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O Encontro foi no Museu
O Encontro foi no Museu

O ENCONTRO FOI NO MUSEU

 

NOITE DOS MUSEUS ATRAIU, EM SUA ESTREIA, UM GRANDE PÚBLICO QUE FORMOU FILAS E LOTOU OITO ESPAÇOS CULTURAIS DE PORTO ALEGRE.

 

A noite do último sábado em Porto Alegre tem tudo para entrar para a história da vida cultural da cidade.  Um grande público gerou um movimento fora do normal ao lotar e formar longas filas em espaços artísticos que habitualmente estão de portas fechadas nesse período do dia.  O motivo foi a Noite dos Museus, evento que em sua estreia convidou a comunidade a ver exposições e também uma programação especial com música e outras atividades, das 19h à meia-noite, em oito tradicionais endereços artísticos da Capital.

 

Mas não foi somente por promover a aproximação com a arte em um horário alternativo que o evento ganhou um caráter histórico.  A Noite dos Museus também mostrou que o público cultural de Porto Alegre quer atrações diferenciadas e condições que permitam apreciá-las saindo às ruas à noite com tranquilidade na companhia da família e dos amigos.  Pelo menos foi o que se viu nesse sábado, quando os museus receberam os visitantes em clima de encontro e celebração.

 

- Foi a glória, uma festa dos museus produzindo um clímax na cidade – diz o curador do projeto, o historiador, antropólogo e professor da UFRGS Francisco Marshall.

 

- É uma coisa maravilhosa os museus repletos de gente, as praças tomadas, as pessoas num grau extremo de felicidade, vendo arte, ouvindo música e se encontrando.

 

Chamou atenção o grande número de famílias que saíram de casa para percorrer o roteiro da Noite dos Museus.  Foi o caso da empresária Luciana Kalil, 33 anos, que visitou com os filhos – um deles Inácio, oito meses – três museus, entre eles a Fundação Iberê Camargo.

 

- Desde que soube da Noite dos Museus, pensei em trazer os meus filhos para compartilhar, estar junto, pensar a cidade à noite.  Já havia levado o Ernesto (de quatro anos) a outras exposições, mas, desta vez, é diferente, tem música e muita gente.  Percebi nos dois um encantamento, uma curiosidade diferente.

 

Além da Fundação Iberê Camargo, integraram a Noite dos Museus o Planetário, o Museu Joaquim Felizardo, o Museu da UFRGS, a Pinacoteca Rubem Berta, o Museu  de Arte do RS (Margs) e o Museu de Arte Contemporânea do RS (MACRS, na Casa de Cultura Mario Quintana).  Com o burburinho do público quebrando o habitual clima silencioso dos museus, o passeio também foi brindado por uma noite de frio agradável e uma bela lua cheia.

 

- É interessante a proposta porque a gente consegue ver o museu de uma forma diferente – disse o professor de Física André Klock, 23 anos, que visitou a Fundação Iberê Camargo acompanhado da namorada Pâmela Nunes, 23.

 

Avaliada como bem-sucedida pela organização, a Noite dos Museus já tem garantia de sequência no próximo ano e expectativa de uma nova versão ainda em 2016.

 

- O público surpreendeu mais do que qualquer previsão – comenta Marshall. – Fomos acolhidos pelas pessoas em quantidade e qualidade.  Haverá uma segunda edição no ano que vem e vamos tentar realizar em breve a Primavera dos Museus.  Não sei se vamos conseguir, mas queremos muito.

 

Hique Gomes, um dos artistas que participou da programação musical da Noite dos Museus, aprovou a iniciativa:

 

- É um evento maravilhoso, a cidade está efervescente nesta noite.

 

MANIFESTAÇÕES E APLAUSOS NO CENTRO

 

Um grupo de pelo menos 30 pessoas realizou uma série de rápidas intervenções contra o presidente interino Michel Temer na Noite dos Museus.  Portando cartazes e bradando frases como “Fora, Temer” e “Pela arte, pela cultura, não ao golpe, não à ditadura”, os manifestantes protestaram nos espaços do roteiro do evento localizados na área central da Capital, recebendo aplausos dos outros visitantes.  No sábado, o presidente interino Michel Temer recuou na decisão de anexar a pasta da Cultura como secretaria do Ministério da Educação.

 

- Nos manifestamos pela importância de termos um ministério da Cultura que tenha autonomia, pluralidade e diversidade, o que só pode acontecer dentro de um ministério e não em uma secretaria – afirmou a professora da UFRGS Ana Maria Albani, uma das integrantes do grupo.

 

 

Fonte:  ZeroHora/Segundo Caderno (segundocaderno@zerohora.com;br) em 23 de maio de 2016.