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Danny Marks
Danny Marks

ENTREVISTA: Danny Marks

 

Sua Biografia:

Danny Marks é o nome artístico de Daniel Teijeira Claro. Nascido em Santos, atualmente morador de Praia Grande. Formado em Administração e Letras, pós-graduado em Alfabetização e Letramento. Metalúrgico aposentado dedica-se atualmente a profissão de escritor, palestrante e professor de Técnicas de Redação e Escrita Criativa.

Sua carreira literária oficialmente inicia-se com a participação na antologia Anno Domini da editora Andross, onde posteriormente organizou a antologia Dias Contados.

Foi editor da editora Multifoco, onde lançou a coletânea Universo Subterrâneo. Publicou independente pela Amazon os livros Amor, sexo e outras tragédias (contos) e Sob o Signo de Tanatos. Pela editora Dragonfly, publicou O Escultor de Ossos (policial) e Deus Vapor (steampunk). Tem participações em diversas outras antologias de editoras diversas, algumas em vias de produção.

 

Suas Obras:

 

Escultor de Ossos trabalha com o nascimento de um assassino serial na cidade de São Paulo. Na história, uma repórter fotográfica acaba cruzando inadvertidamente o caminho de um homem que rouba ossos dos cemitérios, para esculpi-los e apresentá-los como obras de arte e acaba tendo um envolvimento amoroso. Lançado em eBook e como parte da coleção Criminal da Editora Dragonfly.

Deus Vapor é uma história steampunk voltada para o público jovem adulto. Trata sobre a vida de um rapaz que busca compreender os segredos da natureza e da misteriosa tecnologia do Vapor. Entre o romance com uma jovem da cidade, as questões éticas e politicas do choque cultural de novas tecnologias em comunidades rurais, há a descoberta de si mesmo, do amor, da ciência e da aventura de viver em um universo cheio de surpresas e riscos, onde não há espaços para erros e nenhuma certeza dos resultados.

 

 

O Jogo é um romance mítico, trabalha com a questão do Livre Arbítrio usando uma linguagem arquetípica em forma de romance. Um trabalho complexo de arte literária que não tem a mínima pretensão de ser comercial. A grande vantagem é que a história é mutante, ela se ajusta ao momento do leitor e induz a reflexões e apropriações que mudam completamente a história para quem a lê. Tem recebido ótimas críticas dos leitores.


Segundo O Jogo é uma nova história envolvendo os eventos posteriores ao que ocorre no primeiro livro, mas é totalmente independente. Trabalha também com arquétipos, mas desta vez supre uma visão que não foi abordada pelo primeiro livro, a perspectiva do Feminino. Nesta nova trama as relações interpessoais e a busca pela compreensão do sentido da vida se inicia com uma ausência presente. Também é um romance mítico e de difícil leitura, mas que tem encantado aos que se aventuram nessa possibilidade de mergulhar no Si Mesmo e descobrir-se.

 

 

Amor, Sexo e Outras Tragédias é um uma coletânea de contos que trabalham a questão da sexualidade sob várias perspectivas, incluindo as que podem ser consideradas trágicas e cômicas.

 

 

Sob o Signo de Tanatos é uma autobiografia romanceada com os primeiros passos de um aprendiz de bruxo. Traz verdades, muitas mentiras e ensinamentos mascarados em uma linguagem literária que tem a pretensão de ser isenta de tudo, ou quase.


 

 

Como surgiu o escritor Danny Marks?

É chavão dizer isso, mas no meu caso é verdade. Escrevo desde a infância, meu primeiro personagem era um anti-herói, uma criatura desenvolvida por monstros para salvá-los...dos humanos rsrs. Desde antes de ser alfabetizado via HQs que não conseguia ler e inventava histórias para as figuras. Quando comecei a ler de fato, devorava todo tipo de livros e cheguei a assustar a bibliotecária pública ao pegar livros que “não eram adequados à minha idade” como Jorge Amado, Gabriel Garcia Marques e outros, mas ela percebeu que entendia as histórias e passou a trocar comigo argumentações e recomendações de livros.

Mas foi Isaac Asimov quem me “incentivou” a me tornar escritor, porque li em vários livros dele sua trajetória como autor ainda na infância, seus sucessos e fracassos. Li toda a obra de Asimov, até mesmo os livros científicos e as antologias que organizou e isso marcou muito meu estilo pessoal, a diversidade de interesses, ainda o tenho como meu grande Mestre em Escrita por sua linguagem simples, em histórias complexas e bem amarradas, inclusive na questão da verossimilhança e lógica textual.

O nome Danny Marks, porém, é anterior a carreira de escritor. Aos treze anos me interessei por misticismo e cheguei a estudar e me iniciar em diversos estilos de magia, chegando a criar um grupo de estudos e desenvolver a Ciência Evolucionária, um ramo da magia tecnológica vinculado à psicobiofísica. Como na época era proibido usar nomes pessoais nos trabalhos, inscrevi minhas teses A Ciência Evolucionária, O Caos Contido e A Lei da Completude, com o pseudônimo, uma corruptela do termo “A marca de Daniel” ou Danny’s Mark, que virou Danny Marks. Eu já lia Asimov e muito do orgulho dele pelo trabalho que fazia me inspirou também rsrs.

Desde a infância sempre publiquei em pequena escala, ganhei prêmios literários menores e sem repercussão, mas só depois de adulto e próximo de aposentadoria que realmente me dediquei à carreira literária, até porque viver de escrita no Brasil é para poucos e é preciso pagar as contas.

 

 

Você exerceu atividades na área editorial. Fale a respeito do mercado.

O Mercado Literário no Brasil ainda precisa ser inventado. O que temos por aqui é um esboço de mercado que tem feito tentativas de sobreviver e manter a cabeça fora da água. Isso é triste porque todos perdem, embora muitos tenham ganho usando artifícios pouco éticos, por algum tempo. O que é preciso para o mercado literário no Brasil acontecer de fato é uma aposta séria na literatura nacional de qualidade, trabalhar com a perspectiva de que pode se tornar um mercado lucrativo de fato. Gasta-se muito dinheiro para publicar livros estrangeiros que dão royalties para as editoras estrangeiras e acabam encarecendo os custos por aqui porque é preciso cobrir com o preço de capa os valores a serem pagos. Por outro lado, ótimos autores nacionais só são divulgados depois que fazem sucesso, de preferência lá fora, haja vista o exemplo de Paulo Coelho que só se tornou um autor de sucesso nacional depois de ter sido sucesso em Portugal e na Argentina.

Há autores ruins por aqui? Claro que sim, mas há muitos talentos que vão atrás e estudam muito, mesmo sem haver quase nenhum curso de qualidade na formação desses profissionais. Não há investimento das faculdades em cursos de escrita, não há investimento em cursos de diagramação, edição, capistas, etc. Existe todo um mercado nacional que não avança por causa de uma política errada do próprio mercado, de não correr riscos e apostar sempre no lucro menor de livros consagrados. Autores nacionais divulgados nas redes públicas ainda são os clássicos reeditados à exaustão. Claro que são necessários, são ótimos, mas para um público que já é letrado, que gosta de ler, não como uma iniciação à leitura. Por isso vemos cada vez mais livrarias e editoras fechando as portas, o comércio literário se mudando para o mundo virtual e definhando, ao mesmo tempo que há uma enxurrada de “novos autores” que não passam do segundo livro, quando chegam nisso, sufocando os que tem talento e qualidade. E nem tente criticar um autor iniciante que acredita que o seu livro é genial porque a mãe dele e os amigos falaram isso, ou vai receber um “você não entende nada de escrita”, mas já recebi trabalhos que não tem o mínimo de qualidade literária, não há uma construção lógica, não há um enredo, além de parecerem um monte de clichês de livros populares. Assim fica difícil.

Só haverá um mercado quando houver formação para escritores e outros agentes necessários da publicação, quando houver uma campanha massiva e bem estruturada de incentivo a leitura de livros de qualidade produzidos por autores iniciantes, quando houver um real interesse no mercado de que seja Nacional, e não apenas uma reprodução do que já é sucesso lá fora. Até lá, ainda digo que não há um mercado de livros brasileiros de fato.

 

Atualmente é um prestador de serviços literários, trabalha de forma independente?

Eu tento ajudar o melhor que posso. Faço revisões, dou dicas, estimulo a criatividade, trabalho com empresas que me contratam para palestras e cursos, publico livros se não me pedirem para pagar (muitos até cedi direitos autorais de publicação, sem custos). Tudo porque quero incentivar o Mercado Literário Brasileiro, quero dizer para os que pretendem investir nessa carreira que é possível, embora haja muitas decepções e dificuldades, que exige muito estudo e prática para pouco retorno no curto prazo, da mesma forma que aprendi com Asimov. Uso todo o meu tempo livre para fazer o que mais amo, servir à literatura, com apoio ou de forma independente, mas sempre acreditando que em algum momento vamos ter uma reviravolta nessa história e aí as coisas vão ficar mais interessantes.

 

Ghostwriter. Como atua o escritor-fantasma Danny Marks? Li em algum lugar na internet, uma autora mencionando que atuava como ghostwriter e tinha disponível dois manuscritos para vender. Como é isso? E a autoria, é da pessoa que comprar as narrativas? Ou você é contratado para escrever?

Eu já fiz alguns trabalhos de Ghostwritter, mas é uma área complicada, cinzenta, sem regras muito claras. Basicamente um Ghost é usado quando o autor intelectual da ideia não conhece as técnicas de escrita que possam tornar o seu produto intelectual uma obra vendável. Alguém com um ótimo conhecimento técnico, com desejo de ver isso colocado em livro de forma clara, pode lançar mão de um Ghost e ter seu livro lançado e fazer sucesso, nesse caso a autoria é de quem teve a ideia e o Ghost entra apenas com a técnica de escrita. Muitas intituladas autobiografias, por exemplo, são basicamente um trabalho de Ghost.
Mas há os que querem ter o seu nome em um livro e não possuem nem ideia, nem conhecimento técnico, apenas o dinheiro para pagar para ter seu nome em uma história, e assim o Ghost assume um trabalho de tentar transformar a narrativa que escrever na forma como aquele suposto autor escreveria. Isso é válido?
Como já disse, é preciso sobreviver, pagar as contas, mas fico em dúvidas sobre a questão ética envolvida, só não faço julgamentos porque não sei todos os parâmetros de cada caso.

Também há o Ghost que é mais um editor que um produtor de conteúdo, nesse caso ele acaba refazendo o trabalho do autor quase completamente, dando qualidades que não havia, mas a ideia ainda é do autor que não soube desenvolvê-la. Novamente fico em dúvidas sobre a questão ética nesta parte. Mas o fato é que há Ghostwritter no Brasil, alguns fazem trabalhos até mesmo para estrangeiros e vivem disso porque... bem, aquela coisa de mercado que já falei.

Se sou a favor de Ghostwritter? Acho que é uma brecha que dificilmente vai ser sanada, mas deveria haver uma regulamentação mais clara. Quanto a sua pergunta sobre de quem é a autoria quando os direitos autorais são vendidos, isso é, pela lei, fácil de dizer. Se você vende os direitos com o seu nome, todos os lucros vão para quem compra e apenas o seu nome é mencionado e leva a fama. Se você vende a obra para que o outro coloque o nome, você não será mencionado e a obra pertence a quem publica e registra. A questão ética fica cinzenta nesse ponto a meu ver, por enganar o público, o suposto autor e a própria literatura.

 

 

Qual a sua opinião sobre a pesquisa do Banco Mundial, de que o Brasil levará 260 anos para chegar ao nível dos países desenvolvidos, em Leitura?

Sinceramente acho que essas pesquisas se baseiam, como todas aliás, em projeções com base na manutenção do Status Quo. Se nada mudar para pior ou para melhor, o que é praticamente impossível, é um fato estatístico e não há o que dizer a respeito, a menos que se questione os métodos de análise e os cálculos efetuados. Porém, como já disse, essas pesquisas visam mais chamar a atenção para um fato problemático do que servir como um vaticínio, algo que não poderá ser mudado porque está além de qualquer solução. É como o caso do aquecimento global, se não fizermos nada, vai ser assim. Se fizermos pior, vai ser mais rápido e negativo, se fizermos as coisas certas, podemos reverter ou minimizar os prejuízos. O que deveríamos estar fazendo é buscando soluções para o mercado literário brasileiro. Eu digo que deveríamos investir em cursos de formação para profissionais da área, desde a gráfica até a escrita. Deveríamos divulgar os autores, trabalhar não apenas pela própria obra, mas pela Literatura Brasileira Contemporânea, e demostrar que sim, temos ótimos autores e pode sim ser um ótimo negócio para todos, se forem feitas as coisas certas. Ou então, daqui a 260 anos poderemos nem lembrar que por aqui houve autores que produziam histórias com a nossa cara, nosso jeito, nosso talento. Talvez, nem tenhamos livros para ler, seja de quem for, porque nossas prioridades serão apenas sobreviver a mais um dia.

 

 

Na poesia, antigamente, todos os versos deveriam ser iniciados com letra maiúscula, atualmente, são permitidos também em letras minúsculas, discordâncias com verbos e pronomes, dependendo do estilo do poeta. A poesia realmente tem uma linguagem própria?

Sim, a Literatura é produzida tanto pelo autor quanto pela concepção de sociedade que tenta representar e por isso mesmo não pode ser engessada e imutável. Porém para subverter a regra de forma produtiva e benéfica, é necessário conhecer profundamente a regra ou vira caos. A arte é, como um todo, reacionária e revolucionária. Reacionária porque ela reage ao público, com o público, com o autor e até contra o autor; ela (a Arte) tenta provocar algo que pode ser um estímulo ou uma reação. A diferença é que um estímulo faz com que você avance porque sente apoio no que está fazendo, e reação é quando você avança porque não concorda com o que está sendo apresentado e não consegue ficar isento. Se a arte não toca as partes envolvidas, não é arte.

A poesia é a forma de arte que mais fala sobre os sentimentos brutos, internos, sem medidas e sem explicação (racionalizar sentimentos é objeto de outra área da ciência), mas ainda assim ela tem um objetivo que se expressa na forma (a grafia), no som (a leitura), na imagética (a imagem mental provocada a partir do texto) e na sensibilização (o contato dos sentimentos do poeta com os sentimentos do leitor ou ouvinte). Se a subversão das regras atender a um ou a vários desses princípios, então está perfeitamente de acordo com as próprias regras da Arte e devem ser respeitadas. Se, porém, for apenas um caso de erro ou acidente, deve ser tratado como isso e corrigido. Dizer que “qualquer coisa” é arte, é não entender nada sobre arte, não entender os motivos e necessidades da arte. Mas engessar a arte para que haja uma métrica, um formato único, um pedantismo que se supõe erudito para mascarar a falta de significância do conteúdo, é matar aquilo que se deseja preservar em seu estado mais puro e inspirador, a diversidade caótica da evolução da Arte.

 

 

O que ganhamos ou perdemos com a poesia contemporânea, tão livre na sua forma e escrita?

Ganhamos a possibilidade de fazer algo diferente, não melhor ou pior do que o que já foi feito, mas que deverá se firmar por si mesma e justificar sua existência e manutenção. Perdemos a inocência de que há formas específicas de se fazer as coisas para que funcionem, perdemos a capacidade de julgar rapidamente algo que não está dentro de padrões estabelecidos, perdemos a noção de que há limites que não existem para nos prender, mas para nos abrigar dos perigos externos. Como vamos lidar com isso, em um mundo em que as mudanças estão presentes de forma cada vez mais rápida, necessária e caótica, é o que nos definirá como espécie e nos ajudará ou não a sobreviver a nossa própria criação. A Arte é um reflexo do que sentimos, do que nos tornamos, do ambiente que ajudamos a criar e que nos modifica, e se não soubermos lidar de forma adequada com isso, será também a que irá nos dar o epitáfio final.

 

O que você acha de ser escritor em um país de poucos leitores, onde a literatura nacional não é valorizada e o custo de edição é alto?

Vou ter que usar o meu conceito pessoal nessa parte. Escrever, para mim, é como respirar. Faz parte do meu ser de forma que não consigo me imaginar sem isso, morreria rapidamente. Mas a escrita, como a respiração, existe para nos sustentar e nos dar a possibilidade de mudar algo. Produzimos algo com a nossa respiração, interagimos com o mundo, transferimos parte do que é só nosso com o ar que exalamos, seja através das palavras que usamos para nos comunicar, seja apenas pelo ato de exalar o ar que fez parte de nós e nos modificou. O que podemos produzir com nossas respirações e nossa escrita é o que vai nos motivar a continuar respirando e escrevendo, mas desconheço qualquer pessoa que diga “Estou farto, vou parar de respirar porque isso não está produzindo os efeitos que gostaria”, da mesma forma, para mim, parar de escrever não é uma opção viável, até que a natureza me retire essa condição.

Ok, foi poético, embora seja um fato. Mas há uma outra forma de falar a mesma coisa. Se alguém almeja ter sucesso em qualquer área, faça diferente de todos os que o antecederam e torne isso viável e necessário à sociedade, é assim que os sucessos são construídos de forma prática. Fazer sempre o mesmo esperando resultados melhores é a marca de um tolo, não seja um, seja você, acredite no que faz e aprenda com os sucessos e com as derrotas, na pior das hipóteses vai se tornar uma pessoa melhor e o mundo necessita disso muito mais do que bons contadores de história.

 

Acho que temos um conceito arcaico do que é cultura no Brasil desde o início, o que vem do Exterior é melhor! Os povos que colonizaram a nossa terra introduziram suas culturas no território brasileiro. Como mudar esse conceito?

Eu sou professor de literatura e houve um movimento literário no Brasil que se chamava Movimento Antropofágico Brasileiro. O que essas pessoas queriam? Simples, eles queriam demonstrar que muita coisa que outros povos produzem podem ser interessantes para nós, desde que possamos “comer” essa cultura, “digerir” essas tendências e torná-las parte do que somos, até podermos criar a nossa própria intervenção cultural que poderá ser digerida por outros povos. Tenho visto reações raivosas à “apropriação cultural” como se a cultura fosse algo produzido por um povo que só pode ser consumida por esse povo e seus descendentes, no entanto, a ciência (que é uma forma cultural também) é utilizada sem restrições por todos que conseguem acesso a ela. Não vejo ninguém reclamando que o fogo pertence aos Neanderthais ou a roda pertence aos Cro-Magnon e seus descendentes ou coisa que o valha. Há uma diferença entre se respeitar a cultura de um povo e sua produção e torná-la objeto divinatório que deve ser cultuado ou repudiado. Como vamos desejar ser lidos em outros países se nós mesmos dizemos “Não leiam autores estrangeiros!! Valorizem apenas os autores nacionais!!”.

O que devemos fazer é ser mais proativos, dizer que sim, há autores estrangeiros excelentes, mas também há autores nacionais que merecem todo o respeito e valorização porque fazem coisas que nenhum estrangeiro conseguiria, traduzem nossa cultura local para o mundo com as cores que nós temos aqui. Aprender a valorizar a cultura seja onde ela nascer é o primeiro passo para valorizar também o que produzimos e dizer que o que vem de fora é sempre o melhor é não entender nada de história, nem mesmo do Brasil, afinal, fomos colonizados e só podemos nos tornar um povo quando percebermos que o sentimento de pertencimento não é importado, é construído com as histórias que ajudamos a escrever como agentes históricos da sociedade que construímos.

 

Quais as políticas públicas que deveriam ser implantadas para fomentar a educação e a cultura em nosso país?

Complexo isso rsrs. Mas vamos dizer que é preciso ser arbitrário para definir a circunferência de um círculo. É preciso começar determinando um ponto de partida que pode não ser o melhor, mas sem ele não podemos concluir a tarefa. Dizer que um livro é mais importante que um prato de comida, depende de quais pessoas e em qual situação social ela se encontra. Se não houver um mínimo de condições básicas de subsistência, não se pode impor a educação como prioridade. Por outro lado, o que tira as pessoas da miséria é a educação, o que faz um país se tornar rico e evoluído é a educação, o que faz as pessoas acreditarem e sonharem é o livro, que é o alimento da alma como a comida é o alimento do corpo. Um não sobrevive sem o outro.

Mas como a pergunta é direta, então vou passar por cima das questões mínimas e tentar responder. Retrabalhar a questão da educação no Brasil é prioritária para fomentar a educação, a começar pelos níveis de letramento que são, cada vez mais pífios, ridículos em relação a outros povos. Se as pessoas não aprenderem a importância do letramento em uma sociedade tecnológica como a sociedade global da atualidade, estarão se condenando a uma vida miserável. Tudo atualmente passa pela capacidade de letramento, da comunicação até a saúde. Como descobrir qual o melhor médico, qual o melhor político, qual o melhor lugar para se estar com segurança, sem saber interpretar um texto, não apenas ler, interpretar em todos as suas nuances, ver as verdades e mentiras que ele esconde?

É ridículo ouvir as pessoas dizendo que o brasileiro não gosta de ler, dei aulas para alunos de comunidades carentes e eles liam livros inteiros no celular, adoravam falar de literatura, adoravam produzir cultura (alguns alunos escreveram músicas de rap para me apresentar, músicas que falavam da realidade deles, de suas esperanças e medos. Rap para falar de Machado de Assis e sua obra). O que podemos fazer para que haja um fomento de educação e cultura? Permitir que os jovens escolham o que ler e o que produzir de forma cultural, incentivar os bons projetos e apontar os riscos dos projetos ruins de forma que eles mesmos possam reavaliar suas escolhas. O governo deveria investir mais em formação de professores, em recuperação de escolas, em recuperação dos centros culturais e divulgar abertamente esses espaços e deixar que as pessoas se apropriem desses espaços e produzam aquilo que necessitam. Mas, como em toda roda, voltamos ao ponto de origem e teríamos que começar a melhorar o tipo de governo que escolhemos para que realmente nos representem e nos permitam tornar o círculo vicioso em um movimento helicoidal ascendente, retornando ao início sempre, mas em uma escala maior e melhor para podermos reavaliar e crescer.

 

Acha que existe concorrência no meio literário, ou não passa de boatos nas redes sociais?

Sempre, e acho importante que haja concorrência. O que nos faz melhores senão a busca incessante por estar acima da média, fora da zona de conforto? O problema não está na concorrência, está no que é feito para se destacar. Quando não se respeita o outro, quando se tenta derrubar o concorrente de forma desleal para tentar abrir espaço, todos perdem porque sempre haverá alguém disposto a fazer o mesmo para nos derrubar. Porém quando há apoio, quando usamos a concorrência para aprender a fazer melhor, quando usamos as soluções que outros usaram e valorizamos isso, não apenas permitimos que o outro cresça, mas que possamos crescer juntos.

Em Magia existe uma distinção entre inimigos e adversário que acho muito interessante. Um inimigo é aquele disposto até a se prejudicar, contanto que você seja mais prejudicado ainda. Um adversário é aquele que vai tentar vencer você, vai atacar os seus pontos fracos e lhe mostrar onde está errando, e tentar superá-lo porque ele quer vencer, não destruí-lo. Você pode até fazer ótimos amigos entre os adversários, pode criar parcerias lucrativas para ambos, pode aprender a reforçar seus pontos fracos com base no que eles lhe apontaram, mas jamais vai conseguir fazer isso com um inimigo.

Então, sim, a concorrência honesta, verdadeira, correta, é boa e necessária para a evolução do mercado. Mas a guerra só faz com que o vencedor perca menos que o perdedor, porém, todos perdem.

 

Fale de suas obras e seus projetos literários.

Eu sou um generalista e experimentalista por excelência, adoro pesquisar autores e estilos literários e tentar aprender as regras para desmontá-las e reestruturá-las sob novas perspectivas criativas. Isso faz com que seja o meu pior crítico também, nenhum trabalho recente pode ser pior do que os anteriores ou simplesmente jogo fora e começo de novo do zero. Recentemente fiz incursões em histórias policiais, aproveitando os conhecimentos que adquiri em cursos específicos e pesquisas. Entrei para o universo Steampunk do qual sou um leitor adepto. Escrevi um romance em tempo real para o Google +, o “Invasor de Si Mesmo” com a perspectiva de dupla primeiras pessoas (dois personagens que observam a história de sua perspectiva pessoal e entram em rota de colisão). Deixei um pouco de lado os contos e crônicas de costumes e me inseri no universo dos romances e noveletas, atualmente estou estudando também roteiros para filmes e curta-metragem. No meio disso tudo fiz alguns trabalhos que estão em vias de publicação, em breve deve sair um conto longo de distopia que envolve literatura policial e ficção científica em um cenário brasileiro.

Tenho dois romances escritos e um terceiro em andamento para um projeto de Distopia Brasileira (e depois universal) que foge completamente aos padrões de escrita estabelecidos. Como assim? Bem, as histórias são complementares, mas fechadas, cada uma delas tem um modelo literário diferente, embora sejam, em essência, distopias de FC com uma pegada brasileira. Os Sobreviventes, por exemplo, não tem heróis ou vilões, não trabalha com a jornada do herói e não tem personagens centrais. Trabalha com núcleos de personagens (humanos, vampiros, transumanos, clones biológicos, inteligências artificiais e clones sintéticos) que tem como objetivo mudar o mundo (e sobreviver a ele) de acordo com a sua visão pessoal de um “mundo melhor”, o que exclui necessariamente todos os outros (por isso o nome de Sobreviventes rsrs).

Já o Tramas de Sangue, é uma história mais voltada para o padrão clássico de romance, há personagens centrais, mas ainda foge ao padrão de vilão x herói, e se fundamenta principalmente na construção psicológica dos personagens e suas escolhas diante dos fatos do mundo que vivem e que modificam conforme sua visão e poder. Ou seja, é um romance com jogo de poder, teoria da conspiração e vampiros rsrs. Tramas de Sangue aprofundam personagens que são citados e pouco aparecem no Sobreviventes, amplia a história com uma história anterior e “separada” apesar de que por existirem no mesmo tempo-espaço do universo criado para Sobreviventes, seguem a mesma linha lógica. Outras histórias vão ser desenvolvidas dentro desse esquema, apresentando sempre uma ampliação do que já foi visto, mas de forma independente.

O Crepúsculo de Cidadella, que estou escrevendo, segue a mesma linha estilística de Sobreviventes, e é uma história que se passa milhões de anos no futuro dos eventos apresentados no livro anterior, com a civilização decorrente dos fatos que ainda estão sendo narrados na linha do Sobreviventes. Novamente é uma história independente, embora dentro do mesmo espaço-tempo desse universo criado, só que com um intervalo de alguns milhares de anos.

Por que escolhi esse modelo para trabalhar? Por causa do desafio de se quebrar as regras e fazer algo inédito e de qualidade, desenvolvendo novas regras a partir das anteriores e ampliando essas possibilidades de forma que outros autores possam até mesmo se apropriar desses cenários e investirem neles, oferecendo ao público leitor uma qualidade ótima e uma perspectiva diferente de tudo o que estão acostumados.

Em paralelo a isso tudo estou trabalhando em uma comédia de costumes usando como base um Hotel e as histórias envolvendo os hóspedes.

Claro que dá um trabalho homérico, mas o prazer de ir “audaciosamente indo onde ninguém jamais esteve” é algo fascinante, não é mesmo? Rsrs.

 

Qual o meio usado para publicação de seus livros? Fale a respeito, informando os motivos de sua escolha.

Atualmente, por uma questão de mercado, os meus livros estão saindo preferencialmente em eBooks, alguns em formato físico também. A dificuldade não está na produção do livro em si, mas no fato de que a distribuição de livros físicos ainda é um problema sério para que haja um mercado literário brasileiro. Fazer um livro físico é relativamente barato com as novas tecnologias, o problema está no armazenamento, na distribuição, na venda e no acesso do leitor ao livro, o que encarece o exemplar devido aos custos altíssimos envolvidos. Essa seria a primeira coisa que as editoras e livrarias deveriam investir para que o mercado se tornasse viável, um livro físico que pudesse ser distribuído e divulgado adequadamente e chegasse ao leitor por um preço justo de produção, armazenamento e transporte, seria um grande incentivo para reverter a crise do mercado. Como não há nenhum tipo de estudo ou investimento, que eu saiba, a respeito, as coisas tendem a ficar ainda piores.

Ebooks são complicados porque necessitam de uma melhor estrutura tanto por parte do leitor quanto por parte das editoras e distribuidoras, além de causar uma grande desconfiança dos autores por casos de furtos que já ocorreram. Mas, a minha opção é de continuar escrevendo e publicando onde puder e como puder, levando o melhor da literatura que conseguir produzir e abrindo caminhos para todos que vierem depois.

 

 

Por que você recomenda a leitura de seus livros?

Posso dizer que é porque sou um grande fã dos meus trabalhos? Não é uma boa justificativa? Ok, então é porque procuro ser um autor e leitor, e em ambos exijo o melhor que puder encontrar pelo preço que posso pagar. Criar uma literatura de qualidade não é uma opção, é um compromisso com o leitor, com a Literatura e comigo mesmo. Envolve esforço, dedicação, pesquisa, retrabalhos constantes, estudos exaustivos, além de elaboração de técnicas e desenvolvimento de ideias viáveis (nem tudo pode ou deve virar um texto) de forma que sempre haja honestidade no que é apresentado para o leitor como um produto literário. Se não for assim, melhor nem começar a escrever.

O que os meus leitores vão encontrar, além dessa busca incansável pela superação técnica e desenvolvimento de ideias inusitadas, é a diversidade de perspectivas. Não estou interessado em apresentar julgamentos morais ou indicar soluções válidas para todos, estou interessado em contar histórias que gosto de ler, que sei que o leitor vai gostar de acompanhar, em estilos que se ajustam à ideia para realizá-la da melhor maneira possível. E se forem histórias de terror, horror, mistério, romance, eróticas, ficção científica, policial, suspense, comédia, ou tudo isso junto e misturado, não importa. O que é importante é que o leitor chegue ao final do livro amando ou odiando os personagens, mas sempre satisfeito de ter gasto seu tempo e dinheiro para poder participar daquela aventura e seguir para o próximo livro com a certeza de que vai ampliar o seu universo pessoal e poder dizer com orgulho que lê Danny Marks.

Se eu fizer tudo direitinho, é exatamente isso que os meus leitores vão sentir e o meu dever estará cumprido, até o próximo livro.

 

Deixe uma mensagem para seus leitores.

A vida não é justa. Nunca foi, nem nunca será. Justiça é uma construção humana e a vida não é algo que os humanos possam elencar entre suas invenções, mas não importa quais sejam os seus sonhos, suas esperanças, seus medos, seus planos, em algum livro você vai encontrar espelhadas as histórias que falam justamente sobre isso e poderá aprender lições e perspectivas diferentes. Então, não descartem jamais essa possibilidade de fazer mais e melhor com o que aprenderam nos livros, porque de todas as invenções da humanidade, a que melhor estimula a imaginação e ajuda a viver melhor, é o livro. Faça do livro o seu companheiro de jornada, e não importa o que aconteça na sua vida, você jamais estará sozinho novamente. Estamos juntos, na literatura e por ela, pela eternidade.

Muito obrigado a todos vocês por existirem.

 

Para acompanhar o escritor na internet:

Página no Google + : https://plus.google.com/u/0/+DannyMarksEscritor

Blog: www.osretratosdamente.blogspot.com

Página no Facebook: https://www.facebook.com/Danny.Marks.escritor/?pnref=lhc

Site: www.dannymarks.com.br