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TDAH, Um Problema de Gente Grande
TDAH, Um Problema de Gente Grande

UM PROBLEMA DE GENTE GRANDE

 

Novos estudos indicam que o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) pode ser desenvolvido na idade adulta, e não apenas na infância.

Diferenças: O desrespeito à hierarquia no trabalho é uma das características da doença entre os mais velhos.

 

Meu filho está apenas distraído com tantas ofertas eletrônicas, anda nervoso por causa de uma prova ou ansioso com algum problema que não sabe como enfrentar? Muitas vezes é apenas isso mesmo, e as preocupações paternas se dissipam com o tempo. Em alguns casos, contudo, há um problema médico real. Cresce em todo o mundo o número de diagnósticos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Ele atinge uma em cada vinte crianças. O portador da doença sofre com picos de desatenção, impulsividade, inquietação e dificuldade de aprendizado, sintomas claramente descritos em mais de 30 000 artigos científicos publicados ao longo dos últimos quarenta anos. A novidade: a doença, tão colada à infância e à adolescência, pode surgir na idade adulta. Dois novos estudos recém-publicados na revista científica Jama Psychiatry, um dos periódicos mais prestigiosos do mundo, sugerem que a doença é também de gente grande. Diz Guilherme Polanczyk, professor de psiquiatria da infância da Universidade de São Paulo (USP) e autor de um dos estudos: “O achado pode representar uma mudança radical na maneira como a ciência lida com o TDAH”. Na régua dos atuais protocolos, a prevalência de TDAH na fase adulta é de 1,5%. Com as novas conclusões, poderá chegar a 12%.

 

Segundo o consenso científico em vigor, o TDAH é uma afecção do desenvolvimento cerebral originada na infância e, na maior parte dos casos, plenamente superada com a maturidade. Estima-se, até agora, que apenas um terço dos casos avance com a idade. Um adulto diagnosticado com a doença tem de ter apresentado sinais do problema antes dos 12 anos, informa o MANUAL DIAGNÓSTICO E ESTATÍSTICO DE TRANSTORNOS MENTAIS (DSM), usado internacionalmente como guia.

 

Um dos estudos, conduzido pelo King’s College London, da Inglaterra, propõe um outro olhar, a partir da análise do cotidiano e do crescimento de gêmeos adultos. Dos 2000 participantes, 166 receberam o diagnóstico de TDAH – 68% deles não apresentaram sintomas na infância. Os resultados da outra pesquisa, feita em Pelotas, cidade do interior do Rio Grande do Sul, foram ainda mais surpreendentes. Dessa vez, observaram-se voluntários desde o nascimento – mais de 5000 bebês nascidos em 1993. Todos submeteram-se ao diagnóstico da doença aos 11 anos e aos 19. Constatou-se que 85% dos portadores de TDAH não apresentaram os sinais da doença quando pequenos.

 

O TDAH é resultado da imaturidade do córtex pré-frontal, região cerebral associada às funções executivas mais sofisticadas, entre elas a inibição do comportamento, a atenção, a memória, a organização e o planejamento de tarefas. A disfunção leva ao desequilíbrio dos neurotransmissores dopamina e noradrenalina, responsáveis pelo ajuste adequado do controle inibitório. Sem o freio em pleno funcionamento, os sintomas são deflagrados. Há diferenças nas reações de crianças e adultos ( veja no quadro abaixo). O tratamento mais comum é o uso do metilfenidato, um derivado da anfetamina, comercializado com o nome de Ritalina. “A hipótese principal é que os mecanismos dos transtornos sejam os mesmos no adulto, mas os mais velhos teriam uma vulnerabilidade biológica que seria ativada pelo excesso de demandas nessa fase da vida”, diz Luis Rohde, professor de psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e autor principal da pesquisa brasileira. Estudos mais completos podem mudar a história da investigação e tratamento do incômodo transtorno.

 

NÃO SÓ EM CRIANÇAS

 

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade se manifesta de forma diferente no organismo do adulto, indicam pesquisadores brasileiros e ingleses – os sintomas devem permanecer por ao menos seis meses.

 

A DOENÇA NA INFÂNCIA

Prevalência 9%

 

Os sintomas mais comuns:

A criança não consegue se concentrar na mesma atividade por mais de dez minutos

 

Tem dificuldade para ler e escrever

 

Não fica sentada durante todo o tempo da aula

 

Interrompe uma pergunta ou responde a ela sem esperar sua vez de falar

 

A DOENÇA EM ADULTOS

Prevalência 12%

 

Os sintomas mais comuns:

O indivíduo procrastina tarefas com frequênca

 

Tem dificuldade para relaxar, mesmo em momentos tranquilos

 

Desrespeita a hierarquia no trabalho

 

É propenso a abusar de drogas e álcool

 

Fonte: Guilherme Polanczyk, professor de psiquiatria da USP, e ADHD Trajectories from Childhood to Young Adulthood

 

Fonte: Veja/Natália Cuminale em 15/06/2016