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Estela sem Deus, de Jeferson Tenório
Estela sem Deus, de Jeferson Tenório

ROMANCE RETRATA VIDA NA PERIFERIA E REFLETE SOBRE FÉ

 

Filha de uma faxineira que cresce com o sonho de estudar filosofia é a protagonista do romance ESTELA sem DEUS, do escritor Jeferson Tenório.

 

Jeferson Tenório será o anfitrião deste ano da 11ª FestiPoa Literária, de 2 a 6 de maio. A escolha é acertada, não apenas porque o escritor já demonstrou competência como romancista, mas também porque o anfitrião é o responsável por receber a homenageada do evento – que neste ano é uma das maiores referências de Tenório, a mineira radicada no Rio, Conceição Evaristo. Em seu segundo romance, ESTELA SEM DEUS, lançado nesta semana, o autor demonstra que, assim como Conceição, tem habilidade para retratar cenários e personagens pouco presentes na literatura contemporânea, como as mulheres das áreas periféricas das metrópoles.

 

A protagonista do livro é filha de uma faxineira e cresce com o sonho de ser filósofa. Desde a infância, Estela precisa conviver com a falta de recursos e com episódios de violência, morando em cidades como Porto Alegre, Viamão e Rio de Janeiro. Em meio a uma vida atribulada, lida com as dores e as delícias do crescimento, como a primeira menstruação e a descoberta da sexualidade. Tenório afirma que ficou inseguro ao assumir o lugar de fala de uma personagem feminina:

 

- A questão do lugar de fala foi e ainda é uma questão para mim. Hesitei muitas vezes. Por outro lado, estou lidando com uma coisa chamada literatura, que nos permite transitar entre diferentes identidades. Escrever sobre uma mulher é um desafio, e a tarefa do escritor é se impor dificuldades, para que o texto não saia fácil, direto. A insegurança é um fator primordial na hora de escrever.

 

Estela também reflete muito da história de Tenório, que nasceu no Rio e se mudou na adolescência para Porto Alegre.

 

- Fiz o caminho inverso da personagem – brinca o escritor, de 41 anos.

 

Assim como as obras de Conceição Evaristo e Carolina Maria de Jesus, ESTELA SEM DEUS retrata de modo original o cotidiano e a psique de personagens que habitam a periferia das grandes cidades. O texto lembra de longe o realismo do século 19, mas sem seu viés determinista.

 

- É uma literatura naturalista com metafísica – define Tenório.

 

Metafísica não falta nas páginas do romance, rendendo alguns de seus melhores trechos. Ao mudar-se para o Rio, Estela passou a morar na casa de sua madrinha, Jurema, dedicada frequentadora de uma igreja neopentecostal. Estela vivencia o dia a dia nos cultos cristãos, mas também se sente atraída pelas religiões de matriz africana. Em um tom compreensivo, jamais caricato, a narrativa aproxima o leitor das duas práticas de fé:

 

- Procurei não demonizar nenhuma das duas religiões, que fizeram parte da minha formação.

 

Fonte: ZeroHora/Mundo Livro/Alexandre Lucchese (alexandre.lucchese@zerohora.com.br) em 27/04/2018.