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Bibliomania, Bibliófilos
Bibliomania, Bibliófilos

BIBLIOMANIA, BIBLIÓFILOS

 

BIBLIOMANIA (Ateliê Editorial, 232 páginas) traz, em uma simpática e colorida caixinha 12x16cm dois livrinhos costurados, de 116 páginas cada, nos quais os autores Marisa Midori e Lincoln Secco, professores da USP, apresentam pequenos textos com homenagens, impressões, histórias, memórias e ensaios sobre o infinito mundo dos livros.

Quem gosta, ao menos um pouco, de livros, não pode deixar de ler.  Os textos foram publicados originalmente para a revista Brasileiros, na coluna Bibliomania, que deu nome às duas obras de Marisa e Lincoln.  Escrever sobre livros é tarefa infinita e os temas se multiplicam.  Dentre as histórias sedutoras a respeito de literatura e autores, já de início, merece destaque a da página 29 do volume de Lincoln, intitulada A CRISE DO LIVRO.  O final do texto: “O e-book é uma benção, pois vai diminuir o custo ecológico do livro, salvando árvores que eram consumidas por livros de consumo rápido e frenético.  Afinal, na rede (virtual) tudo se faz com rapidez.  Na rede (real) tudo se faz com prazer”.

 

 

 

 

Os autores defendem a permanência do livro impresso, ainda que junto com os livros digitais.  No volume de Marisa, página 51, há um texto interessante sobre livros raros, leilões, falsários e sobre um conto de Gustave Flaubert sobre o tema.  Ouro de tolo é o título do artigo, mostrando que nem tudo que reluz é ouro e indicando o livro BIBLIÓFILO APRENDIZ, clássico de Rubens Borba de Moraes, para quem quer aprender a comprar em livrarias especializadas e adquirir raridades.  Rubens explica que o dinheiro não é tudo.  As vezes o faro é mais importante.

Falsas dedicatórias, tipos de livros, livros perigosos, Lenin-bibliófilo, Marx-bibliófilo, As armas e os livros, A fogueira de livros, O livro, a feira e a festa e Os inimigos do livro são alguns dos títulos dos textos, que relacionam livros com pessoas, locais, épocas e com outros livros.  Como a gente sabe, o mundo do livro é infinito.

Sobre a maldição da letra impressa, está lá, no livro de Marisa, página 45:  “A consciência de que a letra impressa tira do autor a autoridade sobre o escrito moveu teóricos e profissionais do livro por longos séculos.  Tem significados profundos, até nossos dias.  O debate em torno do direito autoral diante das novas tecnologias de difusão do texto, não necessariamente impresso, mas eletrônico, está na ordem do dia.  Mario de Andrade escreveu:  “É natural isso da gente cair num abatimento desiludido cada vez que publica um livro, eu sempre fico desolado quando enfim uma obra minha se converte a essa realidade brutal e castigadora de letra-de-forma.”

Sobre manuscritos perdidos, há interessante história envolvendo Celso Furtado e o clássico FORMAÇÃO ECONÔMICA DO BRASIL no livro de Lincoln, página 45.  Também há ótimos relatos na página 49 e seguintes.

 

... A PROPÓSITO...

Pois é, ter um livro nas mãos é tipo estar sozinho e bem-acompanhado, é ter um jardim no boldo.  Com o Kindle, leitor eletrônico, então, dá para levar no bolso a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.  Livro impresso, e-book, outras formas, não importa.  O livro segue como objeto de design insuperável e uma das maiores invenções da humanidade.  Permanece como território livre e infinito.  Livro é ótimo.  Livros sobre livros sempre têm charme, algo a mais.  É o caso destes dois, Lincoln e Marisa, que, acima de tudo, passam seu amor de bibliófilos aos outros milhões de bibliófilos.  (Jaime Cimenti)

 

Fonte:  Jornal do Comércio/Jaime Cimenti (jcimenti@terra.com.br) em 22, 23 e 24 de abril de 2016.