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O Transgressor de Paulo Ribeiro
O Transgressor de Paulo Ribeiro

BALADA PARA OS ANTI-HERÓIS

 

Escritor Paulo Ribeiro lança seu 18º livro, O TRANSGRESSOR, com cinco contos com a rebeldia e a negação dos dogmas como fios condutores.

 

Os personagens reunidos por Paulo Ribeiro na coletânea de contos O TRANSGRESSOR são fora das normas, transgressores a maioria, isolados quase todos, mas a opção pelo uso do singular sinaliza que talvez o “transgressor” que a obra tem em mente é seu próprio autor.

 

O TRANSGRESSOR reúne cinco contos longos. Os fios que atravessam as narrativas são a experimentação formal, o diálogo quase sufocante com a grande tradição literária e filosófica (mais explicitamente com Voltaire e Schopenhauser) e o foco em figuras inadequadas, estrangeiras no horizonte opressivo de uma cidade periférica.

 

CACAMBO, a primeira narrativa, centra-se nas memórias do personagem título mescladas à história social e cultural do Brasil (o Cacambo de Ribeiro é um Candido às avessas, e seu apelido é dado por uma professora admiradora de Voltaire). LAZARUS é o retrato de um pintor obcecado pelo pessimismo de Schopenhauser. OS PÁSSAROS DE ÍCARO narra a queda em uma comunidade serrana do próprio Ícaro, o voador mitológico derrubado não pelo sol, mas por uma tempestade de neve. AS MÃOS TRÊMULAS DO AEIOU faz um retrato de duas poderosas nevascas e seus efeitos nos habitantes de uma comunidade do interior. E, finalmente, em OS CABELOS DE DALILA, um marido sentado ao lado da companheira na cama recupera as duas décadas turbulentas que viveram juntos.

 

Em um sentido, O TRANSGRESSOR representa uma súmula da obra de Paulo Ribeiro até aqui. Estão lá os experimentos radicais na forma. Autor de livros de ficção e de não ficção sobre Iberê Camargo, Ribeiro constrói LAZARUS em torno da figura de um pintor, fazendo até mesmo uma seção do conto ser narrada na descrição de telas pintadas pelo artista. Bom Jesus, a cidade natal do autor (hoje residente em Caxias do Sul), é também o local de origem de mais de um personagem da história. E mesmo o mote central do visitante “mitológico” a uma cidade pequena, que era o cerne do romance CHEGARAM OS AMERICANOS, sobre visita ao Rio Grande do Sul do fotógrafo norte-americano Gregg Toland, que havia feito Cidadão Kane com Orson Welles, é retrabalhado na queda de Ícaro no terceiro conto.

 

Curiosamente, é das reminiscências de seus personagens que o autor extrai seu melhor material, enquanto algumas inserções de temas do noticiário, como a Lava-Jato e as listas do propinoduto da Odebrecht, soam deslocadas da proposta do conjunto.

 

Fonte: ZeroHora/Mundo Livro/Carlos André Moreira (carlos.moreira@zerohora.com.br) em 15/09/2017