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Vasco Prado, A Homenagem Necessária.
Vasco Prado, A Homenagem Necessária.

VASCO PRADO, A HOMENAGEM NECESSÁRIA

 

Vasco Prado integra a tríade dos principais mestres modernos do Rio Grande do Sul, juntamente com Iberê Camargo (1914 – 1994) e Xico Stockinger (1919 – 2009).  Nasceu a 16 de abril de 1914, em Uruguaiana, e adolescente veio para Porto Alegre, a fim de cursar o Colégio Militar.  Formou-se ali em 1936 e depois ingressou no Instituto de Belas Artes (atual Instituto de Artes).  Porém, em questão de meses, abandonou o ensino acadêmico.  Posteriormente, passou a trabalhar na Secretaria de Obras do RS, onde foi colega de Iberê Camargo, no início da década de 1940.  Procurou seus próprios caminhos, seus próprios mestres e tratou de ser um artista atuante.  Em 1947, recebeu do governo francês uma bolsa de estudos em Paris.

 

 

 

A partir da experiência na França e de outras viagens pela Europa, Vasco Prado trouxe para o Brasil a ideia dos clubes de gravura, ateliês de uma arte para as massas populares, voltada para a revolução social.  Na década seguinte, o artista firmou suas preocupações estéticas, primeiramente por meio do neorrealismo, depois distendendo a forma, em alguns casos, na quase abstração.  Como escultor, modelou o barro (para a terracota e para o bronze), entalhou a madeira e esculpiu a pedra.  Pari passu, jamais abandonou o desenho, que foi expressão própria da arte sobre papel e também uma forma de pensar as esculturas.

Como artista e como cidadão, Vasco Prado foi um humanista inequívoco.  Sua obra, conforme assinalou Gerd Bornheim, apresenta-se a partir de duas raízes, a sua “aguda consciência social” e a “mestria com que deixa correr o traço livre, obediente a uma necessidade interna derivada do formal”.  Seu protesto social nunca foi o que consideramos panfletário e sempre primou pela excelência artística.  A “seriedade” do militante comunista não o fez limitado na liberdade de expressão, pensando uma arte para diversos interesses.  Sua obra abarca a sensualidade feminina, o erotismo e também as coisas do campo – conforme Zero Hora registrou na reportagem publicada quando o artista faleceu:  “Morre o Encantador de Cavalos”.

 

 

Em 2014, de forma incompreensível, nenhuma de nossas instituições artísticas oficiais fez a devida e necessária homenagem ao centenário de Vasco Prado.  Agora, desde dezembro último, quando se completaram 17 anos do falecimento do artista (em 1998), o Santander Cultural nos propicia uma importante reverência ao mestre, a exposição VASCO PRADO – A ESCULTURA EM TRAÇO, sob curadoria do diretor do Margs, Paulo Amaral.

O título da mostra evidencia o fio condutor escolhido pelo curador naquilo que a expressão no papel mais remete à arte escultórica.  Entre as quase cem obras vemos aquelas em que constam claras referências aos principais mestres que o artista escolheu:  Marino Marini, Henry Moore e Picasso.  Muitos trabalhos da exposição são ligados à escultura também por serem delineamentos de obras conhecidas que Vasco Prado produziu, bem como projetos não realizados, como o desenho do Gaúcho de Poncho a Cavalo (1977) e a proposta para o mausoléu do político Brochado da Rocha (1963).  Também pode ser visto o esboço que representa A Família (1973), estudo para a homenagem ao general Flores da Cunha, monumento instalado na parte externa da sede do IPE.

 

 

Boa parte da exposição em curso no belo espaço do Santander Cultural, a qual conta com quase cem obras, é inédita.  Entre os conjuntos de temas exibidos, o mais numeroso apresenta cerca de um terço do total e versa sobre a sensualidade.  São representações das relações afetivas dos casais e, principalmente, a declaração de amor do artista ao corpo feminino.  Outro destaque, de caráter documental dos mais interessantes, são os projetos ou estudos para logotipos e arte aplicada, como marcas de empresas e instituições, painéis cerâmicos, relevos e bronzes seriados, lá estão os desenhos de observação ao ar livre que Vasco Prado fez por cidades europeias na década de 1970.

Estes são alguns dos polos de atração desta mostra de envergadura, cuja memória de Vasco Prado o curador e a instituição resgatam, lembrando ao meio artístico e à sociedade rio-grandense nossos compromissos com nossos mestres, construtores dos bens mais perenes de uma sociedade, os bens simbólicos.

 

 

A mostra Vasco Prado – A Escultura em Traço fica em exibição até o finall deste mês de fevereiro e apresenta um catálogo bem ilustrado, com textos do curador Paulo Amaral e do historiador de arte Círio Simon.

 

Fonte:  ZeroHora/Caderno PrOA/José Francisco Alves (Doutor em Crítica e História da Arte e membro da ABCA) em 21 de fevereiro de 2016.