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Processos de Formação de Palavras
Processos de Formação de Palavras

 

 

Processos de Formação de Palavras I 

Nas aulas de Morfologia dos ensinos fundamental e médio, aprendemos sempre que há classes de palavras variáveis e outras invariáveis. Além disso, verificamos que podemos formar novas palavras a partir de elementos conhecidos da língua. Tudo isso diz respeito ao fato de as palavras da língua passarem por dois processos: derivação e flexão.

 Entretanto, é preciso diferenciar essas duas noções, uma vez que a flexão, em linhas gerais, ocorre independente da vontade do falante, enquanto que a derivação se faz necessária somente a partir de uma decisão de quem fala ou escreve.

MÃOS À OBRA…

 Mattoso Camara Jr (1972) distinguia dois processos, retomando o que o gramático latino Varrão (116 aC – 26 aC), conforme abaixo se discrimina:

Derivatio voluntaria - cria novas palavras; caráter fortuito e desconexo do processo. Com efeito, as palavras derivadas não obedecem a uma pauta sistemática e obrigatória para uma classe homogênea do léxico. Ex.: cantar-cantarolar, mas para falar ou gritar não existem as formas falarolar ou gritarolar. Os morfemas gramaticais de derivação não constituem assim um quadro regular, coerente e preciso. Acresce a possibilidade de opção, para usar ou deixar de usar o vocábulo derivado. Os sufixos derivacionais criam novos vocábulos.

Derivatio naturalis - para indicar modalidades específicas de uma dada palavra. A flexão indica que um dado vocábulo se dobra a novos empregos, havendo obrigatoriedade e sistematização coerente.

  • Flexão                                      Obrigatória, não altera a classe gramatical.
  • Derivação                                Voluntária , pode alterar a classe..

 

Dessa forma, podemos chegar à conclusão da sistematicidade do processo de flexão versus a assistematicidade da derivação. Na flexão, o falante não consegue criar: se o –s é a marca do plural em português, o falante não poderá expressá-lo, trocando o –s por –i, por exemplo, de “carros” dizer “carroi”, etc. Na derivação, devido à sua assistematicidade e imprevisibilidade, a língua pode ser recriada e enriquecida por conta da atuação e das necessidades de comunicação de seus usuários.

Em outras palavras, a flexão é obrigatória, pois não há outra opção no sistema da língua.

A derivação é voluntária, em razão de sua possibilidade criadora.

A distinção entre flexão e derivação é perceptível quando se pode conceituar e analisar o vocábulo pelo seu significado e sua forma.

A flexão é obrigatória devido à concordância que antecederá a palavra, o que faz da derivação um processo sem preocupação obrigatória.

A derivação pode alterar a categoria da palavra resultante, mas a flexão não muda a classe da palavra que resulta.

Dentre as distinções do processo de flexão e derivação está a produtividade dos processos, ou seja, a ausência de marcas flexionais nos dá palavras incompletas; não há o mesmo tipo de obrigatoriedade para a derivação. Outra marca para distinguir esses dois processos é a regularidade. Um novo nome em português faz prever que o que distingue esses dois processos é a regularidade: esse novo nome em português pode ter plural ou feminino, mas não obrigatoriamente terá derivados em –ista ou –oso, já que a flexão é previsível enquanto a derivação é imprevisível.

Por conta disso, vamos realizar um estudo a respeito desses dois fenômenos linguageiros: flexão e derivação.

Vamos nessa?

Mas, o que é um afixo?

Bechara (2000:339), “Prefixos e afixos recebem o nome de afixos; são prefixos os afixos que se antepõem ao radical e sufixos os que se lhe pospõem.”

 Azeredo (2010:449) advoga que “A derivação padrão se faz por meio de afixos (prefixos e sufixos), ao passo que a flexão padrão é expressa por meio de desinências.”

 Já Castilho (2010:664) considera o processo a que chama de afixação como “Processo das línguas flexivas em que sílabas curtas (=afixos) se agregam a uma raiz, formando o radical. Os afixos mais importantes são os prefixos (…) e os sufixos(…).”

FLEXÃO NOMINAL E VERBAL

  • O processo de flexão apresenta duas características essenciais: regularidade e obrigatoriedade. Consiste na associação regular à base de afixos que manifestam valores obrigatórios para determinadas classes de palavras da língua. A associação dos afixos à base é prevista por regras e os valores expressos por esses afixos são obrigatórios para determinadas classes de palavras da língua.

 

O vocábulo “flexão” é a tradução do termo alemão “biegung” que significa curvatura, desdobramento. Por isso, podemos afirmar que um vocábulo pode se “desdobrar” em outras aplicações por meio do fenômeno gramatical da flexão.

Entretanto, a flexão, de acordo com Câmara Jr. (1972:71), ocorre por meio de acréscimo de segmento fônico ao radical chamado sufixo flexional ou desinência.

O acréscimo de prefixo e/ou sufixo fará com que tenhamos outro processo: a derivação.

Dessa forma, podemos afirmar que a flexão nominal, nosso ponto de interesse nesta parte da aula, dá-se nas classes de palavras a que denominamos de variáveis, principalmente no que concerne aos substantivos e adjetivos. Muitos autores, como (KOCH; SILVA, 2005), por exemplo, adotam o termo adjetivo englobando todos os outros determinantes do substantivo, como os pronomes, artigos, numerais e o próprio adjetivo, uma vez que podemos perceber a flexão dessas classes em número, pelo menos.

O- oS / ele- eleS / primeiro- primeiros etc.

Vejamos o que nos dizem as autoras supracitadas:

 

“Funcionalmente, muitos dos nomes podem ser, conforme o contexto, substantivos (termos determinados) ou adjetivos (termos determinantes). Assim, no enunciado um diplomata mexicano, o segundo vocábulo é substantivo e o terceiro adjetivo, já em um mexicano diplomata dá-se o inverso.”

 

Todavia, podemos afirmar que há nomes que são essencialmente substantivos e outros essencialmente adjetivos no que tange aos seus usos funcionais?

Koch e Silva (2005) afirmam que sim, mas, “a distinção funcional não é absoluta”. Se nos voltarmos para nosso mestre Machado de Assis, o narrador de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” afirma não ser um “autor defunto”, mas um “defunto autor”. Isso nos mostra que a categorização de um nome em substantivo ou adjetivo depende não só de sua forma, mas, principalmente, de seu uso na frase.

Vamos, agora, falar de flexão nominal em termos formais?

 

No âmbito formal, substantivo e adjetivo, via de regra, apresentam diferenças muito pequenas. Tanto um quanto outro são marcados por vogais temáticas, desinências de gênero e de número, vejamos:

MESTRE – E = vogal temática (substantivo ou adjetivo).

MENINA – A = desinência de gênero + Morfema zero apontando o singular.

MENINAS – S = desinência de número.

A FLEXÃO DE GÊNERO

 

Sabe-se que em Língua Portuguesa há dois gêneros: masculino e feminino. Formalmente, costuma-se afirmar que –o marca masculino, como em GAROTO, e o –a feminino, como em GAROTA. Entretanto, vejamos o que nos dizem Koch e Silva (2005:48):

 

“Tal flexão ( a de gênero) opera através do acréscimo do morfema flexional –a átono final à forma masculina. Quando a forma masculina é atemática, há simplesmente o acréscimo mencionado: peru – perua  autor – autora; mas, quando tal forma termina em vogal temática como pombo, parente, essa vogal é suprimida, através de uma mudança morfofonêmica, decorrente do acréscimo do morfema –a: pombo –o + a = pomba; parente –e + a = parenta.”

A partir dessa explicação, podemos afirmar que o masculino seria a forma não marcada, uma vez que a desinência nominal de gênero seria somente –a, o que nos dá um morfema zero na forma masculina. Além disso, trata-se de um fator de economia linguística e há outras maneiras de se apresentar o masculino, como em PROFESSOR. O masculino só é verificado pela ausência da desinência nominal de gênero –a, presente em PROFESSORA.

 

Há, ainda, as palavras cujo gênero só pode ser marcado pelo uso de um determinante, uma vez que a vogal final marca somente a classe gramatical da palavra, como criança, mestre, bico etc. Não há oposição entre masculino e feminino, como em MENINO e MENINA. Dessa forma, ratificamos que a vogal –o de MENINO e de BICO, o –a de CRIANÇA e o –e de MESTRE são vogais temáticas, e não desinências de gênero.

A respeito das vogais temáticas e da desinência de gênero, advoga Henriques (2007:68):

 

“É certo que o papel gramatical dessas vogais não tem uma delimitação específica como nos verbos. Interessa, porém, descrever de que forma ocorrem, para então se chegar à constatação de que essas vogais se caracterizam nos nomes por sua posição postônica final, o que as aproxima das desinências de gênero, igualmente postônicas finais  (A e O), tornando necessário distinguir com clareza umas e outras.”

Tal afirmação de Henrique nos deflagra um problema metateórico da consideração da vogal –o de MENINO, por exemplo, como vogal temática ou como desinência de gênero. Se considerarmos Câmara Jr. (1972), Koch e Silva (2005), entre outros autores, veremos que o masculino é a forma não marcada e, o feminino a forma marcada. Já Henriques (2007), como vimos anteriormente, entre outros, consideram a vogal –o desinência de gênero.

Entretanto, o próprio Henriques (2007:68-69) apresenta citações de diversos autores que são quase unânimes em considerar somente –a desinência de gênero e para o masculino, temos o morfema zero, a forma não marcada, o que nos parece o posicionamento mais coerente, uma vez que nem todos os nomes masculinos são marcados pelo –o, como já verificamos acima.

O mesmo autor propõe uma classificação alternativa, a partir do seguinte quadro:

 

 

Segundo o autor, com essa proposta de classificação, apenas um número mínimo de palavras não teria desinência de gênero, que seriam aquelas em que a vogal átona final não coincide com o gênero da palavra. Ele fornece-nos alguns exemplos, como: O diademA; O genomA; O gramA, entre outros.

 

GÊNERO X SEXO

 

Outro ponto delicado no que tange à flexão nominal é a confusão entre gênero e sexo, uma vez que masculino e feminino são adjetivos desses dois termos.

 

Além disso, não podemos dizer que MESA e RETRATO, por exemplo, são do SEXO feminino e masculino, respectivamente, só porque são do GÊNERO feminino e masculino. Koch e Silva (2005:49) fornecem-nos dois argumentos contrários à interpretação de gênero relativo ao sexo seres, vejamos:

GENERO

a)      O gênero abrange todos os nomes substantivos portugueses, quer se refiram a seres animados, providos de sexo, quer designem apenas “coisas”, como: mesa, ponte, tribo, que são femininos (precedidos do artigo a) ou sofá, pente, prego, que são masculinos (precedidos pelo o);

b)       O conceito de sexo não está necessariamente ligado ao de gênero: mesmo em substantivos referentes a animais e pessoas há algumas vezes discrepância entre gênero e sexo. Assim, a testemunha, a cobra, são sempre femininos e o cônjuge, o tigre, sempre masculinos, quer se refiram a seres do sexo masculino ou feminino.

 

Dessa forma, podemos contestar algumas gramáticas, principalmente as escolares, no que tange à classificação dos substantivos em epicenos, sobrecomuns ou comuns de dois gêneros.

Se você quiser saber o que é EPICENO, SOBRECOMUM E COMUM DE DOIS DÊNEROS, LEIA ISTO:

 

De acordo com Cegalla (2005:138):

 

EPICENOS – Designam certos animais e têm um só gênero, quer se refiram ao macho ou à fêmea. Quando se quer indicar precisamente o sexo, usam-se as palavras macho ou fêmea.

 

Ex.: a onça macho X a onça fêmea.

 

SOBRECOMUNS – Designam pessoas e têm um só gênero, quer se refiram a homem ou a mulher.

 

Ex.: a criança – o neném.

 

COMUNS DE DOIS GÊNEROS – Sob uma só forma, designam os indivíduos dos dois sexos. São masculinos ou femininos, a depender do determinante que os acompanha.

 

Ex. – o colega X a colega; o fã X a fã.

 

Primeiramente, porque tal classificação leva, necessariamente, em consideração o sexo dos seres, o que já vimos ser improcedente. Além disso, flexão é uma característica formal, morfológica das palavras, e tal classificação leva em conta critérios semânticos, uma vez que devem ser consideradas características externas à palavra.

 

Vejamos o que nos diz o mestre Câmara Jr. (1972:79):

“É comum lermos em nossas gramáticas que mulher é o feminino de homem. A descrição exata é dizer que o substantivo mulher é sempre feminino, ao passo que outro substantivo, a ele semanticamente relacionado, é sempre do gênero masculino. (…) Da mesma sorte, não cabe para os substantivos epicenos (…) falar numa distinção de gênero expressa pelas palavras macho e fêmea. Em primeiro lugar, o acréscimo não é imperativo e podemos falar (como usualmente fazemos) em cobra e tigre sem acrescentar obrigatoriamente aqueles termos. Em segundo lugar, o gênero não mudou a indicação precisa do sexo. Continuamos a ter a cobra macho (…) o tigre fêmea.”

 

A FLEXÃO DE NÚMERO

 

No que concerne à flexão de número, parece-nos algo muito mais simples e coerente, uma vez que se trata da oposição entre 1 e mais de 1 elemento/indivíduo, o que é formalmente marcada pela presença ou ausência da desinência –s e alguns alomorfes, como veremos agora.

 

Segundo Henriques (2007:76), “constata-se com facilidade que o reconhecimento do plural será feito através do acréscimo de um morfema. A partir disso, podemos afirmar que a marca de singular em nossa língua é a ausência (morfema zero) e que só no plural haverá a representação gráfica propriamente dita.”

 

Outro ponto importante diz respeito a palavras que são atemáticas no singular, por razões fonológicas, mas receber de volta a vogal temática no plural oi ainda tê-la novamente suprimida pelas mesmas razões fonológicas. É o caso de palavras terminadas em l, r, s e z, como em:

 

ANIMAL – ANIMALES – ANIMAIS

MAR – MARES

FREGUÊS - FREGUESES

PAZ – PAZES

 

Koch e Silva (2005:52) apontam para duas exceções à oposição 1 mais de 1 indivíduo, a saber:

 

  • • A situação especial dos coletivos, em que a forma singular envolve uma significação de plural, e
  • • a de certos nomes em que a forma de plural refere-se a um conceito linguisticamente indecomponível, como em óculos, núpcias, algemas etc.

 

Assim como na flexão em gênero, o número possui a forma do singular não marcada (morfema zero) e a forma do plural marcada pela desinência de gênero –s que está assim presente em nomes terminados no singular em:

 

a) Vogais – porta – portas; bolo – bolos etc.

b) Ditongos orais: céu – céus etc.

c) Ditongos nasais átonos e alguns tônicos: benção – bênçãos; irmão – irmãos.

 

Essa seria a regra geral do plural em Português. Todavia, temos casos de alomorfia, por conta da complexidade nesse tipo de flexão no que tange às mudanças morfofonêmicas que podem ocorrer. Assim ocorre com nomes terminados em –r, z- e –n, precedidos de vogal tônica, que formam o plural com o acréscimo do alomorfe –es, como em país – países; radar – radares; vez – vezes.

 

 

Entretanto, há outros casos de alomorfia, a saber:

 

  • • Nomes terminados em –l, precedidos de vogal diferente de –i – plural em –is: coronel – coronéis; caracol – caracóis; azul – azuis.
  • • Nomes terminados em –l precedidos de vogal –i, a mudança morfofonêmica irá depender da tonicidade da vogal. Se tônica, haverá crase, como em ANIL – ANIIS – ANIS. Se átona, há regressão de I para E, como em FÓSSIL – FÓSSIIS – FÓSSEIS.
  • • Nomes terminados em X e S, precedidos de vogal átona – a oposição singular X plural só é verificada pelo contexto: O/OS TÓRAX; A/AS CÚTIS.
  • • Nomes cuja vogal média tônica é o O fechado. Além do acréscimo de –S, troca-se o fonema fechado pelo aberto, como em ESFORÇO – ESFORÇOS; CORPO – CORPOS. São os chamados plurais metafônicos.

 

Koch e Silva (2005:53-54) revela-nos ainda que:

 

A QUESTÃO DO GRAU

 

Tradicionalmente, afirma-se que o substantivo varia em gênero, número e grau.

A pergunta é: será que podemos falar em grau como flexão?

 

Se considerarmos que a flexão, como vimos no início de nossa aula, é gramaticalmente motivada, veremos que a resposta é não. Uma vez que usar o aumentativo ou o diminutivo pode ser mera opção do falante.

 

Observe o quadro a seguir:

 

-mente, -ense, -íssimo: formam palavras, enriquecem o léxico, possibilitam o indivíduo a escolha de uma forma vocabular. Esses elementos não têm a mesma função na língua portuguesa que elementos como –s.

 

-a ou –va (categorizadores de número e gênero dos nomes e de tempo e aspecto e modo nos verbos. Indicam modalidades específicas das palavras, são elementos de caracterização exclusiva (ex: singular/plural). 

 

 

Considerada um tipo de flexão por alguns gramáticos e um tipo de derivação pelos linguistas, a flexão de grau é discutida entre os estudiosos pelo questionamento em caracterizá-la com um tipo de derivação ou de flexão.  É comum incluírem-se nas relações dos sufixos derivacionais os afixos caracterizadores de grau (aumentativo e diminutivo). Por isso, os linguistas acreditam que não cabe falar em “flexão de grau” pois não deveríamos incluir no processo de flexão sufixos derivacionais que podem indicar a categoria do grau, tendo em vista que a flexão é um fenômeno em que se acrescentam afixos ao radical ou à própria palavra. Parte-se do pressuposto que a colocação de sufixos ao radical consiste em ser um tipo de derivação.

 

Segundo Mattoso Camara Jr.: “(...) Anote-se a propósito que o conceito semântico de grau abrange tanto os superlativos como os aumentativos e os diminutivos. Por isso, Otoniel Motta considerou aumentativos e diminutivos uma <<flexão>> dos substantivos, pelo exemplo dos superlativos, porque não ousou considerar os superlativos uma derivação, como são logicamente considerados aumentativos e diminutivos por toda gente. A expressão de grau não é um processo flexional em português, porque não é um mecanismo obrigatório e coerente, e não estabelece paradigmas exaustivos e de termos exclusivos entre si. A sua inclusão na flexão nominal decorreu da transposição pouco inteligente de um aspecto da gramática latina para a nossa gramática.” (1972: 83)

 

 

Assim, tem-se que alguns autores consideram que o morfema gramatical de grau não é um caso de flexão, e sim de derivação. Os adjetivos portugueses tristíssimo para triste, facílimo para fácil e, nigérrimo para negro, que as gramáticas costumam definir como processo de flexão de grau, não apresentam um mecanismo obrigatório, coerente e exaustivo e de termos exclusivos entre si. Do mesmo modo os graus aumentativo e diminutivo para os substantivos não podem ser considerados uma categoria gramatical como o são, por exemplo, as categorias de gênero e número.

 

Já que o uso dos advérbios mais, menos e tão, seguidos de que, além do advérbio muito, são formas que a sintaxe oferece para expressar essas ideias, o uso dos sufixos para formar o superlativo sintético deveriam constituir processo de derivação, podendo ocorrer como nos exemplos a seguir: cabeça/cabeçorra/cabeção, ilhazinha/ilha/ilhota, casa/casinha / casebre.

 

Além disso, segundo  Basílio (1991:84):“Tanto o diminutivo quanto o aumentativo, em sua função central de indicar uma dimensão menor ou maior daquilo que é considerado implicitamente como um padrão normal, apresentam também uma função de expressar uma atitude emocional do falante [...] o tamanho de um ser que pode ser expresso de maneira neutra pela aposição de adjetivos como ‘grande’ ou ‘pequeno’, passa a ser expresso de uma maneira subjetiva [...] Vejam os seguintes exemplos:

 

  • • (1) (a) João comprou um apartamento grande.

 

  • (a) João comprou um apartamentão.

 

 

A FLEXÃO VERBAL

 

A flexão verbal indica noções gramaticais e semânticas diversas, como por exemplo, tempo, modo, pessoa, número e aspecto.

 

No que tange ao seu aspecto formal, resumidamente, temos:

 

 

 

 

Vejam que todos os morfemas flexionais do nosso exemplo estão expressos por uma necessidade gramatical, o que comprova o caráter flexional dos verbos.

 

Resumidamente, temos:

TEMA (RADICAL + VOGAL TEMÁTICA) + DESINÊNCIAS FLEXIONAIS (DMT + DNP)

Entretanto, qualquer elemento dessa fórmula, exceto o radical, pode faltar ou sofrer variações formais, a não ser por casos de alomorfia, como pode ocorrer no caso dos verbos irregulares.

Não vamos nos alongar no que diz respeito a esses morfemas formadores dos verbos, pois já os estudamos nas duas aulas anteriores a essa, as aulas 3 e 4.

 

Vamos, por conseguinte, tratar de algumas considerações relevantes a respeito do comportamento flexional dos verbos.

 

Henriques (2007:32-34) mostra-nos uma oposição formal entre a 1ª conjugação, marcada pela vogal temática –A, e a 2ª e 3ª conjugações, com VT –E e –I. Tal noção nos parece coerente, uma vez que temos CANTAVA – VENDIA – PARTIA, por exemplo. As três formas verbais estão no pretérito imperfeito do modo indicativo, na primeira pessoa do singular e a DMT é a mesma em VENDIA e em PARTIA. O mesmo ocorre com todas as outras pessoas destes verbos nesse mesmo tempo, bem como no pretérito perfeito, no futuro do presente etc.

 

A flexão verbal nos oferece um modelo razoavelmente regular, no que tange às estruturas paradigmáticas dos verbos. Isso, segundo Henriques (2007:39), possui finalidades práticas que são:

 

  1. Formatar todos os verbos da língua portuguesa conforme sua conjugação, substituindo-se apenas o radical de um pelo radical de outro;
  2. Identificar qualquer irregularidade existente na flexão de um verbo, esteja ela na mudança do radical no infinitivo (soub-emos), no apagamento de uma desinência (coube-Ø), no reaparecimento de uma vogal temática (sa-i-am), na mudança do timbre da vogal temática (fiz-e-sse), no deslocamento da sílaba tônica (est-ou).

 

 

Veja o paradigma para a conjugação dos verbos regulares em Português em:

http://www.klickeducacao.com.br/materia/21/display/0,5912,POR-21-99-885-,00.html

 E os chamados verbos Irregulares?

 

São aqueles que não obedecem ao paradigma dos chamados verbos regulares.