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Parte 2 - História Literatura Jesuítica no Brasil
Parte 2 - História Literatura Jesuítica no Brasil

                                               Ruínas de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul

 

Textos de Informação e contribuição jesuítica

Hans Staden

Conseguindo retornar à sua terra natal, publicou a obra que contaria os oito meses que ficou em poder da tribo indígena, bem como os hábitos e os costumes da tribo antropófaga.

Sua obra, Viagens e aventuras no Brasil, publicada em 1557, teve várias edições, mas apenas em 1892 foi traduzida para a língua portuguesa.

O sucesso que obteve a obra no século XVI muito se deve à curiosidade dos povos em relação aos indígenas e às terras recém-encontradas por portugueses e espanhóis.

Hoje, textos como o de Hans Staden são considerados como documentos significativos que dão a conhecer os nossos antepassados, assim como avaliar o ponto de vista que orientava esses relatos e descrições.

De acordo com a análise de textos como os de Hans Staden, podemos questionar: seria essa a origem da Literatura Brasileira? Qual seria a origem da Literatura Brasileira?

Ao longo da história de nosso país, observamos o surgimento de artistas: pintores, escultores, músicos e escritores; alguns tiveram maior sucesso em seu tempo do que outros. Há obras que chegaram aos nossos dias e merecem elogios ou críticas, outras ficaram desconhecidas por muito tempo ou ainda não foram estudadas.

Como estudar as obras literárias produzidas em Língua Portuguesa no Brasil? Que critérios adotar para agrupá-las?

 

Assim, no caso brasileiro, a consideração do marco inicial – ou seja, a partir de quais obras podemos afirmar haver literatura brasileira – define o objeto de análise. Vejamos:

 Quando aqui chegaram, os colonizadores portugueses encontraram indígenas que não possuíam registros escritos de sua cultura; logo, se não havia escritores, também não havia leitores entre os índios.

O Brasil permaneceu como colônia portuguesa de 1500 a 1822, ano de nossa Independência. Até 1808, com a chegada da família real ao nosso país,  não havia cursos superiores. As famílias mais abastadas  enviavam seus filhos para a Universidade de Coimbra.

Toda e qualquer atividade de imprensa, como a publicação de jornais ou livros, foi proibida em nosso país até a chegada da família real portuguesa, em 1808.

Observe como os dois dos maiores autores de História da Literatura Brasileira delimitam o seu objeto de análise: para o primeiro, não há nenhuma referência a um público, apenas o receptor da obra; já para o segundo, para haver literatura, é necessário que para ela existam  público e mecanismos de circulação.

 

Compreender o panorama histórico da época da chegada dos portugueses ao Brasil e a relação de Colônia e Metrópole que duraria por três séculos é fundamental para a descrição do movimento evolutivo da Literatura Brasileira.  Nesse sentido, consideram-se como documentos de valor inestimável os textos, mesmo que não literários, como as crônicas e as obras que registraram a especificidade de nossa natureza e cultura. São textos, em sua maioria, de origem portuguesa, escritos entre 1500 e 1627.

É pelos olhos do colonizador “civilizado” que fomos vistos e descritos pela primeira vez, por isso o exotismo e a diferença de costumes são tomados como aspectos importantes nessa descrição. Mas interessam, sobretudo,  por serem os primeiros registros que documentam a instauração do sistema colonial.

O  Éden, o Eldorado, a fonte da eterna juventude fazem parte do imaginário  como traço constante a destacar da perspectiva européia em relação à colônia. Essa visão ingênua ou otimista do mundo recém-descoberto é encontrada em alguns textos de viajantes e, de certa forma, corroboram e fundamentam a futura literatura no Brasil.

Ao desembarcarem nas terras brasileiras, os portugueses registraram por escrito a primeira impressão do colonizador. Considera-se a Carta de Pero Vaz de Caminha, datada de  abril de 1500,  a “certidão de nascimento” do Brasil por ter sido esse o primeiro registro escrito, tendo como objeto  nossas terras. O autor, o escriba da esquadra, tinha por responsabilidade  informar o rei D. Manuel sobre as descobertas relevantes feitas ao longo da viagem.

Leia o trecho a seguir e observe o efeito provocado por esse encontro:

 

“A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço de baixo furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita a modo de roque de xadrez. E trazem-no ali encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe estorvo no falar, nem no comer e beber.”

 

Fonte: http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/carta.html)

O escriba da esquadra de Cabral valorizava a terra, a natureza, a docilidade dos nativos, bem como sugeriu a presença de ouro e prata.  Esses eram dados importantes para o colonizador, preocupado em aumentar o seu patrimônio.

No século XVI, a Europa tinha por modelo econômico o Mercantilismo, que se baseava no comércio e no acúmulo de ouro, prata e pedras preciosas (metalismo). Nesse sentido, o texto de Caminha procurava dar notícia ao rei D. Manuel de aspectos de seu interesse: a terra fértil para a exploração de artigos agrícolas, inexistentes na Europa, e a presença de minérios, que garantiriam a lucratividade do negócio “além-mar”.

Ainda na Carta de Caminha, um dado que merece atenção é a referência à salvação das almas dos gentios. Não se pode esquecer que, naquele momento, a Europa vivenciava a Contra-Reforma, movimento religioso que teve em Portugal e Espanha a sua expressão mais radical.

As crônicas dos viajantes, suas cartas e primeiras histórias são importantes porque são os primeiros registros escritos de nossa terra e do encontro de culturas. São perceptíveis, mediante a sua leitura crítica, o estranhamento ante os indígenas e os interesses econômicos vigentes. Como exemplo, observe o trecho a seguir onde Gandavo analisa a língua Tupi:

 

“Esta é mui branda, e a qualquer nação fácil de tomar. Alguns vocábulos há nela de que não usam senão as fêmeas, e outros que não servem senão para os machos: carece de três letras, convém a saber, não se acha nela F, nem L, nem R, coisa digna de espanto porque assim não têm Fé, nem Lei, nem Rei, e desta maneira vivem desordenadamente sem terem além disso conta, nem peso, nem medido ( Cap. 10)”

 

Não se ignora que há  ironia na descrição. No entanto, seu conteúdo expõe de forma velada os meios de dominação utilizados para edificar a relação entre a metrópole e a colônia, a saber: a Religião, o Estado e a Lei.

 

São da autoria de Pero Magalhães Gandavo os textos o Tratado da Terra do Brasil e a História da Província de Santa Cruz a que Vulgarmente Chamamos Brasil , os quais datam de 1570 e 1576, respectivamente.

É importante ressaltar o caráter pioneiro do autor em divulgar os aspectos positivos da colônia, incentivando a imigração dos reinóis para as terras recém-conquistadas. Além disso, a História registra com ricas descrições a exótica flora brasileira  e os costumes indígenas, como a antropofagia, a poligamia e a “couvade”.

 

Tratado Descritivo do Brasil em 1587

 

Composto de duas partes, a obra “percorre toda a flora e a fauna da Bahia fazendo um inventário de quem vê tudo entre atento e encantado.”( BOSI, A. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix,1994. p. 18) Além disso, não deixa de fazer ver à metrópole as oportunidades que a colônia poderia representar em termos de exploração de seus possíveis minérios.

Segundo nos conta a história, teria herdado mapas de minas no interior do Brasil, mas sua expedição não foi bem sucedida.

O trecho da introdução da obra  ilustra a verve descritiva do autor:

Como todas as coisas têm fim, convém que tenham princípio, e

como o de minha pretensão é manifestar a grandeza, fertilidade e outras

grandes partes que tem a Bahia de Todos os Santos e demais Estados do

Brasil, do que os reis passados tanto se descuidaram, a el-rei nosso

senhor convém, e ao bem do seu serviço, que lhe mostre, por estas

lembranças, os grandes merecimentos deste seu Estado, as qualidades e

estranhezas dele, etc, É esta província mui abastada de mantimentos de muita substância

e menos trabalhosos que os de Espanha. Dão-se nela muitas carnes,

assim naturais dela, como das de Portugal, e maravilhosos pescados;

onde se dão melhores algodões que em outra parte sabida, e muitos

açúcares tão bons como na ilha da Madeira. Tem muito pau de que se

fazem as tintas. Em algumas partes dela se dá trigo, cevada e vinho

muito bom, e em todas todos os frutos e sementes de Espanha, do que

haverá muita qualidade, se Sua Majestade mandar prover nisso com

muita instância e no descobrimento dos metais que nesta terra há, porque

lhe não falta ferro, aço, cobre, ouro, esmeralda, cristal e muito salitre...”

 

http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me003015.pdf