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Processos de Formação de Palavras II
Processos de Formação de Palavras II

 

Processos de Formação de Palavras II

A formação das palavras em nossa língua. São tão produtivos que, ao criarmos uma palavra qualquer, geralmente o fazemos por meio desses dois processos.

Sem mais delongas, estudaremos a DERIVAÇÃO e a COMPOSIÇÃO. De acordo com Henriques (2007, p.113):

 

“São dois os processos principais de formação de palavras em português: a composição, onde se agrupam radicais diferentes na formação de um novo vocábulo, e a derivação, onde ao radical da forma primitiva se acrescenta um afixo qualquer.”

 

 

Basílio (2007, p. 33-34) afirma que o que caracteriza o processo da composição é a sua estrutura, uma vez que as bases, ou seja, os radicais que se unem para formar a nova palavra têm seu papel definido pela estrutura.

COMPOSIÇÃO consiste em produzir palavras compostas a partir de palavras simples. Palavras simples são aquelas em que existe um único radical como AMOR e PERFEITO. Para produzir uma palavra composta, é necessário estabelecer o significado das palavras formadoras isoladamente e desvinculá-lo das palavras simples da nova palavra formada para surgir um novo significado. A noção de palavra composta surge do fato de termos mais de uma base, ou seja, mais de um radical na formação da nova palavra.

Isso é observável, segundo a autora, quando a palavra composta é formada por dois substantivos ou por um verbo + substantivo. No primeiro caso, o segundo substantivo será um modificador do primeiro, cabendo a ele uma função adjetiva. Já no caso verbo + substantivo, a classe nominal parece funcionar como objeto direto do verbo. Vejamos:

 

Sofá-cama (cama é a função do sofá, sua característica)

Mata-mosquito (mosquito é o complemento do verbo matar, que é transitivo direto)

 

 

Já Azeredo (2010, p. 99-98), em seu livro Fundamentos de Gramática Portuguesa, acrescenta-nos as características gramaticais e semânticas da composição, a saber:

CARACTERÍSTICAS GRAMATICAIS

 

“Uma palavra composta é vista como uma estrutura fixa, um sintagma bloqueado gramaticalmente reinterpretado como uma unidade lexical nova. Seus componentes não sofrem elipse.”

CARACTERÍSTICAS SEMÂNTICAS

 

“Uma palavra composta é interpretada como uma nova unidade de significado. Este significado novo pode ser entendido, muitas vezes, como a soma dos significados particulares dos lexemas componentes.”

 

Existem dois tipos de composição:

 

Composição por JUSTAPOSIÇÃO: consiste em formar palavras compostas que ficam lado a lado, ou seja, juntam-se dois ou mais radicais, justapostos, sem perda de letras ou sons.

 

Em outras palavras, não há redução alguma dos morfemas que formam a nova palavra.

 

Observe as palavras abaixo:

PASSATEMPO / O GIRASSOL

 

Henrique (2007, p. 113) advoga que ocorre supercomposição “quando se reúne num único vocábulo formal um verdadeiro conglomerado de radicais, como vemos em três substantivos que servem de nome para uma ave da Amazônia (adivinhe-quem-vem-hoje, gente-de-fora-já-chegou, gente-de-fora-vem), no nome da planta “comigo-ninguém-pode” ou em neologismos ocasionais (…)”

 

Outro aspecto importante da composição por justaposição decorre do fato de as palavras poderem ser formadas com ou sem hífen. Muitas pessoas pensam que todas as palavras formadas por esse processo possuem hífen, o que NÃO é verdade!

 

Podemos afirmar que todas as palavras compostas com hífen são por justaposição, mas o oposto não é verdadeiro, ou seja, nem todas as palavras formadas por justaposição são com hífen. Nos exemplos a seguir, TODAS as palavras são formadas por JUSTAPOSIÇÃO:

 

mandachuva, passatempo, guarda-pó, pé-de-galinha, cachorro-quente.

2) Composição por AGLUTINAÇÃO: consiste em formar palavras compostas nas quais pelo menos uma das palavras (radical/base) perde a sua integridade sonora, ou seja, pelo menos um dos vocábulos formadores sofre alterações de ordem fonética ou fonológica. Observe os exemplos abaixo:

planalto = plano + alto

vinagre = vinho + acre

 

DERIVAÇÃO é a formação de vocábulos por meio do acréscimo de prefixos e sufixos ao radical. Convém, neste caso, falarmos em palavra primitiva e palavras derivadas.

 

Na aula 5, vimos a diferença entre flexão e derivação. A flexão é fruto de uma necessidade gramatical (derivatio naturlais). Já a derivação é fruto da criação do falante atendendo à determinada necessidade comunicativa, mas não gramatical (derivatio voluntaria).

 

Trata-se de um processo muito produtivo na língua, pois muitas novas palavras podem ser criadas.

 

A derivação pode ser classificada em:

 

Derivação prefixal (prefixação): a palavra nova é formada pelo acréscimo de um prefixo ao radical.

A derivação pode ser classificada em:

 

- Derivação prefixal (prefixação): a palavra nova é formada pelo acréscimo de um prefixo ao radical.

in + comum= incomum

des + leal = desleal

 

 

 - Derivação sufixal (sufixação): a palavra nova é formada pelo acréscimo de um sufixo ao radical.

 

feliz + mente = felizmente

leal + dade = lealdade

 

- Derivação prefixal e sufixal (prefixação e sufixação): a palavra é formada por acréscimo de prefixo e sufixo à palavra base, com a possibilidade de retirar estes afixos e, ainda assim, teremos uma palavra.

 

in + feliz + mente

 

in  (prefixo) + feliz + mente (sufixo)  = Observe que se retirarmos o prefixo in, a palavra felizmente continua com o seu significado e se retirarmos o sufixo mente, a palavra infeliz também mantém o seu significado.

 

- Derivação parassintética (parassíntese): a palavra nova é obtida pelo acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo, que não podem ser retirados, pois a palavra perderia o seu significado. Por parassíntese, geralmente formam-se verbos.

en + trist + ecer

 

- Derivação regressiva: a palavra nova é obtida pela redução da palavra primitiva, ou seja, consiste na subtração de elementos. Geralmente, esse processo forma nomes oriundos de verbos.

atrasar – atraso

embarcar – embarque

- Derivação imprópria: a palavra nova é obtida pela mudança de categoria gramatical da palavra primitiva. Não ocorre alteração da forma, só da classe gramatical. Trata-se de um caso especial de derivação, uma vez que não há acréscimo ou supressão de morfemas.

homem aranha

 

Em termos de estrutura das palavras, ocorre que algumas possuem estrutura mais complexa, conforme exemplifica Kehdi (2007):

 

Para que esta análise da formação seja realizada, recorre-se a uma análise em constituintes imediatos.

E o que são os constituintes imediatos?

 

SUPERPOSIÇÃO DE CAMADAS, ou seja, combinação de construções que formam uma palavra ou frase.

 

Tomemos como exemplo a palavra formalização, que segmentada ficaria:

 

{forma(a)}  + {al} + {iz} + {a} + {ção}

 

Seguindo o critério de superposição de camadas, teremos, de acordo com Kehdi (2007), que a palavra em questão não é mera sequência de morfemas, pois:

O substantivo forma recebe o sufixo al  para formar o adjetivo formal  que, por sua vez, recebe o o sufixo izar  para formar o verbo  formalizar.  Para a formação do substantivo  formalização, temos o acréscimo do sufixo ção  ao verbo formalizar

 

Temos, então, que este substantivo só poderia ser formado a partir desta forma verbal, confirmando o entendimento de superposição de camadas ao invés de sequência de morfemas de uma só vez, em que não poderíamos ter  o substantivo  forma   sendo acrescido dos sufixos al, izar ção ao mesmo tempo, considerando que cada um destes sufixos necessita de uma base (palavra) adequada para formar outras.