Translate this Page




ONLINE
5





Partilhe esta Página

                                             

                            

 

 

 


Entrevista com Viviane Mosé
Entrevista com Viviane Mosé

ENTREVISTA COM VIVIANE MOSÉ

 

As fake news vêm antes de tudo para desequilibrar pessoas”.

 

A poeta, psicóloga e filósofa capixaba radicada no Rio de Janeiro, Viviane Mosé esteve na Feira (do Livro de Porto Alegre) para autografar seus livros NIETZSCHE HOJE, NIETZSCHE E A GRANDE POLÍTICA DA LINGUAGEM e POLÍTICA: NÓS TAMBÉM SABEMOS FAZER, este em coautoria com Eduardo La Rocque, gestora em política pública e sua sócia no Usina do Pensamento. Viviane também conversou com o público sobre a vida contemporânea a partir da pós-verdade, da sociedade em rede e dos novos poderes, temas também abordados nesta entrevista.

 

 

Existe um suprimento de versões disponíveis na internet em que cada um pode escolher a sua verdade?

Existe há muito tempo. E agora ele só se torna evidente. A gente vive a crise da verdade por algumas razões, uma é a mudança das mídias, então as mídias facilitavam a manutenção de algumas interpretações.

 

 

A mídia tradicional?

Não só a mídia, as relações de poder na sociedade. No modelo de gestão piramidal que acontecia antes da rede, você tinha um que mandava e controlava os outros que obedeciam. Esse modelo se desfez. Mas o fato é que a verdade sempre foi uma barganha de manipulação, a verdade era de quem tinha uma boa editora. Estudar em uma boa universidade, conceituada, era uma garantia, sempre foi. Só que esse modelo, em princípio bacana e correto, era muito excludente, porque privilegiava aqueles que tinham acesso. Hoje nós temos outra coisa, não temos mais um centro de qualificação da verdade que eram as universidades, os centros de pesquisa, as editoras, os nomes próprios, de famílias. Eram coisas que designavam aqueles que falavam a verdade, que tinham conceito. A ciência também fez isso muito tempo. Hoje, o talento individual aparece muito mais, assim como o ódio individual, a ignorância individual, a intolerância. Então, é um momento grave demudança de meios de modelos de gestão. O que era um raciocínio em linha, seguir uma linha de raciocínio, hoje virou rede. Um raciocínio tem muitas perspectivas.

 

 

Tem outra coisa que parece alarmar as pessoas que é a distorção sendo premiada no mundo todo. Isso não causa um choque?

A nova guerra é a da informação. A gente está sendo mais manipulado nos afetos. Provocar desequilíbrio facilita a manipulação do sujeito desequilibrado. Hoje as fake news vêm antes de tudo para desequilibrar, depois elas são manipuladas. Isso a gente está descobrindo com a política, mas nasceu para vender produtos. A maior manipulação da informação é fazer você fazer um bumbum novo mesmo podendo morrer!

 

 

Não foi prevista a dimensão a que as fake news chegariam?

Não. E nem querem admitir que isso aconteceu e predominou. Isso é um fato. Agora, os processos continuam. Mas imagina se daqui a seis meses a gente comprovar que realmente foram as fake news que ganharam a eleição, alguém vai tirar o eleito? Não vai. A gente é manipulado. Mas a tendência é que a gente melhore construindo sistemas de filtragem. Vamos aprender a fazer isso nas próximas eleições.

 

Fonte: Zero Hora/Segundo Caderno em 04/11/2018.