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Vozes Poéticas que Dizem do Outro
Vozes Poéticas que Dizem do Outro

VOZES POÉTICAS QUE DIZEM DO OUTRO

 

A obra “Vozes da Cultura Popular – Tradição, Movência e Ressignificações”, organizada por Daniel Conte e Rafael Hofmeister de Aguiar, publicada pela Trajetos Editorial, com apoio da Fapergs, apresenta inovadora e crítica abordagem da cultura popular.  Partindo da discussão de conceitos como tradição, movência e ressignificações, contribui para renovar o olhar da Academia acerca da cultura popular.  Enfoca, pois, diferentes vozes poéticas populares e, assim, problematiza as relações entre o centro e a margem, expressas em manifestações culturais.  A cultura popular consiste em vozes que se colocam contrariamente aos processos de homogeneização e de dominação, revelando o olhar do sujeito sobre si e sobre o Outro.  As vozes poéticas, em análise nesta obra, situam-se em espaços à margem e ressignificam a própria tradição e, portanto, o imaginário coletivo.  Dizendo de si, vozes poéticas dizem igualmente sobre o Outro e as diferentes faces da cultura popular brasileira.

 

Para alcançar seu intuito, “Vozes da Cultura Popular” reúne artigos de importantes pesquisadores na área de Letras e da Cultura.  A professora Ria Lamaire, da Universidade Poitiers, da França, analisa em seu texto os conceitos de tradição, movência e ressignificação, lançando um olhar sobre a poética de patativa do Assaré, a pintura de Jan Toorop e o fado português.  Gilmar de Carvalho aborda diferentes aspectos da cultura brasileira ao longo do tempo, enquanto Ana Lúcia Liberato Tettamanzy estuda a cultura popular a partir da poética de Augusto dos Anjos.  Já Francisco Augusto Nobre apresenta o surgimento dos folhetos de cordel e seu emprego como instrumento didático para o ensino de ciências.  Daniel Conte e Rafael Hofmeister de Aguiar igualmente discutem a tradição, mas enfocando a voz, a oralidade e a performance na poética de Patativa do Assaré.  Também Adriana Nuvens de Alencar centra-se no poeta cearense, tendo como escopo os procedimentos de discursivização em carta de sua autoria.  Alessandra Bittencourt Flach dedica-se a um estudo das relações entre narrativas orais e literatura.  Por fim, Francisca Pereira dos Santos aborda a presença das mulheres repentistas nos estudos da cultura.

 

A obra, claramente, constitui importante contribuição aos estudos literários e da cultura, na medida em que trata de conceitos teóricos caros a ambas as áreas, sob uma perspectiva que confere visibilidade a produções culturais à margem do cânone, colocando em xeque o próprio cânone.  Com isso, permite questionar também movimentos culturais hegemônicos e a cultura de massa, problematizando relações, entendimentos cristalizados e, por que não dizer, ultrapassados.  O leitor está convidado, pois, a enveredar pelas trilhas abertas por “Vozes da Cultura Popular” e a também desconfiar do que se nos apresenta no dia a dia.

 

 

Fonte:  Correio do Povo/Caderno de Sábado/Marinês Andrea Kunz (Diretora do Instituto de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Feevale.) em 4 de junho de 2016.