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Sobre Falar Mal dos Outros
Sobre Falar Mal dos Outros

SOBRE FALAR MAL DOS OUTROS

 

A DETRAÇÃO – BREVE ENSAIO SOBRE O MALDIZER (Editora Unisinos, 102 páginas), apresentação do professor Carlos Alberto Gianotti e do professor doutor pela USP Leandro Karnal, que leciona na Unicamp, trata, fundamentalmente, do inescapável hábito que o ser humano tem de toda hora ficar falando do outro.

Karnal nasceu em São Leopoldo, cursou História na Unisinos, tornou-se curador de exposições e palestrante conceituado no Brasil e no exterior.  Publicou várias obras, entre as quais TEATRO DA FÉ (Hucitec), CONVERSAS COM UM JOVEM PROFESSOR (Contexto) e PECAR E PERDOAR (Nova Fronteira).

Mesmo que a gente não se dê conta, a detração, a mania de falar mal do outro, envolve nosso cotidiano.  São múltiplas as modalidades do maldizer e justamente esse é o aspecto abordado pelo pensador Leandro Karnal.  O professor, todavia, optou por uma narrativa leve, clara e com uso de bom humor, mas sem deixar de lado, claro, o rigor intelectual.  O tom combina com o conteúdo.

Carlos Alberto Gianotti, editor e apresentador do volume, explica que certo dia passou pela frente da TV e ouviu um político dizendo horrores sobre seu colega.  Pensou depois que não só políticos são maledicentes, mas também bispos, sindicalistas, professores, jurisconsultos, psicanalistas, chanceleres, balconistas, colegas de trabalho, familiares, amigos, companheiros de bar, de academia e de futebol também falam mal dos outros.  Todo mundo.  Aí pensou que a detração está no nosso cotidiano e convidou o autor para escrever esse envolvente BREVE ENSAIO SOBRE O MALDIZER.

Depois de uma brevíssima introdução que o autor pede que não seja pulada, os cinco capítulos tratam de história como detração; política ou a arte de desviar a detração; Deus te vê; Da detração na Terra de Santa Cruz e em outras terras e Detração e preconceito.

O autor, já de início, explica que, onde há pessoas, há falas; onde houver fala, há detração.  A detração nasce com a sociedade humana e não desaparecerá enquanto houver seres humanos.  Contra ela, há princípios bíblicos, regras morais, manuais de etiqueta, formadores de caráter, uma luta de milênios que só demonstra a permanência do problema. Para o autor, somos todos fofoqueiros contumazes.

No final, sábias palavras: se fôssemos sábios, não atacaríamos a ninguém, nem faríamos piada de ninguém, nem teríamos preconceitos com ninguém.  Se fôssemos sábios, não haveria detração nem problemas no mundo causados pelo preconceito.  Em vez de risos nervosos por piadas preconceituosas, riríamos com as crianças, com o sol e o mar.  Se fôssemos sábios...

 

Fonte:  Jornal do Comércio/Jaime Cimenti (jcimenti@terra.com.br) em 15, 16 e 17 de abril de 2016.