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Os Livros em 2015
Os Livros em 2015

OS LIVROS EM 2015

 

O ano de 2015, graças a Deus, terminou.  Deu pra ti, 2015! Acho que por muitos anos qualquer um será melhor. Na política e n a economia é melhor nem pensar nas lembranças, que a coisa foi feia.  Melhor deixar para lá. Mas em termos de cultura, especialmente falando de literatura, descontando as mortes de Eduardo Galeano, Günter Grass e dos nossos Nico Fagundes, Sérgio Napp, Antonio Carlos Resende, Carlos Urbim e Hermes Bernardo Jr. E o cancelamento da Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, tivemos muitas notícias boas, como a reabertura da Biblioteca Pública do estado, as homenagens a Luiz Antonio de Assis Brasil (70 de idade e 30 de oficina literária) e Mário de Andrade, o sucesso habitual da Feira do Livro de Porto Alegre e da Flip de Paraty.  Mercado cinematográfico em ascensão, mercado das artes e Bienais acontecendo e Porto Alegre com dezenas de shows e eventos culturais a cada semana, dá para dizer que nem tudo foi perdido em 2015.  A cultura salvou o ano.

 

 

Pela lista dos mais vendidos de 2015 da Veja, O PEQUENO PRÍNCIPE de Antoine de Saint-Éxupéry ficou em primeiríssimo lugar.  História infanto-juvenil com toques de lições de vida, a obra de 1943, há décadas frequenta as listas de mais vendidos. Caiu em domínio público e várias editoras fizeram edições variadas, com capa dura, de bolso e com fotos do desenho animado.  Em não ficção, a biografia NADA A PERDER, do Bispo Edir Macedo, foi o primeiro lugar e, em autoajuda e esoterismo, PHILIA, do Padre Marcelo Rossi, liderou. Num ano marcado por altos e baixos, em decorrência de uma economia minguante, deu a lógica e os tons de cinza de E. L. James seguiram dando o tom, em meio a biografias importantes como as de ELIS REGINA, de Arthur de Faria; ESSE TAL DE BORGHETTINHO, de Márcio Pinheiro, e de JULIO RENY, assinada por Cristiano Bastos.

Permanece em aberto uma questão: por que a ficção brasileira, em especial a de narrativas longas, nas últimas décadas, não encanta muito o leitor brasileiro? Por que preferimos livros estrangeiros, muito ligados a filmes, com realidades por vezes bem distantes das nossas? Não acredito que seja apenas a novela das oito a causa disso.  Precisamos falar mais sobre o tema.

Há vitalidade, entretanto, na literatura de jovens autores, com forte ligação em redes sociais e abordando temáticas atuais, casos das obras de Christian Figueiredo de Caldas ( EU FICO LOKO, I e II) e Paula Pimenta (FAZENDO MEU FILME E M INHA VIDA FORA DE SÉRIE), para citar apenas dois, entre vários.  É cedo para avaliar o impacto das obras, seus conteúdos e suas formas.  Não se pode prever o futuro da literatura apreciadas pelos jovens, mas é um segmento importante para as editoras e merece toda a atenção, principalmente porque pode estar criando gerações de leitores futuros.

Não por acaso, os romances SE EU FICAR e PARA ONDE ELA FOI, de Gayle Forman, da Editora Novo Conceito, ficaram em quarto e sexto lugar na lista da Veja.  São narrativas modernas, que atraem leitores jovens e público em geral.

 

A PROPÓSITO...

Sem querer fazer muita futurologia, em 2016, em termos de mercado editorial, dá para prever biografias importantes como a de Roberto Carlos, de Paulo Cézar de Araújo e outras, em função da decisão do STF sobre biografias.  Está previsto para março o lançamento do livro mais famoso da bielorussa Svetlana Alexlevich, Nobel de Literatura de 2015, VOZES DE CHERNOBIL e outro O ROSTO POUCO FEMININO DA GUERRA no segundo semestre, pela Companhia das Letras. A Intrínseca deve lançar A DITADURA ACABADA, de Elio Gaspari, sobre os governos Geigel e Figueiredo.  A HISTÓRIA DE UM NOVO NOME, best-seller da italiana Elena Ferrante, deve sair pela Biblioteca Azul, em fevereiro.

 

Fonte:  Jornal do Comércio/Jaime Cimenti (jcimenti@terra.com.br) em 8, 9 e 10 de janeiro de 2015.