "Às vezes, o homem pode ser o lobo do lobo"?

Quando somos pequenos, temos medos ainda sem nome, porque nem sempre sabemos descrever nossos sentimentos. Por isso, ajuda fantasiar com lobos maus, monstros, ogros e outras figuras assustadoras. Assim, quando o livro acaba, deixamos o terror preso nas páginas junto deles.

Em "Sagatrissuinorana", mostro como o rompimento da barragem, no mundo real, foi tão horrível que a lama passou por cima de tudo —inclusive do Lobo, lá no mundo da imaginação. Como esse desastre foi culpa do ser humano, a frase mostra que, às vezes, os adultos também podem fazer coisas terríveis, assustadoras, até mesmo para um grande vilão que não existe.

 

Sagatrissuinorana

  • Preço R$ 58 (32 págs.)
  • Autoria João Luiz Guimarães. Ilust.: Nelson Cruz
  • Editora ÔZé Editora

 

Fonte: Folha de S. Paulo/João Kawada em 22/10/2025