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Jojo Moyes, Escritora Inglesa Que Faz Chorar
Jojo Moyes, Escritora Inglesa Que Faz Chorar

HAJA LENÇO DE PAPEL

 

Romance sofrido. É o que exige a literatura de Jojo Moyes, inglesa que se tornou fenômeno mundial com COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ, a lacrimosa história de amor entre uma jovem pobretona e um rapaz rico que ficou paralítico em um acidente de moto.

 

Uma notícia ouvida no rádio impressionou a inglesa Jojo Moyes: um homem na casa dos 30 anos, rico e bon-vivant, fica tetraplégico em um acidente de carro. Sofrendo com as limitações impostas pela paralisia, pede o impossível aos pais: que o conduzam à Dignitas, organização suíça que cobra para fazer suicídio assistido. “Não entrava na minha cabeça como um pai poderia concordar com um pedido desses. Quanto mais eu lia a respeito, mais percebia que era uma questão complicada, tanto moral quanto emocionalmente”, diz Jojo. Até ali autora de oito livros de vendagem pouco notável, ela encontrou no drama do rapaz que deseja o suicídio o mote para uma nova obra. Criou a história de uma jovem que levava uma vida frustrante – namoro morno, trabalho aborrecido de garçonete – até se envolver com um homem que se vê preso a uma cadeira de rodas depois de ser atropelado por uma moto. O encontro dos dois, ela como cuidadora, ele como patrão, é a matéria de COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ. Desde 2012, quando foi lançado, o livro vendeu 7,5 milhões de exemplares no mundo. No Brasil, foram 800 000. Há três meses, foi impressa uma nova tiragem de 280 000 exemplares do título (e mais 50 000 de sua sequência, DEPOIS DE VOCÊ), para atender à demanda, que deve aumentar com a estreia do filme baseado na obra, prevista para o fim de junho. (Foi lançado em 2016). Jojo é hoje o carro chefe da Intrínseca, que já lançou séries best-sellers como CINQUENTA TONS E CREPÚSCULO. A editora adquiriu os direitos de todos os treze livros da autora, e já publicou mais quatro, entre eles BAÍA DA ESPERANÇA e A ÚLTIMA CARTA DE AMOR.

 

COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ tem aparecido nos primeiros lugares da lista de VEJA há dezesseis semanas (está em segundo na lista atual). O recurso às lágrimas nunca sai de moda: obras de amor desesperado e desesperançado são uma constante nas sempre cambiantes listas de best-sellers. No mercado livreiro dos Estados Unidos, a literatura romântica, dedicada sobretudo ao público feminino – versão contemporânea do que antigamente se chamava “romance para moças” -, movimenta 1 bilhão de dólares anuais, perdendo apenas para os thrillers. Autores como Nora Roberts, com suas heroínas fortes e inverossímeis, e Nicolas Sparks, com dramas mais ou menos xaroposos, vivem reaparecendo entre os mais vendidos.

 

COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ dá uma certa balançada no figurino romântico. A trama lembra, de longe, INTOCÁVEIS, sucesso do cinema francês, sobre a amizade entre um milionário branco e tetraplégico e seu cuidador africano (“Não houve inspiração. Soube do filme enquanto escrevia, mas não quis vê-lo”, diz a autora). Jojo joga bem com os extremos representativos pelos dois apaixonados: ele, rico, ferido e amargurado; ela, pobre, batalhadora e otimista. Tudo é calculado para a leitora esvaziar a caixa de lenços de papel, mas não há aqui o melaço pegajoso de Sparks nem a breguice de Nora Roberts.

 

Nascida e criada em Londres, Jojo, 46 anos, trabalhou por dez anos no jornal The Independent. “O jornalismo me ajudou em muitas frentes Ensinou-me a ver e sobretudo a ouvir, uma habilidade muito mais difícil do que parece. Sempre digo que, se eu me sentar com duas pessoas em uma sala, sairei de lá com quatro livros sobre a vida delas.” Na falta de duas pessoas, basta uma notícia de rádio para criar um best-seller.

 

 

NÃO SEI ESCREVER SEM CHORAR”

A escritora inglesa Jojo Moyes, 46 anos, falou a VEJA sobre os desafios da carreira – e de escrever cenas comoventes.

 

Seus romances trazem personagens frágeis e suburbanos, que trabalham em empregos pouco valorizados. Por que essa escolha?

 

Sinto que essas vidas estão mal representadas na ficção. Gosto de refletir os problemas reais que as pessoas enfrentam, especialmente os financeiros. A falta de dinheiro é um grande dilema para a maior parte da humanidade, e ainda pouco coberto na ficção atual. Fazem uma montanha de obras de ficção sobre mulheres maravilhosas que vivem em apartamentos deslumbrantes e com o emprego dos sonhos. Nada contra, mas estou mais interessada na mulher que serve o café. Aliás, prefiro conversar com a mulher do cafezinho a ter de aturar muitas executivas que vejo por aí. Gosto de escrever sobre pessoas comuns em situações adversas. Isso não impede que, um dia, dê uma louca em mim e eu escreva um livro sobre uma bilionária.

 

Por falar na mulher do cafezinho, seu público é sobretudo feminino. Você escreve só para elas?

 

Juro que não é consciente, mas sou cuidadosa sobre como escrevo para as mulheres. Ao criar um personagem, eu me pergunto: “O que minha filha tiraria dessa história?”. Minhas personagens não são necessariamente mulheres que encontram o que desejam em um homem ou no dinheiro. O que me interessa são aquelas que se encontram consigo mesmas, que são corajosas, mesmo quando fracassam.

 

O que explica o sucesso de COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ?

 

Eis uma pergunta que faço com frequência. O livro fala de um tema que se tornou um dos dilemas morais de nossa época: se podemos manter viva uma pessoa inabilitada, que sofre muito com isso, como garantir sua qualidade de vida?

 

Como é administrar a fama de autora best-seller e ainda sair bem nas fotos?

 

Sair bem em fotos deve ser creditado à maquiagem e aos fotógrafos. Todo dia é uma luta, porque tenho de equilibrar a minha carreira com a família. Mas não é mais difícil do que as coisas que qualquer outro pai ou mãe de família enfrenta diariamente. O que tenho feito é buscar o máximo de ajuda externa, da limpeza à lavanderia, para que no tempo em que não escrevo eu possa sentar com meus três filhos e conversar, em vez de estar sempre ocupada.

 

COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ costuma provocar choro nos leitores. A senhora é chorona?

 

Não é que eu goste de chorar: só não sou madura para evitar o choro. Descobri que não sei escrever determinadas cenas sem chorar. E, se eu não choro numa cena mais sensível e emocional, sempre acho que o leitor também não vai chorar.

 

 

Fonte: Veja/Bruno Meier em 25/05/2016