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Superdotados: Como tratar Crianças Tão Especiais
Superdotados: Como tratar Crianças Tão Especiais

 

SUPERDOTADOS                                                                                               COMO TRATAR ESTAS CRIANÇAS TÃO ESPECIAIS

Elas podem desenvolver seus potenciais sem perder o gostinho da infância.

 

Quem não se orgulharia de ter um filho que aprendesse a ler sozinho aos três anos de idade?  Ou que, aos cinco, brilhasse nos palcos tocando piano com o virtuosismo de um Mozart?  Ou, ainda, que pudesse competir com uma calculadora na resolução de complicadas equações matemáticas?  Mas e se o orgulho do pai fosse uma criança solitária, incompreendida por colegas de sua idade, precocemente jogada no mundo dos adultos?  Valeria a pena investir no seu talento?

A vida de uma criança que recebe o rótulo de superdotada pode, de fato, oscilar entre esses extremos:  o centro das atenções e o isolamento.  No entanto, um equilíbrio saudável e produtivo é possível.  E novas experiências pedagógicas estão demonstrando que crianças superdotadas podem – e devem – desenvolver suas habilidades especiais sem perder o gostinho brincalhão da infância.  Não por acaso, os norte-americanos definem essas crianças como gifted, que, literalmente, pode ser traduzido para “presenteadas”.  Não seria justo desperdiçar o que a natureza oferece gratuitamente a tão poucas pessoas e de maneira tão misteriosa.

No Brasil, contam-se os superdotados numa faixa estreita que vai de 1% a 3% da população, ou seja, no máximo 30 pessoas em mil, segundo dados da Associação Brasileira para Superdotados, do Rio de Janeiro.  São pessoas que se destacam pelo notável desempenho ou potencialidade em atividades intelectuais, artísticas ou psicomotoras.  E as causas desse talento acima do normal para a idade ainda são pouco compreendidas pela ciência.  Segundo o neuropediatra Mauro Muszkat, especialista em eletroencefalografia da Universidade Federal de São Paulo, não existem diferenças estruturais entre o cérebro de um superdotado e o de um ser humano normal.  “Todos tem cerca de 10 bilhões de neurônios.  O que faz a diferença é a interconexão entre os neurônios”, explica o especialista.

O resultado pode ser um fenômeno como o carioca Ricardo Almeida Cabral de Soares, hoje com 39 anos de idade.  Ricardo aprendeu a ler aos três anos e, aos nove, já lançava um romance policial – Assassinato no Parque – dirigido ao público juvenil.  Com 13 anos, quando ainda cursava a oitava série do primeiro grau, prestou  vestibular para a Faculdade de Direito Cândido Mendes.  Passou, é claro.  Conseguiu ser matriculado graças a uma liminar da Justiça, pois pela lei as universidades não poderiam aceitar alunos com o segundo grau incompleto, e formou-se aos 16 anos de idade.  Aos 18, tornou-se o mais jovem Mestre da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.  E hoje leciona Direito na Universidade do Rio de Janeiro.

NEM SEMPRE ELES BRILHAM EM TUDO

Outro exemplo famoso, que certamente não saiu da memória de quem tem mais de 50 anos, é o do campeão de xadrez Henrique Costa Mecking. O Mequinho.  Tendo aprendido a jogar com cinco anos de idade, aos oito Mequinho já competia com adultos – e vencia.  Aos 13 anos foi consagrado campeão brasileiro e aos 26 já era um dos 16 melhores enxadristas do mundo.  “Mas engana-se quem acredita que o superdotado é sempre brilhante em todos os sentidos ou se destaca à primeira vista”, alerta a pedagoga Carmem Martini Costa, supervisora do Serviço de Educação Especial da Secretaria da Educação de São Paulo.  A garota Ceres Prado Carvalho, de 11 anos, estudante da quinta série do Colégio Objetivo de São Paulo e dotada de um especial talento para cálculos e desenhos desde a pré-escola, confirma:  “Vou bem em matemática e educação artística, mas nem tanto em português e ciências”.  Ela sabe que não precisa tirar nota dez em tudo.  Mas se ressente da cobrança dos colegas.  E para quem pensa que ela pretende seguir carreira acadêmica, vai logo avisando:  “O que eu quero ser é jogadora de basquete”.

A gaúcha Karin Trennepohl, de 16 anos, que aos cinco surpreendeu os pais lendo o jornal sem que ninguém lhe tivesse ensinado, faz até questão de não obter a nota máxima em todas as matérias, para evitar cobranças como as que atormentam Ceres.  “O rótulo de gênio mais prejudica do que ajuda”,  diz ela.

BOCEJOS E INDISCIPLINA

A pedagoga Carmem Martini destaca ainda que crianças superdotadas podem até ter mau desempenho, de verdade, quando se sentem deslocadas nas classes de alunos normais.  “Rápidas e ávidas por conhecimento, elas bocejam diante das atividades comuns.  Por vezes, tornam-se indisciplinadas e podem até mesmo apresentar distúrbios de aprendizagem e relacionamento”, alerta.  Era o que acontecia com o menino Caio Alexandrino Costa Areias, com 13 anos e aluno da oitava série de uma escola estadual de Itaquaquecetuba, São Paulo.

“Com sete anos, Caio foi matriculado na primeira série, mas não queria ficar na escola.  Achava que era burro porque não conseguia se interessar pelas aulas”, conta a mãe, Arlete.  O problema é que as aulas de alfabetização não tinham o menor interesse para o menino que desde os quatro anos se divertia lendo anúncios de TV, rótulos de maionese e placas diversas.  Por iniciativa da própria professora, Caio pulou o primeiro ano e foi para o segundo.  Daí em diante, se deu bem.   Além de ser um ótimo aluno, dedica-se com afinco à sua maior paixão:  a música.  Ele estuda piano em um conservatório particular e violino na Faculdade Livre de Música, em São Paulo.

Assim, não é apenas a nota dez que indica um superdotado, pois, para os especialistas, criatividade e originalidade valem mais do que o desempenho em si. Também não são apenas as atividades intelectuais que o denunciam, pois a aptidão especial pode estar nas artes plásticas ou nas atividades esportivas.  Nesse sentido, Pelé é qualificado como superdotado na área esportiva da m esma forma que Cândido Portinari na pintura, Heitor Villa-Lobos na música e César Lattes na física quântica.  Então, como se pode reconhecer uma criança superdotada?  Existem vários métodos, do teste que mede o quociente de inteligência (QI) ao eletroencefalograma computadorizado.  Criado pelo psicólogo e fisiologista francês Alfred Binet (1857-1911), o teste de QI já é considerado arcaico pelos especialistas e cede terreno a outros parâmetros, como o conceito de “inteligência emocional”, desenvolvido recentemente por psicólogos americanos.  Eles afirmam que a estabilidade emocional e capacidade de se adaptar a novas situações são maior garantia de sucesso do que os dotes intelectuais.  Outros testes utilizados são os que possibilitam identificar crianças superdotadas independentemente de sua cultura ou de conhecimento teórico adquirido.  Os exames avaliam, entre outros itens, a capacidade de memória, análise e síntese, visão espacial e habilidade matemática.  Elizabete explica que somente a partir dos três ou quatro anos de idade é possível identificar, com  maior margem de segurança, um superdotado e sua habilidade especial.  “A partir dessa idade as funções de concentração, percepção e análise estão mais desenvolvidas.”

O neuropediatra Mauro Muszkat não abre mão da tecnologia na hora de confirmar o diagnóstico de superdotação:  o eletroencefalograma computadorizado.  “A neuroimagem é capaz de medir o grau de ativação dos neurônios diante de estímulos visuais, musicais e verbais”, explica.  Segundo Muszkat, crianças superdotadas apresentam maior desempenho em áreas cerebrais envolvidas no processamento de determinado tipo de tarefa.

Se o diagnóstico é muitas vezes complexo, saber o que determina a maior ativação dos neurônios presente nas crianças superdotadas ainda é um mistério, uma vez que, estruturalmente, seus cérebros não tem nada de especial.  Para os pesquisadores, ainda é mais simples definir o que impede o desenvolvimento do superdotado do que o contrário.  Sabe-se, por exemplo, que a desnutrição prejudica o desenvolvimento intelectual.  “A criança precisa ser bem nutrida para dispor de todos os nutrientes essenciais ao seu desenvolvimento.  A proteína e o iodo, por exemplo, são fundamentais para o desenvolvimento das conexões sinápticas cerebrais, ou seja, a troca de impulsos elétricos entre os neurônios”, explica Muszkat.  No entanto, uma boa alimentação não é garantia da formação de um cérebro privilegiado.  Da mesma forma, uma criança normal superestimulada intelectualmente não se torna superdotada – a não ser que já tenha potencial para isso.

Naturalmente, o ambiente cultural pode favorecer o surgimento do fenômeno.  Para Gustavo Bolognani Martins, aluno da sexta série do Colégio Objetivo, muito do talento especial que ele desenvolveu deveu-se ao ambiente propício que encontrou em sua casa.  Com apenas 12 anos, ele já é autor de quatro livros infantis (Gustavo e Marina, Uma Estranha Pessoa, Um Conto Nada Científico e Ilha do Tesouro), e atribui sua familiaridade com os livros à influência de seu pai, Plínio Martins Filho, diretor editorial da Editora da Universidade de São Paulo.

Mas, já que se fala em literatura, o que dizer, por exemplo, de um  mestre como Machado de Assis, que, sendo negro e pobre, jamais frequentou os bancos escolares?  Ele seria uma das maiores provas de que a superdotação manifesta-se alheia à classe social, raça ou sexo.  Sejam quais forem as causas que levam algumas crianças a terem maior habilidade que outras, os especialistas concordam que elas precisam de tratamento diferenciado para que possam desenvolver seu potencial.  Eles só não chegaram a um consenso sobre como deve ser ministrado esse tratamento.  Basicamente, existem duas linhas pedagógicas:  a que separa o superdotado em classes ou escolas especiais e a que procura desenvolver seu potencial junto às crianças normais.  Nos Estados Unidos, por exemplo, predomina o primeiro método de trabalho.

A Universidade Johns Hopkins, considerada o maior centro de estudos do mundo na área, tem um programa especial destinado a superdotados.  Anualmente, mais de 60 mil estudantes concorrem pelo direito de pertencer a uma classe desta universidade.  Apenas 20% conseguem.  Outra escola norte-americana especializada é a Academia de Matemática e Ciência de Illinois, que atualmente abriga cerca de 500 alunos com média de 14 anos de idade.  Eles se mudam para a escola e ficam morando lá até entrarem na universidade.

Experiências semelhantes se repetem em outros países.  No Japão funcionam mais de 1.300 escolas especializadas em pessoas com inteligência acima da média.  Na França, existem quatro dessas escolas, entre elas o Collège du Cèdre, em Paris, para alunos a partir da quinta série.  A educadora Sophie Cote, que iniciou esse trabalho no Collège du Cèdre, defende radicalmente a criação de classes especiais:  “As crianças superdotadas não suportam ficar junto a crianças de inteligência normal, porque as consideram muito lentas e desinteressantes.  Enquanto ela demora apenas cinco minutos para realizar uma tarefa, a normal leva uma hora.  Portanto, é preciso dar-lhe tratamento especial, tarefas que impliquem em reais desafios”, justifica ela.

No Brasil, experiência semelhante tem sido adotada pela Secretaria da Educação do Rio Grande do Sul, na escola Anne Frank, de Porto Alegre.  A escola mantém salas exclusivas para crianças que em idade pré-escolar já estão alfabetizadas, a maioria de forma autodidata.  A experiência da Escola Anne Frank é, no entanto, uma exceção entre as instituições de ensino brasileiras.  A maior parte dos educadores rejeita a distinção entre classes de normais e classes de superdotados.  “Achamos que isto elimina o contato social”, opina a psicóloga Mara Costa, da Fundação de Atendimento ao Deficiente e ao Superdotado no Rio Grande do Sul, a Fadergs, órgão ligado à Secretaria da Educação.  A proposta da instituição é, ao contrário, possibilitar a integração da criança superdotada em sua própria escola, orientando professores, pais e alunos.  No Rio de Janeiro, cerca de dez escolas públicas mantém programas de educação para superdotados:  são as chamadas “salas de recursos”.  Os alunos frequentam  aulas em escolas regulares e, paralelamente, são atendidos nestas salas, duas vezes por semana, durante quatro horas e meia.  Entre moluscos conservados em formol, hamsters, aranhas, tubos de ensaio, livros de ciências e microscópios, pacientes professoras como Cláudia Ferreira, da Escola Municipal Romão Duarte, auxiliam os estudantes superdotados a saciar parte de sua inesgotável sede de conhecimento.  “O atendimento é individualizado.  Avalio o interesse da criança e traço um projeto de trabalho para ela, conforme suas habilidades”, conta Cláudia.

SALAS SEPARADAS

Entre as escolas particulares, um dos mais antigos projetos voltados para superdotados é o Programa Objetivo de Incentivo ao Talento (Poit), criado em 1986, em São Paulo.  Lá também os alunos não ficam em salas exclusivas.  No início, tentou-se criar salas só de superdotados, mas não deu certo.  “Criou-se uma competitividade extremamente negativa entre eles”, lembra a psicóloga Cristina Cupertino, coordenadora do programa.  Para ela, o superdotado tem que ser mantido em seu próprio ambiente, buscando uma convivência harmoniosa com pessoas de todos os tipos.  “Afinal, a maior parte dos habitantes do mundo são normais”, lembra Cristina.  Mas quem melhor defende a integração do superdotado à sociedade é um dos próprios alunos do programa.  Estevão Prado de Oliveira Carvalho, de 17 anos, estudante do terceiro colegial.  “É uma grande tolice achar que os superdotados não têm nada a aprender com as pessoas comuns.  Sempre temos algo a aprender”, diz ele. 

Além das salas de recursos e programas especiais das escolas públicas e privadas, existem outros meios aprovados pelo Conselho Federal de Educação para “acelerar” o desenvolvimento do aluno:  a admissão prévia, ou seja, a matrícula da criança no pré-escolar antes da idade regulamentar (seis anos), e o adiantamento de série  Mas a medida é vista com cuidado.  “Nem sempre a criança se adapta aos colegas devido à diferença cronológica”, adverte a psicóloga Elizabete Batista Pinto, do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo  Mas a falta de estímulo é tão prejudicial quanto o excesso.  “Há pais que sobrecarregam o filho de tarefas, cursos, pensando em otimizar todos os seus potenciais.  Isso é um erro que pode levar a criança ao stress”, adverte Cristina Cupertino.  “Os pais devem conscientizar a criança superdotada de que ela não necessita ser excepcional em tudo o que faz.  Ela precisa, como todo mundo, conviver com suas qualidades e defeitos”, enfatiza Cristina.  Mesmo porque a superdotação não assegura sucesso profissional, riqueza ou felicidade.  A história do pianista e dentista Aloysio Rachid, de 51 anos, ilustra bem a situação.  Ele sempre foi o primeiro colocado em todos os concursos de que participou e recebeu medalhas por seu excepcional desempenho como aluno da Escola de Música da UFRJ e da Faculdade de Odontologia da Uerj.  Mas nem por isso, aos 31 anos encontrara seu lugar ao sol. Solteiro, morada há três anos num pequeno apartamento no Rio de Janeiro e batalhava incansavelmente para mostrar sua música, pois é dela que pretendia viver, e não da odontologia.  “Raramente sou convidado a tocar.  Tenho que sair batendo nas portas para conseguir me apresentar”, dizia ele.

Contudo, a expectativa em relação aos superdotados é sempre grande.  Historicamente, as civilizações se construíram calcadas no talento e criatividade de mentes acima da média.  Já na Grécia Antiga, Platão afirmava que aos mais preparados intelectualmente cabia ocupar os cargos de liderança.  Era o que ele chamava de "governo dos melhores”, de onde vem a palavra aristocracia: de  aristoi, melhores, e cracia, governo.  Mesmo hoje, ainda há quem concorde com Platão.  “Quando bem direcionados, os superdotados podem trabalhar em prol da humanidade”, declara o neuropediatra Mauro Muszkat.  A psicóloga Elizabete Pinto salienta, no em tanto, que os superdotados não são super-homens.  “Como qualquer ser humano, eles tem necessidade de carinho, proteção, aceitação e oportunidade de autorrealização.  E isso não depende só de seus super dotes intelectuais.”

 

O RETRATO DE UMA CRIANÇA

Uma criança superdotada pode não se desenvolver plenamente se não encontrar um ambiente propício.  Por isso, o papel da família é fundamental:

- Os pais devem acompanhar as descobertas da criança, localizar suas necessidades e interesses;

- Estimula-la a desenvolver suas potencialidades, conforme sua habilidade, e a buscar soluções criativas para seus impasses;

- Manter um diálogo permanente com a criança, participar da sua vida em todos os setores;

- Evitar sobrecarregar a criança de atividades, compara-la com seus irmãos e amigos, ou exibir seu talento o tempo todo;

- Elogiar e encorajar o superdotado, sem julgá-lo;

- Ajuda-lo a aceitar seus sentimentos e sua forma de ser

- Propiciar a ela novas e estimulantes experiências de vida:

- Incentivar sua independência;

- Não esquecer de que a criança superdotada é antes de mais nada uma criança.

 

SEMENTE BOA EM SOLO FÉRTIL

Não existe um superdotado padrão.  Porém, algumas características são peculiares a essas pessoas.  Segundo definição internacionalmente aceita, são considerados superdotados indivíduos que apresentam notável desempenho e/ou elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos abaixo, combinados ou isolados:

- Alta capacidade e amadurecimento intelectual precoce;

- Aptidão acadêmica específica;

- Pensamento abstrato, criador e produtivo;

- Capacidade psicomotora;

- Liderança inata;

- Talentos e habilidades especiais para artes plásticas, cênicas, músicas e outras. 

Além disso, a criança superdotada é reconhecida por possuir:

- Vocabulário rico;

- Grande motivação para aprender e participar;

- Imensa curiosidade;

- Organização personalizada em relação aos seus brinquedos, objetos pessoais e material escolar;

- espírito de independência;

- Interesse por problemas complexos e persistente esforço em encontrar soluções;

- Gosto por jogos que exigem raciocínio e paciência;

- Dificuldade em aceitar autoridade excessiva;

- Grande senso de humor;

- Facilidade de compreensão, facilidade para análise, associação, generalização e avaliação de conhecimentos recebidos.

 

DO GÊNIO DA FÍSICA AO CRAQUE DA BOLA

Os superdotados são, muitas vezes, chamados de gênios.  Um termo tecnicamente errado, segundo os especialistas, que consideram os gênios num degrau acima dos superdotados.  “Gênio é uma pessoa que domina profundamente diversas áreas do conhecimento e produz obras de qualidade durante toda a vida, como o italiano polivalente Leonardo da Vinci”, exemplifica a pedagoga Léa Beatriz de Castro, do Serviço de educação Especial da Secretaria da Educação de São Paulo.  Nessa categoria entram, ainda, personalidades que mudaram o rumo da história, tal como o físico  Albert Einstein, o biólogo Charles Darwin e o psiquiatra Sigmund Freud.  Os talentosos estão, por sua vez, um degrau abaixo dos superdotados e um acima dos considerados normais.  Em geral, eles tem ótimo desempenho e constância em apenas uma área.  E entre os superdotados, podem ser classificados vários tipos, conforme as áreas de maior interesse, a seguir:

ACADÊMICO:  Caracterizado por aptidão acadêmica específica, grande capacidade de concentração, rapidez de aprendizagem, habilidade para avaliar, sintetizar e organizar o conhecimento.

CRIATIVO:  Possui originalidade, imaginação, capacidade para resolver problemas de forma inovadora, facilidade de expressão, fluência e flexibilidade.

INTELECTUAL:  Apresenta rapidez e fluência de pensamento abstrato no que diz respeito a boa memória, associações de ideias, julgamento crítico e alta capacidade de resolver problemas.

PSICOMOTOR OU ESPORTIVO:  Apresenta habilidade e interesse pelas atividades psicomotoras, relacionados à velocidade, agilidade de movimentos, força e resistência, controle e coordenação motora.

SOCIAL:  Revela capacidade de liderança, atitude cooperativa, sociabilidade, alto poder de persuasão e de influência no grupo.

TALENTO ESPECIAL:  Destaca-se na área das artes plásticas, musicais, dramáticas, literárias ou técnicas.

DESTAQUE PARA:  Machado de Assis, Galileu Galilei, Newton, Pelé.

Fonte:  Revista Superinteressante

Pesquisa/Postagem:  Nell Morato