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Mercado Literário:Um Saco de Interesses e Vaidades
Mercado Literário:Um Saco de Interesses e Vaidades

 

 

MERCADO LITERÁRIO:  Um Saco de Interesses e Vaidades

por Jorge Marques da Silva

 

Se começarmos a caminhar para desbravar o mercado literário brasileiro, para entender a sua complexidade e o que acontece atualmente, iremos perceber que as grandes editoras nos revelam na maioria dos casos, que o editor possui uma característica arrogante e prepotente, o que na verdade, devia ser o contrário. Deveriam procurar no mercado, escritores brasileiros com grande potencial e valorizá-los. Eles se isolam em uma ilha e se tornam inacessíveis a qualquer outro tipo de literatura, que não seja aquela que lhe trará lucro.

As editoras que ainda tinham, alguns anos atrás, uma visão diferenciada foram absorvidas pelas grandes corporações, o que colocou a maioria dos escritores  brasileiros fora das prateleiras das livrarias, porque dizem que não vendem, se não vendem, não dão lucro, se não dão lucro estão fora e  são substituídos pelos “enlatados”.

Cria-se assim uma nova condição de mercado: de um lado as grandes editoras ditam as regras do que deve ler, e descartam a possibilidade de investir em novos escritores e de atrair novos leitores. O que interessa é o lucro imediato.

Por outo lado, o que mais encontramos na internet, são pessoas se auto intitulando “escritores” e acreditando que aquilo que escrevem é perfeito e que todo mundo vai comprar. Querem somente o venha a nós, exigindo o reconhecimento de algo que não possui nenhuma condição para ser reconhecido, pois se baseia na opinião de seus companheiros, amigos, vizinhos e do seu próprio umbigo.

O escritor deve ter o discernimento suficiente para se autocriticar, verificar se o que esta escrevendo possui alguma coerência, o que pretende com a publicação do livro, qual o publico que pretende atingir, se está preparado para investir em sua carreira, se tem consciência dos valores que envolvem  a publicação de um livro, etc. Na maioria das vezes, não pensa em nada disso e transfere toda a responsabilidade, pois só enxerga os  10%  que vai receber a título de direitos autorais daquilo que for vendido e o restante é lucro para quem esta do outro lado da cortina, pois não tem a mínima noção de como funciona a publicação de um livro, mas deixemos esta explicação para uma próxima vez. Na verdade o que ele quer é que alguém banque seu livro, faça a divulgação e lançamento, comercialize, o leve a alguma Bienal, e assuma todos os outros riscos inerentes ao mercado editorial, para depois colocar o seu livro debaixo do braço, divulga-lo em sua rede social e esquecer que isso só foi possível porque alguém  acreditou e investiu em seu trabalho.

Terminada nossa caminhada descobriremos que esse mercado é um saco de interesses e vaidades. De um lado as grandes editoras isolam os novos escritores e enxergam somente o lucro fácil e imediato, e de outro lado, os ditos “escritores, que desconhecem o significado das palavras: Vaidade “Excesso de valor dado à própria aparência, aos atributos físicos ou intelectuais” ,Escritor “Pessoa que se expressa através da arte da escrita” e Parceria “Reunião de indivíduos para certo fim com interesse comum”.

É nesse cenário dominado pelos enlatados e poluído por uma literatura fútil e sem contexto, que nos leva a concluir que o mercado literário Brasileiro está fadado a desaparecer e que as grandes obras irão terminar guardadas em uma gaveta qualquer, empoeiradas e esquecidas pelo tempo, sinto muito, concluímos errado.

Existe uma esperança, as novas tecnologias e o advento das gráficas digitais, que permite que se publiquem livros em pequenas tiragens, o que diminui drasticamente o capital necessário para se publicar um livro. Foi neste contexto que surgiram as chamadas pequenas editoras, que nos últimos anos vem crescendo e se tornando uma opção accessível para os escritores, principalmente para os novos que não tem nenhum espaço nas grandes editoras. Estas investem diretamente na produção cultural independente, e nas vendas diretas, eliminando assim o pagamento das porcentagens que as livrarias cobram, além do famoso aluguel de vitrine que o mercado diz não existir, e dessa forma baixam os custos e oferecem no mercado, livros com preço acessível conquistando assim um mercado de novos leitores.

E para que esta esperança se torne realidade, basta deixarmos de lado as grandes editoras, esquecer os auto intitulados escritores, e focarmos no fortalecimento das pequenas editoras e na conscientização dos escritores, que para ter um livro publicado, precisamos de 10% de inspiração e 90% de transpiração, ou seja, conquistar um lugar ao sol no mercado literário, depende única e exclusivamente de uma parceria sem vaidades entre os dois lados da moeda.