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Quem Foi Paulo Freire?, por Juremir M. da Silva
Quem Foi Paulo Freire?, por Juremir M. da Silva

QUEM FOI PAULO FREIRE?

 

Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.” Paulo Freire

 

O educador já não é o que apenas educa, mas o que, enquanto educa, é educado, em diálogo com o educando que, ao ser educado, também educa.” Paulo Freire

 

Um caderno de cultura não pode fugir das polêmicas do seu tempo. Em 1969, há 50 anos, era possível analisar o legado do tropicalismo surgido em 1967 com o 3º Festival de Música Popular Brasileira, da Record, onde Caetano Veloso e Gilberto Gil e Os Mutantes arrebentaram respectivamente com “Alegria, Alegria” e “Domingo no Parque”. Ao final do primeiro ano de maio de 1968, porém, pouco se podia dizer, já na vigência do AI-5, sobre jovens rebeldes e suas utopias libertárias. O sinal estava fechado para os guris e suas aspirações. Cada época com os seus dilemas. Em 2019, a pedagogia está no olho do furacão. Nos últimos anos, um nome voltou à cena para ser atacado ou defendido apaixonadamente, o do pernambucano Paulo Freire (1921-1997).

 

Quem foi Paulo Freire? Um visionário que revolucionou a maneira de ensinar com um método de alfabetização universalizável e ainda indispensável ou um marxista doutrinador? Ou ambos? Por que as suas ideias despertam paixão e ódio? Os defensores de Paulo Freire destacam que ele recebeu 40 títulos de Doutor Honoris Causa e que o seu livro PEDAGOGIA DO OPRIMIDO é a única obra brasileira a constar na lista dos cem mais pedidos por universidades de língua inglesa. Os críticos de Freire afirmam que as ideias dele servem para formar militantes de esquerda. O novo secretário de Alfabetização do Ministério da Educação, Carlos Nadalim, desenvolveu um método de alfabetização e opõe-se francamente aos procedimentos de Paulo Freire. Nadalim tem um blog e um canal no Twitter, “Como educar seus filhos”, onde defende a alfabetização e a educação em casa como antídoto contra as escolas.

 

Pensador da educação, Paulo Freire via a escola de uma maneira muito direta: “Não existe tal coisa como um processo de educação neutra. Educação ou funciona como um instrumento que é usado para facilitar a integração das gerações na lógica do atual sistema e trazer conformidade com ele, ou ela se torna a ‘prática da liberdade’, o meio pelo qual homens e mulheres lidam de forma crítica com a realidade e descobrem como participar na transformação de seu mundo”.

 

No site “Sempre Família”, Carlos Nadalim, ainda na condição de diretor pedagógico da escolinha infantil Balão Mágico, de Londrina, no Paraná, mostrou a sua visão sobre Paulo Freire: “Ele faz uma defesa ideológica do fim da alfabetização, porque ele quer que a criança tome consciência de classe. Para ele você precisa ensinar a criança a linguagem porque ela é dominada pela classe dominante que impõe seu discurso. Mas a alfabetização não é isso. Alfabetização é uma técnica para ela decodificar e reconhecer palavras e é isso o que eu quero: que a criança leia para compreender textos”. É polêmica sem fim.

 

Fonte: Correio do Povo/Caderno de Sábado/Juremir Machado da Silva em 12/01/2019