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Misteriosa Luz Amarela, uma Estreia Madura
Misteriosa Luz Amarela, uma Estreia Madura

MISTERIOSA LUZ AMARELA, UMA ESTREIA MADURA

 

TRUSTÁLIA – UMA QUASE DISTOPIA (Chiado Editora, 258 páginas), do compositor, pesquisador e músico (com mais de 110 canções gravadas) Magno Mello, é seu romance de estreia – ele recebeu o Prêmio Interações Estéticas (Ministério da Cultura – Funarte), por seu trabalho de Poética Musical – estudo inédito no Brasil sobre os elementos e ferramentas que estruturam uma letra de música.  Há oito anos, Mello ministra cursos, workshops e palestras pelo Brasil.  Segundo o consagrado jornalista e crítico musical gaúcho Juarez Fonseca, “Magno Mello, sem dúvida, afirma-se como um dos melhores novos letristas brasileiros”.

O romance TRUSTÁLIA se inicia quando a população de um pequeno povoado vê seu destino profundamente alterado após o aparecimento de uma misteriosa luz amarela.  Simplesmente os habitantes passam a ouvir os pensamentos alheios.  A partir desta ideia aparentemente simples, o escritor imprime uma desconstrução progressiva dos caracteres dos personagens, gerando, com isso, reflexões acerca das estratégias e hipocrisias presentes nas relações cotidianas.  A não fixidez das personalidades humanas fica absolutamente escancarada.

O aparecimento da luz, que durou segundos, permanece sem explicação.  Não há viés religioso ou filosófico.  Simplesmente a luz leva conflitos psíquicos às pessoas da pequena comunidade.  Episódios pitorescos, românticos, violentos, dramáticos, tragicômicos e eróticos são descritos e a perspectiva puramente imagética é, também, explorada.  Detalhes mínimos mostram muito.

A linguagem simples, objetiva, mesmo com alguns refinamentos, faz com que as tramas e o grande número de personagens sejam bem apresentados ao leitor.  A relativização da maldade, a não expectativa, a ausência de valores e mesmo a falta de sentidos aparecem bem na história, apesar da mesma passar-se em um pequeno povoado.

Um trecho:  “Não havia mais caminho de volta, o mundo estava por um fio.  A não ser que partissem de lá.  Mas algo não deixava: uma espécie de anjo exterminador que construíra uma redoma invisível, à prova de fuga.  Seria outra manifestação do fenômeno?  Ou eram as mentes tornadas viciadas, que agora estavam, presas umas às outras, naquela rede sinistra de comunicação absoluta?”.

Como se pode ver, trata-se de uma estreia madura, de um texto bem trabalhado, que equilibra forma e conteúdo, que mostra um cenário em que nada pode ser escondido ou disfarçado.  Como está dito na apresentação, o romance é uma metáfora sobre nossa era de comunicação e informação plenas, que vem colocado abaixo valores, comportamentos e sentidos que vinham sendo seguidos há séculos. E nada de utopias à vista.

 

Fonte:  Jornal do Comércio/Jaime Cimenti (jcimenti@terra.com.br) em 22, 23 e 24 de abril de 2016.