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O Tamanho de Um Sonho
O Tamanho de Um Sonho

 

                          O Tamanho de Um Sonho

 

       Há pouco tempo o mundo surpreendeu-se com a história de uma menina de apenas dezessete anos. MALALA YOUSAFZAI, este é o seu nome. Ativista Paquistanesa, nascida em 12 de Julho de 1997, tolhida pelo terrorismo global, levantou a sua voz recusando-se a permanecer em silêncio, numa grandiosa luta pelo direito a educação feminina. Foi baleada pelo Talibã, sua família exilada, mas não se calou ante a injusta lei imposta. Nos mostra a bela história de superação que a fez conhecida no mundo inteiro tendo recebido, merecidamente, o Prêmio Nobel da Paz. Certamente o mundo jamais a esquecerá.

 

       Volto-me para o Brasil, meu país lindo e que tanto amo, e me vejo pensando nos jovens que têm a oportunidade de estudar e jogando-a fora tal qual um chiclete mascado. Faltam com o respeito aos professores ignorando todo e qualquer parâmetro que precisamos ter ao longo da vida. Não abrem os livros para sequer olharem as “figuras” que o ilustram muitas vezes jogando por terra o suor cansado dos seus pais, perdendo assim a oportunidade de crescerem como pessoas e como cidadãos. Que pena!

 

        Lá distante, do outro lado do mundo, nos contando outra história, está uma jovem que, como milhares, no seu país, tem o desejo de estudar, mas não pode por conta de um regime opressor e cruel, que chega as últimas consequências para fazer-se respeitar, ou melhor, obedecido. Os sonhos adormecem dentro dos peitos e definham até serem mortos num mar de sangue e de lamentos. Não se pode falar alto, pois as respostas são tiros na cabeça. Paradoxo de vidas. Extremos de terror...

 

       Sim, de terror. Cá, por não saberem que a grande maioria, no mundo, chora sem ter como realizar seus sonhos. Alguns, nem sequer têm o direito de sonhar. E os que tudo têm jogam por terra o que poderiam ser grandes, para sua Pátria e para si mesmos. Os de lá, querem e não podem e se acabam em mar de sangue sem nenhum propósito que nos faça acreditar que aquela vida está certa. Vida desumana e triste, isto sim. Está ai o extremo de um lado e lá está o outro.

 

       Merecidamente foi consagrado o Nobel da Paz a essa menina que sofreu na carne a dureza injusta do seu país de origem, onde a mulher a nada tem direito vivendo num regime arcaico e opressor, por sua grandiosa luta por aquilo em que ela acreditou e principalmente, lutou para conquistar e mudar a história das mulheres da sua terra. Que este nome nunca seja esquecido no mundo. É necessário que se cuide desta semente lançada para que o povo, principalmente o seu povo, reaprenda a sorrir o sorriso da vitória.

 

       O mundo anda carente de jovens de consciência e de vontade, como esta menina que trouxe ao seu povo um lampejo de luz, em busca dos seus anseios. Que nos mostrou na sua simplicidade de quase criança que o impossível não existe e é só uma mera pedra a nossa frente, a qual se pode muito bem afastar, não importa o quanto ela pese, ou qual o seu tamanho. Não se escreve um nunca para um sonho. O tamanho de um sonho, é do tamanho do coração onde ele, por ventura, habita.

 

       Citando agora o grande Platão: “A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento”. Ao que acrescento nosso conhecimento nos leva a descobrirmos o quão grandes somos enquanto criaturas, livres para pensarmos e buscarmos o melhor para nossas vidas, dentro do universo do aprendizado. Malala Yousafzai, 17 anos, paquistanesa, fará a partir de agora, e para sempre, parte da história universal.

 

 

Lígia Beltrão