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Romantismo em Portugal
Romantismo em Portugal

 

 

Uma característica que distingue o escritor romântico dos escritores de outras épocas é o gosto pela confissão plena  dos sentimentos e emoções que agitam seu íntimo, numa atitude individualista e profundamente pessoal, que recusa o controle da razão.  É o triunfo da paixão e da sensibilidade.

 

O TRIUNFO DA PAIXÃO

As primeiras manifestações do Romantismo surgiram por volta da metade do século XVIII, na Escócia e na Inglaterra, quando alguns escritores passaram a falar da natureza e do amor num tom bem pessoal e melancólico, fazendo da literatura uma forma de desabafo sentimental.  Além disso, voltaram-se para os tempos medievais, época da formação de suas nações, valorizando os heróis e as tradições populares, numa reação à cultura aristocrática que ainda vigorava.

Os escritores românticos abandonaram o tom solene e as rígidas regras de composição poética, adotando um estilo mais simples e comunicativo.  Os poetas criaram novos ritmos e variaram as formas métricas.  Essa liberdade de expressão, aliás, é uma das características principais do Romantismo e constitui um aspecto importante para a revitalização da literatura ocidental.

 

Duas revoluções que influenciaram a arte

Dois fatos importantes da história europeia marcaram o período em que de desenvolveu o Romantismo: a Revolução Industrial e a Revolução Francesa.  Juntas, provocaram o fim do absolutismo na Europa e incentivaram a livre iniciativa, o individualismo econômico e o liberalismo político, estimulando também o nacionalismo.  Esse clima de liberdade e renovação marcou profundamente a literatura da época.

Victor Hugo (1802-1885), poeta e prosador do Romantismo francês, declarou: “A liberdade literária é filha da liberdade política.  Eis-nos libertos da velha forma social; e como não nos libertaríamos da velha forma poética?  A um povo novo, uma nova arte”.

Uma das consequências da difusão dos ideais de liberdade da Revolução Francesa e do avanço militar de Napoleão sobre a Península Ibérica foi o movimento de independência das colônias da Espanha e de Portugal na América, ocorrido no período de 1810 a 1828. Esses movimentos foram idealizados pelas elites locais e conduziram a regimes republicanos, com exceção do Brasil, que se tornou uma monarquia em 1822.

O ROMANTISMO EM PORTUGAL

O marco inicial do Romantismo português é a publicação, em Paris, do poema “Camões”, em 1825, em que o autor Almeida Garrett, faz uma espécie de biografia sentimental do famoso poeta-soldado.  Mas o Romantismo como movimento literário firma-se só a partir de 1836, com a criação da revista Panorama, na qual se publicam textos já claramente românticos de importantes escritores portugueses.

Os principais autores do Romantismo em Portugal são Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo castelo Branco e Júlio Dinis.

 

Almeida Garrett

“Não sou clássico nem romântico!” Era assim que Garrett se definia.  Não escrevia conforme os padrões do Classicismo, tampouco aceitava o rótulo de escritor romântico, isto é, absolutamente sentimental e egocêntrico.  De fato, sua obra de poeta, prosador e dramaturgo não mostra os impulsos emocionais que caracterizam o típico escritor romântico.  Mas, de qualquer forma, Almeida Garrett teve um papel importante como introdutor das ideias do Romantismo em Portugal.

De sua obra, merecem destaque os livros de poesia Camões, Dona Branca e Folhas caídas, o romance Viagens na minha terra e a peça de teatro Frei Luís de Souza.

 

Frei Luís de Souza

A peça Frei Luís de Souza gira em torno da trágica história de Manuel de Souza Coutinho e Madalena de Vilhena.  O marido de Madalena, D. João de Portugal, é dado como morto na batalha de Alcácer-Quibir, na África.  Depois de algum tempo, Madalena casa-se com Manuel de Souza Coutinho.

Passados muitos anos, porém, D. João retorna e se apresenta a Madalena disfarçado de romeiro.  Descoberta a verdade, Madalena e Manuel de Souza Coutinho ficam angustiados, pois estão mergulhados na desonra e no pecado.  Desesperados, ingressam na vida religiosa e ele se torna o frei Luís de Souza.

 

Alexandre Herculano

Alexandre Herculano (1810-1877) escreveu prosa de ficção de fundo histórico:  O bobo, cuja ação transcorre na época da instauração da monarquia portuguesa, em 1128; Monasticon, título geral que reúne dois romances de assunto monástico – Eurico, o presbítero e O monge de Cister. Deixou ainda Lendas e narrativas, episódios medievais a que ajuntou um de sua própria época – “O pároco da aldeia”.

A sua produção como poeta  possui um tom reflexivo que o afasta dos poetas tipicamente românticos, cuja característica principal é a expressão plena dos sentimentos e emoções.  Suas poesias foram publicadas nos livros A voz do profeta e A harpa do crente.

Deixou também muitos ensaios e textos jornalísticos, além de uma coleção incompleta de documentos históricos medievais – a Portugaliae monumenta histórica.

 

Eurico, o presbítero

A ação do romance Eurico, o presbítero transcorre na época em que a Península Ibérica é invadida pelos árabes, no século VIII, antes da formação do reino português.  As lutas desse período turbulento servem de pano de fundo para a narração do destino de Eurico.

Apaixonado por Hermengarda, mas repelido pelo pai dela, Eurico, desesperado, refugia-se na vida sacerdotal, curando afogar sua frustração amorosa.  A invasão dos árabes, porém, desperta-o de seu retiro e inflama-o

Disfarçado em um misterioso cavaleiro negro, participa corajosamente das batalhas em defesa da Espanha, que, no entanto, não consegue resistir ao inimigo.  Mas o amor por Hermengarda estava apenas adormecido durante esse tempo e ressurge violentamente quando eles se reencontram.

A situação de Eurico – sacerdote obrigado ao celibato, portanto impedido de casar-se – impossibilita a união.  Desesperado, Eurico se lança à luta decidido a morrer.  Hermengarda enlouquece.

 

Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco (1825-1890) é considerado o criador da novela passional portuguesa, de que Amor de Perdição é o melhor exemplo.  De sua Grande produção ficcional, destacam-se as novelas:

  • Passionais: Amor de perdição, Carlota Ângela, Amor de salvação.
  • Satíricas: Coração, cabeça, estômago, A queda de um anjo.
  • De influência realista: Eusébio Macário, A corja, A brasileira de Prazins.

Amor de perdição

Simão e Teresa são vizinhos.  Ele tem 17 anos; ela, 15.  Apaixonam-se profundamente, mas suas famílias são inimigas e nunca permitiriam esse namoro.  Assim que ficam sabendo desse amor, as respectivas famílias tomam providências para afastá-los.  Simão é enviado para outra cidade e Teresa é constrangida a aceitar casamento com o primo Baltasar.

Como uma perfeita heroína romântica, ela se recusa a trair seu amor e prefere encerrar-se num convento.  Com a ajuda do ferreiro João da Cruz e de sua filha Mariana, Simão volta e, numa disputa com Baltasar, acaba matando o rapaz.  É preso e condenado à morte.  Enquanto Teresa padece no convento, Simão tem sua pena de morte transformada em exílio, devendo embarcar para a Índia, onde ficará dez anos.  Mariana, que o ama em segredo, resolve dedicar-se a ele até o fim da vida e o acompanha na viagem.