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Ted Talks, de Chris Anderson
Ted Talks, de Chris Anderson

BONS DE PAPO

 

Em um novo livro, o dono do maior site de palestras do mundo afirma que, à base de esforço e técnica, qualquer um pode se tornar um ótimo orador.

 

Falar bem, com convicção e persuasão, é uma daquelas artes inventadas na Antiguidade que atravessaram os séculos. Na Grécia antiga, a retórica era ensinada pelos sofistas e pregada nos livros de Aristóteles. Ao longo da história, mestres da oratória ficaram célebres pelo poder de convencer com a navalha das palavras. Nesse rol dos que moviam e encantavam massas com seus discursos ocupam lugar de honra lideranças como o primeiro-ministro inglês Winston Churchill e o ativista negro americano Martin Luther King, e até gênios de outra estirpe, como Steve Jobs, o fundador da Apple. Para eles, a capacidade de expressar-se com propriedade era um dom inato, alimentado pelo trabalho árduo sobre o texto. Para a maior parte da humanidade, é habilidade a sr treinada do zero, em um processo laborioso, mas compensador.

 

Essa é a ideia central do recém-lançado TED TALKS: O GUIA OFICIAL DO TED PARA FALAR EM PÚBLICO (editora Intrínseca), escrito por Chris Anderson, o dono do TED, organização sem fins lucrativos nascida em 1984, na Califórnia, com o objetivo de disseminar ideias inovadoras por meio de breves palestras compartilhadas na internet. O número de visualizações chega a 1 bilhão por ano. Por esse púlpito já passaram com estrondoso sucesso nomes como Larry Page, um dos criadores do Google, o cientista Stephen Hawking e o fundador da Microsoft, Bill Gates (este, aliás, lapidou sua capacidade de palestrar ao preparar-se para suas aparições no TED). “A transmissão de vídeos on-line mudou tudo. Agora, as palavras ecoam no mundo inteiro”, disse Anderson a VEJA. “A boa oratória devia ser ensinada em todas as escolas e levada a sério por quem quer desempenhar um papel no mundo conectado.”

 

Boas apresentações são resultado de uma história potente, bem alinhavada e bem ensaiada. Levar papéis para ler era vetado pelo TED até que, em 2010, surgiu o caso do americano Daniel Hahneman, pai da economia comportamental e ganhador de um Nobel. Como não conseguia decorar sua palestra, abriu-se uma brecha para que ele e outros lessem suas anotações. Monica Lewinsky, a estagiária que teve um caso com o então presidente Bill Clinton em plena Casa Branca, é lembrado por ter se saído surpreendentemente bem – e ensaiou sua palestra de modo obsessivo. Minutos antes de falar, ela confidenciou a Anderson: “Fui invadida por ecos de um trauma persistente, o de ser ridicularizada em público”. Monica construiu uma narrativa emotiva, capaz de desviar o foco do que não queria – o escândalo – para o que queria – a forma como encarou a humilhação. Eis um bom caminho para atrair interesse e admiração. Abaixo confira as principais dicas.

 

FRANQUEZA

Ninguém precisa virar uma máquina de palestrar para se dar bem ao microfone. A experiência mostra que expor alguma – não muita – vulnerabilidade até ajuda. Pessoas que se confessam nervosas são muitas vezes aplaudidas.

 

RELÓGIO

O tempo é implacável co o divagador. Ele fala, fala e acaba não dizendo nada. Uma única ideia poderosa basta para encantar. Bill Gates, fundador da Microsoft, já passou várias vezes pelo palco do TED, sempre com um assunto diferente do outro.

 

ENSAIO

Nada de encarar a plateia com a velha gracinha dos despreparados: “Vim no caminho pensando no que ia falar… “. os maiores fiascos do TED começaram assim. Palestra boa tem linha de raciocínio,plano de voo e objetivo.

 

CONTE UMA HISTÓRIA

Quanto mais pessoal, melhor – o que ajuda a quebrar o gelo. O americano Ken Robinson, autor de clássica pesquisa sobre criatividade, ultrapassou vários pesos-pesados e deu a palestra mais vista na história do TED revelando divertidos bastidores de seu trabalho.

 

VENDA IDEIAS

Quem se limita a fazer propaganda de um produto termina a apresentação com alto índice de rejeição. Os espectadores estão em busca de valores. E, se ficam magnetizados, às vezes até abrem o bolso em prol da causa do palestrante.

 

HUMOR COM MODERAÇÃO

Piadas são bem-vindas, mas muita gente boa já perdeu o tom. Outros surfaram, como Monica Lewinsky, a ex-estagiária da Casa Branca que teve um caso com o então presidente Bill Clinton. Ela conta que, aos 41 anos, recebeu uma cantada de um rapaz de 27, que prometia fazê-la sentir-se de novo com 22, sua idade na época do escândalo. “Sou a única pessoa que não quer voltar aos 22”, brincou. Todo mundo riu.

 

LINGUAGEM

Abaixo o “academiquês”! No lugar de verbetes empolados, use expressões simples. Do contrário (ataquemos de mesóclises, tão em voga nestes tempos), configurar-se-á um erro e censurá-lo-ão.

 

COM QUE ROUPA?

Qualquer peça que chame mais atenção que o orador deve ser evitada como brincos que chacoalham (inimigos dos microfones auriculares) e acessórios que reluzem (causas de reflexo indesejável). É essencial saber a cor do cenário para não usar uma igual.

 

CONTATO VISUAL

Empatia se constrói. E a melhor maneira para isso ainda é fixar a plateia olho no olho, e nunca o infinito. Se a iluminação o impede de enxergar as pessoas, peça que seja ajustada.

 

ESTILO PRÓPRIO

O público não perdoa ao engraçadinho sem graça nem ao sujeito que se limita a seguir mecanicamente o receituário da boa palestra. Autenticidade é a marca das conferências de sucesso.

 

Fonte: Revista VEJA/Cecília Ritto e Maria Clara Vieira em 01/06//2016