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Conheça Cem Filmes que Nasceram de Livros
Conheça Cem Filmes que Nasceram de Livros

     O Leopardo - do clássico de Giuseppe Tomasi de Lampedusa (1958)

 

CONHEÇA CEM FILMES QUE NASCERAM DE LIVROS.

 

Publicação de Henri Mitterand avalia sob vários prismas adaptações de romances que chegaram às telas.

 

Um clichê crítico reza que não se pode comparar o filme ao livro no qual se inspira.  Mas “100 Filmes – Da Literatura para o Cinema” (Editora Best Seller, 352 páginas, preço sugerido: 79 reais), de Henri Mitterand, vai contra o dogma. Toma uma centena de filmes famosos (uns mais que outros, é verdade) e reflete sobre eles na relação aos romances dos quais foram tirados.  Trata-se de trabalho intelectual e que principia por uma “apresentação” do próprio Mitterand, um texto com valor de ensaio e pensamento crítico.

A França – e o livro é francês – alimenta uma antiga meditação a respeito. Basta lembrar que o influente crítico André Bazin escreveu um artigo chamado “Por Um Cinema Impuro”, defendendo as adaptações literárias.  Já seu discípulo, François Truffaut, escreveu um texto de grande repercussão, e virulência, contra as adaptações literárias chamado “Uma Certa Tendência do Cinema Francês”.  Polêmicas à parte, o interesse do livro está nas análises dos filmes escolhidos e suas relações com as obras literárias de que descendem.

Os verbetes seguem sempre o mesmo formato.  Título, uma sinopse, ficha técnica, as outras versões (se for o caso) e, no corpo do texto, uma análise em geral bastante acurada.  Por fim, um pequeno box com “pistas psicológicas” e uma bibliografia.  Este penúltimo item indica que o livro aspira ao debate em escolas secundárias, talvez universidades e escolas de cinema.  O autor é designado pelas iniciais.  Por exemplo, no verbete sobre “O Idiota”, de Akira Kurosawa, o leito é, em primeiro lugar, informado de que o romance de Dostoievski foi publicado em folhetim entre 1868 e 1869 na revista O Mensageiro Russo, sendo depois editado em dois volumes, em 1874.

Por fim, as pistas pedagógicas trazem o foco de discussão para temas como o triângulo amoroso, a representação da santidade na tela, a imagem da mulher fatal, os traumas de guerra e a neve como elemento de dramaturgia.  Cita ainda filmes afins, em relação a este último quesito: “Nanuk”,  “Louca Obsessão”, “Fargo”, “Tempestade de Gelo” e “Insônia”.

ANTOLOGIAS

O livro contém verbetes de filmes de antologias como “Apocalipse Now”, de Francis Ford Coppola, inspirado em  “O coração das Trevas”, de Joseph Conrad; “Barry Lyndon”, de Stanley Kubrick, tirado de “As memórias de Barry Lyndon”, de William Thackeray; ou “Doutor Jivago”, versão de David Lean para o longo romance de Boris Pasternak.

Há também filmes (e livros) menos conhecidos, ao menos no Brasil, como “Le Mystère de la Chambre Jaune”, dirigido por Bruno Podalydès, de um romance homônimo de Gaston Leroux. Ou “Os Fantasmas do Chapeleiro”, obra menos evidente de Claude Chabrol, versão da novela de mesmo título de Georges Simenon.  Mas o livro contempla filmes mais conhecidos.

Algumas obras – em geral clássicas, mas nem sempre – prestaram-se a várias versões para o cinema. A comparação entre elas nos permite avaliar os problemas da adaptação de uma linguagem para outra.  Por exemplo, o romance de Pierre Louÿs, “La Femme et le Pantin”, de 1898, deu origem a três filmes – “Mulher Satânica (“The Devil Is a Woman, EUA, 1935), de Josef Von Sternberg, “La Femme et le Pantin” (França, 1959), de Julien Duvivier, até se cristalizar em uma das obras-primas de Luis Buñuel sob o título de “Esse Obscuro Objeto do Desejo” (França, 1977).

A versão americana tinha John dos Passos como roteirista.  A francesa, Brigitte Bardot como a femme fatale que atormenta o personagem masculino mais velho.  Mas foi Buñuel quem retratou de modo radical a dubiedade da mulher em relação ao seu amante (Fernando Rey), fazendo-a ser interpretada por duas atrizes diferentes, Carole Bouquet e Angela Molina.

Outro clássico superadaptado é “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert, publicado em 1857.  A adúltera de província foi vivida por Valentine Tessier sob direção de Jean Renoir (França, 1934); Jennifer Jones com Vincente Minelli (EUA, 1950); e Isabelle Huppert, sob Claude Chabrol (França, 1991).  Os três filmes adotam o título do romance, e quem não compreenderia isso, já que muitas vezes as versões para cinema buscam se valer do prestígio do livro?  O autor do verbete, Philippe Leclercq, considera melhor a versão de Chabrol.

Há diretores que buscam a máxima fidelidade ao espírito do texto, outros que inventam, e outros, ainda, que se aproveitam das lacunas para criar livremente.  É o caso de Federico Fellini com seu “Satyricon”.  O texto latino conta as aventuras de dois malandros,  Ascilto (Hiram Keller) e Encolpio (Martin Potter), em episódios justapostos, como em uma novema picaresca.  Como se sabe, da narrativa de Petrônio, escrita entre 62-64 d.C., sobraram apenas fragmentos.  O resto é invenção.  Fellini resume esse fato fazendo com que os rostos dos personagens, cujas aventuras acompanhamos ao longo de 138 minutos, apareçam como afrescos de Pompeia em ruínas.  É gênio ou não? (Luiz Zanin Oricchio/AE).

 

 

CONFIRA ALGUMAS OBRAS QUE SE DESTACARAM AO LONGO DAS DÉCADAS.

 

LOLITA.

Versão de Stanley Kubrick do romance de Vladimir Nobokov.  Escrito em inglês e publicado em 1955 em Paris (França) sofreu mudanças para evitar censura à pedofilia.

APOCALYPSE NOW

Adaptação livre.  O diretor americano Francis Ford Coppola traz horror do colonialismo na África negra do século 19 para a tragédia do Vietnã.

O LEOPARDO.

Leitura do clássico de Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1958).  Decadência da aristocracia e ascensão da burguesia em um drama de beleza extrema.

UMA MULHER PARA DOIS.

Um dos mais apreciados filmes da nouvelle vague, de François Truffaut, celebriza livro de que se origina, “Jules et Jim” (1953), de Henri-Pierre Roché.

 

Fonte:  Jornal O Sul-Caderno Reportagem-01/02/2015

Pesquisa e Postagem/Nell Morato