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Relação Entre Sentido e Contexto
Relação Entre Sentido e Contexto

 

 

RELAÇÃO ENTRE SENTIDO E CONTEXTO

 

Neste capítulo, você vai ver as funções da linguagem, a diferença entre o texto que é literário e o que não é, e também vai aprender sobre as figuras de linguagem.

 

FUNÇÕES DA LINGUAGEM

Nas frases abaixo, estabelece-se uma situação comunicacional em que Hagar (o emissor) transmite uma mensagem a seu amigo Eddie (o receptor):

Hagar:  “Meu Hamlet é afiado como uma lâmina!”

Eddie:  “Não diga! Não dói quando você o abraça?”

O código usado  íngua portuguesa e o canal, a língua oral.  O referente (assunto da mensagem) é Hagar falar a respeito da inteligência do filho e Eddie entender outra coisa.

A realização da comunicação depende de seis fatores principais.  Veja cada um deles em particular:

- EMISSOR (ou locutor) – quem fala ou transmite a mensagem a alguém.

- RECEPTOR (ou interlocutor) – quem recebe a mensagem comunicada pelo                   emissor.

- MENSAGEM – a informação ou o texto transmitido pelo emissor.

- CÓDIGO – o sistema de sinais que permite a compreensão da mensagem.

- CANAL – o meio empregado para o envio da mensagem.

- REFERENTE – o contexto ou o assunto da mensagem.

Em todo processo de comunicação, a linguagem é expressa de acordo com a função que se deseja enfatizar.  No momento em que se estabelece uma comunicação verbal, um dos fatores essenciais vistos acima acaba prevalecendo e determinando uma das funções da linguagem.

Há seis funções da linguagem:  emotiva, referencial, apelativa, fática, metalinguística e poética.

 

FUNÇÃO EMOTIVA (OU EXPRESSIVA)

Na função emotiva, dá-se ênfase à linguagem do emissor.  Observa-se o envolvimento pessoal do emissor, que comunica sentimentos, inquietações, emoções, avaliações e opiniões centradas na expressão do “eu”, do seu mundo interior. Em geral, os textos poéticos são bons exemplos as função porque apresentam uma linguagem subjetiva que enfoca as próprias sensações do emissor.

Veja este poema de Alberto Caro (heterônimo de Fernando Pessoa) e observe como são explorados pronomes e verbos na 1ª pessoa:

O guardador de rebanhos

V

“Há metafísica bastante em não pensar em nada.

O que penso eu do mundo?

Sei lá o que penso do mundo!

Se eu adoecesse pensaria nisso.

 

Que ideia tenho eu das cousas?

Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?

Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma

E sobre a criação do Mundo?

(...)”

                        PESSOA, Fernando. Obra completa.

                         Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1982.

                                  

FUNÇÃO REFERENCIAL (OU DENOTATIVA)

Essa função ocorre quando o destaque na comunicação é o referente, ou seja, o objeto da mensagem ou a situação nela abordada.  A intenção do emissor é transmitir informações sobre o referente.  Os textos científicos, jornalísticos e didáticos representam exemplos dessa função da linguagem.

Leia o texto jornalístico a seguir, em que o emissor transmite a mensagem ao receptor, informando-lhe sobre os riscos do uso excessivo do petróleo.

            O mundo sem petróleo

“Em breve, os seres humanos terão de aprender a viver sem o petróleo.  Não porque ele vá acabar no futuro próximo – os especialistas garantem que as reservas mundiais são mais do que suficientes para satisfazer as necessidades do planeta por até 75 anos.  Mas porque continuar usando o combustível que move a economia mundial com essa voracidade faz mal à saúde da Terra. (...)”

            Almanaque 2003 – Superinteressante. São Paulo: Abril.

 

 

FUNÇÃO APELATIVA (OU CONATIVA)

Aqui, o objetivo da transmissão da mensagem é persuadir o receptor.  Os melhores exemplos são os textos publicitários, pois visam envolver o leitor, influenciar seu comportamento e seduzi-lo com uma mensagem persuasiva.

Observe o texto a seguir, extraído de um anúncio publicitário, uma característica típica da função apelativa: verbos empregados no modo imperativo (fuja, escolha, procure) e pronomes na 2ª ou na 3ª pessoas (o seu agente de viagens)

            Fuja do engarrafamento.

“UMA SEMANA EM BÚZIOS A PARTIR DE R$ 290,00.  É MAIS DO QUE UM PACOTE.  É UM PRESENTE.

            Vinte e seis praias numa cidade-resort.  O primitivo em harmonia com o sofisticado a poucas horas de São Paulo.  Escolha a pousada com café da manhã e um passeio de barco grátis.

 Procure o seu agente de viagens e conheça este pacote nos mínimos detalhes.” 

 

 

FUNÇÃO FÁTICA (OU DE CONTATO)

Na função fática, enfatiza-se o canal de comunicação ou de contato.  A intenção é iniciar um contato por meio de cumprimentos (“Olá”, “Como vai?”, “Bom dia”) ou de uma abordagem coloquial objetiva e rápida (“Está tudo bem?”, “Você precisa de ajuda?”).

Observe, no texto a seguir, que as personagens visam uma interação verbal.

            Sinal fechado

“Olá, como vai?

Eu vou indo e você, tudo bem?

Tudo bem, eu vou indo, correndo

Pegar meu lugar no futuro, e você?”

            VIOLA, Paulinho da. LP Foi um rio que passou

em minha vida, EMI, 1970.

 

FUNÇÃO METALINGUÍSTICA

A função metalinguística tem como fator essencial o código.  O objetivo da mensagem é referir-se à própria linguagem.  Podem-se encontrar exemplos dessa função em uma cena de filme que analise o cinema, em um poema que fale sobre o poeta e a poesia, em verbetes de dicionários, em textos que estudem e analisem outros textos.

 

FUNÇÃO POÉTICA

A função poética ocorre quando se enfatiza a mensagem ou o texto, quando é trabalhada a própria forma da linguagem.  A ênfase recai sobre a construção do texto, a seleção e a disposição de palavras no texto.  Essa função é mais encontrada em poemas, mas aparece também em textos publicitários, em prosa e em outros.

Observe esta mensagem.  O som, o ritmo, os jogos de ideias e de imagens são explorados no texto, e a linguagem pode atrair o leitor.

Tecendo a manhã

“Um galo sozinho não tece uma manhã :

Ele precisará sempre de outros galos.

De um que apanhe esse grito que ele

E o lance a outro; e de outros galos

Que com muitos outros galos se cruzem

Os fios de sol de seus gritos de galo,

Para que a manhã, desde uma teia tênue,

Se vá tecendo, entre todos os galos

(...)”

            MELO NETO, João Cabral de, Poesias completas.

                                    Rio de Janeiro: José Olympio, 1986.

 

TEXTO LITERÁRIO E TEXTO NÃO LITERÁRIO

Os dois textos a seguir desenvolvem conteúdos semelhantes.  Ambos falam sobre criar e mentir.  Apesar de o assunto ser parecido, os autores apresentam abordagem, forma e linguagem diferentes.

Leia os textos, observando a linguagem:

Texto 1

            Mentira ou ficção?

“De tanto inventar histórias para distrair seus amigos, o alemão Karl Friedrich Hieronymus, barão de Munchhausen (1720-1797), que serviu como mercenário  no exército russo na guerra contra os turcos em 1740, acabou entrando para a história como um grande mentiroso, graças ao livro, por sinal publicado anonimamente em 1785, do escritor alemão Rudolph Erich Raspe (1737-1794).  De volta dos campos de batalha, o barão contou, por exemplo, como se safara de um pântano onde caíra: puxando a si mesmo pelos cabelos.  Em outra peripécia, salvou-se da morte cavalgando balas de canhão disparadas pelo inimigo.  Entre uma aventura e outra, ainda achou tempo para ir à lua – duas vezes.

Mas não há literatura que não tenha seus campeões da mentira – real ou imaginária.  O escritor francês Alphonse Daudet (1840-1897) celebrizou-se graças às aventuras mentirosas de seu personagem Tartarin de Tarascon, um burguês baixinho, com certa tendência à obesidade, que se imaginava um valente herói e saía contando peripécias nunca vividas.  No Brasil, o mentiroso Macunaíma, de Mário de Andrade, nem fez questão de fingir ser herói: covarde como só ele e sem nenhum caráter, Macunaíma mentia o tempo inteiro para se safar de qualquer problema – dizer a verdade, aliás, lhe dava preguiça. (...)”

            Superinteressante, São Paulo: Abril, ago. 1993.

                                              

 

Texto 2

Isto

“Dizem que eu finjo ou minto

Tudo o que escrevo. Não.

Eu simplesmente sinto

Com a imaginação.

 

Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,

O que me falha ou finda,

É como que um terraço

Sobre outra coisa ainda.

Essa coisa é que é linda.

 

Por isso escrevo em meio

Do que não está ao pé,

Livre do meu enleio,

Sério do que não é.

Sentir? Sinta quem lê!”

            PESSOA, Fernando. Antologia poética de Fernando

                                   Pessoa, Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.

                                                          

 

O texto 1 é informativo, com dados precisos e objetivos.  O autor apresenta datas, cita alguns escritores que criaram histórias fantásticas e personagens como Macunaíma.

A linguagem desse texto é denotativa, objetiva, direta e impessoal, não há  exploração de imagens ou figuras de linguagem.  Portanto, trata-se de um texto não literário.

No texto 2, o eu lírico nega ser um mentiroso ao escrever e explica que seus versos nascem de sua imaginação e não do coração. Ele compara sua vida a um “terraço”.  Debaixo desse terraço, caminham seus pensamentos, sua imaginação, fluindo sua inspiração de poeta.  Cabe ao leitor a sensibilidade de usufruir essa criação.

Nesse texto literário, a linguagem é conotativa, subjetiva e repleta de significados, com o uso de figuras de linguagem e o emprego de rimas, que dão ao texto um ritmo melódico.  Mas o texto literário não é escrito apenas em versos com rimas.  Um texto é literário se a sua linguagem apresenta sentidos ou conotações incomuns, que possibilitam múltiplas interpretações, opondo-se à linguagem informativa ou referencial.

TEXTO NÃO LITERÁRIO apresenta uma linguagem com sentido denotativo.  As palavras não assumem tantos significados como no texto literário.  Os fatos fazem parte da realidade e são apresentados de forma objetiva.

TEXTO LITERÁRIO apresenta uma linguagem com sentido conotativo.  Os fatos tem caráter ficcional: não fazem parte da realidade e são apresentados de forma subjetiva.

DENOTAÇÃO  é o emprego de uma palavra ou expressão no sentido literal.  A significação é atribuída de modo objetivo.

CONOTAÇÃO  é o emprego de uma palavra ou expressão no sentido figurado. A significação é ampliada ou modificada subjetivamente, e o sentido é entendido ou esclarecido pelo contexto.

 

FIGURAS DE LINGUAGEM

Leia o texto a seguir:

 

Metáfora

“Uma lata existe para conter algo

Mas quando o poeta diz: ‘Lata’

Pode estar querendo dizer o incontível

 

Uma meta existe para ser um alvo

Mas quando o poeta diz: ‘Meta’

Pode estar querendo dizer o inatingível

 

Por isso, não se meta a exigir do poeta

Que determine o conteúdo em sua lata

Na lata do poeta tudo/nada cabe

Pois ao poeta cabe fazer

Com que na lata venha caber

O incabível

 

Deixe a meta do poeta. Não discuta

Deixe a sua meta fora da disputa

Meta dentro e fora, lata absoluta

Deixe-a simplesmente metáfora.”

            Gilberto Gil, Um banda um. Disponibilidade:

                        http:www.gilbertogil.com.br.

                                              

Nessa letra de música, há um jogo com as palavras meta e lata (que substitui o termo palavra no texto), para mostrar que o poeta usa as palavras com extrema liberdade, dando-lhes uma conotação expressiva.  Ele cria novos termos, tal a riqueza dos significados que confere à própria palavra.

Como diz o texto, na palavra (lata) do poeta cabem o incontível e o inatingível, por isso ele não a emprega com um conteúdo determinado ou exato, mas de forma figurada (metáfora), cheia de imagens, permitindo ao leitor várias interpretações.

Esse recurso de expressão, chamado figura de linguagem, é muito explorado pelos escritores, principalmente na literatura.

FIGURAS DE LINGUAGEM são recursos semânticos usados para realçar e dar maior expressividade às palavras, permitindo emprega-las num sentido diferente do convencional.

Há inúmeras figuras de linguagem:  comparação, metáfora, antítese, personificação, metonímia, eufemismo, hipérbato, hipérbole e pleonasmo.

COMPARAÇÃO

 

“A tua mão é dura como casca de árvore.

Ríspida e grossa como um cacto.”  Cassiano Ricardo

 

“O poema é como um gole d’água bebido no escuro.” Mário Quintana

                       

No trecho de Cassiano Ricardo, a mão da personagem, por ter calos, ser escamada e seca, é comparada à casca da árvore.  No de Mário Quintana, o poema é comparado ao gole d’água, ou seja, aquilo que mata a sede de poesia, de encanto. E não é um gole d’água qualquer, mas aquele bebido no escuro, sentido com maior intensidade por quem está privado de um de seus sentidos.

Quando a conjunção como ou outros elementos comparativos (tal qual, assim como, tão... quanto, tanto... quando etc.) estão expressos na frase, a figura de linguagem chama-se comparação.

COMPARAÇÃO é uma figura de linguagem que estabelece uma relação de semelhança entre duas palavras ou expressões, atribuindo características de um termo a outro por meio de um elemento comparativo explícito.

 

METÁFORA

 

“Deixa em paz meu coração

Que ele é um pote até aqui de mágoa

E qualquer desatenção, faça não

Pode ser a gota d’água

                        HOLLANDA, Chico Buarque de,

                        Gota d’água. Disponibilidade:

                        http://www.chicobuarque.com.br

                       

Nesse texto compara-se o coração a um pote cheio de mágoa e a desatenção à gota d’água que faz o pote transbordar.Cada uma dessas comparações está subentendida, já que não são explicitamente empregados elementos comparativos.

METÁFORA é uma figura de linguagem que emprega uma palavra em sentido figurado, baseando-se em uma comparação subentendida entre dois termos.

 

ANTÍTESE

            Hagar:  Mulheres adoram fazer compras.

            Hagar:  Homens detestam fazer compras.

            Hagar:   Isso é o que se chama “relação amor-ódio”!

Nas frases, há uma oposição de ideias – chamada antítese – em que se vê o sentido contraditório entre as palavras adoram e detestam, como também em amor-ódio.

ANTÍTESE evidencia a oposição ou o sentido contrário das palavras ou ideias.

 

METONÍMIA

            “O bonde passa cheio de pernas

            Pernas brancas pretas amarelas.

            Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.”

                        ANDRADE, Carlos Drummond de, Alguma poesia.

                                   Rio de Janeiro: Record, 2001

                       

O eu lírico (aquele que “fala” no poema) refere-se às pessoas que estão no bonde e não apenas às pernas brancas, pretas e amarelas.  Nesse caso, ocorre a substituição de um termo por outro.  Essa figura de linguagem é conhecida como metonímia.

METONÍMIA é a substituição de uma palavra por outra com a qual tenha relação de semelhança de sentido.

 

EUFEMISMO

            Helga:  Vai passar o fim de semana todo na cama?

            Hagar:  Claro que não!

            Hagar:  Vou me levantar sempre que a natureza exigir.

            Na segunda frase, Hagar responde à sua esposa Helga: “Vou me levantar sempre que a natureza exigir”. Ele usa uma expressão mais polida ou educada; em vez de falar “Vou me levantar sempre que precisar ir ao banheiro”, suaviza o significado da expressão tornando-o mais agradável ao leitor e cria, assim, um eufemismo.

EUFEMISMO é a substituição de uma palavra ou expressão para suavizar ou atenuar intencionalmente seu significado.

 

HIPÉRBATO

            “Fica decretado que agora vale a verdade,

            Que agora vale a vida,

            E que de mãos dadas

            Trabalharemos todos pela vida verdadeira.”

                        MELLO, Thiago de, Faz escuro mas eu canto.

                        Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

           

Nesses versos, os termos da oração não estão a ordem direta, o que constitui hipérbato.  Colocando-os na ordem direta, o resultado ficaria assim:

            Fica decretado que a verdade vale agora

            Que a vida vale agora,

            E que todos trabalharemos pela vida v erdadeira,

            De mãos dadas.

 

            HIPÉRBATO é uma inversão da ordem direta dos termos da oração.

 

PERSONIFICAÇÃO OU PROSOPOPÉIA

            “Chega mais perto e contempla as palavras.

            Cada uma

            Tem mil faces secretas sob a face neutra

            E te pergunta, sem interesse pela resposta,

            Pobre ou terrível, que lhe deres:

            Trouxeste a chave?”

                        ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia completa e prosa.

                                                           Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1973.

           

 

No poema de Drummond, as palavras agem como se fossem uma pessoa dialogando com o leitor sobre a sua capacidade de entende-las.  Essa atribuição de dar vida às palavras chama-se personificação.

PERSONIFICAÇÃO ou PROSOPOPÉIA é a atribuição de atitudes e outras características de seres animados a seres inanimados, irracionais ou abstratos.

 

HIPÉRBOLE

            “... Mas a poesia deste momento

            Inunda minha vida inteira.”

                                                           Carlos Drummond de Andrade

Nos versos de Drummond, percebe-se um exagero na ideia de que a poesia irá “inundar” a vida.

HIPÉRBOLE é uma figura de linguagem que ocorre quando se escolhe usar uma palavra ou expressão exagerada, em geral para dar maior ênfase à frase.

 

PLEONASMO

                        “E quem sabe sonhavas meus sonhos por fim.”          

                                                                                              Cartola

                        Nós vivemos uma vida feliz.

Nessas frases ocorrem pleonasmos, ou seja, a repetição de um mesmo termo (“sonhavas meus sonhos” e “vivemos uma vida”).

PLEONASMO é a repetição de um termo, para reforço ou realce de uma ideia.

Existe também o pleonasmo vicioso, que é um vício de linguagem.  Ocorre quando a repetição do termo é considerada desnecessária (“subir para cima”, “descer para baixo”, “entrar para dentro” etc.).