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Crescer...
Crescer...

CRESCER...

 

O adulto precisa permitir que a criança cresça, e esse movimento nem sempre é fácil.

 

Como é difícil crescer... Acho que essa dor só se iguala à dor de deixar crescer – quando somos pais, por exemplo.

Crescer é dolorido, angustiante, revelador, extenuante, amedrontador, desafiador.  Crescer exige coragem, dedicação, comprometimento, vontade, esforço, autonomia, decisão, paciência, exige investimento – de tempo e de emoção.  Exige que se aceite a mudança, que se conforme com a finitude de toda e qualquer situação, que se siga em frente, independente da vontade, porque crescer não é escolha, é imposição.

Pode-se não crescer conforme a cronologia sugere.  Pode-se não crescer com a obediência servil de outrora. Pode-se não crescer com a disposição e a alegria esperadas.  Mas um dia, vasculhando desejos e anseios, preocupações e opiniões, percebe-se que já não se tem mais a saúde, nem a inocência, nem as crenças e muito menos os valores de antes.  Então, descobrimos que crescemos.

Os duros golpes da vida nos fazem crescer, e é nesse momento – na impertinência da realidade – que teremos a oportunidade de usufruir daquilo que uma infância e uma adolescência bem construídas e vividas nos deram como alicerce.

Mas crescer também exige o desprendimento do outro – nesse caso, dos pais.  Para que uma criança cresça, é preciso que o adulto permita.  Só que esse movimento familiar nem sempre é fácil.  Permitir que um filho cresça é consentir, implicitamente, que ele se vá.  E, com essa ida, resta olhar para si mesmo – e isso, na maioria das vezes, é pungente.

Deixar ir é provar que o “amor incondicional” por aquele ser é descomunalmente maior que o egoísmo de querê-lo só para si.  Deixar ir não é negociável, porque, quando um filho cresce, o que sobra aos pais é confiar na educação que se deu, e rezar – independente de crença – para que nada de mal lhe aconteça.

Tempo é o que todos os pais possuem para administrar o próprio crescimento e o de seus filhos.  Alguns com muito, outros com pouco e a grande maioria sem tempo para nada.  Por isso que quando se é pai ou mãe, é preciso não esquecer que se é, acima disso, um ser humano.  Pensar em si faz parte da vivência saudável de se assumir a maternidade ou a paternidade, ou seja, é preciso estar com eles sem ausentar-se de si mesmo.

Crescer dói, deixar crescer também.  Mas viver está exatamente no movimento, nessa inconstância de posição e de espaço.  Sem dúvida alguma, há compensações generosas em autorizar-se crescer e renunciar ao comando vitalício do outro.  Permita-se!

 

Fonte:  ZeroHora/Lisandra Pioner/Pedagoga e psicopedagoga) (lispioner@gmail.com) em 05/09/2015