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Os Encantos de Gondramaz
Os Encantos de Gondramaz

OS ENCANTOS DE GONDRAMAZ - Portugal

 

       É festa de Santo Antônio e lá vamos nós para uma Aldeia linda, aqui de Portugal, comemorarmos a data festiva, com muito vinho, broas, chouriço, leilão, alegria, música, baile e tudo o que se tem direito. Ao chegar ao local, no cume da serra, surpreendi-me ao ver a largura das ruas. Não cabem carros. São verdadeiras vielas estreitas e sinuosas revestidas de xisto. As casas são belíssimas, todas construídas e cobertas com essas pedras do lugar, o xisto. A aldeia tem a altivez da natureza a cercá-la e a beleza singular, que é dominante em Portugal, por todos os cantos e recantos. Não é a toa que nos apaixonamos desde o primeiro momento por essa terra encantada e encantadora. Nessa aldeia, a paisagem que a envolve é uma obra de arte da natureza. Abençoada à entrada, por um poema do grande Miguel Torga. Sou alumbramento!

      

      Os inusitados nomes das ruas chamam a atenção de quem chega. A Rua da Picada com suas casas cheias de flores. O Beco do Tintol, esse sim, um beco mesmo, mas ao caminhar por ele vamos dar com um restaurante pitoresco e aprazível. Infelizmente fechado. A igreja, na verdade uma capela, de Nossa Senhora da Conceição, situada no Largo Albino H Duarte, com quatro pares de bancos surpreendeu-me ao ver num altar a Nossa Senhora Aparecida, linda, entre os Santos portugueses. Trouxeram-na do Brasil – contaram-me logo depois -, e eu seguia arruando e ouvindo as histórias da “cidade” quase “fantasma”. Pois bem, seis habitantes, esse foi o número exato que me foi dado no meio de um bate papo, por uma senhora simpática e conversadeira, Senhora Celeste, a qual me convidou a entrar na sua loja de artesanato em pedras, que completamente vazia exibia as obras de arte do seu marido, que também apicultor vende o melhor mel de abelhas da região. Esta só sossegou quando experimentei a sua broa (pão) com o mel e deliciei-me com o seu licor caseiro feito com o mel do lugar. É assim que os portugueses nos recebem em sua terra, com alegria e regalias.

      

         Eu cada vez mais me surpreendia com as histórias contadas do lugar, e num misto de surpresa e encantamento, ia me maravilhando e querendo saber cada vez mais. No centro da aldeia tem a fonte que disponibiliza água canalizada. Numa casa particular tem incorporada na fachada a “Alminha” que seguramente não assombra a ninguém, antes, encanta. Quanta coisa para se vir e aprender, num lindo e simples lugar, onde ninguém lá mora, mas todos preservam com o amor que sentem pelo seu chão e suas tradições. Lição de amor de quem sente o pulsar do sangue nas veias em ritmo de fados tradicionais. E que Fados!

      

         E as portas de entrada de todas as casas exibindo os belos vasos floridos. As janelas enfeitadas de flores a espera que alguém ali apoie os cotovelos para espreitar a rua e os acontecimentos, como no antigamente dos tempos. O paraíso deve ser exatamente assim, colorido, inocente de coisas doridas e cheio de amor, como vejo saltar em cada ruído da aldeia. As raposas que visitam o lugar sem se intimidarem com a presença das pessoas e o vento que canta baixinho saudando a paz ali encontrada são exemplos da comunhão da natureza. Dá uma vontade danada de nunca mais ir embora dali. Ao fechar os olhos sentimos a grandeza do sentimento ali enterrado em cada pedra que a mãe natureza pariu.

      

         Ao sair de Gondramaz tive a nítida sensação de ter deixado lá um pedaço do coração, mesmo sabendo que agora eu ia muito mais completa, com a lição que recebera daquele povo que guarda suas tradições e seu lugar como joia rara, ainda que em forma de pedra. Portugal todo é assim. Inusitado e deslumbrante.

                                                                                                        

                                                                      Lígia Beltrão