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Mario Quintana, e sua Eterna Poesia
Mario Quintana, e sua Eterna Poesia

A ETERNA POESIA DE MARIO QUINTANA

 

Um dos escritores mais admirados do Brasil, Quintana tem obra que resiste ao tempo

 

É sintomático que não exista uma biografia definitiva de Mario Quintana, falecido em 1994, na capital gaúcha. Talvez isso ocorra porque toda a sua obra é uma espécie de autobiografia, como ele mesmo definiu em texto intitulado Apresentação, que pode ser conferido no livro DA PREGUIÇA COMO MÉTODO DE TRABALHO: “Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão”. Outro motivo deve ser porque o poeta e suas palavras acabaram se confundindo com Porto Alegre: um dos maiores centros culturais da cidade leva o seu nome – a Casa de Cultura Mario Quintana – além de um bairro, assim como ruas e vários eventos artísticos que, de alguma forma, divulgam sua obra frequentemente.

 

Natural que, em 2009, quando transferiram o acervo de Quintana para o Instituto Moreira Salles (IMS) do Rio de Janeiro, houvesse críticas pela saída do material do Rio Grande do Sul. “Nós sabíamos que teria um rebuliço por aqui, mas a gente fez esse movimento junto com o acervo do Erico Verissimo, que também estava sendo transferido para lá com a ideia de manter os pares juntos, já que os dois foram grandes parceiros em vida, e também de valorizar uma literatura que é nacional”, explica Paula Quintana, a guardiã da obra do poeta. Na época, o acervo tinha ficado um tempo junto com a PUCRS e, depois, em um apartamento da família. O contrato assinado previa a cedência por 10 anos, findos agora em 2019. E nada vai mudar: o plano é seguir no Rio de Janeiro por mais uma década. “A obra e o acervo já ficaram de uma maneira estruturada graças ao esforço que a tia Elena sempre fez. Então, não tem nenhuma mudança prevista no caminho que as coisas estavam tomando até agora, já estamos em vias de assinar o contrato novamente com o IMS”, afirma Paula, referindo-se a Elena Quintana (sobrinha-neta), falecida neste ano.

 

O Acervo é formado por uma biblioteca com cerca de 1,2 mil itens, entre livros, periódicos e arquivos com produção intelectual contendo 1.130 documentos (com rascunhos de poemas, frases e haicais), a correspondência com 2.092 itens, 80 documentos pessoais, 2,7 mil recortes de jornais e de revistas e 400 fotografias. Segundo Elvia Bezerra, coordenadora do acervo de Literatura do IMS, em agosto de 2009, o instituto lançou um caderno de literatura brasileira em homenagem a Quintana. “Em 2012, fizemos um evento intitulado Releituras de Quintana, com discussão sobre sua obra”, afirma. Engana-se quem pensa que Mario Quintana não tem relação com o Rio de Janeiro: ele morou por lá entre 1935 e 1936, período em que trabalhou na Gazeta de Notícias.

 

Quanto a questões editoriais, Paula explica, que os direitos permaneceram na Editora do Globo até 2011, quando acabou o contrato. “A maior parte era da Livraria do Globo daqui, e passou para a Editora Globo quando ela foi adquirida pelo Grupo Globo de Comunicação. Tem, ainda, uma parte dos livros infantis que sempre ficou em outras editoras, existe alguma coisa pulverizada”, avisa.

 

Também se buscou opções em editoras com foco maior em literatura. “Aí, apareceu a Objetiva e o Selo Alfaguara, o qual estava COMEÇANDO A PUBLÇICAR MATERIAL DO Quintana. O Luis Fernando Verissimo já estava por lá, então era mais uma vez essa ideia de ir onde estão os pares”, explica Paula. Pouco tempo depois, a Objetiva foi vendida para a Companhia das Letras, que manteve o Selo Alfaguara – a obra segue lá até hoje.

 

Entre outras editoras que também detêm parte da obra do poeta gaúcho estão a L&PM e a Global, de São Paulo. A Companhia das Letras não divulga o número de vendas para a imprensa, mas, segundo Paula, a obra de Quintana circula bastante. “Vou te dizer o que o tio Mario me dizia: ‘Poesia vende pouco, mas vende sempre. Então não é um best-seller, não é alguém que vá vender milhões, mas ele sempre vende, tem essa constância”, explica.

 

 

POETA DO ENCANTAMENTO

 

Mesmo após 25 anos da morte de Mario Quintana, sua poesia mantém popularidade com o público. Segundo a professora da área de Letras da UFRGS e que pesquisou a obra do poeta, Maria da Glória Bordini, isso acontece porque seu lirismo é descomplicado, sem deixar de ser altamente elaborado. Para ela, Quintana manejava tanto o verso medido quanto o verso livre com igual desenvoltura, como se fosse fácil “poetar”. “Ele possuía um poder de imaginação carregado de um encantamento só seu, tanto que sua poesia se fixava na mente de todos pela engenhosidade das imagens, tocando nas coisas com um olhar leve, que fazia o leitor pensar: ‘como eu não vi isso assim?’”, afirma. Outro motivo para a popularidade é o amor de Quintana pela capital gaúcha, que nela encontrava recantos e situações com as quais o cidadão pode se identificar e, ao mesmo tempo, se emocionar. “Tudo isso o conserva vivo na memória cultural brasileira”, diz.

 

Uma história contada por José Otávio Bertaso, ex-diretor da Editora Globo – na qual o poeta trabalhou como tradutor –, ilustra bem essa paixão por Porto Alegre. Está no livro MARIO QUINTANA – O ANJO DA ESCADA, de 2006. No relato, ele lembra de uma das cenas mais extraordinárias que presenciou: a confecção do famoso poema O Mapa. Quintana foi levar os originais de seu livro APONTAMENTOS DE HISTÓRIA SOBRENATURAL no gabinete de Bertaso, que ficava no sexto andar de um prédio no bairro Menino Deus. Chegou lá em um fim de tarde de outono e, quando adentrou a sala, descortinou a avenida Getúlio Vargas, à esquerda, e a avenida Beira-Rio, à frente. Depois de permanecer durante algum tempo diante da janela, sentou-se à mesa de reuniões e rabiscou em um papel qualquer o famoso poema que começa com os versos “Olho o mapa da cidade/ Como quem examinasse/ A anatomia de um corpo”. Simples assim.

 

Aliás, Mario Quintana ficou nacionalmente conhecido como o “poeta das coisas simples”. A singeleza era uma das principais características do escritor, que distribuía lirismo nos diferentes gêneros pelos quais transitou. “Como se fosse um outsider, deslocado do cotidiano das gentes e examinando-o por lentes extraterritoriais. Apesar disso, seus poemas soam com a naturalidade de alguém imerso no seu lugar e seu tempo, interessado e – no mais das vezes – desconsolado com a cegueira com que nos aproximamos deles”, explica Maria da Glória.

 

Não é possível enquadrá-lo em alguma “escola literária”, sendo tratado como uma espécie de caso singular dentro da literatura, segundo o artigo O Caso Quintana, do doutor em Letras e poeta Affonso Romano de Sant’Anna. Para ele, essa singularidade se expressava de duas maneiras: por não pertencer a nenhuma geração ou grupo entre tantos que surgiram na poesia do século XX – como o Modernismo de 1922, a geração de 1945 e as vanguardas de 1956. O outro motivo seria porque alcançou algo bastante raro no mundo literário: transformou-se em uma personalidade mítica, meiga e cativante – e que todos queriam proteger. Para a professora Maria da Glória, todo artista tem uma reserva de significação que não se esgota. “Há muitos trabalhos sobre Quintana, teses, dissertações, e não só no Sul.  O poeta é conhecido nas escolas brasileiras, nas universidades, embora nos jornais não apareça tanto, após seu falecimento. Afinal, os cadernos literários, que faziam o elo com o grande público, foram morrendo sucessivamente”, acredita. Uma vertente que poderia ser mais bem explorada, segundo a pesquisadora, são seus intertextos literários, dando como exemplo seus anjos e os de William Blake, ou a sua proximidade com os contos de horror e fantasia, ou com o cinema.

 

 

ENCONTROS QUE MUDARAM VIDAS

 

Quando Armindo Trevisan viajou do interior de Santa Maria para Porto Alegre, no fim da década de 1950, para encontrar um dos poetas que mais admirava, certamente não esperava manter uma amizade para a vida. Depois da menção honrosa em um concurso literário, Trevisan rumou para a Capital com o objetivo de conhecer Erico Verissimo e Mario Quintana  - cujas obras já admirava desde criança, especialmente a do poeta nascido no Alegrete. Foi atendido pelo escritor da trilogia O TEMPO E O VENTO e, depois, resolveu ir atrás do autor de A RUA DOS CATAVENTOS. Depois de pedir indicações, conseguiu descobrir o endereço da pensão em que ele morava, e meteu-se para lá. “A senhora que atendeu foi com a minha cara e disse que ele não estava no momento. Pedi para ver o quarto e ela, mesmo meio desconfiada, deixou.  Era de uma simplicidade. Perguntei onde poderia encontrá-lo, e ela me falou de um café no qual Quintana costumava ir toda manhã”, relembra Trevisan.

 

Na segunda-feira próxima daquela mesma semana, o encontro aconteceu. “O lugar estava vazio. Mário tomando o café, quieto, com aquela carinha meio tímida. Chamei-o de grande poeta, e ele respondeu algo como ‘grande não sei, mas sou poeta, sim’”, conta Trevisan. O jovem mostrou alguns poemas, e Quintana os leu ali mesmo. “Eram versos datilografados. Sentei, e ele começou a ler. E falava: ‘esse tá bom’, de vez em quando. No fim, Mario me disse que achava que eu devia continuar. Nasceu daí uma amizade de mais de 35 anos”, destaca. Para ele, Mario Quintana demorou até demais a ser reconhecido. “Ele foi legitimado imediatamente por uma série de intelectuais da época que se deram conta logo que os sonetos dele não tinham nada de parnasianos; eram uma coisa nova, revigorante, mas ele ficou muito reduzido ao Rio Grande do Sul”, afirma Trevisan.

 

Foi com as traduções que ele ganhou fama de início, principalmente de obras como a do francês Marcel Proust. “Mas, na realidade, foram as novas gerações que começaram a valorizá-lo como poeta, o Caio Fernando Abreu, por exemplo”, acredita Trevisan. Uma tradução publicada recentemente foi a d’O PEQUENO PRÍNCIPE, encontrada pela editora Melhoramentos. A obra de Antoine de Saint-Exupéry só virou domínio público em 2015. Elena Quintana e o próprio Trevisan confirmaram a autenticidade da tradução. “E aí, então, começamos a trabalhar nisso, e, em 2017, saiu a edição. Essa edição do Mario foi de 10 mil exemplares e está praticamente esgotada no País’, conta. Sabe-se que ele era muito fluente em Português, apesar de traduzir do inglês pelo dicionário. Do francês tinha domínio, pois o aprendera quando criança, em casa.

 

A fotógrafa Dulce Helfer também teve uma relação marcante com o poeta. Na época, ela trabalhava em um jornal e precisava fotografá-lo para uma matéria. “No dia em que eu o conheci, a gente teve aquela empatia de cara, que é inexplicável. E a gente logo começou a conversar, e foi aquela liga instantânea, então Mario me perguntou se eu não queria tomar café um dia”, relembra ela. Marcaram para dois dias depois, e começava, ali, uma amizade que durou cerca de 10 anos. Ela foi a responsável pela exposição 25 QUADROS DE AUSÊNCIA, que ficou em cartaz do final de julho até 30 de agosto na Casa de Cultura Mario Quintana. Dulce selecionou 25 imagens do seu vasto acervo. “Comigo ele não tinha nada de timidez, mas Mario não gostava de tirar foto com os outros. Então ele mandava todo mundo pegar foto comigo, dizia ‘para ir na Dulce, que ela tinha fotos aos montes’”, conta. Essa intimidade quase natural também rendia conversas nas madrugadas insones de Quintana, que a chamava para tomar café.

 

Para Dulce, a obra de Quintana é muito contemporânea. “Inclusive para crianças, ele tem poesias infantis maravilhosas, acho que toda professora deveria ler ANJO MALAQUIAS”, acredita. “A gente está sempre descobrindo coisas novas do Mario. Ele é um autor a ser observado cada vez mais. E mesmo quem gosta do Mario sabe muito pouco sobre ele, mas, sem dúvida, a poesia dele é muito original”, completa.

 

 

A FAMÍLIA COMO GUARDIÃ DA MEMÓRIA

 

Depois que Mario Quintana faleceu, em 5 de maio de 1994, Elena Quintana Oliveira, sua sobrinha-neta, tornou-se a guardiã do legado do poeta. Ela tinha forte relação com as artes e conhecia a obra do tio. Estudou Teatro no Departamento de Arte Dramática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com foco em direção. Em 1980, montou o espetáculo A ESTRELA E A SUCATA, com base em poemas de Quintana. Foi aí que se tornou uma constante companhia do poeta. Também fundou o grupo de teatro Oficina Perna de Pau, na capital gaúcha. Com eles, dirigiu, ao lado de Marco Fronchetti, e atuou no espetáculo ESCONDERIJO DOS TEMPOS, que foi apresentado na Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ) em 1996. Elena também coordenou a criação do “Quarto do Poeta”, espaço da CCMQ que reproduz, por meio de móveis e objetos pessoais do escritor, o quarto do Hotel Majestic no qual o poeta morou.

 

A transição para ser a protetora da obra foi natural, uma vez que Elena era a responsável por ajudar o poeta nos últimos 20 anos de sua vida. “Ele tinha 60 e poucos anos quando ela começou a cuidar do tio. Elena era realmente uma espécie de ‘faz-tudo’”, explica Paula Quintana. Como Mario Quintana não teve filhos e nunca foi casado, a obra seria dividida entre os sobrinhos. “Acho que ele tinha cinco ou seis sobrinhos, mas falava que não queria pulverizar a obra, dizia que uma pessoa da família tinha que ser a guardiã para mantê-la viva, sendo editada e publicada”, revela. Pelo seu conhecimento do material e pelo Afeto e cuidado, Quintana deixou Elena como única herdeira em seu testamento. Ela faleceu recentemente, no dia 1 de julho, aos 63 anos, em decorrência de enfisema pulmonar. Assim como Quintana, ela também não teve filhos, e a familiar mais próxima, cujos direitos foram repassados, é a sua sobrinha, Paula Quintana Biazus.

 

Paula já acompanhava a tia em eventos, principalmente a partir do centenário de Quintana, em 2006. Naquela época, aconteceram muitos convites para participar de comemorações, colégios, universidades, em cidades do Interior e até em outros estados. “Não que ela precisasse de ajuda, pois dominava muito da obra, mas foi mais para começar a ser treinada, mesmo, porque já se tinha essa ideia de continuidade”, afirma. Paula conta que teve contato com Mario Quintana quando adolescente, conviveram no período em que a tia cuidava dele indo ao hotel. Na escolha da profissão, fez jornalismo, passando no vestibular no mesmo ano que Mario Quintana faleceu. “Na verdade, meu pai também é da Comunicação, tenho essa in fluência de vários lugares. Ler sempre foi muito presente na minha vida, mas, depois que ingressei no Jornalismo, acabei indo muito mais para a fotografia, por coisas que aconteceram na faculdade”, explica.

 

Entre os desafios, Paula destaca os textos que, erroneamente, são atribuídos a Mario Quintana. “Há muitas frases, poemas curtos, e não há como conhecer tudo de cabeça. Tem aqueles que são evidentes, que ele nunca teria escrito. O problema é quando o estilo é levemente parecido”, informa Paula.

 

A orientação é abrir os livros e procurar, pois a única garantia é o que está impresso. De planos para o futuro, ela conta que ainda pretende reunir as imagens de diversos fotógrafos que têm registros de Mario Quintana. “Tem pessoas que possuem fotos perdidas. No centenário dele, tentamos, mas acabou não acontecendo. Agora, com a morte da minha tia, é preciso pensar no futuro e assumir essas funções”, completa.

 

 

UM OUTRO OLHAR SOBRE O POETA

 

Em 2018, o Selo Alfaguara lançou a antologia SEGUNDO OLHAR, uma referência ao poema Homônimo de Mario Quintana no qual é ressaltada a beleza das coisas que não chegaram a receber atenção mais de uma vez. Foi organizada pelo escritor João Carrascoza, que aplicou esse “segundo olhar” a mais de 50 anos de obra de Quintana, construindo uma narrativa diferente.

 

O convite partiu da editora, que havia lançado todos os livros de poesia de Quintana, mas tinha o projeto de publicar uma antologia que o apresentasse às novas gerações. “Segui dois vetores: a própria obra do poeta, que reunia seus poemas valendo-se da lógica da dispersão ou da combinação inesperada; e a conexão existente entre os poemas na vasta produção de Quintana, que me permitiu montar um ‘livro novo’ de sua autoria, diferente das antologias anteriores, que seguiam o critério cronológico ou temático”, explica.

 

Carrascoza conta que lê o autor desde criança, quando cursava o Ensino Fundamental, graças a um soneto de A RUA DOS CATAVENTOS, que estava inserido no livro de língua portuguesa no colégio em que estudava. “O que me encantou foi a sua singularidade lírica, eivada de melancolia, mas também de humor”, explica. Essa proposta diferenciada mostra que é possível realizar outras abordagens para uma obra que já foi amplamente visitada. “Acredito que é preciso investigar a obra de Mario, lançando um ‘segundo olhar’ mais profundo, por meio do qual possamos apreender a densidade de sua proposta poética e desfrutar de seu sofisticado lirismo”, completa.

 

OBRA COMPLETA

 

Abaixo, apenas obras escritas em vida e originais. Não entraram traduções e antologias.

 

Obras Poéticas

  • A Rua dos Cataventos, Editora do Globo, 1940
  • Canções, Editora do Globo, 1946
  • Sapato Florido, Editora do Globo, 1948
  • O Aprendiz de Feiticeiro, Editora do Globo, 1950
  • Espelho Mágico, Editora do Globo, 1951
  • Inéditos e Esparsos, Cadernos do Extremo Sul, 1953
  • Poesias, Editora do Globo, 1962
  • Caderno H, Editora do Globo, 1973
  • Apontamentos de História Sobrenatural, Editora do Globo/Instituto Estadual do Livro, 1976
  • Quintanares, Editora do Globo, 1976
  • A Vaca e o Hipogrifo, Garatuja, 1977
  • Esconderijos do Tempo, L&PM, 1980
  • Baú de Espantos, Editora do Globo, 1986
  • Preparativos de Viagem, Editora do Globo, 1987
  • Da Preguiça como Método de Trabalho, Editora do Globo, 1987
  • Porta Giratória, Editora do Globo, 1988
  • A Cor do Invisível, Editora do Globo, 1989
  • Velório sem Defunto, Mercado Aberto, 1990

 

Livros Infantis

  • O Batalhão das Letras, Editora do Globo, 1948
  • Pé de Pilão, Editora Vozes, 1968
  • Lili Inventa o Mundo, Mercado Aberto, 1983
  • Nariz de Vidro, Editora Moderna, 1984
  • O Sapo Amarelo, Mercado Aberto, 1984
  • Sapato Furado, FTD Editora, 1994.

 

Fonte: Jornal do Comércio/Caderno Viver/Rafael Gloria/Jornalista, mestre em Comunicação pela UFRGS e editor-fundador do Coletivo de Jornalismo Cultural Nonada – Jornalismo Travessia, em 06/10/19