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Ucrânia/Rússia Fecham Acordo s/Exportação Grãos
Ucrânia/Rússia Fecham Acordo s/Exportação Grãos

UCRÂNIA E RÚSSIA FECHAM ACORDO SOBRE EXPORTAÇÃO

Safra de Grãos na Europa — Antonio Guterres (ONU) e presidente turco, Recep Erdogan, foram os mediadores.

 

A Ucrânia e a Rússia assinaram na última sexta-feira, em Istambul, dois acordos separados com a Turquia e as Nações Unidas sobre a exportação de grãos e de produtos agrícolas por meio do Mar Negro. O governo ucraniano se recusou a assinar o texto diretamente com Moscou, que se comprometeu com acordo idêntico com a Turquia e o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres.

 

O acerto era altamente esperado pela comunidade internacional, já que até 25 milhões de toneladas de grãos foram bloqueadas nos portos ucranianos por quase cinco meses em razão da invasão russa no país vizinho, iniciada em 24 de fevereiro. Um centro conjunto de comando será estabelecido em Istambul para monitorar operações e resolver eventuais disputas. Delegados das partes envolvidas serão responsáveis por estabelecer o cronograma de rotações de navios no Mar Negro.

 

Segundo especialistas envolvidos nas negociações, levará de três a quatro semanas para o centro operar. O contrato valerá por quatro meses e será renovado automaticamente.

 

Dos preços à oferta, os efeitos da retomada de exportação da Ucrânia

 

Em uma reação imediata esperada, os preços do trigo e do milho fecharam em baixa depois do anúncio de acordo para a retomada das exportações da Ucrânia. No caso do cereal de inverno, os contratos para setembro tiveram queda de 5,86% sobre o dia anterior, fechando na bolsa de Chicago em US$ 7,59 o bushel (medida equivalente a 27,2 quilos). No grão de verão, para igual vencimento, o recuo foi de 2%, com US$ 5,6425 de cotação por bushel (25,4 quilos).

— É mais trigo no mercado no momento em que todo mundo está colhendo. Intensifica uma tendência que já se tinha, pelo ingresso da safra. Por isso, os preços caem bastante – observa o analista de mercado Élcio Bento, da Safras & Mercado.

 

Para o analista, o cereal não deve continuar tendo uma queda acentuada. O mercado já está testando novos suportes de valores, acrescenta, "mas muito em cima do psicológico":

— O mercado está sentindo o efeito da abertura, das notícias e, com o tempo, vai ver que não é tanto trigo assim que tem a Ucrânia, pelo contrário.

— A notícia (do acordo) só foi a gota d'água. Os mercados já vinham pressionados por uma conjugação de fatores – acrescenta Carlos Cogo, consultor em agronegócios.

 

Há duas partes a serem consideradas na oferta: o volume guardado da safra passada e o da atual. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que os estoques iniciais na Ucrânia para o ciclo 2022/2023 ficaram em alta, com 5,84 milhões de toneladas. Por outro lado, a colheita deste ano deve encolher em 13,5 milhões de toneladas, somando 19,5 milhões de toneladas. A quantidade disponível para exportação também será 8,8 milhões de toneladas menor.

 

Então quer dizer que o acordo não traz alívio à oferta global mais restrita? Não, quer dizer que tem efeito pontual.

— No curto prazo, é natural que esse volume ajude, mas o problema de fundo é muito mais grave, não se resolve com essa solução. No ano passado, mesmo com a produção russa ucraniana, já havia escassez (de trigo) – alerta Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do RS (Farsul).

 

A Ucrânia figura na lista dos maiores exportadores globais de trigo (alternando posições, entre quarta e quinta no ranking). No milho, também responde pela quarta posição. É essa relevância que, no prazo imediato, mexe com preços.

 

 

Fonte:  Zero Hora/Gisele Loeblein (gisele.loeblein@zerohora.com.br) em 24/07/2022.