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Rock na Universidade
Rock na Universidade

ROCK NA UNIVERSIDADE

 

Simpósio reuniu 18 trabalhos de pesquisadores em agosto, na Unisinos.  O evento foi fruto de projeto de pós-graduação da  instituição com a Universidade de Salford, na Inglaterra, e analisa como a cena musical se torna também herança cultural das cidades.

“A pesquisa se dá justamente na apropriação dessas memórias afetivas do espaço urbano, cenas, territórios e se transforma nas nossas heranças musicais.”

 

Você já parou para pensar como sua cidade influencia no que você ouve e nas festas que você frequenta?  Com o objetivo de analisar de que maneira a cena musical se torna também herança cultural das grandes metrópoles, mais de 18 trabalhos foram apresentados no simpósio “Mapeando cenas da música pop: cidades, mediações, arquivos”.  O evento, ocorreu nos dias 25 e 26 de agosto, no Labtics, no Campus da Unisinos de São Leopoldo, é resultado do Poa Music Scenes, projeto de pós-graduação da instituição com a Universidade de Salford, em Manchester, na Inglaterra.  “Começamos esse projeto em 2014 com o financiamento do Programa Ciências Sem Fronteiras.  A Universidade de Salford é parceira, pois a Inglaterra tem uma cena musical muito forte, principalmente nas cidades de Manchester e Liverpool.  Com essa parceria, fazemos a ligação dos resultados das pesquisas feitas lá e das feitas aqui, em Porto Alegre, nas cenas de Rock e Música Eletrônica, que tem mais adeptos jovens e que acabam não sendo tão estudadas dentro da cultura musical brasileira, onde se dá destaque à MPB e à Bossa Nova”, explica a coordenadora técnica do projeto, professora doutora Adriana Amaral.

 

Professor pesquisador visitante, o doutor Michael Goddard, da Universidade de Salford, comenta a relação da música com as cidades.  “Hoje a tecnologia digital nos possibilita muita pesquisa e informação, mas os shows, clubs, selos e gravadoras, junto com as lojas de discos e outros espaços, criaram o primeiro contexto das indústrias criativas das metrópoles no que diz respeito à música.  A pesquisa se dá justamente na apropriação dessas memórias afetivas do espaço urbano, cenas, territórios e se transforma nas nossas heranças musicais.”

 

Aluno de pós-doutorado em Comunicação na Unisinos e pesquisador do Poa Music Scenes, Marcelo Bergamin Conter coordenou a primeira mesa do evento que tratou sobre a cena da música pop no Rio Grande do Sul, além de apresentar sua pesquisa “Da retromania à arqueologia nostálgica da mídia: retornos do passado tecnocultural na música eletrônica gaúcha”.  “Pesquisando sobre isso nos sentimos como arqueólogos. Cada cartaz e ingresso dos shows de antigamente montam e contam a história da nossa cena musical de Porto Alegre.

 

Entre os trabalhos que serão apresentados, destacam-se aqueles que narram o cenário musical do rock gaúcho, como o da estudante Caroline Govari Nunes, que analisou duas apresentações ao vivo da banda Cachorro Grande.  Já a acadêmica Belisa Giogis escreveu seu trabalho a partir da performance Acústico-Sucateiro da banda Apanhador Só.  “É muito interessante ver essa diversidade de rock que temos no estado sendo estudadas, além é claro dos clássicos como o Amigo Punk, que foi objeto de estudo do professor Ivan Bomfim.  Ele analisou as estruturas da música e o sentimento da cultura gaúcha que ela representa”, complementa Conter.

 

Já a coordenadora técnica do Poa salienta que as culturas de outros estados brasileiros também ganham destaque na programação.  “Tivemos uma apresentação sobre a Cena das Bandas de Rua no Rio de Janeiro, proposta pela Lucimara Rett, e ainda um espaço para o papel social que a música tem, já que muitas comunidades são formadoras de estilos músicas e de artistas de novas cenas musicais.  Esse debate se deu na apresentação da professora da Universidade Federal do Pampa Luana Zambiazzi dos Santos.”  Além da música, as imagens foram muito presentes ao longo da programação do Poa, que contou com a exibição de um documentário sobre mulheres bateristas do estado e ainda um grande painel que mostrou imagens da memória musical da Capital.   Quem não pode comparecer ao evento, que foi gratuito mediante inscrição prévia, pode acompanhar as apresentações pela internet.  Todas as informações estão disponíveis no site http://www.poamusicscenes.com.br.  Também no portal do evento é possível visualizar o mapa com os roteiros musicais de Porto Alegre.

 

O material foi criado pelos pesquisadores com a contribuição de participantes da cena musical gaúcha, como o vocalista da tequila Baby, Duda Calvin, e o músico e coordenador do curso de Formação de Produtores e Músicos de Rock da Unisinos, Frank Jorge.  “O mapa traça os locais que tiveram a maior contribuição para a cena musical da Capital gaúcha, com destaque para a Lancheria do Parque, tradicional encontro de músicos, bandas e produtores, o Bar Opinião e o antigo Garagem hermética, que hoje abriga um novo espaço musical”,, explica Conter.  Jorge, que é vocalista da Graforréia Xilarmônica, também participou da mesa de debate “Produtores de rock e música eletrônica no Rio Grande do Sul, com participação de Ticiano Paludo, e Madblush, além de um quarto membro.

 

Fonte:  Correio do Povo/Stephany Sander em 21/8/2016