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Projeto Meninas Incríveis, de Ana Paula Sefton
Projeto Meninas Incríveis, de Ana Paula Sefton

COISA DE MENINA, SIM!

 

Comportamento: Pedagoga reúne histórias de garotas comuns – e inspiradoras – em livro para desmitificar papéis de gênero.

 

Quantas vezes você já ouviu – ou até mesmo já disse – que uma atitude qualquer “não é coisa de menina”? A frase acaba saindo naturalmente e até pode não ter qualquer má intenção. Afinal, é tão repetida que a gente acaba, automaticamente, reproduzindo. Mas definir hábitos adequados para cada gênero pode limitar o desenvolvimento da criança – principalmente das meninas, que têm que ficar sentadinhas com as pernas cruzadas enquanto os meninos estão correndo livres por aí.

 

Incentivada pelo impacto que essas frases e comportamentos têm no desenvolvimento das jovens, a pedagoga e pesquisadora de gênero Ana Paula Sefton desenvolveu o projeto MENINAS INCRÍVEIS, uma coletânea de histórias que conta os feitos incríveis de garotas que subvertem os papéis de gênero e não se importam nada com isso.

 

- A ideia é incentivar cada vez mais jovens a fazerem o que quiserem, independente de ouvir alguém apontando o fato de serem meninas como impeditivo. Pelo contrário, a ideia é que elas vejam que ser menina é, na verdade, um multiplicador de energia para seguirem em frente.

 

As narrativas que estarão no livro – e que podem ser conferidas continuamente através da página do Facebook “Meninas Incríveis – coletânea de história” - foram colhidas por meio da internet. Em maio deste ano, Ana criou a página, que acumula 2,5 mil curtidas no Facebook, e fez um chamado para quem quisesse contar sua história, sempre com a autorização dos pais ou responsáveis. A partir desse convite, passou a ser procurada por pais, professores e até mesmo jovens que se identificavam com a busca e queriam dar o seu relato. Ao todo, a primeira edição do projeto vai trazer 15 narrativas, com uma linguagem lúdica e suave, de acordo com Ana, perfeita para ser entendida pelas crianças mas também pelos adultos – especialmente em histórias que contam com uma segunda camada. Como é o caso da Menina do Cabelo Verde que, aos 16 anos e com uma ajuda especial, descobriu que nem tudo o que as pessoas fazem é bom e que, às vezes, os sentimentos ruins podem vir de outras pessoas e ficar na gente. Entender isso foi uma espécie de liberdade, estampada na própria imagem depois de pintar o cabelo de verde para comemorar a compreensão. O projeto também traz histórias de meninas que, desde cedo, se envolvem com assuntos relacionados com o feminismo. Como a garota de 10 anos que mora em uma comunidade rural na cidade de Ouro Branco, em Minas Gerais, e depois de escutar uma música que falava sobre empoderamento feminino, decidiu criar um projeto na própria escola para levar o assunto aos colegas. E tem, é claro, aquelas que desafiam os próprios medos e limitações para ir atrás de metas que colocam para si mesmas, como a menina que, aos 10 anos, foi a pessoa mais jovem a chegar ao final de uma via de oitavo grau – considerado um nível avançado em dificuldade – em escalada em rocha.

 

Com todas as 15 histórias selecionadas, quatro ilustradores voluntários – entre eles Felipe Tognoli, que assina a imagem que você vê nesta matéria – vão desenhar as jovens nas situações narradas. As histórias serão compartilhadas, semanalmente, na página do projeto no Facebook, junto com a ilustração correspondente. No final do ano, o material será reunido em um livro publicado em formato digital e papel.

 

- A ideia é a de seguir a rede criada por essas histórias, desmitificando conceitos sobre gênero, ainda mais no atual contexto do país. É um grão de areia em todo trabalho extenso que se faz para que se crie uma sociedade mais igualitária. Mas imaginar que meninas e mulheres possam pegar o livro, se identificar com as histórias e, a partir disso, fazer alguma diferença, é animador – destaca Ana.

 

 

Página no Facebook: https://www.facebook.com/meninasincriveis/

 

 

Fonte: Zero Hora/Revista Donna/Camila Maccari em 16/09/2018