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A Revolução em Paris, de Pierre Schoeller
A Revolução em Paris, de Pierre Schoeller

CORAÇÕES E MENTES DA REVOLUÇÃO FRANCESA

 

Superprodução que reconstitui a insurreição que pôs fim à monarquia na França tem sessão hoje (em 11 de junho) no Festival Varilux

 

Anos de produção, milhões de euros gastos, um elenco estelar, 300 salas de cinema mobilizadas para a estreia na França. A REVOLUÇÃO EM PARIS, novo filme de Pierre Schoeller (do ótimo O EXERCÍCIO DE PODER), fez de tudo para estar à altura da grandeza de seu tema.

 

Lançado no último Festival de Veneza, o filme é situado no epicentro da Revolução Francesa e comprime quatro anos de história em duas horas de duração. Passeia pelos principais acontecimentos que levaram ao fim da milenar monarquia do país e à instauração da República. A REVOLUÇÃO EM PARIS está na programação do Festival Varilux, com sessão em Porto Alegre hoje (em 11 de junho).

 

Ao contrário de MARIA ANTONIETA, retrato pop de Sofia Coppola sobre os últimos momentos da realeza – celebrado pela forma, mas questionado pela suposta simpatia aos soberanos – A REVOLUÇÃO EM PARIS devolve o protagonismo às camadas populares, sem, no entanto, conseguir abrir mão da pompa conservadora dos dramas de época.

 

Dividida em capítulos que separam os anos-chave da jornada, a narrativa cruza o destino de figuras anônimas do povo com aparições esporádicas de personagens históricos. É assim que os caminhos da lavadeira Françoise (Adèle Haenel), seu companheiro Basile (Gaspard Ulliel) e o vidraceiro (Olivier Gourmet) esbarram com a presença de Robespierre (Louis Garrel), Marat (Denis Lavant) e Luís XVI (Laurent Lafitte).

 

Engolido pela pretensão de se construir como retrato definitivo de um tempo complexo, o filme corre contra o relógio para dar conta de sua meta impossível. Ao público, resta a difícil identificação com a trajetória dos personagens pouco aprofundados e certa desorientação quanto aos encadeamentos políticos, no pressuposto de que os fatos são de conhecimento universal.

 

Se “do caos surgem grandes coisas”, como afirma um dos personagens, seria este senso de desnorteamento uma maneira de representar o calor e a turbulência? Esta leitura mais simpática à obra, no entanto, não se sustenta. A alternância entre momentos didáticos e outros nebulosos parece ser fruto muito mais da falta de unidade de um filme que tropeça em si mesmo.

 

REPRESENTAÇÃO ESTETIZADA DE UMA REALIDADE VIOLENTA

 

Com alguma boa vontade interpretativa, porém, uma valiosa lição pode ser extraída: a justiça social – seja lá ou aqui, agora – depende do rompimento com velhas estruturas de poder. A obra enfraquece as suas bem-intencionadas aspirações políticas ao cair na tentação de embelezar a pobreza de um povo faminto. O filme oscila entre momentos de entretenimento eficiente e a superficialidade ostensiva, terminando como uma representação estetizada de um período intrincado e violento.

 

 

Fonte: Zero Hora/Segundo Caderno/Felipe Arrojo Poroger/Folhapress em 11/06/19