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João Galante
João Galante

João Galante

Por: Adelina Antunes

Pelas suas próprias palavras João Galante é prodigamente giro, sexualmente pervertido, musicalmente tendencioso.

Dono de uma voz excecional é possível assistir aos espetáculos que nos oferece, plenos de improvisação e essencialmente em português, e onde este talentoso pianista nos cativa com a sua versatilidade e uma capacidade inata de surpreender e emocionar a audiência do primeiro ao último acorde.

Pianista talentoso, músico e poeta tem o dom de, através de temas originais, transportar os ouvintes pelo mundo dos Blues com o um toque de swing único, pessoal e inesquecível.

 

Adelina Antunes (AA) - Pelo menos desde os quatro anos de idade que te encontras ligado à música. Como é viver uma vida ligado a algo que é ao mesmo tempo um gosto, uma paixão e um modo de vida?

João Galante (JG) - É muito enriquecedor, uma bênção que procuro sempre não desmerecer. Por vezes fica difícil... há fases em que a paciência e a força para ultrapassar escolhos se exaure mas aqui estou. "On fire!"

AA - És professor de piano, guitarra clássica e bateria. Pode dizer-se que o que te move é a necessidade de fomentar e fornecer mecanismos a quem tem o gosto pela música?

JG - Adoro crianças e sempre que tenho o privilégio de ser prendado com espíritos evoluídos, isto é, aquelas crianças que num repente se vêm tocando e cantando ao piano, fico com a sensação que gerei mais um filho. É uma oferta dos deuses e eu não me faço rogado.

AA - Fala-nos um pouco da tua experiencia enquanto mentor e diretor artístico do Festival de Jazz de Albufeira. É uma experiencia para repetir?

JG - Foram cerca de 14 anos trazendo a esta cidade muitos nomes importantes. Os tempos mudaram, a cultura está em maus lençóis neste Portugal tendencialmente brejeiro. Os festivais lutam contra muitas adversidades. Eu remato à americana: "I'm out!"

AA - Já tocaste com músicos consagrados, nacionais e internacionais como por exemplo Zé Eduardo, Nuno Gonçalves, Pedro Madaleno, Thilo Krassman, Duncan Kinnell, Matt Lester, Gary Cox, Paul M. Davidson, Javi Ortiz, para citar apenas alguns. Sem entrar em comparações pois essas seriam impossíveis, há alguém que, de algum modo, tenha “deixado marca”? Porquê?

JG - Sem dúvida o Zé Eduardo. Pelo privilégio de poder partilhar o palco com ele por diversas vezes, pela oportunidade de privar com ele e escutar muitas estórias decorrentes da sua grande experiência de homem do mundo para além de músico de exceção e pela formação que com ele adquiri e que me deu muitas bases para poder entender um pouco mais a linguagem do Jazz e do Blues.

AA - Tens atuado nos mais diversos palcos desde salas de espetáculos, clubes ou mesmo Festivais. Fala-nos dessas experiencias. Semelhanças. Diferenças. Públicos…

JG - Tocar é sempre enriquecedor para um músico e, no meu caso em particular, entrego-me sempre na totalidade, independentemente de ser numa pequena sala ou num grande auditório. Tudo o que faço é com paixão e sempre fazendo amor com o meu instrumento - amo amar em qualquer lugar.

AA - Poesia: uma paixão recente ou sempre a sentiste dentro de ti?

JG - A Poesia é uma paixão que vem da minha adolescência. É parte integrante da minha expressão artística, até porque sempre fiz questão de ter poemas escritos por mim em todas as minhas canções.

AA - Sensualidade, lascívia, amor, sexo… são elementos sempre presentes quer na música, quer na poesia. É fácil escrever sobre estes temas?

JG - Escrever sobre sensualidade é para mim como respirar. Está na ponta dos meus dedos. É básico. É fruto do signo. Da impulsividade. É uma torrente sempre intensa de sensações que nasce em mim.

AA - Blues e poesia são duas áreas que não são ainda muito aceites. Sem adesão do grande público. Consideras que estás a remar numa corrente adversa?

JG - O Blues está em ascensão sendo cada vez mais respeitado por todo o mundo.

Portugal é certamente um lugar inóspito mas acredito que vai haver um lugar para esta música. E eu vou estar lá de corpo inteiro. A Poesia está um pouco a modos que... estranha na medida em que me dá a sensação que um dia destes há mais poetas que habitantes em Portugal... não vou querer dizer mais nada - há que refletir um pouco.

 

AA - Outra faceta do João Galante é a parceria que tem vindo a estabelecer com a filha. "Double JG" - projeto em duo de Joana /João Galante, um projeto “com pernas para andar”?

JG - O "Double JG" é um projeto a médio prazo, em construção e que penso terá todas as condições para vingar. Há que rodar mais o show, "condimentá-lo" com as canções adequadas e gravar algo para poder divulgar melhor o nosso som, o respeito e a cumplicidade que emanam quando partilhamos o palco.

AA - Um sonho: atuar numa casa de fado "... porque afinal o fado é primo-irmão do Blues..." para quando a sua concretização?

JG - Já faltou mais... Comecei a divulgar agora a canção "Hoje vou tomar Lisboa" - acho que o título fala por si e vai ajudar a concretizar o sonho

AA - E porque falamos de sonhos e das possibilidades destes se virem a realizar… para quando a edição de um livro de poesia?

JG - Vão ver a luz do dia em breve sim. Um dos dois livros que tenho prontos vai sair cá para fora, sem data definida mas garanto que está quase, quase....

 

AA - Compositor, músico, cantor, poeta, … o que falta para completar o perfil do João Galante?

JG - Não sei que te diga mais sobre mim -  quem sabe depois de me teres dado a honra de me "ouveres" ao vivo e a cores tenhas algo para acrescentar?

AA – Quem sabe?

O primeiro contacto que tive com o João Galante foi através das suas músicas. “Pega-me fogo”, a primeira que ouvi, cativou-me. Pela voz. Pela interpretação… Talvez pela atmosfera em que me encontrava no momento. "Meu fado blues irmão" - o novo "smooth blues" em português – foi outro dos temas que passou a fazer parte do meu repertório musical.

A música, o blog de poesia, os sites onde divulga o seu trabalho, deram a conhecer um pouco homem por detrás do músico, do compositor, do poeta, como sendo uma pessoa apaixonada. Pelo que faz. Pela vida. Pela família e pelos amigos.

Conhecer o João “ao vivo e a cores” contribuiu para consolidar essa imagem. Mas serviu também para ver uma pessoa capaz de montar um microfone, ajudar com o som, brincar quando algo corre menos bem. Com uma facilidade enorme de estabelecer laços de empatia com o público e de o envolver em algo que deixa de ser um espetáculo a que se está a assistir para ser um outro, diferente, em que se sente envolvido e do qual passa a fazer parte.

 

Foi a entrevista possível e agradeço a disponibilidade, o tempo dispensado e o facto de nos dares a conhecer um pouco mais sobre ti.

É possível acompanhar a atividade de João Galante

Na Internet

Site oficial: http://www.joaogalante.net/

https://soundcloud.com/joaogalantejazz/youd-be-so-nice-to-come-home

No Facebook

https://www.facebook.com/PoesiadeJoaoGalante?fref=ts

No bloog

http://mjoaogalante.blogspot.pt/