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Regência Verbal
Regência Verbal

Regência Verbal

A Regência Verbal é o estudo da relação de dependência entre os verbos e seus complementos.

Por que estudar regência verbal?

O pai agrada o filho. =  agradar significa acariciar, contentar.

O pai agrada ao filho.  = agradar significa causar agrado ou prazer, satisfazer.

 

Observou como o simples uso de uma preposição pode alterar o significado?  "agradar alguém" é diferente de "agradar a alguém”.

 

Para os verbos, a regência vai se relacionar ao termo que completa o sentido de um verbo é que é chamado de objeto. Esse objeto, que é um termo regido, pode estar ligado ao termo regente por meio da preposição ou não.

 

Se completar o verbo sem preposição obrigatória, recebe o nome de objeto direto; se completar o verbo com preposição recebe o nome de objeto indireto.

 

A concordância, ou melhor, a ausência dela, pode nos marcar de forma mais significativa. Dizer ‘As casa é bonita’ marca mais do que dizer ‘Assisti o filme’, não é mesmo?

Importância do estudo da regência

Diferentemente da maior parte das ocorrências de concordância, na regência temos o fenômeno da variação e da música atuando de forma mais intensa. Por que será?

Marcos Bagno, em Nada na língua é por acaso (2007, p. 138), apresenta o quadro a seguir.

 

 

Assisti ao filme              x    assisti o filme

Dei o livro a ela             x    dei o livro para ela

Ensina aos alunos           x    ensina para os alunos/os alunos

Evite fazer compras       x     evite de fazer comprar

Maria namora João         x     Maria namora com João

Implicar gastos               x     implicar em gastos

Obedecer à lei                x    obedecer a lei

Prefiro abacaxi à manga  x    prefiro abacaxi o que manga

 

Independentemente de a forma usada ser mais ou menos marcada, como professores de Língua Portuguesa devemos observar esses usos para que possamos orientar nossos alunos de forma adequada.

 

Considerando as preposições, nem sempre a presença delas marca um vínculo obrigatório de regência. Se dissermos ‘Ela sai de manhã para o trabalho’, essa preposição ‘de’ faz parte de uma locução de tempo.

 

 

 

A ideia falsa de uma preposição só existe porque uma palavra a “rege”, pode levar alguém a corrigir frases que a rigor, nada têm de erradas.

É o caso, por exemplo, da preposição ‘a’ da expressão “entregas a domicílio”, que nada tem a ver com o substantivo “entregas” (que regeria a preposição ‘em’) e sim com  o adjetivo “domiciliar” – o que é apenas uma coincidência, pois sabemos que locuções nem sempre têm palavras substitutas. (Henriques: 2010, p. 47)

 

Os pronomes como complementos verbais

O uso do pronome ‘ele’ e suas variantes (ela, eles, elas) como complemento verbal é frequente na língua falada, mas esse é um pronome pessoal do caso reto que somente deve funcionar como sujeito ou como complemento verbal quando vier acompanhado de preposição.

Ex.:

Ele chegou cedo ao trabalho.

Ana deu a elas os novos perfumes.

 

Seguindo o que prescreve a Gramática Normativa, os pronomes oblíquos são os adequados à posição de complementos verbais.

Pronomes pessoais retos

Singular =

1ª pessoa   eu

2ª pessoa   tu

3ª pessoa  ele, ela

Plural=

1ª pessoa   nós

2ª pessoa   vós

3ª pessoa  eles, elas

 

Pronomes pessoais oblíquos

Átomos (sem preposição)  

Singular= me/ te/lhe o, a, se

Plural= nos /vos/lhes, os, as, se

 

Tônicos (com preposição)

Singular = mim/ ti/ele, ela, si

Plural= nós/vós/eles, elas, si

a) Funcionam como objeto direto os pronomes o, a, os, as que são complemento de verbos transitivos diretos.

 

b) Funcionam como objeto indireto os pronomes lhe, lhes são complementos de verbos transitivos indiretos.

 

Os pronomes como complementos verbais

Joana comprou uma blusa. Comprou-a.

 

Henrique pagou o carro. (Pagar algo = objeto direto) Pagou-o.

 

Henrique pagou ao gerente.(Pagar a alguém = objeto indireto) Pagou-lhe. (LHE é usado para pessoa)

 

Ele convidou meus pais. Ele convidou-os.

     

Eu obedeço a meu pai. Eu obedeço-lhe.

 

 

 

Atenção ao uso do pronome oblíquo

 

Vejamos os exemplos:

a)    Mariana deve ajudá-lo.

‘Ajudar’ é um verbo transitivo direto (ajudar alguém) e, embora tenhamos pessoa, o complemento tem que ser ‘o’.

b) Mariana deve obedecer-lhe. ‘Obedecer’ é um verbo transitivo indireto: obedecer a alguém.

c) Mariana deve informá-lo dos acontecimentos. Como ‘informar’ é um verbo bitransitivo pede dois complementos: um sem preposição (-lo) e um preposicionado (‘dos acontecimentos’).

Esse verbo nos apresenta duas possibilidades: informar alguém de algo ou informar algo a alguém.

Ex.: a) Ele deve informá-lo (= objeto direto) dos acontecimentos (=objeto indireto).

b)    Ele deve informar-lhe (=objeto indireto) os acontecimentos (=objeto direto). Verbos cujo objeto indireto não se refira a “pessoa” não podem ser acompanhados de pronome pessoal oblíquo átono.

A recíproca, porém, não é verdadeira: só cabe a equivalência por “lhe/lhes” quando, além disso, há a preposição “a” (ou às vezes “para”).

Exemplos:

(1)   Sobre os jogos do Brasil, assisti a eles com muito nervosismo. Não equivale a assisti-lhes.

Regência Nominal

Diferentemente do que acontece com os verbos, os nomes – substantivos, adjetivos e advérbios – só possuem regência quando apresentam preposição.  

Ex.:

Esse comportamento é impróprio para menores. 

Ficamos contentes por você.                    

Os alunos votaram favoravelmente ao projeto.

 

 

Uso das preposições – casos especiais

No livro O português do dia a dia: como falar e escrever melhor, do Professor Sérgio Nogueira, há diversos casos interessantes acerca do uso das preposições.

 

Escolhemos apenas alguns para discutir:

Primeiro caso

A expressão correta é em nível.

Ex.: O problema só será resolvido em nível federal.

Lembramos que a expressão "a nível de" é um modismo a ser evitado.

Segundo caso

Dele ou de ele?

Dele corresponde a um pronome possessivo:

Ex.:

• O dinheiro dele acabou antes do esperado.

 

Dele também pode ser a combinação da preposição de com o pronome pessoal oblíquo tônico ele, na função de objeto indireto:

Ex.:

• Nós gostamos muito dele.

 

De ele é a preposição de e o pronome pessoal reto ele. Só pode ser usado quando ele for sujeito de uma oração reduzida de infinitivo:

Ex.:

• Saímos antes de ele chegar.  (= de que ele chegasse)

• Apesar de ele ter viajado sozinho, prefiro não telefonar.

 

O segredo é o verbo no infinitivo. Só podemos usar de ele quando houver o verbo no infinitivo:

 

Ex.: Saímos antes de ele chegar.

 

Essa regra também se aplica em outros casos:

preposição + artigo:

Ex.: As demissões ocorreram depois de o banco ter decretado falência.

 

b) preposição + pronome demonstrativo:

Ex.: O empresário assinou o contrato, apesar de essas cláusulas não garantirem uma margem de segurança.

 

Terceiro caso

 

A forma prescrita é tem de.

 

Embora o uso da forma tem que esteja consagrado e muitos autores considerem as duas formas aceitáveis, deve-se utilizar, preferencialmente, a forma ‘tem de’.

 

Ex.: Nós temos de pagar nossas dívidas.   

 

 

Quarto caso

Para mim ou para eu?

Devemos observar que:

Eu é um pronome pessoal do caso reto e exerce a função de sujeito.

Mim é um pronome pessoal oblíquo tônico, nunca exerce a função de sujeito e, obrigatoriamente, deve ser usado com preposição: a mim, de mim, entre mim, para mim, por mim etc.

Ex.:

Eu comprei o livro. (= sujeito)

Eu comprei o livro para mim. (= não é sujeito)

Entretanto, observe o exemplo a seguir:

Eu comprei o livro para eu ler.

Nesse caso, são duas orações. “Eu comprei o livro” é a oração principal e  “para eu ler” é oração reduzida de infinitivo (= para que eu lesse).

 

Devemos usar o pronome pessoal reto (= eu), porque exerce a função de sujeito do verbo infinitivo (= ler).  

Resumindo: a diferença entre para mim e para eu está na presença ou não de um verbo (= sempre no infinitivo) após o pronome.

 

Ex.:

Este livro é para mim.

Este livro é para eu ler.

Portanto, sempre que houver um verbo no infinitivo, devemos usar os pronomes pessoais retos. Isso ocorrerá com qualquer preposição:

Ex.:

Eles compraram o carro antes de mim.

Ela almoçou antes de eu chegar.

Meus pais fizeram isso por mim.

Ele fez isso por eu estar com dúvidas.

Observe, no entanto, a mudança no significado trazida pelo uso

da vírgula:

Para eu comprar este carro, foi preciso que meus pais ajudassem.

Para mim, comprar este carro foi uma grande conquista.

Na primeira frase, o pronome pessoal reto (= eu) é o sujeito do infinitivo (= comprar); na segunda frase, a vírgula indica que o para mim está deslocado. Devemos usar o pronome oblíquo (= mim), pois não é o sujeito do verbo comprar.

 

Quinto caso

Não há nada entre eu e você  ou  Entre mim e você?

Como explicamos, ‘eu’ é pronome pessoal reto e só pode ser usado na função de sujeito. Assim:

a)    com verbo no infinitivo: “Não há nada entre eu sair e você ficar em casa.”;

 

b)    sem verbo no infinitivo: “Não há nada entre mim e você.”

 

 

Sexto caso

A quem. Quando o substantivo que antecede o pronome relativo é pessoa, podemos usar o pronome ‘quem’

Ex.: Este é o gerente a quem encontrei no congresso.

Sétimo caso

De que ou de quem ou DO QUAL.

Aqueles são os arquivos de que (ou dos quais) a empresa dispõe.

• (= a empresa dispõe dos recursos)

 

b) São os funcionários de quem ou dos quais a empresa dispõe.

• (= a empresa dispõe dos analistas)

 

c.1) É a diretora da escola da qual os alunos gostam muito.

• (= eles gostam muito da diretora)

 

c.2) É a diretora da escola da qual eles gosta muito.

• (= eles gostam muito da diretora).

 

Quando houver dois antecedentes (= a diretora da escola), devemos evitar o pronome quem porque gera ambiguidade, ou seja, gera uma dupla interpretação.

 

Em “É a diretora da escola de quem eles gostam muito”, não saberíamos se eles gostam muito da diretora ou da escola.

O pronome relativo qual deve ser usado sempre que vier antecedido de preposição que não seja monossílaba (= após, contra, desde, entre, para, perante, sobre etc.).

 

Ex.:

Este é o livro sobre o qual falei ontem.

Esta é a ocasião para a qual eles se prepararam tanto.

Oitavo caso

Cujo. O pronome relativo ‘cujo’ deve ser usado sempre que houver ideia de posse.

Ex.:

 

Aqui está o professor de cuja aula ninguém gostou.

 

Este é o professor a cuja aula eu me referi.

 

Este é o indivíduo com cujas ideias eu não concordo.

Esta é a revista em cujas páginas li aquela teoria.

(= eu li aquela teoria nas páginas)

 

Este é o autor cuja obra foi premiada.

(= A obra foi premiada – sem preposição).

ATENÇÃO

Não se usa artigo definido entre o pronome ‘cujo’ e o substantivo.

Ex.: Esta é a escola cujo professor ganhou o prêmio.

Nono caso

Os pronomes relativos aparecem precedidos de preposição quando os verbos que eles acompanham são regidos por preposições.

Ex.:

 

Aquele é o bolo de que eu gosto tanto.

 

Aquela é a criança a quem eu chamei mais cedo.

 

Esse é o médico em quem as pessoas confiam.

 

Décimo caso

O pronome que pode aparecer com ou sem preposição quando for substituir coisa; quando for substituir pessoa, só poderá ser usado sem preposição já que o pronome que será substituído pelo pronome quem.

Ex.:

 

Os livros que compramos foram muito úteis para o concurso.

 

Os livros de que precisávamos para o concurso não chegaram.

 

As crianças que cumprimentamos eram muito educadas.

 

As crianças a quem convidamos não vieram.