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A Rússia Ganha Com as Renúncias na Europa
A Rússia Ganha Com as Renúncias na Europa

PORQUE A RÚSSIA GANHA COM AS RENÚNCIAS NA EUROPA

Vladimir Putin é favorecido por uma União Europeia fragilizada

 

A Rússia ganha com a queda de Mario Draghi, primeiro-ministro da Itália, que apresentou renúncia na quinta-feira, após o colapso da coalizão de governo, que durou apenas 17 meses. Vladimir Putin sai vitorioso, assim como ocorreu com a saída de Boris Johnson do cargo de chefe do Executivo do Reino Unido, no último dia 7.

 

Isso ocorre por várias razões. A primeira — e mais simples – é que tanto Draghi quanto Johnson, em seus governos, eram os dois mais vocais adversários europeus do Kremlin na guerra da Ucrânia. Ambos foram a Kiev durante a guerra prestar apoio ao presidente Volodomir Zelensky.  Draghi, inclusive, tornou icônica a foto em que aparece, a bordo de um trem, a caminho da capital ucraniana, ao lado dos líderes de Alemanha, Olaf Scholz, e da França, Emmanuel Macron.

 

A saída de Draghi do governo italiano foi comemorada pelos homens mais próximos de Putin, como o ex-presidente Dmitri Medvedev, que postou em rede social um card com as fotos do italiano e do britânico seguido da pergunta: "Quem será o próximo?".

 

O segundo motivo pelo qual Putin ganha com as renúncias é que uma Europa desunida, fraca e em crise irá favorecer a Rússia.  Draghi, economista que chefiou o Banco Central Europeu, era uma espécie de guardião da unidade do bloco, que ora enfrenta, além da guerra, inflação nas alturas e crise energética.  A Itália, aliás, é, junto com a Alemanha, a principal dependente do gás russo.

 

Há mostras de que começa a fazer água a unidade europeia em torno de punir Putin pela invasão da Ucrânia por meio de sanções econômicas.

 

Nas horas que antecederam a renúncia, na quinta-feira, dia em que a Rússia deveria reabrir as torneiras do Nord Stream 1, para fazer voltar a fluir o gás, o continente só faltou suplicar ao Kremlin que liberasse o gasoduto, após a parada para manutenção técnica.

 

Em troca, inclusive, já há sinais de flexibilizações nas sanções — o descongelamento de alguns fundos de bancos russos, medidas para facilitar exportações de alimentos pelos portos do país e a suspensão da proibição, pela União Europeia (EU), de fornecimento de equipamentos e serviços de aviação.

 

E terceiro, Putin ganha porque o cenário italiano, após outubro, quando deve ocorrer a eleição, é de um governo amigo dos russos. Os favoritos na pesquisa são os três partidos de direita – dois deles, de extrema direita. Silvio Berlusconi, o líder da Força Itália, se diz amigo pessoal do líder russo. Matteo Salvini, da Liga, também tem laços com Putin e se opôs à imposição de sanções à Rússia. Giorgia Meloni, do Irmãos da Itália, é a única favorável à Ucrânia, mas lidera um partido eurocético. Putin deve ter feito um brinde, na noite de quinta-feira, ao olhar, de uma das janelas do Kremlin, para o cenário a Oeste.

 

 

Fonte:  ZeroHora/Diários do Mundo/Rodrigo Lopes (rodrigo.lopes@zerohora.com.br) @rlopesreporter em 24/07/2022