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Professor: Um Profissional Mal Compreendido
Professor: Um Profissional Mal Compreendido

 

Professor: um profissional mal compreendido

De todas as carreiras que existem, percebe-se que o Magistério é uma das, senão a principal carreira ao qual há tantos “pitacos” por parte da sociedade. E essa mania de “meter a colher” nos profissionais da educação ou na gestão educacional como um todo já inicia quando a criatura decide ser professor. Sempre há um familiar que deixa claro que ser professor não é profissão, é castigo. Alguns chegam a dizer que a pessoa deve ter um dom para ser professor. Entretanto já se ouviu falar sobre esse dom ao se referir ao médico. Mas há uma grande diferença no momento da atuação do profissional da medicina e o professor e não é apenas o salário, mas as interferências no momento da prática de sua profissão! Talvez, o jogador de futebol sofra esse tipo de, digamos, desconforto, em sua atuação. Tem sempre um torcedor que decide dizer como o jogador deveria jogar ou quais foram os erros no momento da partida de futebol. Com o professor essa interferência existe de todos os lados. Eis que o professor é um profissional mal compreendido.

Quando decide ser professor é taxado de louco, que irá passar fome! Mas o pior está por vir. No momento em que entra numa sala de aula, em seu campo de atuação, o profissional da educação recebe opiniões e pitacos de todos os lados. Quem dera se fosse apenas o setor de supervisão escolar, responsável por fiscalizar e garantir que chegue aos alunos uma aula adequada e de boa qualidade! Têm os orientadores educacionais, os colegas, os funcionários de escola, os pais, os avós, os tios, os telejornais, o governo, os especialistas em aprendizagem, os namorados, os maridos, os filhos, os ficantes e, novamente, a família vem com aquela frase: “Viu, eu te avisei, mas você quis ser professor!”. Em qualquer momento, em qualquer situação, em qualquer mês do ano letivo sempre haverá alguém que baterá em sua sala de aula para dizer o que você deve ou não deve fazer. Ainda se viessem com soluções ou pelo menos, sugestões, mas não, a grande maioria que chega à sua porta vem para recriminar, dizer que você pega no pé do filho (essa é o que mais se ouve), que passa tema demais ou de menos, que dá mais Língua Portuguesa do que Matemática, que o recreio é muito longo, que você deve deixar o filho ir ao banheiro a qualquer momento, que está muito “puxado”, ou que tem horas de DVD demais, que o filho tem que sentar mais à frente, ou que você tem que trocar o filho de lugar! Ou seja, sempre tem alguém a reclamar. Quando, eu pergunto quando um desses pais ao ir ao pediatra teria coragem de falar assim com o médico? Fico a imaginar a cena: “Doutor, o senhor tem que parar de dar esse remédio”. “Doutor o senhor está pegando no pé do meu filho ao ministrar essa dose!” ou “Doutor, vou à direção desse hospital. Afinal, ministrar essa vacina é coisa de direção!”. Jamais! Ou eu nunca vi! Mas na sala de aula, tem.

O principal problema é que houve um grave erro de interpretação. Quando os pais foram convidados a participar mais da vida escolar de seus filhos a grande maioria simplesmente achou que era para opinar sem qualquer fundamento teórico sobre a prática pedagógica. Esquecem que o professor é um profissional tão graduado ou preparado quanto um médico ou um advogado. Ele, ou em sua grande maioria que é professor sabe o que está fazendo! Os pais foram convocados a ajudar na aprendizagem de seus filhos, sim, mas fazendo a parte deles! E qual é a parte deles? Em sua grande maioria a atuação dos pais está concentrada em casa! Em fornecer todo o material escolar ao filho, a ajudar nas tarefas escolares, a acompanhar a aprendizagem, a participar das reuniões escolares, ou seja, a serem pais!

O problema é que todos viraram professores! A mídia, que muitas vezes ajuda, outras tantas, atrapalha! Cria e incentiva, juntamente com uma gama de especialistas educacionais, a prática pedagógica do circo! O professor agora virou aquele profissional que precisa, para se manter na profissão, ser um mágico, um palhaço, um contador de história, um trapezista e assim por diante! E surgem, pensadores e governantes que querem colocar goela abaixo no professor a responsabilidade por todo e qualquer mal que acontece dentro da escola. Se o aluno evadiu, o professor é o culpado, se o aluno reprovou, o professor é o culpado, se o aluno caiu no recreio, o professor é o culpado, e por aí vai.

O professor é um dos poucos, senão o único profissional que é cobrado, insistentemente na mídia, para que faça cursos de reciclagem, que faça especializações, a fim de que sua prática seja mais condizente com a vida moderna ao qual nós vivemos. Mas isso vale para todos os profissionais! Tanto o jornalista que apresenta o telejornal, aquele que os pais assistem à noite, quanto o pipoqueiro da esquina. Atualizar-se, aprender cada vez mais faz parte de qualquer profissão, de qualquer cidadão! Queria ver se os pais, que deixam seus filhos sozinhos em casa, que transferem a responsabilidade em cuidar dos filhos mais novos aos mais velhos da casa se fossem convocados, abertamente, como é o professor, a ter que realizar cursos de especialização para desempenharem melhor as suas atividades como pais? Qual seria a reação?

Obviamente, que temos, e graças a Deus, nós temos, as exceções. Os casos isolados de pais responsáveis, de especialistas e estudiosos que conseguem compreender a atual e crítica situação do professor.

Todas as famílias são bem-vindas às escolas, principalmente agora, que estamos no início do ano letivo, mas queremos cumplicidade e não inimigos! Afinal, todos nós temos o mesmo objetivo: suprir as necessidades culturais dos alunos.

Se cada um fizer a sua parte, o todo, a grande obra, a aprendizagem do aluno se dará de forma mais adequada e com maior facilidade. De nada adianta manter um nível de guerra entre pais e professores. Entre mídia e docentes. Entre governo e os profissionais da educação.

Há muito ainda que se debater, mas deixamos para os próximos encontros um novo tema: Professor e a internet. Por hora, convido a todos os leitores, para um momento de reflexão acerca sobre esse texto de alerta. Por favor, professor também é gente!