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Você é o que lê, dos Clássicos aos Textões
Você é o que lê, dos Clássicos aos Textões

DOS CLÁSSICOS AOS TEXTÕES

 

VOCÊ É O QUE LÊ, sarau comandado por Xico Sá, Maria Ribeiro e Gregorio Duvivier, discute as múltiplas possibilidades de se encontrar prazer na leitura.

 

Na escola, Gregorio Duvivier sentia asco de José de Alencar e outras leituras obrigatórias. O menino que mais tarde viraria humorista e escritor preferia devorar histórias em quadrinhos, romances policiais e contos fantásticos – gêneros considerados por ele “baixa literatura”.

 

Para provar que toda forma de leitura vale a pena, Gregorio uniu-se à atriz Maria Ribeiro e ao jornalista Xico Sá no projeto de falar de forma descontraída e sem tabus sobre literatura. O bate-papo, batizado de VOCÊ É O QUE LÊ, (esteve em Porto Alegre em novembro/2017).

 

A “banda”, como Xico Sá apelidou o trio, já passou por Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo – além de ter participado de grandes eventos literários como a Flip, em Paraty, e a Tarrafa Literária, em Santos.

 

A conversa vai desde os autores que contribuíram para a formação do trio até piadas com Paulo Coelho e Harry Potter, em um clima de improviso e miscelânea de assuntos que Xico Sá compara ao estilo “free jazz” de performance.

 

- Quando reparamos, demos a volta ao mundo em 80 citações ou autores – brinca o escritor, fazendo referência ao clássico de Julio Verne.

 

Em um país com baixos índices de leitura, onde uma pessoa lê, em média, cinco livros por ano – sendo que apenas metade foi de fato lida até o final, de acordo com a última pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2016 –, a ideia do encontro é relacionar o hábito de leitura com uma aventura que provoca, ao mesmo tempo, prazer e conhecimento.

 

- A gente tenta desmistificar a leitura como uma coisa pomposa, nobre. Queremos mostrar que ler é divertido e que mandar mensagem no celular também pode ser literatura – diz Maria Ribeiro.

 

Considerar que os textões na internet também são literatura é outra provocação que o trio assume – ao menos em parte. Xico, Maria e Gregorio são, além de leitores e autores de livros, usuários regulares das redes sociais. Maria, por exemplo, reconhece que o tempo dedicado à palavra impressa encurtou conforme aumentou o barulhos das notificações no celular. Mas até nesse que é considerado um vício dos novos tempos a atriz tenta encontrar o uso recreativo das palavras:

 

- Tem literatura no Instagram e tem literatura no Twitter. Você pode tratar o Twitter como um haikai, de certa forma.

 

Xico admite o gosto pelas frases lidas em um rolar de dedo na tela do aparelho, mas pondera sobre o teor dessas palavras.

 

- Curto textões, tem muita coisa bem escrita e também “tretas” vigorosas, mesmo não tão literários assim.

 

Menos otimista em relação às redes sociais, Gregorio considera a internet uma arena “menos poética e mais política”. Estaria, talvez, assumindo a mesma postura de quem, na sua infância elegia o que era ou não digno de se ler?

 

Apesar disso, em um dos encontros registrados em vídeo disponível no YouTube, ressaltou a importância dos textos que estão à margem do que é considerado cânone literário.

 

- Se não fosse a baixa literatura, com certeza não teria começado a ler. Tenho raiva até hoje de José de Alencar – brinca o humorista.

 

VÍDEO: https://www.youtube.com/channel/UCn9S8oZu_wkR-YnjzL0hchQ

 

Fonte: Zero Hora/Segundo Caderno em 28/11/2017