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Ceres Marcon
Ceres Marcon

Por Elton da Fontoura

Eu gostaria de ser muitas coisas, e sou uma porção de tudo.”

Assim define-se a Escritora, mãe e esposa Ceres Marcon.

Já atuou como Professora, Decoradora e Empresária, mas foi na literatura, na arte de escrever, que mais se identificou.

Nasceu em Antônio Prado, município localizado na Serra Gaúcha, considerado por sua colonização europeia, a cidade brasileira mais italiana.

Ceres sempre esteve envolvida com cultura. Cursos universitários, participações em seminários e encontros sobre literatura. Também estudou a língua inglesa e a música, através do piano.

Logo após concluir o ensino médio, passou a conviver com o meio acadêmico ao cursar Licenciatura Plena em Letras, pela Universidade de Caxias do Sul. Foi onde descobriu o universo dos escritores e das possibilidades infinitas de viajar em outros mundos.

 

Literárias Mosqueteiras: Gostarias de ser muitas coisas e simultaneamente, és uma porção de tudo. Uma citação e definição bem instigante! Qual o sentido literal desta frase?

 Ceres Marcon: O sentido literal é o desejo constante de experimentar tudo o que sinto ser capaz de executar. Tenho dentro de mim tantos sonhos, que uma única existência não bastaria para realizar todos. Por isso a frase “Gostaria de ser muitas coisas e sou uma porção de tudo” me define bem.

Quando criança desejava trabalhar em um banco. Cheguei na adolescência e fiz estágio na Caixa Federal. Depois, sonhei em ser professora e assim o fiz. Acho que o casamento e a maternidade, principalmente essa, me deixou mais quieta por um tempo. Meu espírito, no entanto, é inquieto, por isso procurei por outras possibilidades. Fiz vários cursos de decoração de interiores, os quais me proporcionaram dez anos de trabalho nessa área. Via os projetos saírem do papel e tomarem forma e cada um deles, teve uma dedicação especial, porque sou perfeccionista; contudo, faltava algo. Tentei, então, um negócio próprio que, infelizmente, não decolou e aí retornei às letras, porque foi durante a execução desse empreendimento que as palavras começaram a buscar um espaço maior do que a minha cabeça podia suportar. Passei um ano em escritas curtas, poemas sem muita elaboração, mas que ajudaram a construir o caminho para que os primeiros contos acontecessem. Hoje, vejo minhas histórias tomarem forma no papel, palavra por palavra, como um filho cresce no ventre de uma mãe e ao nascer, preenche a vida de cor e alegria. E a cada novo texto finalizado, mais rebentos precisam surgir a fim de preencher o espaço, tanto o que está dentro de mim, quanto o que me circula.

 Literárias Mosqueteiras: Vamos esmiuçar o período que antecedeu à Escritora. Fale-nos um pouco da Professora Ceres.

 Ceres Marcon: A professora Ceres aconteceu durante o período da maternidade. Meu estágio e o período no qual lecionei, reforçaram a importância do professor, porque ele é um dos responsáveis pelas mudanças na sociedade. Ele faz a ligação entre o aluno e o conhecimento, visto que não detém o conhecimento, mas auxilia o aluno a buscá-lo.

Aprendi, enquanto professora, a importância de revelar ao aluno, que a clareza das palavras e a boa construção frasal faz diferença, tanto para aqueles que não desejavam seguir a vida acadêmica, quanto para os demais. Minha prioridade, enquanto professora, foi vero aluno como um ser pensante, ciente de sua importância dentro da sociedade e capaz de transformar sonhos em realidade. Segundo Paulo Freire, “não existe ensinar sem aprender”, e eu acrescentaria que aprendemos muito mais quando nos colocamos a serviço do outro, porque a troca de experiências é a maior fonte de aprendizado que eu conheço.

Literárias Mosqueteiras: E quanto a Decoradora?

 Ceres Marcon: Como disse lá no início, eu via meus projetos saírem do papel, tomarem forma, se concretizarem. Essa parte era extremamente gratificante. Compensava o cansaço de dias de pesquisa e trabalho, na prancheta, no computador, na casa do cliente, nas marcenarias ou lojas especializadas.

Eu dormia com as ideias e acordava com as soluções. Foi um período de descobertas, de conhecimento do outro e, principalmente, de respeito. Quando falo em conhecimento do outro, incluo não só o autoconhecimento, mas também “o saber...”

É uma profissão em que não existe imposição de ideias. Havia sempre, a necessidade de esclarecer o cliente do que era possível e do que se tornaria inviável, em função do espaço, do material ou do orçamento.

Aprender a ouvir também fez parte dessa parte da minha vida, porque os anseios do cliente, muitas vezes, iam além do que era possível. Então, entrava o desafio, a capacidade de transformar um desejo em algo concreto. No momento em que o sonho se transformava em realidade, a alegria se fazia visível, tanto para mim, quanto para eles.

 Literárias Mosqueteiras: Por fim, a Empresária!

 Ceres Marcon:De todas as minhas profissões, essa, sem dúvida, foi a que mais me decepcionou. A competição, o ganhar a qualquer preço, não faziam, nem fazem parte da minha vida. Não guardo mágoas, nem rancor, mas não voltaria a ter meu próprio negócio.

 Literárias Mosqueteiras:Agora vamos entrar no mundo editorial, ou será submundo? Como avalias o atual momento da literatura brasileira?

 Ceres Marcon: Vejo a literatura, hoje, em crescimento contínuo. Há muitos autores surgindo, conquistando espaços nas estantes das livrarias onde, há algum tempo, apenas os best-sellers se faziam visíveis. Temos Kizzy Ysatis, Adré Vianco, Raphael Dracon, Felipe Cobert, Raphael Montes, entre tantos outros, que fazem com que os leitores busquem por escritores brasileiros nas prateleiras das livrarias.

O escritor saiu do pedestal, está mais próximo do leitor. Há sites como Nyah, Live Journal, até mesmo Wattpad e outros do gênero que possibilitam aos jovens criarem universos alternativos com personagens já existentes de filmes, animes e séries de TV. Vide “50 Tons de Cinza”, que apareceu como Fanfic e se transformou em best-seller. Todos, sem distinção, podem escrever e terem seus textos lidos pelos fãs desses personagens, receberem opiniões, críticas e transformar o sonho de escritor em realidade.

Novas editoras surgiram, abrindo possibilidades para os que querem ser publicados e se sentem “rejeitados” pelas grandes editoras. Infelizmente, nem mesmo isso facilitou a caminhada. As editoras por demanda não conseguem dar ao escritoriniciante a visibilidade necessária para que ele se destaque em meio a tantos outros. Muitos escritores precisam pagar pelo “extra”, como, por exemplo: marcadores de páginas, banners, bottons, mimos para agradar ao futuro leitor. Sem contar que, em muitos casos, a propaganda também fica por conta do próprio escritor.

Outros, com o é o meu caso, buscam pela auto publicação ou via Clube dos Autores ou pela Amazon. Nem aí as coisas são fáceis. Além de escrever é preciso aprender a divulgar e vender o próprio trabalho, criar mailing lists, construir o próprio site, investir tempo em pesquisas para entender se o trabalho está atingindo o objetivo.

Muitos textos deixam de ser publicados porque falta uma estrutura melhor elaborada, falta técnica. Acredito em cursos de escrita, não formador de grandes escritores, mas para potencializar a capacidade do escritor, não como um entrave, mas como uma alavanca. Transformar uma história meia sola, capenga, em uma história que flui e prende o leitor, porque há coerência no que está escrito. Americanos e europeus aplicam técnicas de escrita. Muitos se formam em escolas específicas para escritores, por que não podemos aproveitar e fazer o mesmo?

 Literárias Mosqueteiras: Em maio de 2010, tu publicastes no site SlideShare, o conto denominado: “Uma Noite Estranha”. Excelente narrativa. http://pt.slideshare.net/Moonlightbaby. No momento que conheci o Protótipo de Escritora, li uma citação: “Ando escrevendo. Quem sabe um dia meu livro se torne realidade.”

De lá pra cá, esta realidade aconteceu? Tu conseguiste publicar um livro?

 Ceres Marcon: Pois é... Ainda não, mas o sonho passou a ser projeto a caminho da realização. Enviei o meu romance “Não Duvide de Mim”, atualmente disponível no Wattpad, para uma leitura crítica e já o reescrevi. A segunda etapa, agora, é uma nova avaliação do crítico literário, para depois decidir o que vou fazer com ele. É certo que vai necessitar de outros ajustes, então serão mais alguns meses de reescrita.

Com certeza, só restará um capítulo para “degustação” naquela plataforma assim que eu o disponibilizar, seja por alguma editora – se houver interesse por parte de alguma – ou através da atuo publicação, provavelmente pela Amazon.

 Literárias Mosqueteiras: Em abril de 2013, ocorreu em Porto Alegre, a Segunda Odisseia Fantástica. Neste evento, Angelus, uma coletânea de vinte contos, com a participação de vinte autores diferentes, estava presente. Encontrei uma resenha deste livro, http://estantedegarotos.blogspot.com.br/2013/07/angelus-historias-fantasticas-de-anjos.html onde são citados que muitos autores souberam construir suas histórias, mas somente três são citados, entre eles, Ceres Marcon. Também é mencionado que muitos deixaram a desejar. O livro recebeu cotação regular. Isso de alguma maneira te prejudica, ou mesmo em uma coletânea, o autor permanece individual?

 Ceres Marcon: Vou ser sincera, não conhecia essa resenha. Já havia lido outras e fiquei muito feliz com o que li. Como dizem por aí, nunca é tarde, não é?

Então, eu não acredito que uma cotação regular de uma antologia prejudique a individualidade do autor. A resenha de J.R.Gomes, nesse blog, é bem feita. Ele cita o que chamou a atenção e o que o desagradou, sem desmerecer os autores.Não tem possibilidade de um autor que tenha feito um bom texto ser colocado no mesmo, desculpe a expressão, “saco de gatos”.

Quando o leitor busca por antologias, esperamos que ele tenha lido alguma coisa a respeito dela, saiba que cada autor é único, que se existe alguma discrepância nos textos, não é geral.

Nunca me preocupei com a possibilidade de uma antologia depreciar minha escrita. Mesmo que a crítica seja negativa. Um escritor precisa estar preparado para ler algo que não espera, seja isso positivo ou negativo, com relação a sua obra.

Eu trabalho muito minhas expectativas, porque só esperar por elogios é utopia e quanto mais sincera for a crítica, mais eu aprimoro minha escrita.

 Literárias Mosqueteiras: Uma segunda questão me ocorreu quando observei a capa de Angelus, muito bonita por sinal. Ali constam apenas os nomes dos dois organizadores.

Recentemente fui convidado a participar de uma coletânea. Seria necessário desembolsar um valor, não receberia direitos autorais e provavelmente, o nome dos autores não seriam inseridos na capa. Recusei!

Posso estar errado, mas sou gaúcho de lenço vermelho no pescoço, mesmo sendo gremista. O lenço vermelho, para quem desconhece, é o sangue Farrapo, revolucionário, idealista, excêntrico.

Necessitar da concentração, estar disponível algumas horas ou dias para construir um conto, pagar e não receber nada por ele, além ter seu nome de autor oculto da capa do livro, não te parece injusto Escritora? Eu diria absurdo!

 Ceres Marcon: Bem, Elton! Sou gaúcha de lenço vermelho, também, mas colorada desde sempre! Eu deixei de publicar um de meus trabalhos, com uma editora que se dizia top das editoras por demanda, porque discuti, via e-mail, com o editor. Disse a ele que o preço para publicação não era justo, porque acreditava que editora publica, escritor escreve e livraria vende. O lenço vermelho falou mais alto.

Seria maravilhoso se os nomes dos participantes estivessem na capa dos livros, mas não é o que ocorre. Não sei o motivo. Se é que existe um. É injusto? Sim, mas a vida não costuma ser justa o tempo todo. Não encontrei, em nenhuma das antologias que me interessaram, uma capa que fizesse propaganda dos escritores.

A parte dura de participar de uma antologia não consiste apenas em bancar a publicação. O escritor só cobre os custos se conseguir vender os exemplares que adquiriu se encontrar um espaço para expor os livros e fazer algum tipo de lançamento pós-lançamento oficial. Ainda precisa se preocupar com a propaganda. Tudo demanda tempo e dá muito trabalho. Ao final, deixamos de escrever para vender.

Pensando por outro ângulo, quando entramos em uma antologia, há a interação entre os autores no dia do lançamento. Conhecemos colegas com muito mais dificuldade de publicação do que nós mesmos.

Até hoje, as antologias das quais participei, ofereceram um exemplar gratuito e um preço menor na compra de exemplares. Assinei um contrato de um ano para manter o texto na antologia e não publicá-lo em outro lugar. A Angelus, por exemplo, ainda permanece à venda no site da editora. Apesar de ter se passado um pouco mais de um ano, não disponibilizei o conto na Amazon. Só o farei após conversar com os responsáveis.

 Literárias Mosqueteiras: Todos os Escritores possuem algumas ou muitas coisas em comum, mas também é verdade, que peculiaridades são adquiridas, antes, durante e depois, do início e finalização de uma obra.

Os pontos comuns não são necessários, mas nos fale algumas curiosidades, macetes, manias, superstições, o sobrenatural que compõe os bastidores da Escritora Ceres Marcon!

 Ceres Marcon: Não sei se tenho algo estranho a relatar. Alguns escritores trabalham com música, eu prefiro o silêncio absoluto, mas adoro dar uma passadinha no Facebook, principalmente quando travo em alguma cena, ou quando me falta alguma palavra específica. É minha maneira de descontrair.

Músicas serve para buscar inspiração quando não estou escrevendo, daí eu anoto a ideia e depois, com a companhia do silêncio, desenvolvo o restante.

Também tenho um amuleto da sorte, meu “beta reader”, que quando não se encontra no Skype, eu surto! Brincadeiras à parte, é bom termos alguém que se disponibilize a ler o que escrevemos. Isso nos dá mais segurança, mas não dispensa uma leitura crítica de um profissional da área.

 Literárias Mosqueteiras: Há um romance, “Não duvide de mim”, publicado gratuitamente no Wattpad http://www.wattpad.com/user/CeresMarcon. Qual a principal razão que a senhora o disponibilizou?

 Ceres Marcon: “Não Duvide de Mim” foi um desafio ao qual me propus. Queria escrever algo que pudesse ser lido de forma rápida e saber se haveria algum tipo de repercussão, favorável ou não, ao que eu publicaria. Também serviu como teste para mim. Me mostrou quais as minhas dificuldades na escrita.

O Wattpad é uma plataforma que possibilita a interação entre o escritor e o leitor, porque é possível publicar um capítulo, ou mais, semanalmente. Aponta qual o caminho esperado pelo leitor. Faz com que o escritor seja ágil.

O maior problema que encontrei foi justamente esse, a agilidade. Sou lenta, penso demais antes de escrever, preciso de planejamento e a falta disso ocasionou vários pontos soltos na trama, por isso, hoje, passa pela revisão de um crítico literário.

 Literárias Mosqueteiras: Na Amazon existem 3 contos: Amor, Torquetur e Vitor. http://www.amazon.com/Ceres-Marcon/e/B00J0H6ZHQ Especificamente, esses três são romanceados, alterando apenas personagens e a trama, ou há diferenças no estilo?

 Ceres Marcon: Hoje, já há quatro na Amazon, Elton. Já pode acrescentar na tua lista: “A Noite do Desespero” e, em mais alguns dias, estarão disponíveis: “Noite Estranha”, meu primeiro conto, e “Condenado”.

Não os considero romances. São contos de fantasia. Os personagens são diferentes em todos os aspectos e a trama também. Tem dor, sangue, violência, dúvidas, desejos, escolhas, ódio, posse disfarçada de amor, amigos, inimigos. Acredito que esses sejam os elementos comuns dos meus contos. A história de todos se passa no mundo real.

Os personagens de “Torquetur” são figuras do mundo dos anjos e dos demônios. “Vitor” e “Amor” têm personagens humanos, porém com distúrbios graves. Eu os classificaria como “Vitor”, terror com fantasia; “Amor”, suspense; “Torquetur”, fantasia.

 Literárias Mosqueteiras: Assisto muito vídeos literários. Especificamente, em um deles, ouvi um relato de uma leitora que lia exclusivamente histórias fantásticas, porque sentia a necessidade eventual de fugir da realidade. Tenho convicção que esta leitora não é única a “fujona”.

Em 2012, tu participaste de uma coletânea, “Dimensões Br II – Contos de Literatura Fantástica Brasileira” http://www.skoob.com.br/livro/245148-dimensoesbr-vol2. As obras do gênero “fantástico” são extensas e a tendência, é de constante crescimento. Quando concluí Gênio de Rua, e agora, escrevendo a continuação, pude identificar simplesmente, que o público alvo é o adulto. 

Quando estás construindo uma obra literária, satisfaz primeiramente as tuas necessidades, as tuas preferências, ou visa unicamente um público alvo promissor?

 Ceres Marcon: É interessante essa pergunta, Elton, como todas as outras que você fez.

Como você deve ter percebido, meus contos são todos ligados à fantasia, com exceção do romance.

Eu escrevo por necessidade. Preciso colocar para fora da minha cabeça as ideias que me perseguem. Quando coloco o ponto final penso que, talvez, ela possa agradar alguém. Então, escrevo para mim. Os personagens precisam estar dentro de mim, preciso senti-los como parte do meu corpo e da minha mente. Se não acontecer essa ligação, a história desaparece, as palavras não vão se encaixar e eu não sinto necessidade de escrever. Acho que esse é um dos motivos de eu não ter tantas obras publicadas. Tenho meus rascunhos, vários, mas permanecem amadurecendo.

Uma história, para mim, é como música: precisa tocar minha alma.

 Literárias Mosqueteiras: Escrevestes: “Sou uma grande incógnita, cheia de altos e baixos, e de humor instável. Procuro exercitar diariamente, a paciência e a tolerância.”

O bom e o ruim, invariavelmente, estão sempre juntos, ou no mínimo, cada um no verso e reverso. Este diagnóstico, esta incógnita, estes altos e baixos, de algum modo são benéficos para um Escritor, ou atrapalham? Surtiram efeito estes exercícios?

 Ceres Marcon: Os altos e baixos atrapalham. Colocam sempre em dúvida a minha capacidade o que mexe muito com meu perfeccionismo. O não me sentir capaz de executar algo é, sem sombra e dúvidas, o meu carrasco. Então, exercitar a paciência e a tolerância é mais um exercício comigo mesma do que com os outros.

Tenho colhido alguns frutos dessa experimentação. O controle da ansiedade, por exemplo, tenho parado de me culpar tanto quando cometo um erro na escrita, quando percebo, após enviar um texto para análise, que deixei furos aonde não devia.

 Literárias Mosqueteiras: Para finalizar, por tua indicação, conheci em um Site, Sara, a garota de 19 anos lendo um livro em uma cafeteria. Este conto, por demais reflexivo e dramático, compõe a Narrativa Aberta, uma história criada para que outros leitores proponham o roteiro e finalização.

Explique-nos melhor a engrenagem desta proposta.

http://narrativaberta.com.br/narrativa-1/)

Ceres Marcon: A “Narrativa Aberta” foi criada com o propósito de se escrever um conto em conjunto com outros escritores. O mais votado passaria para a etapa seguinte até totalizar as quatro etapas de um conto.

Acredito que a ideia inicial seria um conto escrito por vários autores, mas não foi o que aconteceu. Os contos são abertos para votação e cada autor faz a própria propaganda para conseguir o maior número possível de votos.

Após finalizar o primeiro conto, os organizadores abriram mais uma proposta. Deve estar na terceira ou quarta, se não me engano. Até aonde sei, eles reunirão os vencedores em uma antologia.

É uma iniciativa muito boa, porque os escritores têm a chance de mostrar o que fazem sem custos, basta vontade de participar. No link as explicações estão mais claras do que as minhas. http://narrativaberta.com.br/como-funciona/

 Mosqueteiras Literárias: Gostaríamos que tu fizesses o uso do espaço abaixo, para acrescentar o que julgares necessário, aproveitando para direcionar conselhos e sugestões para a classe dos novos autores.

 Ceres Marcon: Escrever é um exercício diário e contínuo. Se não tiver um computador, escreva à mão. Escrever no papel e passar a limpo ajuda a limpar o texto, clarear as ideias, encontrar novos caminhos para a história que você se propôs a contar.

Busque por cursos de escrita. É um investimento válido. As técnicas não vão engessar você, muito pelo contrário, vão oferecer a vantagem de ler um livro e perceber não só o que não lhe agrada, mas principalmente por que.

Seja humilde. Não pense que você é o melhor escritor do mundo, porque você não é. Aceite as críticas verdadeiras. Não seja grosseiro ao elaborar uma crítica ou apontar um erro que outro escritor cometeu. Aprenda com os erros dos outros e com os seus.

Não existe texto perfeito, sempre há possibilidade de melhorar, mas não se pode ficar reescrevendo eternamente. Temos que ter coragem de colocar nossas palavras diante dos olhos do leitor.

Por falar em leitor, não existiriam escritores sem eles, então meu pedido para que leiam meus contos, inclusive o romance policial “Não Duvide de Mim” quando for publicado, seja em e-book ou livro físico.