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O Formalismo Russo
O Formalismo Russo

Biblioteca do Estado Russo.

 

O Formalismo Russo

 

  • O Formalismo Russo como estudo da linguagem poética;
  • Semelhanças e diferenças entre as várias correntes do Formalismo Russo.

 

 

Origens do Formalismo Russo – O Círculo Linguístico de Moscou e a OPOJAZ

 

Universidade Estatal de Moscou - É uma das universidades mais antigas e a mais importante da Rússia. Aqui surgiu o Círculo Linguístico de Moscou.

  • Desenvolver estudos de Linguística e de Poética;
  •  Estabelecer uma análise estrutural da linguagem de um modo geral, e dapoesia em particular (Jakobson).

 

 Roman Jakobson

 

 O INÍCIO

A origem do Formalismo Russo encontra-se na Universidade de Moscou, quando, em 1914-15, um grupo de estudantes fundou o Círculo Linguístico de Moscou e se dedicou a desenvolver estudos de linguística e de poética. Entre seus fundadores, destaca-se Roman Jakobson, importante linguista que se dedicou à análise estrutural da linguagem de um modo geral, e da poesia em particular.

Panorama Histórico Mundial

O Círculo Linguístico de Moscou e a OPOJAZ

O termo função poética foi cunhado nesta época, instituindo importantes considerações sobre a linguagem literária.

 

 

A OPOJAZ

Em 1916 é fundada a OPOJAZ – Sociedade para o Estudo da Linguagem Poética, projeto de linguistas e estudiosos de Literatura que tinha como finalidade consolidar os estudos formalistas. No entanto, uma forte corrente marxista começou a fazer oposição a esse grupo de pesquisadores, valendo-se da força política que, na época, favorecia uma ideologia que vinculava a produção artística a conflitos sociais. Como os formalistas opunham-se a essa visão que, no seu entendimento, limitava a arte, foram perseguidos e se dispersaram pelo ocidente, desenvolvendo trabalhos individualizados.

 

Viktor Chklovsky

 

Viktor Chklovsky (1893 – 1984). Considerado pai do Formalismo Russo,  formulou o ensaio “A arte como procedimento” baseando-se no argumento de que a língua poética é um desvio da língua cotidiana.

Em 1917, Viktor Chklovsky formulou o ensaio “A arte como procedimento”, no qual propõe uma compreensão da literatura a partir de conceitos linguísticos, baseando-se no argumento de que a língua poética é um desvio da língua cotidiana.

 

 Tzvetan Todorov

 

Tzvetan Todorov nasceu na Bulgária em 1939. Naturalizado francês, o filósofo e linguista é considerado hoje um dos mais importantes pensadores do século 20. Suas obras reúnem  textos dos formalistas russos.

A REPRESENTAÇÃO

A projeção do Formalismo Russo no ocidente também se deve a Victor Erlich, autor da obra Russian Formalism (1955), e Tzvetan Todorov, responsável por coligir textos dos formalistas russos.

 

Este livro, do autor Critovão Tezza, faz uma síntese do pensamento de Bakhtin e apresenta as linhas fundamentais da concepção formalista de poesia.

 

 

 

MARXISMO X FORMALISMO

MARXISMO

1-      A obra literária é a expressão de seu tempo;

2-      A arte, direta ou indiretamente, reflete a vida dos homens;

3-      A poesia lírica não se vincula ao espírito social de uma época.

 

FORMALISMO

1-      Não se importavam com a motivação social da obra;

2-      Defendiam a abordagem morfológica da obra;

3-      O objeto investigado era a própria obra.

 

Contrário ao Marxismo, o Formalismo Russo caracterizou-se pela recusa de abordagens sociológica, política e filosófica que serviam de base para muitos estudos literários da época. Para os formalistas, a análise literária deveria ser efetuada apenas por meios estéticos,  sem relevar aspectos externos da obra.

Conceitos fundamentais do Formalismo Russo: estranhamento e literariedade

  • estranhamento: relação entre o texto e o leitor na qual a Literatura promova, no destinatário, a reconstituição da realidade;
  •  literariedade: especificidade do objeto literário, o que privilegia o texto e não o seu autor.

  

 Edgar Allan Poe (1809 - 1849)

 

“Defino a poesia das palavras como Criação Rítmica da Beleza. O seu único juiz é o Gosto.” (http://pensador.uol.com.br)

 

O Formalismo Russo reagiu contra os estudos geneticistas da Literatura, negando uma visão científica e determinista do texto literário. Os formalistas consideravam a autonomia da obra de arte como objeto de investigação, o que já havia sido esboçado pelos simbolistas franceses, os quais propunham a “arte pela arte”, o que já havia sido proposto, no século XIX, por Edgar Allan Poe.

 

 

 

Boris Eichenbaum (1886-1959)

 Interessava aos formalistas uma relação entre o texto e o leitor na qual a Literatura promova, no destinatário, a reconstituição da realidade através do “estranhamento”.

 

Também contrários à tendência marxista, os formalistas russos não se importavam com a motivação social da obra. O Formalismo ocupa-se da relação entre a mensagem e o destinatário, mas sem vínculos com o contexto social. Por esse motivo, o teórico Boris Eichembaum propôs que se considerasse uma abordagem morfológica da obra, a fim de que se diferenciasse de outras abordagens, como a psicológica e a sociológica. Pela análise morfológica, o objeto a ser investigado seria a própria obra, enquanto pelas outras abordagens, investigar-se-iam outros aspectos que na obra se refletem.

 

 "Banho de um cavalo vermelho"

 

 

(1912) Obra do pintor e escritor Kuzma  Petrov. No período pré-formalista considerava-se que a imagem na arte tinha a função de promover analogias.  

 

Antes dos formalistas, na Rússia, considerava-se que a arte corresponde ao pensamento organizado por imagens. Privilegiava-se o conhecimento adquirido com a arte e, para tanto, a imagem, na arte, tinha a função de promover analogias, ou seja, estabelecer semelhanças entre coisas diferentes, o que exigia ser a própria imagem mais simples do que a mensagem que ela pretendia transmitir; além disso, o estudo das imagens estava associado ao estilo de cada autor.  

 

 

Na análise do texto literário passa a ser considerada não apenas sua a estrutura verbal, como também a percepção do leitor e o reconhecimento de uma nova forma de o autor se expressar.

O ESTUDO

Em seu ensaio chamado “O Formalismo Russo” (vide indicação em “Atividades”), Ivan Teixeira aponta o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, como o exemplo mais evidente de estranhamento, considerando que a obra se constitui pela visão de um “defunto autor”.

 

A PALAVRA

 

O leitor, logo no início do texto, passa por um processo de “desautomatização”, ou seja, deixa de ter uma compreensão automática do que lê, tendo em vista que se apresentou a ele uma proposta nova, diferente do que se havia estabelecido anteriormente para a elaboração de uma obra literária. O leitor estranha, de imediato, a “Dedicatória” elaborada pelo autor: “Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas”.

 

 Pioneirismo

Roman Jakobson

 Foi um pensador russo que se tornou num dos maiores linguistas do século XX e pioneiro da análise estrutural da linguagem, poesia e arte.

 

 

Outro importante morfologista, Roman Jakobson, argumenta que a investigação literária não deve ter como objeto a Literatura, mas a literariedade, ou seja, a especificidade do objeto literário, o que privilegia o texto e não o seu autor.

É com essa proposta que os formalistas russos se contrapõem a outras correntes de pensamento que também se aplicavam ao estudo literário, como o determinismo e o positivismo.

 

MANIFESTO da literariedade

 

Jakobson elaborou um manifesto que esclarece o processo de literariedade:

 

"A poesia é linguagem em sua função estética. Deste modo, o objeto do estudo literário não é a literatura, mas a literariedade, isto é, aquilo que torna determinada obra uma obra literária. E, no entanto, até hoje, os historiadores da literatura, o mais das vezes, assemelhavam-se à polícia que, desejando prender determinada pessoa, tivesse apanhado, por via das dúvidas, tudo e todos que estivessem num apartamento, e também os que passassem casualmente na rua naquele instante. Tudo servia para os historiadores da literatura: os costumes, a psicologia, a política, a filosofia. Em lugar de um estudo da literatura, criava-se um conglomerado de disciplinas mal-

-acabadas. Parecia-se esquecer que estes elementos pertencem às ciências correspondentes: História da Filosofia, História da Cultura, Psicologia etc., e que estas últimas podiam, naturalmente, utilizar também os monumentos literários como documentos defeituosos e de segunda ordem. Se o estudo da literatura quer tornar-se uma ciência, ele deve reconhecer o 'processo' como seu único 'herói'.

 

EIKHENBAUM, Boris et alii. Teoria da literatura: formalistas russos. Trad. Ana Mariza Ribeiro. et alii. Porto Alegre: Globo, 1978.

 

 

“Agora sabes que sou verme.

Agora, sei da tua luz.

Se não notei minha epiderme...

É... nunca estrela eu te supus.

Mas, se cantar pudesse um verme,

Eu cantaria a tua luz!

 

E eras assim... Por que não deste

Um raio, brando, ao teu viver?

Não te lembrava. Azul-celeste

O céu talvez não pôde ser...

Mas, ora! enfim, por que não deste

Somente um raio ao teu viver?

 

Olho, examino-me a epiderme

Olho e não vejo a tua luz!

Vamos que sou, talvez, um verme...

Estrela nunca eu te supus!

Olho, examino-me a epiderme...

Ceguei! ceguei da tua luz?”

 

“O Verme e a Estrela”, poema  do simbolista brasileiro Pedro Kilkerry (1885-1917).

 

Os conceitos literariedade (literaturnost) e estranhamento (ostranenie) são as marcas específicas da literatura: o dizer algo de outra maneira, que leva a uma compreensão distinta da obra de arte, aquilo que se torna incomum e se afasta do dizer cotidiano.

 

Para os formalistas, a poesia e suas metáforas não estabelecem uma “economia da linguagem”, como ocorre na comunicação verbal cotidiana. Isto cria um afastamento do objeto conhecido de sua função comum.  

 

A perspectiva formal da análise literária

 

A Poética

 

A “palavra poética” é o objeto fundamental de estudos dos formalistas russos, e que melhor define a perspectiva da análise literária que os teóricos filiados ao Formalismo apresentam.

 

A Poesia

 

Na poesia, a palavra não tem como única função a mensagem denotativa, a qual remete a uma coisa específica; também não atende exclusivamente ao apelo da emoção.

 

A Estética

 

De acordo com a perspectiva formal de análise literária, é necessário que o leitor investigue a multiplicidade do signo, explorando todas as possibilidades de significação das palavras. Por esse motivo, a semântica é um instrumento de análise da estética da poesia.

 

Acompanhe agora a  definição de “poética” segundo os formalistas russos

 

A Prosa

 

Chklovsky, Eichembaum e Todorov elaboraram análises formalistas de textos em prosa, considerando o conceito de “prosa poética”, pelo qual se entende que as propriedades da poesia podem ser utilizadas na narrativa.

 

 O Autor

Também deve ser destacado o nome de Vladimir Propp, teórico estruturalista que analisou os componentes básicos dos contos populares russos, a fim de identificar os seus elementos indivisíveis, ou seja, Propp analisava os contos com o objetivo de encontrar o núcleo simples dos mesmos, comprovando a existência de uma estrutura comum em todos os contos, como a figura do herói, a sua luta e a superação das dificuldades.

 

A Obra

Sua obra Morfologia do Conto Maravilhoso, publicada em 1928, influenciou diversos autores como Todorov, Claude Lévi-Strauss e Haroldo de Campos.

Vladimir Propp (1895 – 1970) -  Autor do Livro Morfologia do Conto Maravilhoso.