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O Gerativismo e a Dicotomia
O Gerativismo e a Dicotomia

 

O GERATIVISMO E A DICOTOMIA COMPETÊNCIA E DESEMPENHO

PROCESSO DE AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM

O QUE É COMUM NO PROCESSO DE AQUISIÇÃO?

  • As crianças captam o que é regular no sistema e criam uma regra.

Exemplo. Pincel/pincelar; vassoura/vassourar?

As crianças adquirem primeiro palavras de conteúdo (substantivos, adjetivos, verbos) e depois palavras estruturais (pronomes, preposições).

Nomear = substantivos (concreto)

Verbos e adjetivos = mais abstrato

No início: uso de estruturas simples; depois: estruturas coordenadas e subordinadas.

O QUE POSSIBILITA A AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM?

  • Nascemos com uma capacidade inata para desenvolver a linguagem (nascemos com a GU e seus princípios).
  • A exposição à língua aciona o “gatilho” e permite que a Gramática Universal libere informações. Assim, a partir da GU, criamos a GP de nossa língua natural.
  • Desenvolvemos nossa língua natural ou nossas línguas naturais a partir da exposição aos dados linguísticos do ambiente.

 

GENIE

     Inserida no convívio social com 13 anos e 7 meses: adquiriu vocabulário, mas apresentou problemas na sintaxe e na morfologia.

  • Apresentou rápida aquisição do vocabulário, mostrando uma habilidade semântica superior àquela alcançada por crianças normais em igual período de tempo.
  • Apresentou pobre elaboração morfológica e um reduzido emprego de estruturas sintáticas complexas em sua fala, mostrando uma habilidade sintática bastante defasada em relação às crianças normais.

        Conclusão:

Aprender uma língua natural é um processo, e a experiência desempenha importante papel na aquisição da linguagem.

       

Chomsky: experiência = gatilho (trigger).

 

A MENTE É MODULAR

O caso de Genie corrobora a ideia de que a mente é modular, e a linguagem, por constituir um módulo independente dos demais, tem seus princípios próprios.

Por quê? Ela desenvolveu alguns aspectos da linguagem e não outros.

Conclusão. Até mesmo a faculdade da linguagem é modular, ou seja, teríamos módulos para  fonologia, morfologia, semântica e sintaxe.

A LATERALIZAÇÃO DO CÉREBRO

Lateralização:

O processo através do qual um dos hemisférios do cérebro é especializado para o desempenho de certas funções.

  •  A lateralização é comumente considerada como uma pré-condição evolutiva do desenvolvimento de inteligência superior no homem.

 Lateralização é sujeita à maturação, no sentido de que é geneticamente pré-programada e é específica aos seres humanos. Esse processo relaciona-se à capacidade das crianças para aprenderem uma língua natural.

 

A LATERALIZAÇÃO DO CÉREBRO

  • A lateralização começa quando a criança tem mais ou menos dois anos e completa-se em algum ponto da faixa entre os cinco anos e o início da puberdade.

Idade crítica para a aquisição da linguagem:

  •  Eric Lenneberg considera que a lateralização só termina na puberdade parecendo ser esse o limite máximo para a aquisição da linguagem.
  •  Stephen Krashen considera que a lateralização pode estar concluída entre os 5 e 6 anos de idade. Talvez seja por isso que nessa idade uma criança já adquiriu a maior parte da gramática.

 

QUAL É A FUNÇÃO DA EXPERIÊNCIA?

A função da experiência é ativar a competência linguística, ou seja, temos o gatilho e a GU passa a liberar informações para que construamos nossa GP. Desse modo, temos:

  •  Produtividade - fato de a criança produzir, quando ainda jovem, construções gramaticais que jamais ocorreram antes em sua experiência.
  •  Criatividade - fato de a linguagem humana ser independente de estímulo, na medida em que “o enunciado que alguém profere em dada ocasião é, em princípio, não predizível, e não pode ser descrito apropriadamente, no sentido técnico desses termos, como uma resposta a algum estímulo identificável, linguístico ou não linguístico.” (Lyons, 1987:212-213)

 

QUAL É A FUNÇÃO DA EXPERIÊNCIA?

A chamada regularização, por exemplo, mostra a criança aplicando rigorosamente, também a formas sujeitas a casos especiais, as regras gerais que já internalizou.

  •  *fazi ou *trazi  - regra que gera as formas regulares como bati, comi etc.;
  •  *cobrido *fazido, *escrevido pelos modelos regulares dormido, comido, batido etc.;
  •  *eu pego tu; *não empurra eu; * mais grande, * mais bom, como mais alto, mais fraco etc..

 

A COMPETÊNCIA LINGUÍSTICA

Para Chomsky, a Linguística deve estudar a competência; ela é puramente linguística.

       

A competência é o conhecimento do indivíduo sobre sua língua natural.

Competência relaciona-se à cognição; a principal função da língua é expressar o pensamento.

Competência -  conjunto de normas que o falante internaliza e que lhe permite emitir, receber e julgar os enunciados em sua língua.

COMPETÊNCIA  x DESEMPENHO

Saussure: langue x parole

Chomsky: competência x desempenho.

  •  Desempenho - O uso que o falante faz do conhecimento que tem sobre a língua; comportamento do indivíduo.

O desempenho por estar sujeito a fatores extralinguísticos não seria analisado pela linguística e sim pela psicologia.

        Desempenho (Chomsky) = Fala (Saussure)

O desempenho é variável: se falamos em público, se estamos aborrecidos etc.

 

Apresente as sentenças abaixo a um grupo de indivíduos falantes nativos da língua portuguesa. Selecione indivíduos de diferentes níveis de escolaridade e até mesmo analfabetos. Você pode ler ou escrever as sentenças para o seu informante. Peça a ele para, com base na própria intuição, dizer qual(is) sentença(s) pode(m) ser entendida(s).

 

1) Eu comi um bolo delicioso.

2) Quantas fatias de bolo você já comeu?

3) Que fatia você comeu quantas do já bolo?

 

Certamente, independentemente do nível de escolaridade do seu informante, você terá como resposta que a sentença (3) não faz sentido, não é mesmo? Por que isso acontece?

 

Uma das preocupações da teoria gerativa é compreender como é possível que os falantes nativos de uma língua tenham intuições sobre as construções sintáticas que ouvem e produzem.

A partir dos resultados do teste, foi possível perceber que seus informantes, intuitivamente, disseram que (1) e (2) são sentenças possíveis na língua, ou seja, gramaticais. Por outro lado, todos avaliaram a sentença (3) como anormal, estranha, não é mesmo? Logo, podemos dizer que essa sentença é agramatical, ou seja, causa-nos um estranhamento, não ouvimos ninguém falando assim. Por isso, vamos sinalizá-la com um asterisco (*), cuja função é marcar essa agramaticalidade:

 

(1)    Eu comi um bolo delicioso. = SETENÇAS GRAMATICAIS

(2)    Quantas fatias de bolo você já comeu? = SENTENÇAS GRAMATICAIS

(3)    * Que fatia você comeu quantas do já bolo?  = SETENÇA GRAMATICAL

 

Como conseguimos reconhecer sentenças gramaticais e agramaticais? Só conseguimos isso porque temos um conhecimento implícito da nossa língua. Todos os falantes nativos de uma língua, independentemente de terem ou não frequentado a escola, apresentam esse conhecimento, que é inconsciente e natural e não está, de modo algum, relacionado ao conhecimento das regras normativas da língua.

 

Ao fazer a atividade, você percebeu o quanto a intuição do falante sobre o que faz parte ou não da nossa língua é importante. Além disso, foi possível notar que os conceitos de gramaticalidade/agramaticalidade não recobrem, de modo algum, os conceitos de “certo” e “errado” estabelecidos pela gramática normativa.

ATENÇÃO = Para os gerativistas, esse conhecimento intuitivo e internalizado que temos é chamado de competência linguística. Quando essa competência é colocada em uso, temos o desempenho linguístico do indivíduo, ou seja, o uso concreto da língua.

A COMPETÊNCIA LINGUÍSTICA

A competência (Chomsky) NÃO corresponde à língua de Saussure.

  • Saussure: língua é fato social, uma instituição humana, cujo objetivo é a interação social, estando a língua incluída nas ciências sociais.
  • Competência (processo mental) -  conjunto de normas que o falante internaliza e que lhe permite emitir, receber e julgar os enunciados em sua língua.

     

A principal função da língua é cognitiva, ou seja, expressar o pensamento. Sob essa perspectiva, a função comunicativa está em segundo plano.

 

 

Objeto de Estudo da Linguística para Chomsky: a Competência Linguística

Chomsky estabelece uma distinção entre a competência linguística do falante e seu desempenho. A proposta teórica gerativa assume que à Linguística interessa o estudo da competência.

E o que é o desempenho?

DESEMPENHO (ou performance): é uso que o falante faz da língua. O desempenho relaciona-se ao que Saussure denominou fala. Vale lembrar que o desempenho linguístico de um indivíduo está relacionado a diversos fatores como atenção, memória, visão de mundo etc. Por exemplo, se um indivíduo for tímido e falar pouco, isso não significa que a sua competência linguística é inferior a de outros indivíduos. A questão envolve apenas a sua atuação, mas não o seu conhecimento internalizado.

ATENÇÃO = LEIA UM COMENTÁRIO IMPORTANTE SOBRE AS DICOTOMIAS “LÍNGUA X FALA” E “COMPETÊNCIA X DESEMPENHO”

Embora o conceito de fala de Saussure e o conceito de desempenho de Chomsky sejam equivalentes, na visão do linguista estruturalista, a principal função da língua é a interação social. Para Chomsky, a língua apresenta uma função cognitiva.

 

Vamos observar mais alguns exemplos:

 

1) Vou comprar dois pão.

2) Vou comprar dois pães.

3) *Comprar dois vou pães.

Um falante nativo da Língua Portuguesa saberá que é possível produzir enunciados como (1) e (2), mas que (3) é um enunciado que não faz parte da língua e é, por isso, agramatical (*). Produzir “dois pão” ou “dois pães” é apenas uma diferença percebida no desempenho, que não se relaciona ao conhecimento linguístico que o falante tem internalizado. (1) e (2), portanto, apresentam a mesma estrutura.

 

A análise linguística, segundo Chomsky, deve descrever as regras que governam a estrutura da competência. Para ele, os linguistas não devem investigar o desempenho, ou seja, o comportamento do indivíduo, mas sim a competência dos falantes, já que ela é puramente linguística. Assim, Chomsky considera que a Linguística pode contribuir para a compreensão da organização da mente humana.

COMPETÊNCIA GRAMATICAL

Competência gramatical - conhecimento que têm os falantes/ouvintes da língua e da linguagem, independentemente de qualquer informação extralinguística.

  • Formação das frases - gramaticais (bem formadas sintaticamente) e agramaticais (com problemas sintáticos). 
  • Gramaticalidade é um conceito que define as sequências que pertencem ou não à língua.
  •  As sequências geradas pela gramática da língua, em acordo com essas regras internalizadas, são gramaticais e as que não pertencem à gramática da língua, desobedecendo, portanto, tais regras,  são agramaticais. 

      

       Chomsky considera que frases agramaticais não ocorrem já que o falante não as ouve e, portanto, não as internaliza.

  • O falante nativo decide se uma sentença é gramatical ou não baseado no seu conhecimento da língua, ou seja, na sua competência.

 

  • Atenção: frases agramaticais não estão formadas seguindo as regras da língua, não sendo compreendidas pelos falantes.

Chomsky afirma que não se produzem frases agramaticais: se não internalizamos a regra, não produzimos a sentença.

  •  Gramaticalidade  estabelece quais  sentenças pertencem ou não a uma língua, e quem decide isso é o falante nativo, escolarizado ou não.

Exemplos: viu ele x viu-o ; tu vais x você vai; fui à praia x fui na praia.

COMPETÊNCIA PRAGMÁTICA

Competência pragmática ultrapassa o nível da informação sobre a forma e o significado das sentenças. (aceitável / inaceitável)

Aceitabilidade - julgamentos dos falantes; fenômeno intuitivo; baseia-se no fato de a sentença ser ou não gramatical mas considera também fatores relacionados ao desempenho como limitação de memória, fatores semânticos etc.

Toda frase agramatical é inaceitável (cf. “o viu cinema Beto no”), mas  uma frase pode ser gramatical e ser inaceitável devido outros fatores.

GRAMATICALIDADE X ACEITABILIDADE

  • Toda frase agramatical é inaceitável: *Na vai praia nós.
  • Uma frase gramatical do ponto de vista gerativo, nada tem a ver com correção do ponto de vista normativo.

           Exemplo.

           Nós vai na praia.

           Gramatical e aceitável do ponto de vista gerativo.

“ Ele é viúvo, mas a mulher dele ainda não morreu.” (Lobato: 1986: 51)

Gramatical, mas inaceitável (problemas em termos de julgamento).

GRAMATICALIDADE X ACEITABILIDADE

1.O rapaz saiu.

2. O rapaz que o homem viu saiu.

3. O rapaz que o homem que a moça convidou viu saiu.

4. O rapaz que o homem que a moça que João beijou convidou viu saiu.

 

A Noção de Constituinte e a Representação Arbórea

Com o objetivo de descobrir o que há de universal na linguagem humana, o primeiro modelo teórico gerativista, chamado de gramática transformacional, passou por várias mudanças ao longo das décadas de 1960 e 1970. Como afirma Kenedy (2009, p.131), “os objetivos dessa fase do gerativismo consistiam em descrever como os constituintes das sentenças eram formados e como tais constituintes transformavam-se em outros por meio da aplicação de regras”.

Desse modo, a partir de um conjunto limitado de regras sintáticas, os indivíduos são capazes de produzir infinitas sentenças gramaticais. Assim, essas sentenças são formadas a partir da combinação dos constituintes e da aplicação de determinadas regras capazes de formar outras sentenças. Como o foco da investigação gerativista é a sintaxe, busca-se descrever essas regras sintáticas que possibilitam a “geração” de infinitos enunciados. Por essa razão, pode-se pensar em uma “metáfora computacional” por converter a língua em um algoritmo matemático.

Vejamos, abaixo, a representação arbórea apresentada em Kenedy (2009):

A análise linguística deve descrever as regras que governam a estrutura da competência fornecendo subsídios para a compreensão da organização da mente humana.

        O estudante  leu o livro.  

                SN             SV      

               O       estudante

SN          Art           N

         leu     o livro

SV       V         SN

 

 

Temos uma sentença (S) “O estudante leu o livro.”, formada por um sintagma nominal (SN) “o estudante” e o sintagma verbal (SV) “leu o livro”. Por sua vez, percebemos que o SN é formado pelo determinante (DET) “o” e pelo nome “estudante”. Já no SV “leu o livro”, temos o verbo (V) e o SN “o livro”, que funciona como seu complemento.

 

Veja mais árvores apresentadas em Kenedy (2009). Dessa vez, temos duas estruturas diferentes. Além da voz ativa, temos também a representação da sentença na voz passiva, formada a partir da primeira, que é considerada a sua estrutura de base. Como mostra o autor, para “dar conta da relação entre estruturas diferentes, mas relacionadas, os gerativistas formularam as regras transformacionais. Essencialmente, uma transformação forma uma estrutura a partir de uma outra previamente existente.

 

TRANSFORMAÇÃO PASSIVA:

 

Como entender mais sobre o nosso sistema linguístico?

Tendo como objetivo ressaltar o lado biológico do Gerativismo, proposto por Chomsky, estudos sob essa perspectiva procuram verificar o modo como a linguagem está representada no cérebro. O foco desses estudos pode ser o processo de aquisição ou de perda da linguagem.

Assim, com o estudo sobre a aquisição da linguagem, busca-se explicar a relação que se estabelece entre a capacidade inata da criança para o desenvolvimento linguístico da Gramática Universal (GU) e a experiência linguística a qual ela é exposta na formação da gramática particular de sua língua.

A partir do estudo sobre as patologias da linguagem, busca-se avaliar teorias linguísticas sobre indivíduos normais e chegar à organização da linguagem, objetivando entender mais a respeito da representação da linguagem na mente/cérebro.

 

ATENÇÃO= A fim de entendermos como funciona a linguagem, tendo o cérebro humano como base, surgiram os estudos de patologia da linguagem, como os de afasia – a qual se caracteriza por ser um déficit especificamente linguístico decorrente de lesão em uma ou mais áreas relacionadas à linguagem no cérebro – que se mostraram muito importantes nos estudos neurolinguísticos (cf. TAVARES, 2008).

 

Uma das críticas mais frequentes aos estudos gerativistas diz respeito ao fato de o foco central da teoria ter sido o desenvolvimento da competência linguística no nível da sintaxe.

 

Alguns críticos, embora aceitem a distinção competência versus desempenho proposta por Chomsky, desenvolvem um modelo que contempla, além do componente sintático, os componentes fonológico e semântico. No entanto, há outros críticos que, severamente, rejeitam a ênfase dedicada pelo modelo gerativista à investigação sobre a natureza da representação da competência dos falantes. Para eles, o desempenho dos falantes deve ser considerado e investigado.