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Miguel Rodrigues
Miguel Rodrigues

ENTREVISTA: Poeta Miguel Rodrigues

 

 

Sua Biografia:

Miguel Rodrigues de Oliveira Filho, nasceu em 1963, na cidade de Paulista/PE.

Escreve desde criança, quando criou um amigo imaginário. Seu primeiro contato com a Poesia foi através de sua professora, chamada Vavá, que leu em sala de aula a “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias.

Publicou seu primeiro livro em 2012, “Falando de Amor e de Paixão, depois, Reflexo dos Seus Olhos (2013), e Poemas sob a Luz do Pôr do Sol (2016).

Graduado em Segurança Pública e pós-graduado em Segurança de Inteligência.

 

Suas Obras:

Falando de Amor e de Paixão- Poesia

 

Reflexo dos seus Olhos - Poesia

 

Poemas sob a Luz do Pôr do Sol - Poesia

 

Cartas de Amor Rasgadas - Poesia

Há encantos e encantos, mas nenhum encanto quanto os teus encantos que me encantam. És uma poesia e em cada verso rimo a tua beleza, tão natural e tão única, como as mais belas esculturas talhadas pela mão da natureza. Nada é mais lindo que discorrer as emoções que transbordam da fonte do meu coração, que como um vulcão explode, deixando a lava de um amor incandescente escorrer em direção ao infinito dos teus olhos maravilhosos. Serei um eterno admirador e deixarei minha alma livre para voar de braços abertos e pousar em teu colo, cujas curvas sinuosas, me colocam na condição de um ser extremamente feliz!

 

Este ano perdi a minha mãe, por isso o livro tem uma importância maior. A lacuna deixada por ela, jamais será preenchida, mas a poesia será companheira. A poesia é um refúgio, onde me abrigo, fugindo da realidade. Nela me encontro e vivo intensamente esse mundo subjetivo. Espero que ao ler meus versos, as pessoas consigam, não apenas ler o que está escrito, mas entender a emoção nas entrelinhas e naveguem comigo nessa viagem pelos caminhos dos sentimentos.

 

 

Quem é Miguel Rodrigues?

Uma pessoa comum, mas que tem uma forma diferente de olhar o mundo. Que se emociona com as bombas que caem na Síria, com a criança que pede esmola no sinal, com as pessoas que morrem na fila dos prontos-socorros, com os trabalhadores que são assassinados cruelmente à luz do dia e, mesmo com essa consciência social, consegue pensar e escrever poesias. Poesia que está presente no pingo de orvalho, nos raios de luz que quebram a neblina... Um cara que apesar de tudo, das dores, da solidão, das ingratidões, ainda acredita no amor como fórmula mágica e possível para transformar o mundo em que habitamos.

 

Como surgiu o poeta Miguel Rodrigues?

Bem antes de ser alfabetizado. Aos onze anos, mais ou menos. Apaixone-me pelo som da poesia... Qualquer pessoa pode pensar, agir ou até aprender as técnicas de fazer uma poesia. Mas, em meu caso, embora hoje há diferentes formas de entender vocação, eu acredito que a poesia nasceu comigo. Lembro, ainda criança, de ficar observando os pássaros cantando, as flores que a minha mãe cultivava e via algo a mais...

 

Descreva a emoção do seu encontro, ainda criança, com a “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias.

Esse encontro foi o divisor de águas. Comparo a sensação de alguém que é cego desde o nascimento e consegue ver pela primeira vez o rosto de sua mãe. Algo mágico, lindo, emocionante. Ali eu disse internamente: um dia escreverei uma poesia! Mesmo ainda sendo um analfabeto já acreditava nisso. Um sonho de criança que me emociona até hoje!

 

Sua poesia é recheada de sentimentos. Você fala do amor, generalizando o puro amor ou do amor que sente, que faz parte de sua vida?

O amor é um só. Mas criamos apartheids. Eu tanto falo do meu, como tento descrever os que observo, seja em um amigo que expôs um segredo, seja num filme, num gesto de um idoso, no sorriso de uma criança, ou no voo do beija-flor. O amor, como descrito por Paulo, na Carta aos Coríntios, é algo tão sublime, que sem ele nada seríamos. Para mim o amor é essa linguagem universal, sem controle, sem explicação, que chega como uma semente carregada pelos ventos de uma tempestade e cai em um terreno desconhecido e multiplica-se, enchendo um deserto árido de flores com perfumes que só quem ama sente.

 

Você é “atormentado” pela poesia, todos os dias, ao dia e a noite também, sendo uma constante nos seus sonhos. Fale da sua essência, o que mais o emociona no cotidiano?

Tudo me emociona, porque eu tenho esse olhar crítico, que afeta a minha alma de tal forma que já me empurrou certa vez para o abismo mais escuro, mais triste e perverso que um espírito pode cair. A depressão. Mas, paradoxalmente, com ajuda de pessoas maravilhosas e profissionais competentes, a poesia foi a escalada, ou parte dela, por onde saí desse mundo abissal e sobrevivi.

Emociono-me desde um inseto que beija a flor e ajuda em sua fecundação, até a cena da criança morta na praia. A minha mente trabalha e pensa o tempo todo em uma forma de retratar o que vejo, o que sinto, o que sofro de forma lírica. Ainda que seja algo repugnante, tento denunciar de um jeito poético. As cenas chocantes que causam dores, tristezas, angustiam e ojeriza são as que mostram pessoas misturadas nos lixões das grandes cidades, ou a dos refugiados famintos e doentes tentando fugir das guerras causadas pelas bestas humanas.

Mas é a capacidade de se doar ao outro, muitas vezes de forma platônica o que me deixa encantado nas relações humanas. Esse amor sem obrigações, sem interesses, que parecem coisa de romance medieval, mas que ainda, mesmo raro, existe. Esse encontro de almas que um dia, sem hora marcada, sem premeditação invade duas vidas e acontece algo que não é possível descrever em palavras. É isso que me emociona profundamente...

 

O que você acha de ser escritor em um país de poucos leitores, onde a literatura nacional não é valorizada e o custo de edição é alto?

Quanto a existir poucos leitores não me surpreendo, pois o problema está na política. Não se investe em educação e as escolas não difundem - grande erro -, a leitura em nossas escolas. Profissionais desvalorizados, sem reconhecimento, vítimas de violência e recebendo salários incompatíveis com sua importância social; diante de uma sociedade manipulada por corruptos e por uma mídia mercenária. Essa é uma das causas da ausência de leitores. Outro fator é o abismo socioeconômico. A concentração de renda em poucos e o salário de fome para a grande maioria, aliado ao custo alto dos livros.

Quanto a ser escritor, como todos que se atrevem a enfrentar a crítica alheia, sou sonhador e acredito que um dia o bem vencerá o mal e haverá uma revolução educacional nesse país.

 

Os governos brasileiros não valorizam a cultura e, principalmente a literatura, na sua opinião, quais as políticas públicas que deveriam ser implantadas para promover a literatura e desenvolver nas pessoas, o gosto pela leitura?

Estão falando em mudar a grade de ensino fundamental em nosso país. Mas não vejo falar em valorizar o profissional de educação. O governo não valoriza, porque não há interesse de um povo culto. A massa de manobra passa pela falta de conhecimento. Nos países desenvolvidos não há tanta corrupção, porque os cidadãos sãos os principais fiscais da ação dos políticos.

Valorização de todos os profissionais ligados a educação. Colocar na grade a leitura desde os primeiros anos, além dos clássicos, uma cota nacional. Fomentar a leitura e a escrita. Investir em bibliotecas, estimular as bibliotecas ambulantes e criar festivais de leituras. Estimular uma espécie de competição entre os alunos, sendo exigidos que todos participem, em um primeiro momento, e depois de despertarem o desejo pela literatura, eles passariam a querer ler e escrever naturalmente.

 

O que falta na educação no Brasil? Qual a situação do ensino na sua cidade e Estado?

Políticas inclusivas. Quer um exemplo: as Universidades Federais estão repletas de alunos que tem poder aquisitivo excelente. Acha justo que um aluno oriundo de escola pública, que trabalha de dia e estuda à noite, concorrer com filhos da classe média alta, estudante de escolas renomadas e que estudam integralmente com os melhores professores? Isso é inclusão? Alguém pode falar das cotas, mas não seria mais justo se as faculdades federais fossem vinculadas às escolas públicas?

Aqui no Estado não é diferente do resto do país. Violência, precariedade, excesso de alunos, profissionais heroicos tentando sobreviver em meio aos caos.

O que falta na educação em síntese é a falta de vontade de fazer.

A educação é a base de tudo. Pouca gente sabe, mas 70% da população carcerária do país é formada por pessoas que não terminaram o ensino fundamental. Os índices de desemprego são maiores nas pessoas com baixa escolaridade. Os problemas de saúde estão mais presentes nos aglomerados urbanos de baixa renda. Em outras palavras, a falta de educação gera violência, problemas de desemprego e de saúde, que são as principais questões problemáticas no país.

 

Seu livro: Cartas de Amor Rasgadas, obviamente retrata cartas de amor, poesias apaixonantes. Escreveu muitas cartas em sua juventude? Alguma especial, que tenha provocado um romance ou encantado sobremaneira?

Sempre escrevi. Muitas não foram entregues, outras, sim e sempre houve recepção positiva. Na verdade, as pessoas, principalmente hoje, criaram um certo preconceito sobre cartas, bilhetes, ou outra forma de expressão escrita em papel. Mas ainda é um dos meios mais emocionantes de se comunicar, principalmente quando envolve pessoas tímidas, porém há alguns descaminhos, pois somos responsáveis pelo que escrevemos, mas não podemos controlar o que o nosso interlocutor interpreta nas entrelinhas. Esse é o grande risco, por isso acho que depois de um poema, de uma carta, e mais virtualmente falando, de um e-mail, mensagem etc, é necessário evitar os ruídos de comunicação, que só podem ser esclarecidos com uma boa conversa.

 

No seu livro você faz uma homenagem para sua querida mãe. Faça outra aqui, fale de sua mãe e os ensinamentos de uma vida inteira.

Passaram dois meses desde que ela deixou o mundo físico. Não é fácil um filho falar sobre a pessoa que o trouxe a esse mundo. Deixamos seu ventre chorando, pois ali temos a certeza que jamais haveria um lugar tão seguro e aconchegante. Esse elo é o mais forte das relações humanas. Da minha mãe herdei o gosto pelas plantas, porque a ajudava a plantar suas flores...

Ela sempre amou plantar. Também me deixou a personalidade forte e a coragem para enfrentar as dificuldades. A ausência de uma mãe é como um buraco negro que se alimenta de luz, jamais será saciada. Será eterna, assim como sua lembrança e os conselhos, que de alguma forma permanecem vivos!

 

Por que você recomenda a leitura de seus livros?

Esse é meu quarto livro. Nele escrevo devaneios que acredito ser comum a muita gente. Trata-se de uma leitura leve, sem apelações sexuais, onde eu deixo liberdade para o leitor usar sua imaginação. Sou contra descrever todas as cenas, todos os detalhes. É necessário que as pessoas interajam com os textos, busquem nas entrelinhas as nuances, criem seus versos, tentem entender o autor, mas também sentir as suas próprias emoções.

 

Deixe uma mensagem para seus leitores.

Vivemos em um mundo cada vez mais virtual, onde interagimos mais com as máquinas que com as pessoas. Onde os prédios se verticalizam e nos separam, segregam”.

Precisamos retomar atividades que permitam sentir o calor, o afago, a emoção.

Por exemplo, o prazer de ler um livro, tocar suas páginas, sentir o cheiro e, depois de entendê-lo, doá-lo, ou indicando, permitindo esse prazer a uma pessoa querida.