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William Carvalho
William Carvalho

O escritor Elton da Fontoura entrevista o Poeta e compositor Willian Carvalho.

 

Jefté Willian de Carvalho, estudante de Engenharia Civil, músico e compositor, é familiar à poética literatura como Willian Carvalho.

Ainda era um adolescente quando os versos começaram a ser esboçados e escritos, na inspiradora natureza do Rio de Janeiro onde nasceu, vinte e três anos atrás.  

O Site das Literárias Mosqueteiras, através desta entrevista, divulga ao mundo, as respostas sentidas e escritas por este Poeta.

 

 

Literárias Mosqueteiras: Dez horas atrás, li em teu status uma espécie de súplica ou algo similar: https://www.facebook.com/willian.decarvalho.3

Tudo que eu queria

Tanto, tanto conseguir

São só mais uns desejos,

Mas quando acho que estou tão perto

Percebo o engano

De acreditar que iria me ouvir

Ao menos uma vez

Quando tudo que eu preciso

É quebrar esse silêncio ensurdecedor...

Desabafos da alma ou palavras ao vento, às inspirações eventuais de um Poeta? Estou sendo indiscreto, ou através de pormenores, podes quebrar este silêncio ensurdecedor?

 

Willian Carvalho: Acredito que tudo que compomos acaba por ser algum tipo de desabafo, apesar de ser comum associarmos desabafo apenas quando se trata de alguma desilusão, geralmente amorosa. Desabafo da alma, gostei desse termo. Se compõe algo sobre a natureza à sua volta, não seria também um desabafo da sua alma, uma conversão de algo que sente ao estar naquele lugar para o papel? Na minha opinião sim.

Esta composição, em particular, escrevi quando um grande amigo encontrava-se em uma tormenta emocional de forma que o silêncio de tudo e todos aqueles que ele queria que o ouvissem trazia consigo uma sensação desagradável tanto quanto um grito ensurdecedor.

Parafraseando Moska, é como estar cheio de vazio.

 

Literárias Mosqueteiras: Versos da Vida, uma coletânea de reflexões poéticas, é o teu primeiro livro publicado? Conte-nos tua biografia literária e prováveis manuscritos ocultos na arca dos tesouros.

 

Willian Carvalho: Sim, é meu primeiro livro publicado. A arte na minha vida sempre esteve presente incialmente com a música, desde os meus 11 anos quando comecei os estudos de música. Atualmente escrevo um segundo livro, mas não de poesia e sim um romance de ficção, uma história louca que sonhei um dia. Espero conseguir publicá-lo ainda esse ano.

 

Literárias Mosqueteiras: Tornar a sensação abstrata em algo palpável ou usar as metáforas como caminho inverso, é a maneira que o Poeta, o Escritor e o Compositor encontram para criar a arte. A poesia e a música se misturam no íntimo do Poeta Willian? Todo verso escrito passa pelas cordas do violão?   

 

Willian Carvalho: Apesar de não termos como controlar a maneira como o leitor irá ler o que escrevemos, a poesia possui uma métrica, a qual lhe atribui um ritmo, como uma melodia. Analogamente poderia dizer que, como na música temos a harmonia, na poesia o papel dessa última seria o que o leitor sentiu ao ler, mesmo que sinta algo um pouco diferente do que o levou a compor.

Boa parte das poesias são literalmente letras de músicas minhas. Atualmente nem sempre escrevo junto à Luna (meu violão) mas obviamente ela é uma grande companheira que ajuda bastante mesmo quando algo que escrevo sirva melhor como poesia que como música em si.

 

Literárias Mosqueteiras:

Seus movimentos inspiram meu canto

O corpo que gira,

Pequena no ar.

Tão lindo talento

Sutil meia ponta e então meio tonta

Minha vista se encontra 

Com tal energia para

Bailar o balé que lhe encanta.

Bailarina, inclusa no Volume 119 da Coletânea de Poetas Brasileiros Contemporâneos em 2014, é uma das Edições da Câmara Brasileira de Jovens Escritores (CBJE) http://www.camarabrasileira.com/apol119-042.html fundada à quase vinte e nove anos atrás. Esta linda poesia de tua autoria, consta no livro Versos da Vida. Além da Coletânea, quais as outras atividades tu exerces na CBJE? Conte-nos de que forma Poetas e Escritores, seriam favorecidos ao visitarem este Site.

Willian Carvalho: Eu conheci a CBJE através de uma pesquisa na internet quando desejava encontrar uma forma de participar de algo que ajudasse a divulgar o meu nome e consequentemente o meu trabalho. Entrando em contato acabei por valorizar bastante o trabalho que eles fazem com suas Antologias, as quais não se restringem apenas à poesia mas também a contos em prosa.

Além disso, eles ainda possuem um esquema de publicação para quem está começando, tendo em mente que mesmo em uma publicação independente é importante ter um selo de onde veio o seu livro para o mercado. Caso contrário, parece que ninguém mais além de ti leu o seu livro e sua publicação não dependeu de alguma espécie de mérito profissional. Ainda que o seu livro seja muito bom, essa é a forma como boa parte das pessoas pensam.

Já é difícil encontrar quem compre um livro de um autor desconhecido quiçá um sem selo editorial em sua capa.

 

Literárias Mosqueteiras: Tempos atrás eu postei uma imagem que criei, com o seguinte diálogo entre duas gaivotas no ar:

Na próxima reencarnação tu vais pedir para ser Escritor?

Se eu nascer no estrangeiro, sim!

Não entendi!

Se eu voltar a nascer no Brasil, vou pedir para ser tradutor!

Assisto seguidamente vídeos ou leio resenhas literárias para analisar acertos e erros de Autores. É o recreio do Escritor. Meu pai dizia que fatos semelhantes eram classificados como: “Enquanto descansa, carrega pedra!”.

E neste recreio, procuro, e raramente encontro resenhistas focando um livro de autor brasileiro. Calculo que 90% falam sobre os estrangeiros, ou melhor dizendo, os Tradutores.

Acredito que Poetas nacionais sejam ainda mais discriminados. A prosa importada possui um índice de procura bem superior.

Qual a tua impressão sobre o mercado literário, composto por Editora, Escritor e Leitor?

 

Willian Carvalho: Concordo e é inegável que a produção literária estrangeira faz muito mais sucesso por aqui que nossos próprios autores, mas isso é quase que algo cultural no momento. Por outro lado, se pararmos para pensar, a situação já está sendo bem diferente. Temos cada vez mais autores nacionais fazendo um belo trabalho e sendo reconhecidos por isso. Não me refiro a mídia, como a televisão, mas sim a internet. A internet mudou a forma como as pessoas leem e quebrou fronteiras que antes eram praticamente impossíveis de serem ultrapassadas.

Eu mesmo, em meu blog, me dedico a entrevistar e resenhar apenas autores nacionais, independente se o livro é de um gênero que me agrade ou não, a ideia mesmo é mostrar o quão grande a produção literária brasileira atualmente é.

Obviamente isso traz uma certa concorrência, mas seria por um bem maior afinal mesmo que o meu livro não vingue eu vou querer continuar lendo e amando a literatura de alguma forma, mesmo que não seja produzida por mim.

 

 

Literárias Mosqueteiras: “A Vida é objeto de arte, e da mesma forma viver é a arte principal”. Esta frase esta inserida no prefácio de tua autoria, do livro Versos da Vida. A poesia e a música na rotina de um Engenheiro Civil. Nada excêntrico, porém, três gavetas de arte separadas! Há alguma, ou algumas gavetas vazias no teu armário da vida?

 

Willian Carvalho: Ao fazer a mesma análise uma amiga portuguesa uma vez disse que finalmente havia entendido por que eu admiro tanto nomes como Da Vinci e Newton. Segundo ela, a inquietação deles habita em mim. Calma, não tenho a presunção de dizer que sou como qualquer um deles, mas foi uma comparação interessante pois eu realmente tenho sede por conhecimento.

Eu amo aprender coisas novas e me questiono muito sobre tudo que leio, ouço e vejo.

A música entrou na minha vida logo quando criança e junto com ela a literatura. Sempre gostei muito de ler. A Engenharia veio já na adolescência, quando estudava para ser Técnico em Eletromecânica. Assim que formado comecei a atuar na área de arquitetura trabalhando como desenhista técnico e sempre tive vontade de entender como as coisas são feitas e como funcionam, por isso Engenharia.

 

Literárias Mosqueteiras: E a prosa Willian? Tu já escreveste ou pensa escrever alguma literatura fantástica, ficção ou um romance de cunho original? A propósito! Poetas são fieis aos versos, ou é costume cometerem adultérios prosaicos?

Willian Carvalho: Por mais estranho que essa minha afirmação possa soar, o adultério faz parte da natureza do ser humano. Ainda bem que estamos falando aqui de adultério literário rs.

Sim, tenho uma paixão também pela prosa, mas nunca havia me aventurado muito por ela além de crônicas e pequenos contos. Como citei anteriormente, trabalho em uma obra de ficção que pretendo lançar ainda esse ano.

 

Literárias Mosqueteiras: No dia 15 de outubro de 2014 tu postaste a imagem do livro “Cuca Fundida” de Woody Allen. Assisti alguns filmes na interpretação de ator ou diretor. Confesso que para o meu gosto, foram esquecíveis. Mas fiquei curioso! Conte-nos um pouco da literatura de Woody!

Willian Carvalho: O Woody é como um dinossauro da sétima arte. Ainda que não gostemos de seus filmes é inegável o conhecimento e prestígio que o mesmo tem, afinal são muitas décadas no ramo. E mesmo hoje em dia os seus filmes tem uma cara, um ar retrô.

Ele também é músico e também escrevia textos humorísticos em jornais populares na década de 70. Os contos desse livro são retirados dessa época de sua vida. Eu gosto muito do humor do Woody, ao mesmo tempo que é limpo tem uma carga madura. Ele faz muitas metáforas e joga com situações irreverentes e inusitadas. Há quem diga que é um humor cult, que seja, prefiro esse que o dos programas de sábado à noite rs.

Como exemplo cito um conto em que a morte vai visitar sua vítima daquele dia, porém a vítima não quer ser levada e eles começam uma discussão sobre como é o além até que ocorre uma aposta num jogo de cartas e a morte perde.

Na minha opinião parece um tipo de humor muito mais bem vindo do que o que temos disponível pelas nossas telas.

Falando nisso vou começar a procurar novos autores nacionais que voltam-se para o lado humorístico, afinal, rir é bom demais. Se conhecerem algum, por favor me indiquem.

 

Literárias Mosqueteiras: Vamos falar um pouco do músico e compositor Willian Carvalho! O que tem a nos contar? Qual o gênero que compões? O que gosta de tocar e cantar? Só o violão é o teu companheiro, ou há mais instrumentos?

Willian Carvalho: Eu costumo dizer que sou meio perturbado musicalmente de forma que tento tirar som de tudo que posso tocar. Tudo começou na flauta doce, dela fui para o teclado, depois em minha fase “rock and roll” na adolescência veio o violão e a guitarra. Toda vez que tinha a oportunidade de pegar um instrumento novo eu dava meu jeito de tirar algumas notas pelo menos, e assim o foi com a sanfona, a gaita, Cajon, pandeirola, ganzá entre outros.

A teoria musical é a mesma para todos os instrumentos, a aplicação que é diferente. Por isso prezo por ensinar bem a teoria musical, pois sem ela você não entende como a música funciona e consequentemente não entende como seu instrumento vai funcionar na música.

Atualmente tenho apenas a Luna (meu violão) e uma gaita.

Eu amo música de uma forma difícil de explicar, ela tem uma participação bem peculiar em minha vida de forma que meu gosto por ela se estende até muitos séculos antes de mim.

Ouço desde a música erudita vinda lá do período barroco de Bach, passando pelo classicismo de Mozart, o romantismo com grandes nomes como Schumann, Tchaikovsky, Schubert entre outros. Chegando ao século XX encontrei o jazz e o blues, que trouxeram o rock. Em seguida, percebi que aqui em terras canarinhas também se fazia uma excelente música.

Em suma, acho que a qualidade de uma música independe de sua nacionalidade ou estilo, só que para compreender isso é preciso ter a mente aberta para aceitar a inicial estranheza do som de algum instrumento que não estamos acostumados a ouvir, como a cítara por exemplo.

Se eu fosse começar a falar da presença dos diversos tipos de músicas estranhas para a maioria das pessoas mas que estão presentes em outros estilos muito populares eu levaria essa entrevista muito longe rs.

Apenas um exemplo seria a popularidade de vários guitarristas famosos, como o Slash do Guns and Roses, que usa muito a escala pentatônica, a qual é usada massivamente na música tradicional oriental como a chinesa, mas duvido que um fan de Guns escute música tradicional chinesa.

 

Literárias Mosqueteiras: Qual tua participação na Banda Brisa Mel?

 

Willian Carvalho: Eu canto e toco violão ou guitarra, depende da formação que estivermos no dia. Atualmente estamos um pouco parados sem muitos projetos portanto aproveito para convidá-los a entrarem em contato caso queiram uma banda para sua festa, restaurante ou evento. Tocamos todos os estilos, todos esses detalhes são acertados com o cliente anteriormente. Seja rock anos 80, 90, MPB clássica ou contemporânea e músicas internacionais, entre em contato e façamos um orçamento.

 

 Literárias Mosqueteiras: Engenharia Civil é uma profissão que visa à arte do concreto, porém o cálculo, apesar de necessário, chega a ser excessivo para o estudante. De que forma o Poeta lida com esta racionalidade?

           

Willian Carvalho: A Física é linda, no meu caso, não bastou apenas compor sobre a natureza que me cerca, quis ir além e entender alguns fenômenos que regem a mesma. Mínimos detalhes que ocorrem a todo o tempo, pequenos e velhos tabus que a sabedoria popular desconhece as razões. Sempre gostei muito das exatas e tenho me saído bem por enquanto com os cálculos, espero continuar assim.

 

Literárias Mosqueteiras: Bem Willian, o derradeiro da entrevista, fica ao teu critério. O palco é todo teu para dirigir aos nosso leitores, palavras e mensagens desvinculadas de qualquer pergunta. Escreva o que faltou ser perguntando, para a classe de poetas, editoras e leitores.

Willian Carvalho: Existe uma certa música que diz “A vida é curta para ser pequena”. Eu nunca esqueci essa frase pois adaptei minha vida à ela por concordar inteiramente com a mesma.

É certo que você ficará muito feliz e alegre em alguns momentos mas também é certo que ficará triste, muito triste em outros. E o que fará nesses dias?

Eu escrevo, canto e toco porque é uma forma de converter o que eu sinto em algo material, e no caso de uma dor, isso é ótimo pois é como se ela saísse um pouco de mim e eu tivesse maior controle sobre ela bastando apenas ler aquele poema que fiz ou tocando aquela música que compus.

Convido a todos para conhecer um pouco do meu trabalho. O livro pode ser comprado tanto no site da editora ou comigo levando uma dedicatória especial. Muitas vezes buscamos as palavras certas para explicar algo e não encontramos quando as vezes outra pessoa já as encontrou e talvez as tenha publicado em um livro que por ventura está ao seu alcance.

Se não gosta de poesia, seria uma boa hora para dar uma chance, ainda que tenha medo dos versos, pense de uma forma mais ampla, na mensagem por trás dos versos. A qualidade de uma mensagem não depende inteiramente da estrutura do texto. Muitas vezes uma estrofe pode falar muito mais que centenas de páginas em prosa.

Gostaria de fazer uma indicação de leitura. Sou um grande admirador de distopias, a minha indicação é Sombras do Medo, da Camila Pelegrini. Eu já realizei uma resenha do livro no meu blog, bem aqui, assim como também já entrevistei a autora por lá.

Tenho certeza que vocês irão se impressionar tanto quanto eu com a qualidade da prosa dessa jovem autora a ponto de pensar que o livro nem é brasileiro por conta dessa supremacia estrangeira citada no início da entrevista, mas para a nossa felicidade, a Camila é brasileira.

Agradeço imensamente a oportunidade de participar dessa entrevista e desejo muito sucesso a todos vocês, a todos nós.