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Romantismo no Brasil - Prosa
Romantismo no Brasil - Prosa

 

A prosa literária brasileira começa de fato no Romantismo, com os folhetins, que são histórias publicadas em capítulos nos jornais.  Quando uma dessas histórias fazia sucesso, era lançada em forma de livro.  Assim nasceram quase todos os romances importantes do século XIX no Brasil.

 

TENDÊNCIAS DO ROMANCE ROMÂNTICO

De acordo com o tema principal que desenvolvem, os romances românticos podem ser classificados em:

  • Romance urbano – desenvolve temas ligados à vida na cidade.
  • Romance sertanejo ou regionalista – aborda temas e situações que se passam longe dos centros urbanos.  Focaliza a gente do interior, com seus costumes e valores peculiares.
  • Romance histórico – volta-se para o passado, numa reinterpretação nacionalista de fatos e personagens da nossa história.
  • Romance indianista – enfoca a figura do índio, idealizando-o.

 

MANUEL ANTÕNIO DE ALMEIDA

Em 1852, os capítulos semanais do folhetim Memórias de um sargento de milícias, publicados pelo Correio Mercantil, do Rio de Janeiro, começam a fazer sucesso entre os leitores cariocas.  Ninguém sabia quem era o autor, pois ele se escondia atrás do pseudônimo “Um brasileiro”.  Mas com certeza era alguém  que conhecia muito bem os becos, as praças, as tradições e os tipos humanos da cidade do Rio de Janeiro, onde transcorria a história.  Publicado mais tarde em livro, esse folhetim do carioca Manuel Antônio de Almeida (1831-1861) passou a ocupar um lugar especial na história do nosso Romantismo.

Memórias de um sargento de milícias

Memórias de um sargento de milícias mostra a vida da gente do povo, que vive nas casinhas simples do Rio de Janeiro “do tempo do rei” (D. João VI).  A figura central, que garante a unidade das várias ações que se sucedem num ritmo Bastante dinâmico, é Leonardo, filho enjeitado de Leonardo Pataca e Maria da Hortaliça e que foi criado pelos padrinhos: a parteira (a comadre) e um barbeiro (o compadre).

O romance conta as peripécias de Leonardo, seus casos com a mulata Vidinha, o namoro sério com Luisinha (com quem acaba casando-se no final) e seus planos para conseguir escapar da vigilância do severo major Vidigal, sempre de olho nele.

 

JOAQUIM MANUEL DE MACEDO

Extraindo da vida social da época personagens e situações, Joaquim Manuel de Macedo (1820-1881) transpunha para o romance os tipos humanos que circulavam pelas casas e festas burguesas do Rio de Janeiro: o estudante conquistador, a moça namoradeira, o velhote metido a galã.  As paisagens eram as praias desertas e convidativas ou as matas da Tijuca, por exemplo.

Além da estruturação do enredo – arte de prender a atenção do leitor, que Macedo rapidamente dominou -, a linguagem  simples e coloquial é outro aspecto que aproxima ainda mais o autor de seu público.  Suas personagens falam dos mesmos assuntos que as pessoas de seu tempo, usando a mesma linguagem.

Dos romances que escreveu, destacam-se A Moreninha e O Moço Loiro.

 

BERNARDO GUIMARÃES

Quando esquentavam os debates sobre a questão abolicionista, Bernardo Guimarães (1825-1884) escreveu o romance A escrava Isaura, uma obra que apresenta todos os elementos tipicamente românticos e, apesar do título, não chega a enfrentar o problema da escravidão.  É um caso de amor que move o romance, e não o problema social e humano da escravidão.

 

TAUNAY

O interior do Brasil, com seus tipos humanos característicos e suas rígidas normas de comportamento social e familiar, constitui uma fonte de grande interesse para os escritores românticos, que na verdade, abriram o filão do romance sertanejo para a nossa literatura.  A obra Inocência, de Alfredo d’Escragnolle Taunay (1843-1899), é considerada o melhor romance sertanejo do Romantismo.

Taunay deixou uma obra extensa, composta de romances, contos, peças de teatro, memórias, etc. Seus principais livros são:  Inocência (1872) e A Retirada da Laguna (1874), diário de guerra).

O romance Inocência transcorre no ambiente rústico do interior do Mato Grosso.  A jovem Inocência  apaixona-se por Cirino, curandeiro ambulante que passava por médico e fora levado a sua casa pelo pai, Pereira, um mineiro rude, para tratar da saúde dela.  Cirino é o primeiro homem a despertar-lhe realmente as emoções do amor, criando nela uma grande perturbação íntima, pois estava prometida ao rude vaqueiro Manecão.

Além de Cirino, encontra-se na casa de Pereira um naturalista alemão, Meyer, que estava no Brasil à procura de novas espécies de borboletas.  Desconhecendo os preconceitos que marcavam a vida familiar sertaneja, Meyer não esconde sua admiração pela beleza de Inocência .  Isso preocupa Pereira, que passa a vigiá-lo constantemente, dando oportunidade a Cirino de comunicar-se mais facilmente com a moça.

Com a partida de Meyer, as coisas se complicam, aumentando o medo de Inocência, que teme uma reação violenta do pai caso venha a saber o romance.  A jovem instruiu Cirino a procurar seu padrinho para que ele convença Pereira a concordar com o rompimento do compromisso com Manecão.  Ma ausência de Cirino, porém, o idílio é descoberto por Tico, um anão que espreitava continuamente Inocência.  Manecão persegue Cirino e o mata.  Algum tempo depois, morre Inocência.

 

JOSÉ DE ALENCAR

José de Alencar (1829-1877) escreveu crônicas e peças de teatro, mas destacou-se como o mais importante prosador do nosso Romantismo.  Sua obra pode ser assim esquematizada:

  • Romance social ou urbano: Cinco Minutos, A viuvinha, Lucíola, Diva, A pata da gazela,Sonhos d’ouro, Senhora, Encarnação.
  • Romance regionalista: O gaúcho, O tronco do Ipê, Til, O sertanejo.
  • Romance histórico: O guarani, As minas de prata, A guerra dos mascates.
  • Romance indianista: Iracema, Ubirajara.

 

Nos romances sociais, Alencar revela seu talento de observador da alma humana, fazendo o estudo de certas figuras femininas.  A esses estudos ele deu o nome de “perfis femininos”, dentre os quais se destacam o de Aurélia (em Senhora) e de Lúcia (em Lucíola).  Alguns anos depois, Machado de Assis aprofundaria essa linha de análise psicológica do romance brasileiro.

Alencar destaca-se também por ter defendido um estilo “brasileiro” na língua literária.  Reivindicando o direito dos brasileiros a uma língua e literatura com fisionomia própria (porque isso era uma inevitável consequência do nosso desenvolvimento como nação independente), Alencar protestou contra os puristas, que achavam que nossos escritores deveriam escrever tal como se fazia em Portugal: “É essa submissão que eu não tolero; e, como já disse uma vez, quebraria a pena antes, do que aceitar semelhante expatriação literária.  Admiremos Portugal nas tradições grandiosas de seu passado; nos esforços generosos de seu renascimento; prezemos sua literatura e seus costumes; porém, nunca imitá-lo servilmente.  Importaria anular a nossa individualidade.”

 

Senhora

No romance Senhora, José de Alencar compôs seu último e mais bem cuidado perfil feminino:  o de Aurélia Camargo, moça órfã e pobre, dotada de grande firmeza de caráter.

Ela se apaixona por Fernando Seixas e é correspondida.  Ele também é pobre, sustenta a mãe viúva e duas irmãs solteiras.  Mas gosta de se exibir nos círculos sociais cariocas como um rapaz elegante, “bem de vida”.  Para isso, não economiza e, levado pela vaidade, acaba deixando a família em grandes dificuldades financeiras.  Sem saber o que fazer, age da forma mais leviana possível: desmancha seu noivado com Aurélia e dispõe-se a casar com uma moça rica, Adelaide, a quem não amava.

Entretanto, com a morte do avô, Aurélia recebe inesperadamente uma grande herança e torna-se muito rica da noite para o dia.  Movida pelo despeito, resolve tentar “comprar” seu ex noivo.  Está disposta, no entanto, a confessar-lhe que ainda o ama e o quer para marido se ele mostrar a dignidade de recusar a proposta humilhante.  Por meio de negociações secretas, Fernando recebe a proposta: casar-se com uma bela moça milionária sob a condição de só vir a conhecê-la alguns dias antes do casamento.

Fernando aceita a proposta.  Ao saber que se trata de Aurélia, fica surpreso e feliz, mas não se dá conta de que, aos olhos dela, ele se degradara. Na noite de núpcias, ela o humilha chamando-o de “vendido”.  Ferido em seus brios, ele resolve recuperar sua dignidade para deixar de ser “escravo da senhora”, pois foi comprado por ela.  Trabalha com afinco e depois de onze meses, durante os quais os dois conviveram como estranhos dentro da mesma casa, sem se tocarem, torturando-se com ironias, mas dando aos outros a aparência de um casal feliz, Fernando consegue juntar e devolver a Aurélia a quantia que ela havia pago por ele.

Dessa forma, Fernando amadurece, recupera sua dignidade e revaloriza-se diante de Aurélia.  Eliminado então o motivo vergonhoso que os separava, ela sente-se livre para suplicar-lhe que aceite seu amor, já que nunca deixara de amá-lo.  O final é a reconciliação dos dois e a vitória do amor.

O enredo desenvolveu-se como uma transação comercial, o que, aliás, é indicado pelos próprios títulos das quatro partes em que se divide o romance: preço, quitação, posse e resgate.

 

Iracema, a virgem dos lábios de mel

Em Iracema, Alencar criou uma explicação poética para as origens de sua terra natal.  A virgem dos lábios de mel tornou-se símbolo do Ceará , e seu filho Moacir – nascido de seus amores com o colonizador português Martim -, representa, segundo Alencar, a formação do povo brasileiro.

Baseando-se em alguns fatos históricos da época da colonização, Alencar imaginou o amor entre Iracema, a virgem tabajara consagrada a Tupã, e Martim, guerreiro branco inimigo dos tabajaras.  Por esse amor, ela abandona sua tribo e vai viver com o inimigo de seu povo.  Quando, mais tarde, percebe que Martim sente saudades de sua terra natal e talvez de alguma outra mulher, começa a sofrer.  Tem o filho, Moacir, enquanto Martim está lutando em outras regiões.  Quando ele regressa, Iracema está muito fraca.  Ela morre e Martim parte com o filho

 

O NASCIMENTO DO TEATRO  

A influência dos hábitos culturais da Corte portuguesa, transferida para o Rio de Janeiro em 1808, foi fundamental para a valorização do teatro na sociedade carioca do começo do século XIX.  Companhias portuguesas de teatro e ópera passaram a visitar o Rio de Janeiro periodicamente, difundindo o gosto por esse tipo de atividade artística e criando condições para que, na década de 1830, surgisse um movimento em prol da criação de um teatro brasileiro, em consonância com o clima nacionalista da época.

Esse movimento teve no ator e empresário João Caetano (1808-1863) sua figura mais importante.  Ele fundou, em 1833, a Companhia Dramática Nacional e, no ano seguinte, deu a seu teatro o nome de Teatro Nacional.  Em 1836, o poeta Gonçalves de Magalhães entregou-lhe a peça Antônio José ou O poeta e a inquisição – primeira obra teatral de assunto e autor brasileiros -, encenada dois anos mais tarde.  Em 1843, criou-se o Conservatório Dramático e, em 1855, o Teatro Ginásio Dramático renovou o entusiasmo em favor do teatro brasileiro.

 

Autores e obras principais

  • Martins Pena (1815-1848): A linguagem e o ambiente de suas peças são predominantemente populares e retratam de forma viva e pitoresca o Rio de janeiro da época.  Suas peças mais famosas são: O juiz de paz da roça (1842), O judas em sábado de aleluia (1846), Os irmãos das almas (1845), O noviço (1853), Os dois ou O inglês maquinista (1871).
  • Joaquim Manuel de Macedo: Foi membro ativo do Conservatório Dramático do Rio de Janeiro, tendo escrito muitas comédias de cunho social, das quais a mais famosa é A torre em concurso (1863).
  • Gonçalves Dias: Seu nome é lembrado na história do teatro brasileiro como autor do importante drama histórico Leonor de Mendonça (1847).
  • José de Alencar: Abordou o tema da escravidão no drama Mãe (1860) e desenvolveu a crítica social na comédia O demônio familiar (1857).  Escreveu ainda Verso e reverso (1857) e As asas de um anjo (1858).