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Os Próximos Alvos das Ambições de Vladimir Putin
Os Próximos Alvos das Ambições de Vladimir Putin

O PRÓXIMO ALVO DAS AMBIÇÕES DE PUTIN

 

É impossível garantir se Vladimir Putin irá usar o Dia da Vitória, nesta segunda-feira (em 9 de maio) data que marca a rendição da Alemanha nazista para os soviéticos na Segunda Guerra Mundial, para comemorar o suposto triunfo de sua aventura na Ucrânia.

 

Como já comentei neste espaço, argumentos ele tem para isso: o desgaste das tropas no front, a baixa moral dos soldados com uma missão que era esperada como breve, as baixas, tudo isso pode se converter, na fantasiosa narrativa criada pelo Kremlin, em discurso na Praça Vermelha que proclame a "vitória", como a garantia de que a Ucrânia não ingressará na OTAN, a "desnazificação" do país, a proteção dos russos étnicos do Donbass e autonomia das duas repúblicas separatistas, Donetsk e Luhansk.

 

Independentemente do que Putin disser durante o majestoso desfile militar carregado de simbolismos, uma aposta é quase certa: o próximo alvo da ambição do autocrata do Kremlin, em sua obsessão por redesenhar as fronteiras da Europa, está escolhido: será, cedo ou tarde, a Moldávia.

 

O país de 2,6 milhões de habitantes, um dos mais pobres do continente, guarda todas as características que fizeram da Geórgia, em 2008, e da Ucrânia, em 2014 e 2022, palcos de guerra. Assim como esses dois países, a Moldávia flerta com a União Europeia (UE). A Moldávia, que também pertencia à URSS, tem regiões separatistas pró-Rússia assim como a Geórgia (Abkházia e Ossétia do Sul) e a Ucrânia (Crimeia e parte de Donbass).

 

E a Moldávia abriga um naco de território que defende a independência, a Transnístria. Trata-se de uma faixa de terra de 400 quilômetros de extensão a leste da fronteira com a Ucrânia. Seus governantes consideram a área autônoma, autoproclamam-se a última república socialista e trazem na bandeira até a foice e o martelo. Como nas áreas separatistas da Geórgia e da Ucrânia, boa parte da população fala russo.

 

A Transnístria não é reconhecida como independente pela comunidade internacional. Nem a Rússia a considera autônoma — Donesk e Luhansk, na Ucrânia, também não o eram, algo que mudou dias antes da invasão. Ou seja, alterar esse status depende apenas do humor de Putin. Por via das dúvidas, a Rússia mantém, na Transnístria, cerca de 1,5 mil militares. Todo o gás natural do território é fornecido pelo Kremlin gratuitamente. Mais: a área guarda 20 mil toneladas de munição sobradas dos anos 1990.

 

Aliás, a economia de toda a Moldávia depende praticamente da Rússia — 100% do gás e 80% da eletricidade têm origem russa. Sua presidente, Maia Sandu, entrou com pedido de ingresso na EU em março deste ano. Qualquer semelhança com a Ucrânia do presidente Volodimir Zelensky não é mera coincidência.

 

Fonte: Jornal Zero Hora/Diários do Mundo/Rodrigo Lopes (rodrigo.lopes@zerohora.com.br) em 08/05/2022