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Opus Garimpa Empreendimentos Culturais no País
Opus Garimpa Empreendimentos Culturais no País

OPUS GARIMPA EMPREENDIMENTOS CULTURAIS NO PAÍS.

 

Uma das maiores operadoras privadas de teatros do País, a Opus Promoções completa 40 anos em 2016 mantendo suas metas de expansão.  De acordo com o sócio-proprietário e presidente da empresa, Carlos Konrath, a ideia é seguir trabalhando com novas propostas de empreendimentos culturais no Brasil e além fronteiras.

Do alto da experiência de quem tem 50 anos de idade e trabalha na área há 33 anos, o empresário garante que há como driblar a crise neste ramo de negócio e se limita a dizer que, neste ano, a casa irá focar no fortalecimento da marca e dos teatros, sem abrir detalhes de investimentos em novos espaços.  “Queremos reforçar laços com o público que nos prestigia nas sete cidades que atuamos.  E, sem dúvida, projetos internacionais seguem em nossos planos”, comenta.  Formado em Relações Públicas, Konrath prioriza estar com a família nas horas de descanso, mas também busca viajar constantemente para conhecer mais o mercado de espetáculos no mundo e para entrar em contato com outras culturas.

Jornal do Comércio entrevista Carlos Konrath.

 

 

 

Muitas salas administradas pelas Opus estão em shoppings centers.  Com a crise no varejo, existe alguma possibilidade de um destes negócios ser prejudicado?

Temos quase 40 anos de experiência no mercado de entretenimento e essa não é a primeira crise econômica que o País enfrenta.  Hoje, o foco está voltado para o fortalecimento da marca e dos teatros.  Seguimos inclusive discutindo novas propostas de estabelecimentos e nenhuma das casas em funcionamento está em via de fechar.

 

Qual tem sido a média de apresentações anuais em estabelecimentos da empresa no País?

Somente em 2014, foram 605 títulos e mais de 1,3 mil apresentações para 2 milhões de pessoas em todo o Brasil.

 

Que Know how a empresa pôde adquirir após a construção de espaços próprios e a partir da administração de casas de espetáculos de propriedade de terceiros?

Nos possibilitou ampliar o conhecimento da prática e também das dificuldades de se produzir espetáculos, porém tendo a capacidade de transformar em soluções, uma vez que somos agora os administradores dos estabelecimentos onde ocorrem boa parte dos espetáculos e eventos que produzimos.

 

Como manter um padrão na produção e realização de espetáculos em um país cujas características são bastante distintas entre as regiões?

Para que não tenhamos operações distintas em cada cidade, buscamos administrar todas as casas combinando a cultura local com a maneira de trabalhar em cada espaço, sempre seguindo princípios administrativos que garantam um determinado padrão.  E conseguimos.  Nossos 230 colaboradores executam o mesmo trabalho no Sul, Sudeste e Nordeste.  Isso significa manter alinhada toda uma estrutura.  A equipe da empresa produz todo o material gráfico e eletrônico, faz divulgação, transporta artistas, equipes e cargas dos espetáculos, monta a logística de equipamento técnico, som e luz, faz projeto, cenário, figurinos, e todo o processo de vendas de ingressos e patrocínios, recepção e portaria das casas, cuida da qualidade em geral, desde a acústica até o receptivo dos artistas.

 

Qual é a estratégia para manter o padrão Opus em um País com dimensões continentais como o Brasil?

De fato, a cada seis meses, todos os colaboradores – das três regiões onde atuamos no País – passam por treinamento na sede da empresa, em Porto Alegre.  Mas, eventualmente, ainda promovemos cursos, consultoria ou integração com os colaboradores da Capital.  E em cada estado temos 80% a 90% dos colaboradores locais, sendo que em todos há uma parcela de gaúchos.  Mas além de uma equipe bem treinada, somos abençoados por um time de profissionais que amam o que fazem.

 

Foi possível crescer em faturamento no ano de 2015 mesmo com a crise?

Crescemos 25% a 26% ao ano, em média.  A crise não interfere, mas isso muito porque buscamos outras oportunidades, como, por exemplo, investir na montagem de espetáculos de conteúdo próprio – produzindo exclusivamente ou com parceria para abastecer nossas próprias casas.  A média tem sido cerca de três montagens próprias por temporada, a cada ano.  Recentemente, compramos os direitos do Voca People, comédia musical que é fenômeno mundial e que tem produções locais nos Estados Unidos, Europa, Israel (país de origem do espetáculo) e Brasil, onde somos os produtores nacionais.  Somente nesta atração, estamos investindo – desde 2015 – R$ 2 milhões, com apoio de empresas patrocinadoras, via incentivos fiscais.  Além desta, estamos com outras duas produções próprias, e todas têm lei de incentivo envolvida.

 

Haveria como realizar montagens sem patrocínio ou via lei de incentivo?

No campo do teatro é impraticável sem a Lei Roanet.  A bilheteria, muitas vezes, pode subsidiar, no máximo, uma turnê, e com dificuldades, mas nunca recupera o investimento na produção.

 

Em que patamar está o Brasil no mercado de entretenimento?

Há carência de atrações de cultura e entretenimento, uma vez que este é um setor que tem muito para crescer e oferecer ao Brasil.  A maioria dos equipamentos disponíveis está em péssimo estado, além de serem em pouco número.  Teatros de qualidade só se encontra em grandes cidades, e poucos.  A Opus está fazendo o seu papel.  O Araújo Viana é um  excelente case, reformado com qualidade pela iniciativa privada.  Em Natal, construímos recentemente o Teatro Riachuelo.  Antes deste empreendimento, a última construção do gênero ocorreu há 102 anos (Teatro Alberto Maranhão, que está fechado para manutenção).  Por outro lado, todos os setores passam por dificuldades – como o da saúde e da educação.  Não seria diferente na cultura.

 

O que mais pode ser feito pelo setor?

A cultura é um setor muito importante muito importante, mas também muito carente, pois normalmente é um dos primeiros a sofrer cortes de recursos.  Um problema que deveria ser resolvido é a questão da meia-entrada, subsidiada muitas vezes por pessoas que têm menos condições que os beneficiados.  Não somos contra a meia-entrada, mas, muitas vezes, a aplicação desta lei não é justa.  O problema neste sistema é o critério generalizado e o fato de não se determinar a fonte de subsídio – que acaba sendo aquele espectador que paga o ingresso inteiro.  Então, que justiça social é essa?  A lei deveria determinar a fonte de custeio, por meio de impostos, isenções, créditos, verbas públicas, contrapartidas sociais.  Enfim, poderia ocorrer de diversas maneiras, com um cadastramento claro de quem realmente deveria ter direito ao benefício.

 

Fonte:  Jornal do Comércio/Empresas&Negócios/Adriana Lampert (adriana@jornaldocomercio.com.br) em 7 de março de 2016.