Translate this Page




ONLINE
5





Partilhe esta Página

                                            

                            

 

 

 


O Frenético Dancin'Days, de Motta e Colker
O Frenético Dancin'Days, de Motta e Colker

AQUELES DIAS DE FERVEÇÃO NO RIO

 

Musical de Nelson Motta e Deborah Colker recupera a história da discoteca carioca que foi um refúgio na ditadura militar

O Frenético Dancin’Days

 

Foi um sonho que durou quatro meses, mas que meses. Convidado para colocar em pé, em 1976, uma boate que atraísse público para um novo e luxuoso shopping na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro, Nelson Motta e um grupo de amigos construíram um espaço de liberdade em tempos de ditadura. Com os dias contados desde o início porque o local, dentro do shopping, estava prometido para o Teatro dos Quatro, de Sérgio Britto, a Frenetic Dancin’Days Discotheque reuniu na mesma pista gente de todas as tribos, de socialistas a socialites.

 

Ao som da disco music, do funk americano e do rock nacional e internacional, bailavam até mesmo os reservados Milton nascimento e Maria Bethânia, assim como a jovem Sonia Braga, que foi uma das inspirações de Caetano Veloso para compor Tigresa (“Ela me conta, sem certeza, tudo o que viveu / Que gostava de política em 1966 / E hoje dança no Frenetic Dancin’Days”), embora a principal referência tenha sido Zezé Motta (Caetano contemporizou dizendo que foram ambas e ainda outras, e arrematou: “A Tigresa sou eu mesmo”).

 

A história, os sons, as cores e os movimentos daquela casa que embalou as noites de uma época são recontados no musical O FRENÉTICO  DANCIN’ DAYS,(......).

 

Nelson Motta escreveu o roteiro incentivado por sua filha, a produtora Joana Motta, mas a história ganhou corpo com a chegada de uma parceira de escrita, Patrícia Andrade. O resultado foi uma fantasia baseada em uma história verídica: personagens foram criados e fatos foram alterados ou aumentados. Motta vê “total correspondência entre a atmosfera da época e os tempos de hoje, mas adverte que o paralelo não foi intencional:

- É a história de um grupo de amigos que, num golpe de sorte e audácia, fez uma discoteca que se tornou uma ilha de alegria, diversidade e liberdade em um shopping vazio. Depois, as pessoas voltavam para a rua, com aqueles camburões circulando, gente sumindo. Esse era o clima. E agora acontece exatamente a mesma coisa com a peça. São duas horas numa ilha de felicidade e esperança. As pessoas se empolgam tanto porque querem algum alívio. Depois, voltam para a rua e tem bandido, intolerância, ódio, preconceito.

 

CHANCHADA E SAMBA

 

Antes de criar a boate, Motta viajou em busca de inspiração nas noites de Nova York. Trouxe de lá uma bola espelhada e álbuns da efervescente disco music. Outra importação foi a ideia de contratar atrizes como garçonetes no lugar dos sisudos garçons.

 

Assim, foram convocadas Sandra Pêra, Leiloca, Lidoka, Edyr, Dhu Moraes e Regina Chaves, que resolveram cantar três ou quatro músicas no final de uma festa e acabaram virando atração principal. Assim nasceram As Frenéticas, que estourariam nos anos seguintes com hits como Dancin’ Days (“Abra suas asas / Solte suas feras”) e Perigosa (“Sei que eu sou / Bonita e Gostosa”).

- No início, eram apenas quatro músicas, mas o sucesso foi tão grande que, a partir da segunda noite, as pessoas iam na Dancing’ Days especialmente para vê-las. Tiveram que ir colocando mais músicas às pressas porque o povo gritava. Foi tudo improvisado, mas com muito talento, tudo ideia delas – lembra Motta.

 

Se a boate tinha inspiração americana, o espetáculo é baseado na mais pura brasilidade, como as chanchadas da Atlântida e as escolas de samba. Segundo Motta, foi uma condição da diretora-geral, a coreógrafa Deborah Colker:

- É uma das maiores artistas com quem já trabalhei, e olha que já trabalhei com muita gente. Nos momentos em que os 17 atores estão dançando juntos, cada um faz uma coisa diferente, uma coreografia própria, mas tudo harmonizado. Qualquer ideia musical que eu tenho agora, eu falo: “Só vou fazer se a Debinha dirigir”.

 

 

Fonte: Jornal Zero Hora/Segundo Caderno/Fábio Prikladnicki (fabio.pri@zerohora.com.br) em 17/07/19