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Cláudia de Villar
Cláudia de Villar

 

Elton da Fontoura entrevista a escritora Cláudia de Villar:


Nossa convidada é a escritora gaúcha, de Porto Alegre, Cláudia de Villar, apaixonada por animais. (Cuida de 10 lindas cachorrinhas)
Seu primeiro livro foi: “Bola, sacola e Escola”.

Cláudia é escritora e oficineira. Cursou Magistério no colégio Nossa Senhora da Glória em Porto Alegre – RS. Formou-se em Letras, pela FAPA e é especialista em Pedagogia Gestora e Supervisão Escolar, pelo IERGS, além de vários cursos de atualização na área da Literatura Infanto-juvenil. Atualmente, faz parte da equipe de colunistas do site Homo Literatus, atua como cronista e colunista do Jornal de Viamão/RS e assina também uma coluna no site Artistas Gaúchos, além de ser associada da AGES.

Literárias Mosqueteiras:
Gostaríamos de conhecer, Cláudia, suas atividades como professora.

Cláudia de Villar:
Ingressei no magistério há muito tempo. Com 17 anos, fiz o meu estágio pela escola ao qual eu cursava Magistério, Colégio Nossa Senhora da Glória, mas somente em julho de 2000, após concurso público, eu passei a fazer parte do quadro de professores do Estado do RS, estando até hoje lotada na capital. Iniciei lecionando em apenas um turno, depois fui convocada para substituir alguns professores e mais tarde, assumi outra turma com regime de convocação do Estado. Entretanto, em 2006, prestei outro concurso e, aprovada, passei a assumir duas turmas, sendo então, 40h semanais. Como professora de crianças e jovens, eu prezo muito pela formação do indivíduo, pautada em valores e conhecimentos. De nada vale saber todos os conteúdos se não há no educando, a consciência da importância do aprendizado em sala de aula. Para mim, não basta ter o conhecimento em mãos, o aluno deve saber aplicá-lo diariamente, na vida que acontece fora da escola. Saber resolver conflitos, decidir e ter opinião, faz parte das contribuições que uma escola deve proporcionar aos seus educandos e eu, como professora, tento, na medida do possível, passar aos meus alunos não apenas conhecimento ou informação formal, mas habilitá-lo à vida real. Tornar o educando um cidadão participativo e político é a minha maior bandeira como professora.

Literárias Mosqueteiras:
E como Oficineira?

Cláudia de Villar:
Bem, vou às escolas com o intuito de munir professores, estudantes de Magistério, Pedagogia ou pessoas que se interessam pelo tema (Literatura) com novidades estratégicas para alcançar novos e mais leitores em sala de aula. O meu foco é que mais professores possam “atingir” mais alunos e desenvolverem neles, o hábito da leitura. A Literatura não serve apenas como fonte de entretenimento ou aquisição de novos conceitos, mas abre caminhos para a troca de informações e para que, a criança ou jovem, tenham a possibilidade de vivenciar novas experiências através da vida das personagens, de acrescentar novas palavras em seu vocabulário pessoal, de viver conflitos iguais ou diferentes dos seus e, principalmente, de crescer como pessoa. Dessa forma, em minhas oficinas eu trago ao grupo algumas opções e situações de sala de aula, ao qual a leitura é uma questão difícil de lidar e, com algumas sugestões e trocas, promovo a aquisição de novas formas de incentivo da leitura na escola.

Literárias Mosqueteiras:
Cláudia, dos sete livros que li as sinopses no link ao lado, (http://claudiadevillar.blogspot.com.br/p/ficha-tecnica-das-obras.html) seis deles são de caráter infantil e infanto-juvenil. Mas há um título, “Aprendendo a viver e ensinando a sonhar”. Ali não menciona o público alvo. Fale-nos em síntese a mensagem desta obra.

Cláudia de Villar:
“Aprendendo a viver e ensinando a sonhar” é um livro para jovens e adultos. Claro que, dependendo da maturidade de cada um e da experiência de leitura que cada leitor traz consigo. Mas essa é uma obra que retrata as experiências e lembranças de uma vovó que, ao sair de sua casa, faz uma retrospectiva de sua existência, relembrando todas as experiências vividas. É uma obra dirigida para aqueles que gostam de refletir sobre a vida, sobre as experiências em que todos nós passamos.

Literárias Mosqueteiras:
Nos dê alguns detalhes sobre a Editora, ou Editoras que publicaram seus livros. Principalmente, para os novos escritores, é sempre interessante conhecer alternativas editoriais.

Cláudia de Villar:
Bem, todos os livros lançados até o momento, foram pela editora Manas. Essa editora trabalha como forma de auto publicação. Eu crio o texto, envio para a editora, ela anexa às ilustrações ou eu contrato um ilustrador, envio os desenhos, ele envia à gráfica. Após concluir esta etapa, é aí que começa a minha peregrinação para a divulgação do meu trabalho como escritora. É difícil, muito difícil, mas não desisto facilmente. Esse ano, ainda é surpresa, estarei lançando uma nova obra, a primeira parte de uma trilogia fantástica, por outra editora. Com essa forma de publicação, ao qual eu trabalhei até agora a divulgação, é por nossa conta, o que se torna ainda mais difícil. Porém o lucro também é todo do autor, uma vez que depois de pago a impressão dos exemplares, nós ficamos com todos os livros para vendermos pelo preço que desejarmos. O lançamento também é por conta do autor, pelo menos foi assim com a editora Manas. A aceitação de uma escritora nova, quase iniciante, por uma editora grande, com prestígio nacional ou regional, é bem difícil, eis aí certo preconceito com escritores que não têm um nome já “feito” na praça. Por isso, até chegar a uma editora de maior alcance no mercado, alguns escritores como eu, terão que percorrer um caminho por pequenas editoras que trabalham com a auto publicação. Nesses casos, contamos com o apoio da divulgação de amigos, leitores e familiares.

Literárias Mosqueteiras:
Já fiz algumas campanhas no Facebook, e o resultado foi drástico. Poucas curtidas e quase nenhum compartilhamento. Eu compartilho muitas postagens. Houve uma época que meu sangue Farrapo ascendeu, e eu criei uma imagem com a seguinte frase: “O Facebook seria útil, se os “amigos” não fossem inúteis.”
Até que ponto essa rede social, e outras, lhe foram favoráveis na divulgação de seus livros e do seu trabalho?

Cláudia de Villar:
Sinceramente, o Facebook trouxe mais “amigos” virtuais aos quais poucos se tornaram amigos de fé. Somente estes amigos vão ao teu lançamento e compram teus livros. Os “virtuais”, curtem, postam palavras de incentivo e acaba por aí. Não que eles não gostem do que eu escrevo e posto na rede, mas simplesmente não comparecem aos eventos. Mas conheci, através da rede, alguns excelentes amigos que prestigiam com sua presença, compram meus livros nas livrarias e... Acho que alcancei o coração de algumas pessoas. Mas faz parte da cultura do brasileiro comprar um CD ao invés de leitura. O problema é que ler ainda não faz parte da lista de coisas legais da maioria dos brasileiros. Ler não é legal! É uma questão histórica que, aos poucos, nós, os novos escritores terão que lutar (eis aí a minha fome particular de justiça! Eu também escrevo!). Mas eu não desisto. No próximo lançamento, eu postarei tudo na rede a fim de trazer mais pessoas para a minha rede de leitores fiéis. Penso que a melhor propaganda no meu caso é o boca-a-boca. Conheci alguns escritores na rede, e essa troca de informações com eles me faz acreditar num futuro mais justo. Por exemplo, os conheci na rede e vocês têm uma parte de “responsabilidade” nessa minha vontade de seguir em frente. Temos que nos unir e fazer uma grande divulgação de nossos novos autores!


Literárias Mosqueteiras:
Em sua crônica “Não deixem os livros chorarem” (http://homoliteratus.com/nao-deixem-os-livros-chorarem/) escrita em junho deste ano, a senhora enfatiza a analogia das lágrimas do livro após a leitura, de como é tratado, antes, no ato da compra, durante, com o interesse do leitor, e principalmente depois que este interesse torna-se saciado. Qual seria, a seu ver, o melhor destino a um livro que durante algumas horas ou dias, foi lido e algumas vezes, relido?

Cláudia de Villar:
Após uma releitura, penso que a doação para escolas e bibliotecas seria o melhor destino. Claro que, certamente, há aqueles livros que nós queremos guardar para sempre; o de cabeceira, ou o livro conselheiro. Mas após uma releitura e ao percebemos que não iremos mais fazer uso da obra, a doação para alguns centros educacionais seria um excelente destino. Mas há também a possibilidade de repassá-lo aos amigos, conhecidos ou parentes. Eis uma forma de presentear e ao mesmo tempo, fazer um carinho, pois estaremos doando algo que nos fez companhia e nos alegrou.

Literárias Mosqueteiras:
Em abril de 2014, a senhora escreveu um crônica “Ler e Morrer” (http://homoliteratus.com/ler-e-morrer/), com uma dramatização literária muito enfática sobre as perturbadas impressões deixadas por um determinado livro após a leitura. Como se fosse uma dica, qual a obra mais impactante, que mais lhe causou comoção, capaz de deixa-la reclusa a novas leituras por algum tempo?

Cláudia de Villar:
Tenho duas obras que muito me impactaram. A primeira foi o Veleiro de Cristal, escrito por José Mauro de Vasconcelos e o segundo, Vidas Secas, de Graciliano Ramos. O primeiro eu li quando ainda criança. A vida do menino Eduardo e a sua batalha entre ser criança, ser forte e ser doente, marcou muito minha vida naquela época, quando fiz uma primeira leitura, emprestado da biblioteca da minha escola. Mas hoje, possuo um exemplar. Eis um livro para ser guardado, e que levo para a sala de aula. Indico essa leitura aos meus alunos dos quintos anos do ensino fundamental. Acho interessante que eles percebam, nem que seja através da literatura, que ser criança não quer dizer que todos são felizes. Há problemas, que há doenças e também fantasias. É algo que podemos criar para aliviar nossas dores. A segunda obra, Vidas Secas, essa eu li quando estava na faculdade de Letras. Outro livro que me fez refletir sobre as mazelas da vida, sobre a imposição da falta de perspectiva em um futuro melhor. A cachorra Baleia me fez chorar “rios de lágrimas”, peculiar em uma “cachorreira” como eu. Eu não tinha outra saída, senão chorar. Essas duas leituras me nocautearam. Fiquei um bom tempo sem demonstrar maiores interesses por outra leitura, muito embora, como estudante, não podia simplesmente não querer ler. Lia por obrigação. Passava os olhos e comparava com o livro que me fez pensar sobre a vida e os valores que são importantes para a construção de uma pessoa. O que nos faz ser gente, afinal?

Literárias Mosqueteiras:
Também em abril, outra crônica “A primeira vez a gente nunca esquece” (http://homoliteratus.com/primeira-vez-gente-nunca-esquece/) onde a senhora lamenta, como professora, ao constatar a repulsa inicial de seus alunos, pelo hábito da leitura.
No primeiro Episódio de Bastidores de um Escritor (http://irisalbuquerquebalancho.blogspot.ch/2014/05/parte-1.html) eu escrevo sobre a minha dramática alfabetização, e a criatividade estratégica de minha mãe para tornar-me um leitor.
Não sei se a senhora concorda com a minha opinião, mas vivemos em um país que não sabe ler. Refiro-me não a alfabetização, mas a capacidade de entender o que está lendo. A escola tem a obrigação, mas e o papel da família? Há alguma, ou algumas receitas que a senhora como professora, mãe, poderia passar aos nossos leitores, de como tornar uma criança, se possível, um leitor voraz?

Cláudia de Villar:
Eis uma missão quase impossível, pois cada vez mais os pais mandam os filhos para a escola sem o mínimo possível de bagagem de leitura, e eu me refiro a ter contato com os livros, pegar, tocar e depois ouvir a mãe contar uma historinha ou lê-las. E há também aqueles livros-brinquedos que a princípio deveriam servir para incentivar a criança que está começando a aprender a ler que, infelizmente, alguns pais e professores indicam para leitores iniciantes, ou seja, cria na criança a falsa verdade de que livro é brinquedo. Não! Livro é leitura. E aí vêm as ilustrações. Vocês podem ver em meus livros que há poucas figuras, pois o meu foco é a leitura, a interpretação das palavras. A ilustração vem para acrescentar, mas não para dividir espaço com as letras. Para tal há excelentes livros totalmente ilustrados, que mexem com o imaginário das crianças e, dessa forma, torna-se uma excelente ferramenta para induzir a criança em produzir um texto escrito a partir da sua leitura visual. Penso que todos nós, crianças, jovens ou adultos, gostamos do desafio, do desconhecido, da provocação e é por aí que levo as minhas oficinas e o meu conselho. Quer que uma criança leia? Então a provoque. Leia apenas o início da obra e deixe que ela imagine o final daquela história. Faça-a desenhar o final. Compare enredos criados para o tal livro e depois ofereça o livro para ela descobra o final que o autor deu à obra. Faça ao contrário, leia o final e peça à criança para ela crie o início. E o mais importante, leia na frente de uma criança. Elogie os livros, as feiras de livros, os escritores, e demonstre alegria em ler. Aprendemos muito mais com exemplos do que com conselhos. É mais ou menos por aí. Obviamente que há outros casos mais particulares, e então temos que procurar outras formas de incentivo à leitura. Mas uma coisa é certa, crianças oriundas de famílias que não leem e que não enxergam nenhum valor no ato de ler, que não compram livros, não frequentam feiras de livros, serão crianças que apresentarão maior resistência frente à leitura. Infelizmente, essa é a realidade que encontramos nas salas de aula. Pais querem milagre e nós, professores, queremos apenas crianças ainda com espírito de crianças, abertas para a ilusão e a criação.

Literárias Mosqueteiras:
Em outra crônica, em janeiro último, “Salário de 2.300,00 – Pronto para ser Escritor?” (http://homoliteratus.com/salario-anual-de-r-2-30000-pronto-para-ser-escritor/) a senhora estrategicamente omitiu, no titulo, que o valor era anual. Não faço a menor ideia de quanto Paulo Coelho, por exemplo, recebe em um período de doze meses. Além disso, arrisco uma estimativa que, 90% dos autores brasileiros não vivem da literatura. Estarei exagerando?
E por falar nesse expressivo percentual, suspeito que a maioria das Editoras retiram do preço de capa, noventa e tantos por cento do autor. Exagero, mal informado, pessimista? Pelo que venho observando, e se formos nos concentrar somente no retorno financeiro, ser Tradutor literário no Brasil, é muito mais rentável.
Como a senhora avalia a situação dos renomados e novos autores nacionais?

Cláudia de Villar:
Também queria saber quanto Paulo Coelho recebe por suas obras. Sei que grandes editoras pagam um percentual a seus escritores a título de direito autoral, o que não é o meu caso. Na verdade, não culpo apenas as editoras, pois as livrarias também têm o seu percentual de culpa. Vou relatar o meu caso, pois é o que conheço bem. Após o meu livro sair da editora e eu ter pago a ela o percentual cobrado, que já vem com o preço da gráfica embutido, eu saio atrás de uma livraria para comercializar os meus livros (ainda por cima eu não tenho tanto tempo para a divulgação, pois leciono todos os dias, 40h semanais). Essa livraria me pede entre 40% a 50% do valor de capa para vender o meu livro e após eu aceitar, (o meu único caminho para “as Índias”), ela sequer coloca o meu livro na vitrine, pois eu não sou “conhecida”... e pelo jeito, jamais serei! Divulgam em site, mas sou eu entre milhares de autores e títulos. Uma escola se recusou em trabalhar com minhas obras porque, segundo a instituição, as crianças precisam conhecer os clássicos. Assim fica difícil. Às vezes penso que deveria vir uma lei, porque depender de uma conscientização não está funcionando, para que uma determinada porcentagem de autores novos fosse trabalhada em escolas públicas (pelo menos). Aprecio e reconheço o valor dos clássicos, mas são obras, embora a temática seja universal e sem data para o seu fim, retratam outra época, outra linguagem e outra vivência, sem falar que, dessa forma, a literatura perde a possibilidade de crescer enquanto arte das palavras. Eis que nesse contexto da escola, perdi mais uma chance de “vender” o meu peixe e, desta forma, seguem os novos autores. Pois assim como eu, muitos lutam para vender os seus livros, disputando o mesmo espaço que escritores já conhecidos e escolhidos por escolas públicas ou privadas. Encontramos outro impasse para a comercialização de nossas obras, são os programas do governo (Autor vai à escola, e outros que não recordo o nome). Eles pagam o cachê desses escritores. Geralmente, são livros de autores que fazem parte de um nicho já conhecidos, ou seja, são quase sempre os mesmos grupos de autores. O novo autor pouco entra nesse grupo. E eu, como funcionária pública estadual não posso participar de programas de leitura e autores do governo do Estado. Mais um empecilho. Fico então, na dependência de minhas forças e da propaganda de amigos e familiares.

Literárias Mosqueteiras:
Por que os nossos leitores preferem a literatura importada? O há que de tão atrativo nos estrangeiros, que nossos autores ainda não tem?


Cláudia de Villar:
A fantasia sobre o estrangeiro ainda permanece na mente de muitos adultos. Além do mais, às vezes sai mais barato para uma editora traduzir uma obra que já fez sucesso no exterior e lançá-la aqui no Brasil, pois o que elas, como qualquer firma quer, é o lucro imediato. E assim há mais livros de escritores estrangeiros a serem oferecidos na praça e com preços mais atrativos. Além disso, há milhares de leitores à espera do livro que é a reprodução de um filme, ou um livro que saiu num determinado programa de televisão. Reforço aqui a força que tem a propaganda feita pela mídia e o fascínio que o nosso país, infelizmente carrega, pelo que vem de fora. E tem mais, infelizmente, como professora eu vejo educadores que apenas indicam obras estrangeiras. Não que elas não possam ser indicadas, mas simplesmente esquecem o escritor brasileiro. Como se os autores estrangeiros fossem melhores do que os nacionais. O hot-dog ainda é melhor do que o cachorro-quente! Deve sim haver, primeiramente, um sentimento de patriotismo, de amor ao que é nosso, “(...) As aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá” (Gonçalves Dias). Infelizmente, nem todos os cidadãos que aqui nasceram, pensam dessa forma. E cada vez mais as famílias, a mídia, a situação pelo qual se encontra a política e os governos estão tirando do nosso povo, o orgulho em ser brasileiro e, nessa linha de pensamento, por que ler livros de escritores brasileiros? O que aprenderei com eles? E assim segue a humanidade, “com passos de formiga e sem vontade”, como diz a letra da música.

Literárias Mosqueteiras:
Em sua página do Facebook (https://www.facebook.com/escritoraclaudiadevillar) a senhora publicou o seguinte “enigma”:
“Há momentos para tudo nessa vida. Há momentos para o pão, para o vinho e para a loucura! Pois há momentos para saciarmos nossa fome de justiça, outros para saciarmos nossa sede de vingança e outros para pormos um ponto final na rotina diária! Aproveitem cada momento de sua vida!”
Fome de justiça e fome de vingança; Poderia nos esclarecer, Escritora?

Cláudia de Villar:
A fome de justiça vem a partir do momento em que somos injustiçados em qualquer área de nossa vida. Não falo aqui somente em defesa da minha pessoa, a escritora que vê muita dificuldade em entrar em um mercado literário por haver muitas injustiças, mas falo aqui pelo povo brasileiro que pega ônibus lotado para trabalhar e ao final do mês, ganha um salário-fome e vê seu vizinho, se dando bem com auxílio-voto, com “gatos”, com a tal e célebre resposta: quero e vou me dar bem com o jeitinho brasileiro que justifica a malandragem. Falo das injustiças que há na falta de uma Saúde de qualidade, numa Educação, realmente preocupada com o crescimento do educando, com as injustiças no local de serviço, as opressões realizadas no campo profissional. E por aí vai. Há a fome, a miséria, a falta de ilusão, falta de fé, falta de amor e companheirismo. Falta de Deus ou de uma crença e em uma perspectiva de vida melhor e mais feliz. São essas as injustiças as quais me refiro. Tenho fome de justiça dos homens! E, em se tratando da vingança, tenho sede sim, de vingar essas injustiças. Quero ver um povo que, ao querer vingar-se das mazelas, não fique prostrado, chorando as amarguras ou ”os coitadismos” da vida. A vingança é um sentimento que leva o indivíduo a sair da mesmice, que impulsiona à luta e assim, tenho fome de que o povo se vingue de sua dor, mas lutando. Munindo-se de armas (Cultura e Educação) para o seu crescimento como pessoa, como cidadão... Tornar-se gente!


Literárias Mosqueteiras:
Gênio de Rua – Um Filme de Letras, meu primeiro e único livro, foi escrito em um período de aproximados quatorze meses. Aposentado e morando sozinho, a três minutos do mar, decidi que minha hibernação, diante do inverno que se aproximava, seria o motivador para realizar um sonho: Escrever um livro sob o prisma de hobby. Mas muitas coisas se sucederam com este aparente hobby.
Eu tenho absoluta certeza que cada Escritor tem muito que contar, e que não está contado em suas obras.
Eu pratico, por exemplo, o ritual de ouvir a trilha que escolhi, visualizando a capa, como se fosse um aquecimento. Não uso roteiro. O livro é escrito ao vivo. Tenho até fatos sobrenaturais para confessar. Há inúmeras peculiaridades que foram surgindo, manias, e que estão ocorrendo ao escrever Gênio de Rua 2.
Ao sentar diante do computador para iniciar suas atividades literárias, mais precisamente, escrever um livro, quais as singularidades ou curiosidades que a Escritora Cláudia de Villar tem a nos revelar?

Cláudia de Villar:
Bah... Na verdade, agora que estou começando a escrever diretamente no computador. Tive apenas uma primeira experiência, o meu último livro foi escrito dessa forma. Os anteriores, todos, eu escrevi num caderninho pequeno que levo para a escola e ali escrevo alguns trechos ou ideias. Mas gosto de ter o título em minha mente e dificilmente troco após pensá-lo e repensá-lo. Também preciso ter toda a história que será narrada em meu cenário mental. Isso demanda tempo. Tenho que pensar nas personagens, qual assunto será o norteador, no título, o que desejo com aquela obra e somente depois eu começo a escrever. Aí escrevo rápido. Meus livros não passam de uma semana ou dez dias para colocá-lo todo no papel. Como escrevo, principalmente para crianças e jovens, eu me preocupo bastante em quais os valores que quero passar a esses futuros leitores, e trago sempre, animais personificados para dentro de minhas obras, fazendo uma junção entre leitura, crianças e animais.

Literárias Mosqueteiras:
Para finalizar, agradecemos sua participação no Site das Literárias Mosqueteiras, e lhe proporcionamos este espaço, para acrescentar o que a senhora julgar ainda necessário ser divulgado.

Cláudia de Villar:
Minhas obras, é claro! Kkkkkk. Afinal, a propaganda é a alma do negócio!
Mas a minha mensagem final é que a leitura tem a chance de proporcionar uma nova visão de mundo e que não seja somente o mundo que eu habito. Existe vida pós-dor e pós-sofrimento e a leitura pode trazer paz e esperança. Temos que ler o mundo, mas primeiramente, temos que aprender a ler a nós próprios. Lembrando que ler não significa decodificar letras e símbolos, ler é interpretar as palavras e as reticências da vida. Quero agradecer a todos do Site das Literárias Mosqueteiras a oportunidade e o privilégio em ter sido lembrada!