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Religião Também é Ética / Legado de Lutero
Religião Também é Ética / Legado de Lutero

RELIGIÃO TAMBÉM É ÉTICA

 

LEGADO DE LUTERO

 

Na terça-feira, 31 de outubro, completam-se 500 anos da Reforma Protestante, movimento cristão impulsionado pela publicação das famosas 95 Teses de Martim Lutero, em 31 de outubro de 1517, na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. No documento, ele protestava contra a doutrina da Igreja Católica Romana. Acabou provocando a revolução religiosa, que se iniciou na Alemanha e chegou ao Sul do Brasil com a primeira leva de imigrantes, em 1824. O legado de Lutero, defendem seus seguidores, segue vivo e pertinente.

 

Martim Lutero e o seu empenho que resultou na Reforma precisam ser compreendidos a partir da sua teologia. Enquanto a Igreja da época difundia a imagem de Deus como juiz severo, o que favorecia o comércio de indulgências (a venda do perdão), Lutero redescobriu a mensagem verdadeira da Escritura: o sacrifício de Cristo trouxe (e traz a cada novo dia) o presente (a graça) chamada perdão. O que Deus requer de nós (e este é seu amoroso convite) é que peçamos perdão, nos arrependamos e, em resposta, vivamos como pessoas generosas, solidárias, promotoras da paz e da justiça. A partir desta redescoberta, Lutero sentiu-se livre, livre o medo e culpa diante de Deus e pronto para mostrar as consequências dessa fé para a vida em sociedade.

 

É possível que ainda não tenha sido suficientemente compreendido – tanto por luteranos e luteranas quanto pela sociedade brasileira – o legado da Reforma do século 16 a partir da teologia de Lutero. Tomemos como exemplo a educação. Lutero foi enfático nesse aspecto. Ele constatou que, na sua época, a população era ludibriada em nome da religião e pela política, e grande parte disso se devia ao fato de o povo ser iletrado. Ouvia pregações como se fosse o Evangelho, mas não era. Daí que defendeu a importância da escola. Para Lutero, em linguagem de hoje, para cada R$ 1 investido em armas deveriam ser investidos R$ 100 em educação. Educação é parte da dignidade humana. Lembremos que ele defendeu o direito da educação também para mulheres. Justiça de gênero já era mote no tempo de Lutero.

 

O que fizeram as famílias luteranas que vieram ao Brasil a partir de 1824? Ali, onde um grupo de famílias luteranas abria uma picada para fincar suas raízes, a primeira providência era criar condições para as crianças disporem de escolas. Eine Kirche e Eine Schule diziam: “Uma Igreja = Uma Escola”. Não é, pois, obra do acaso que, no Rio Grande do Sul, antes do período Getúlio Vargas, havia quase 500 escolas comunitárias ligadas às comunidades que hoje formam a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

 

Das teses de Lutero, temos a valorizar a importância da sua visão de ética. Ética na política, por exemplo, que tanto faz falta ao Brasil. Lutero não misturou nem confundiu ética cristã e política. Ele distinguiu e relacionou. Para o Reformador, fazer política é cuidar de quem sofre e impedir que se pratique o mal. Lutero explicou a sua tese a partir da consulta que recebera de João Frederico, Duque da Saxônia, que pedira ajuda e orientação para a sua tarefa de governar. Pediu a Lutero “orientações sobre como governar cristãmente”.

 

Lutero atendeu ao pedido do Duque. Para tal, tomou por base o Magnificat – o Cântico de Maria (Lucas 1.46-55). Para o Reformador, é imperioso que “governantes se deixem governar pela graça e ajuda de Deus, para o bem do povo. A qualidade de vida do povo evidenciará se o governante é governado ou não pela graça de Deus: Desejo a Vossa Alteza a graça e a ajuda divina. Isso é muito necessário. O bem-estar de muita gente depende de um príncipe – quando ele é governado pela graça de Deus. Por outro lado, dele depende a desgraça de muitos, quando volta-se para si próprio e não é governado pela graça. Todos os que quiserem governar bem e ser boas autoridades devem aprender bem e guardar na memória aquele cântico”.

 

A ética luterana requer saber que, como pessoas cristãs, temos responsabilidade cidadã. Lutero tem uma singela e profunda definição de ética. Disse: “Se eu soubesse que morreria amanhã, ainda hoje pagaria minhas dívidas”. Pensemos como seria a nossa convivência em sociedade se essa ética governasse os nossos atos, inclusive na nossa cidade.

 

 

Fonte: ZeroHora/doc/Nestor Paulo Friedrich/Pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) em 29/10/2017