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Termos da Oração
Termos da Oração

Termos da oração: complemento relativo, agente da passiva e predicativo

 

Complemento relativo

Rocha Lima (1972) já trata de complemento relativo. Segundo esse autor, ele “[...] é o complemento que, ligado ao verbo por uma preposição determinada (a, com, de, em etc.), integra, com o valor de objeto direto, a predicação de um verbo de significação relativa.” O complemento relativo possui similaridades tanto com o objeto direto como com objeto indireto.

Originalmente, o complemento relativo é, assim como o objeto indireto, ligado ao verbo por uma preposição.

Devemos lembrar, no entanto, a regência do objeto indireto, conforme Bechara (2000:421):

“Este novo argumento do predicado se chama complemento ou objeto indireto e apresenta as seguintes características formais e semânticas:

a)      é introduzido apenas pela preposição a (raramente para) (...).”

 

O complemento relativo possui duas diferenças básicas quando consideramos o objeto indireto:

1-Não pode ser substituído por lhe/lhes, pois somente o objeto indireto o faz. Deve ser substituído por preposição + outro pronome que não lhe/lhes;

 

2-Pode, via de regra, perder sua preposição, por ser semanticamente esvaziada, como ocorre, na língua falada, com os verbos assistir, obedecer, atender etc.

 

Além disso, enquanto o objeto indireto aponta para seres animados, exclusivamente, o complemento relativo aponta para seres tanto animados quanto inanimados, vejamos alguns exemplos de complemento relativo:

A)-Isso depende dos documentos. / Isso depende deles.

B)-Ela se separou do marido. / Ela se separou dele.

C)-Vamos assistir a um filme. / Vamos assistir a ele.

D)-As crianças gostam de chocolate. / As crianças gostam dele.

 

Bechara (2000:420) afirma, ainda, que é quase nula a possibilidade de o complemento relativo e o objeto direto coexistirem e, por outro lado, há uma identidade funcional entre eles, uma vez que, principalmente na linguagem corrente, muitos verbos estão alternando a construção do complemento relativo e a do objeto direto.

 

Segundo Azeredo (2010:217), isso ocorre por conta do esvaziamento semântico dessas preposições na predicação em questão:

 

O menino assistiu ao filme. - O menino assistiu o filme.

Ela atendeu ao chamado. - Ela atendeu o chamado.

Ela satisfez ao marido. - Ela satisfez o marido.

 

ATENÇÃO

Não podemos nos esquecer dos verbos tradicionalmente chamados nas gramáticas escolares de bitransitivo ou transitivo direto e indireto: aqueles que exigem dupla argumentação, ou seja, dois complementos, um que não exige preposição e outro que a exige.

 

 

EXEMPLOS:

Em (a), teríamos: Demos a vaga ao estrangeiro.

a vaga = objeto direto.

ao estrangeiro = objeto indireto, uma vez que atende aos pré-requisitos já aqui abordados para o objeto indireto.

 

Em (b), teríamos: Confundimos a nora com a filha.

a nora = objeto direto.

com a filha = complemento relativo, uma vez que atende aos pré-requisitos já aqui abordados para o complemente relativo, entre eles, o fato de ser regido por ‘com’.

 

Em (c), teríamos: Reclamamos do garoto com os pais.

do garoto = complemento relativo. (Reclamamos dele com os pais)

com os pais = complemento relativo. (Reclamamos do garoto com eles)

 

Complemento relativo – Teste sua aprendizagem

 

1 - Levando em consideração as noções de objeto direto, complemento relativo e objeto indireto, identifique e classifique os complementos dos verbos nas orações a seguir:

 

a)- O filho deu o presente a seu pai.

b)- Em nosso encontro, Frederico expôs o problema aos presentes.

c)- Todos gostaram do meu comentário.

d)- Ansiava por um novo dia.

e)- Ela abusou de minha boa vontade.

 

Gabarito

a) o presente = objeto direto / a seu pai = objeto indireto

b) o problema = objeto direto / aos presentes = objeto indireto

c) do meu comentário = complemento relativo

d) por um novo dia = complemento relativo

e) de minha boa vontade = complemento relativo

 

Agente da passiva

 

Outro complemento verbal importante é o agente da passiva: nesse caso é o agente que completa o verbo. A relação desse complemento com o verbo parece-nos mais de ordem semântica e pragmática do que meramente sintática, uma vez que sua presença/ausência depende diretamente das intenções comunicativas do falante.

 

 

Antes de conversarmos sobre o agente da passiva, vamos ler um texto muito interessante, no qual se discute a existência da voz passiva em português .

 

 

As medidas socioeducativas  foram aprovadas pelo diretor.

 

SUJEITO = As medidas socioeducativas  

 

FORMA PASSIVA DO VERBO APROVAR = foram aprovadas pelo diretor.

 

 

ATENÇÃO

 

Celso Ferrarezi Junior, Sintaxe para a educação básica

Diferentemente da visão apresentado por Ferrarezi Junior, a Gramática Normativa considera que temos uma voz passiva e que o agente da passiva pratica a ação verbal que o sujeito recebe. José Carlos de Azeredo, em sua Gramática Houaiss da Língua Portuguesa nos diz que “Quando as comparamos descontextualizadas, as construções ativa e passiva podem ser tomadas como formas diversas para o mesmo conteúdo objetivo, mas a escolha de uma delas normalmente tem motivações discursivas ou pragmáticas que precisam ser observadas.

 

Uma importante diferença a ser destacada é que a construção passiva realça o paciente e permite a omissão do agente:

  • • As roseiras serão podadas.
  • • Estas crianças foram abandonadas.

O conteúdo do último exemplo também pode ser expresso por meio de outra formulação da voz passiva, chamada passiva sintética ou pronominal (indicada pelo emprego do pronome se apassivador):

  • • Abandonaram-se essas crianças.

Continuando esse texto, Azeredo vai discutir o uso do pronome se como partícula apassivadora ou como índice de indeterminação do sujeito.

O agente da passiva vem sempre precedido pelas preposições por ou de (pelo, pelos, pela, pelas, do, da, dos, das) e só existe se a oração estiver na voz passiva.

Quando a oração é passada da voz ativa para a voz passiva, na voz ativa, perde a preposição e vira sujeito da oração.

A mãe da Ana fez um saboroso pudim. = voz ativa.

A mãe da Ana = sujeito.

um saboroso pudim = objeto direto.

Um saboroso pudim foi feito pela mãe da Ana.

Nesse caso, um saboroso pudim passa a sujeito da oração e pela mãe da Ana é o nosso agente da passiva, pois aponta para a pessoa que praticou a ação revelada pelo verbo. Entretanto, devemos observar que o agente da passiva nem sempre se faz necessário à oração, uma vez que a voz passiva, como o próprio nome diz, relaciona-se mais à ação em si do que àquele que a praticou, vejamos:

O bandido foi capturado (pela polícia).

A confusão foi desfeita (pelos pais).

A notícia foi publicada (pelo jornal).

Nesses três exemplos, podemos perceber que a presença do agente da passiva é semântica e sintaticamente desnecessária, uma vez que se chama a atenção da captura do bandido, da não continuação da confusão e da publicação da notícia, respectivamente.

 

 

O Complemento Predicativo

 

 

Por fim, vamos tratar do complemento predicativo, que pode ser predicativo do sujeito ou predicativo do objeto. No entanto, antes disso, vamos relembrar os verbos de ligação, também chamados de verbos relacionais, por expressarem uma relação entre o sujeito e as atribuições que ele recebe como qualidades, estados etc. através desse trecho retirado de Azeredo (2008), Gramática Houaiss da Língua Portuguesa.

 

Verbo de ligação (copulativos ou predicativos)

 

A informação contida no predicado pode resultar, ainda, da união obrigatória do núcleo verbal (em itálico) com uma propriedade qualquer (qualidade, estado, atributo, identidade) expressa no termo adjacente (sublinhado):

 

  • • As crianças são inteligentes.
  • • Os legumes estão frescos.
  • • O céu ficou nublado.
  • • Estas pegadas parecem de tigre.

 

 

Estes verbos, que jamais exprimem ação, denominam-se ‘verbos de ligação’ (também conhecidos como ‘verbos copulativos’ ou ‘verbos predicativos’), mas em alguns pontos se assemelham aos verbos auxiliares: formam um conjunto limitado de elementos e indicam basicamente diferenças aspectuais no sentido de ‘conceptualização do estado de coisas’ [...]

 

 

Comparem-se as frases a seguir em que a conceptualização do estado de coisas – indicado nos parênteses – varia segundo o verbo selecionado:

 

 

  • • As águas são turvas. (atributo constante)

 

  • • As águas estão turvas. (atributo adquirido)

 

  • • As águas ficam turvas. (atributo resultativo)

 

  • • As águas continuam turvas. (atributo persistente)

 

 

O verbo parecer difere dos demais porque seu papel não é aspectual: ele é empregado para exprimir uma atitude ou ponto de vista do enunciador, funcionando, desse modo, como um recurso da modalização, haja vista seu uso como auxiliar: parece ser, parece estar etc.

 

Sintaticamente, os verbos de ligação se parecem com os verbos transitivos, uma vez que podem concorrer com termos adjacentes típicos dos predicados cujo núcleo é um verbo transitivo. Comparem-se:

 

  • • Sua filha está uma bela moça.
  • • Seu filhos escolheu uma bela moça.

 

Tal como acontece com os verbos transitivos, estabelece-se entre o verbo de ligação e o termo adjacente uma relação de implicação mútua. É esse fato que distingue, sintaticamente, o verbo de ligação de outros verbos (intransitivos) seguidos do mesmo termo adjacente. Comparem-se:

 

  • • Os pássaros voam livres.
  • • A mulher parou assustada.
  • • Os pássaros estão livres.
  • • A mulher ficou assustada.” (p. 213,214)

 

 

O Predicativo do sujeito ocorre nos seguintes casos

 

O predicativo do sujeito ocorre nos seguintes casos:

A)- Quando o verbo for de ligação (verbo instrumental) como argumento deste verbo, mas com dependência sintático-semântica do sujeito. Nesse caso, temos o predicado nominal.

 

Vejamos:

 

A manhã é fria.

O céu está limpo.

As fichas permaneceram incompletas.

 

b) Quando o verbo for predicador, ou seja, transitivo ou intransitivo, mas, no predicado, houver expressão atributiva referente ao sujeito, como em:

 

As pessoas chegaram cansadas. (chegar = verbo intransitivo)

 

Os meninos chutaram a bola animados. (chutar = verbo transitivo direto)

 

Azeredo (2000:182) atribui três diferentes valores ao predicativo do sujeito. Ele afirma que o predicativo do sujeito pode significar atributo, identidade ou situação. Vejamos os respectivos exemplos dados pelo autor:

 

As águas do rio estão turvas. (atributo)

Esse menino é o caçula da família. (identidade)

A recepção será no clube. (situação)

 

 

COMENTÁRIO:

 

Para o autor(Azeredo), o atributo é marcado por um adjetivo, locução adjetiva, pronome ou numeral. Já a identidade é expressa por um sintagma nominal com função referenciadora e caracteriza-se pela possível permuta de posição com o sujeito. No que tange à situação, usamos predicativos que denotam a situação no tempo ou no espaço. Nesse último caso, só podemos diferenciar de adjunto adverbial pela existência da estrutura de um predicado nominal, que precisa de VL + PRED. DO SUJ.

 

O Predicativo do objeto

 

 

O predicativo do objeto é o termo que se refere ao objeto de um verbo transitivo ampliando-lhe o sentido, vejamos exemplos:

 

O juiz declarou o réu inocente.

As grávidas tinham os pés inchados.

Os amigos chamaram-lhe (de) traidor.

 

Henriques (2010) comenta sobre o predicativo do objeto indireto:

“Encontra-se em alguns livros o esclarecimento de que o único caso de predicativo do objeto indireto é o que ocorre com o verbo chamar em frases do tipo “Chamei-lhe de tolo”. Cf. a Gramática do Português Contemporâneo (Belo Horizonte: Bernardo Álvares, 1970, 1ª ed., p. 103), de Celso Cunha, ou as Novas Lições de Análise Sintática, (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985, p. 27 –  a 1ª edição é de 1961, Editora Fundo de Cultura), de Adriano da Gama Kury.

 

 

Cegalla (2005:344) apresenta observações interessantes a respeito do predicativo do objeto:

 

  1. O predicativo do objeto, às vezes, vem regido de preposição que, em certos casos, é facultativa;

 

  1. O predicativo do objeto geralmente se refere ao objeto direto. Excepcionalmente, pode referir-se ao objeto indireto (ou a um complemento relativo, usando a nomenclatura de nossa aula) do verbo chamar. Chamavam-lhe poeta.

 

 

 

  1. Podemos antepor o predicativo a seu objeto: O advogado considerava indiscutíveis os direitos da herdeira.

Acrescentamos a essas observações o fato de que, se desmembrássemos a oração, teríamos um predicado nominal e outro verbal, por isso o predicado, nesse caso, é verbo-nominal:

 

O advogado considerava os direitos da herdeira. (predicado verbal)

Os direitos da herdeira eram indiscutíveis. (predicado nominal)

O advogado considerava indiscutíveis os direitos da herdeira. (predicado verbo-nominal)