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Porto Alegre, Cidade Literária
Porto Alegre, Cidade Literária

PORTO ALEGRE: CIDADE LITERÁRIA

 

Por volta de 1750, a futura Porto Alegre fazia seus primeiros registros oficiais de cidade e tão logo seu povoamento se iniciava era acompanhado por um movimento de trocas, conversas e comércio fixado nos arredores dos Armazéns Reais, do Arsenal da Marinha e da Praça da Quitanda, que mais tarde se tornou a Praça da Alfândega. A Rua dos Andradas, coração primeiro de Porto Alegre, onde esse trânsito se estabelecia, tinha casas com telhado de capim! É a rua mais antiga da cidade, aquela que abria caminho desde onde se aportava no Guaíba até onde se ergueu sua primeira capela. Segundo Sérgio da Costa Franco, em composição com a Duque e a Riachuelo, a Rua da Praia compunha o primeiro e, por muito tempo, principal eixo urbano de Porto Alegre. Foi a primeira rua a ter calçamento (hoje tombado) na cidade.

 

Na Porto Alegre ficcional, por esses mesmos espaços, transitaram (e transitam no nosso imaginário!) umas tantas personagens. Neco Borba e Chiquita, em Estrychnina (1897); Armando, Jorge e Stella, em O Perdão (1910), de Andradina de Oliveira; o coronel Pedrosa, Salu, Chiquita, o professor Clarimundo, em Caminhos Cruzados (1935), de Erico Verissimo; Naziazeno, em Os Ratos (1935), de Dyonélio Machado; Aldo e Doris, em As Águas Invadiram a Metrópole, de Belmonte Marroni; todos os expatriados d’Os Voluntários (1979), de Scliar; Mário e Vera, no romance homônimo de Tâania Faillace; o homem sem nome que segue em Rastros do Verão, de João Gilberto Noll; o pequeno João, d’O Beijo na Parede, de Jeferson Tenório; Jacquet e Adavilson, de Tailor diniz, para citar algumas.

 

Porto Alegre é uma cidade literária! Todas essas personagens ajudam a dar sentido ao que hoje a praça soma com memórias vividas, com o que hoje é sua paisagem. A praça, o centro, as ruas do entorno atravessam séculos na ficção e mantêm características de práticas sociais na realidade. A Praça da Alfândega sempre esteve povoada de gentes e histórias.

 

Agora, entre os dias 1º e 19, a 63ª Feira do Livro, além de trazer de volta à praça todas essas narrativas excepcionais e mais tantas que a habitaram, nos oferece o espaço para que criemos nossas próprias histórias, nossos afetos particulares. Uma cidade só é humana quando consegue se relacionar com as histórias que seus habitantes produziram e produzem.

 

Com a nossa presença verdadeira, podemos humanizar a cidade.

 

Fonte: ZeroHora/Natalia Borges Polesso (nbpoless@gmail.com) em 03/11/2017